domingo, abril 04, 2021

O pluralismo mediático acabou?

 Em França é o que se diz e há quem o afirme na capa de uma publicação deste mês. Aliás este assunto tem sido alvo de atenção de algumas publicações francesas, as quais denunciam há anos a esta parte a tendência crescente da invasão e influência cultural da sociologia de matriz americana em diversos países europeus, com destaque para o Reino Unido e a França. 

Por cá, será apenas uma questão de tempo sendo certo que todos os sinais já estão aí, nos media principais, desde as redacções de alguns jornais e revistas ( Público e Visão, particularmente) até às redacções dos sapos todos que se engolem nas televisões. 

Na capa desta publicação menciona-se uma especial atenção a Jean-François Khan, um jornalista que conhece bem o panorama mediático francês porque trabalhou nos principais jornais e fundou algumas revistas importantes, da área de um centro político descomprometido com poderes de blocos centralizados de interesses.

Por isso vale a pela ler o que diz: 



JFK não tem dúvidas que em França o pluralismo já está morto, em virtudes das derivações radicais e extremistas de dois lados, da esquerda e também de certa  direita. 


Cita o caso das manipulações mediáticas a propósito de ideias politicamente correctas, sem contraditório e segundo orientações ideológicas dos meios de informação. 





Para JFK não há objectividade possível no jornalismo porque a própria natureza da profissão tal  implica. Portanto a questão é saber como se equilibram as coisas desse ponto de vista e actualmente não existe tal equilíbrio : 


Num pequeno artigo de oito páginas outro autor tenta explicar como é que a imprensa foi liquidada e por quem: através de suicídio, de autodestruição  por falta de qualidade intrínseca, por incúria do jornalismo ( é o que se vê mais por aqui, actualmente)  e também por intervenção de terceiros, no caso a modificação dos meios de informação, com a entrada e cena da indústria digital, os GAF ( Google, Amazon e Facebook) .






JFK foi quem lançou em 1997 a revista Marianne cujo primeiro número comprei e depois disso centenas de outros ( já vai no nº 1254, esta semana escrito MCCLIV).




Antes, em 1984 tinha lançado outra revista que comprei a primeira vez apenas em 1988 e depois disso muitas vezes, por causa desta capa e artigo desenvolvido que o desgraçado Louçã não leu, pela certa.  


Um bom exemplo do que é a ausência de pluralismo informativo é este artigo publicado no suplemento D do Correio da Manhã de hoje.
Desde logo a linguagem usada é tendenciosa e desinformativa, com a palavra "negacionista" abusada, violada até na sua integridade semântica,  para dar o mote ao artigo. : 


Depois é desinformativa, típica de jornalismo de fake news ao inferir de algum modo que o processo disciplinar ao juiz mencionado e mostrado como uma espécie de pivot destas coisas, foi instaurado pelo CSM por causa da atitude publicamente assumida em "redes sociais" pelo juiz em causa.
Não foi: o processo começou por causa de faltas injustificadas ao serviço e apenas isso. 


Na essência do artigo- assinado por Marta Martins da Silva, uma jornalista anódina cuja formação desconheço- reside outro vício do jornalismo actual: tomar partido, mesmo ideológico, despudorado e assumido como se fosse uma verdade consensual o que se escreve e transmite. 

A verdade é aquela que aparece escrita sem espaço algum para a dúvida ou sequer a interrogação céptica de quem forçosamente pouco perceberá do assunto. 
Enfim, é esta uma das razões mais significativas para a decadência do jornalismo e para a morte do pluralismo informativo. 
Esta gente nem se dá conta que estão a cavar a própria sepultura profissional. E estas atitudes, a mim nem pena me merecem porque afinal quem julga que o jornalismo será isto nem sequer deveria ter pensado em ocupar lugar numa redacção. 
Melhor seria que fosse para a caixa de um supermercado, passar produtos pelos leitores ópticos de código de barras. 
Afinal, em alguns casos, são os donos dessas mercearias modernas quem financia estas aberrações.



Uma das explicações mais comezinhas para este tipo de jornalismo de massa é dada pela citação que está no frontespício da revista francesa agora publicada e que já tem mais de cem anos:

"A imprensa é uma boca obrigada a estar sempre aberta e sempre a falar. Daí que diga mil vezes mais do que tem a dizer e muitas vezes se ponha a divagar"

Sem comentários:

A dimensão pessoal dos magistrados