quinta-feira, 29 de abril de 2021

A loffada de ar bafiento

 Público de hoje, uma entrevista a um historiador que também é militar e combateu na guerra do Ultramar, então português. 

Como há muita falta deste género de perspectivas históricas em contraposição às dos Loffs e demais Rosas Flunsers, aqui fica, além do mais para lembrar o passado que não nos envergonha.

Também concordo com a ideia de que os nossos territórios de Além-mar que descobrimos enquanto europeus e ocupamos enquanto colonizadores durante séculos,  estabelecendo com povos autóctones uma relação de convivência única e sem paralelo no mundo, deveriam ter sido entregues no final dos anos cinquenta, a povos autóctones, tal como fizeram outras nações europeias que igualmente colonizaram territórios de além-mar. Nós não tínhamos então gente suficiente para ocupar todos os territórios como aconteceu no Brasil e evitar o predomínio de quem se sentia "filho da terra" por ter lá nascido e com antepassados também nativos. 

Salazar não ajuizou que tal seria a opção mais correcta e adequada às circunstâncias objectivas  e isso determinou o país que agora temos, entregue à ideologia dos Loffs, Rosas & Flunsers. Quem ousa pensar diferente é reaccionário ou fascista ou de extrema-direita ou mesmo saudosista do salazarismo, sendo tais epítetos sempre arremessados com conotação politica e moralmente negativa, porque a linguagem e os termos de designação também já são domínio de tal ideologia. 

Uma boa parte desse discurso de esquerda deve-se à inacção de quem nunca concordou com o mesmo e ao mesmo tempo se calou, sem argumentar ou fustigar intelectualmente tal ideologia que produziu afinal miséria e insatisfação social, nos países de Leste e noutras paragens, incluindo os territórios ultramarinos que foram nossos. 

Salazar não tinha razão, como se veio a comprovar, uma vez que perdeu a aposta numa ideia errada, a de continuar Portugal com a inclusão de territórios ultramarinos que outros já tinham abandonado e podendo e devendo saber que tal seria inevitável, também  para nós. 

Não obstante, Salazar lutou por essa ideia e transmitiu nos anos sessenta à Nação portuguesa em geral, com excepção dos adeptos da ideologia dos Loffs, Rosas & Flunsers, a noção que nos competia, enquanto tal, defender o que entendíamos como nosso, devido ao circunstancialismo histórico.  

A opção de Salazar mesmo sendo errada, não se apresentava como tal na época e pertence aos grandes líderes antever ou pelo menos precaver um futuro que a generalidade dos cidadãos não consegue almejar. É isso que faz os grandes estadistas. Salazar julgou que seria possível manter tais territórios como integrantes da nação portuguesa, contra algumas evidências objectivas e acreditando no poder da persuasão moral e de princípios politicamente sustentáveis. Perante divergências insanáveis, a guerra tornou-se inevitável e só a vitória em tal guerra, aliás sem exemplo contemporâneo, poderia garantir tal visão, mesmo que temporariamente. 

Nessa perspectiva o respeito por Salazar é merecido e devido, ao contrário do que propalam os adeptos da tal ideologia malfazeja para os povos e indivíduos em geral. 

Esse passado, assim entendido é que deveria ser ensinado e veiculado nos media e não apenas a visão estratificada e sectária da esquerda que aquela ideologia enforma. 

A esquerda não deve ter o monopólio da visão histórica, tal como acontece nos dias de hoje, ainda por cima desfasada de uma realidade polifacetada. 

Haja por isso a coragem de chamar a terreiro mediático quem tem visão oposta ou pelo menos diversa daquela que se tornou visão única e de pensamento unitário. Isso é essencial para se equilibrar os pratos da balança histórica, o que até hoje não sucedeu em Portugal com a visibilidade e importância necessárias. 




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