quarta-feira, 7 de abril de 2021

O TCIC vai acabar por causa de uns pindéricos

 O problema do tribunal central de instrução criminal é velho mas só ganhou visibilidade mediática com os processos recentes que envolvem pessoas ligadas a estruturas de poder político-financeiro de relevo, como é o caso de um ex-primeiro ministro e as suas ligações colaterais, incluindo banqueiros e gestores de coisas públicas e privadas, misturadas. 

José Sócrates foi o autor deste golpe na justiça. 

O caso Face Oculta teve o seu epicentro em pessoas ligadas a José Sócrates. O caso EDP, idem; o caso PT, idem aspas; o caso Ocpapharma aspas aspas e o caso do BES/GES é apodíctico: nunca teria acontecido do mesmo modo caso José Sócrates não tivesse chegado a primeiro-ministro. Passos Coelho não atendia telefonemas do dito manda chuva, com perfil psicológico igualmente pindérico, no caso miserável e sem classe contingente a um banqueiro que se preze.

Aliás, quem tem em  mãos exclusivas tais processos agora em fase de instrução? O mesmo juiz.  Calharam-lhe a ele...e tudo o que se dizia dantes acerca do incómodo em ser apenas um juiz a julgar tais casos deixou de ser válido e não se usa agora como argumento, o que diz muito sobre quem usou tal argumento. 

Então, por causa de um indivíduo de índole pindérica como é José Sócrates ( economicamente miseráve e pelintra, como ele mesmo se classificou), as "forças vivas" da Nação querem acabar com o sítio onde se extremaram as lutas jurídicas em que os actos desse indivíduo foram analisados e de algum modo julgados previamente ao julgamento real que deveria ocorrer tem tempo útil e o sistema jurídico não permitiu.

Há por isso um problema jurídico desde a nascença destes processos e só agora, a escassos dois dias de se saber qual o destino desse indivíduo relativamente aos factos de que é acusado, se torna evidente para quem deveria ter pensado nisso há muitos anos: 





Claro que como diz António Ventinhas, a discussão é muito antiga, mas só agora é repristinada pelo presidente do STJ e por inerência do CSM, como questão essencial para resolver o problema do escândalo que se prepara para a próxima Sexta-Feira: a não pronúncia do pindérico José Sócrates ( como ele se classificou ao dizer que vivia do vencimento, como todos os que trabalham...e portanto não são ricos nem fazem vida de rico) em partes substanciais da acusação deduzida pelo MºPº.

Como é que isto é sabido? Porque a "assessora" designada pelo mesmo CSM para ajudar o titular do processo a redigir o despacho de pronúncia, redigiu partes importantes da decisão e como estava a ser inspeccionada enviou tais partes para o CSM e para atenção do inspector, como "trabalho" a considerar na classificação de serviço. 

O segredo ficou assim esboroado...mas ninguém se atreve a dizer o que parece evidente, apesar de tal constar já nos mentideros habituais do jornalismo de ocasião.

 Veremos então, Sexta-Feira,  se o tal despacho configurará mesmo o escândalo que se afigura previsível, segundo os mentideros. 

De resto o problema agora enunciado pelo pSTJ sendo antigo não foi considerado senão recentemente.

  Ainda há pouco tempo o inefável presidente da ASJP que tem escrito no Público sobre tudo o que mexe na área da Justiça ( e pouco sobre questões verdadeiramente sindicais) dizia coisa diferente e que o TCIC não era para acabar. 

Agora já é...pelos vistos. Sinais dos tempos e tudo por causa de uns pindéricos, o que denota que a magistratura portuguesa dá ouvidos a tal gente e é uma maria vai com as outras. 


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