quinta-feira, julho 02, 2009
Ladrões de computadores
O juiz decidiu, dizia Maio
Observatório da justiça em acção
segunda-feira, junho 29, 2009
O clube dos poetas vivos


Estas duas imagens são da revista Inovação & Ensino Superior, distribuída gratuitamente com o Público de hoje.
Um, António Feijó, director da FLUL, entende o ensino superior nessa universidade como uma forma de alcançar uma licenciatura como uma graduação multidisciplinar que nasce da livre circulação dos alunos entre as várias fauldades da Universidade de Lisboa. " A um tronco comum de disciplinas essenciais nas Ciências e Humanidades onde o aluno pode acrescentar saberes diversos e divergentes. "O que queremos com esta lienciatura é que os alunos, ao contrário do que tem vindo a ser a tradição em Portugal, entrem na Universidade e frequentem cadeiras de Ciências, Belas Artes, Letras, Psicologia, etc. assegurando à partida um tronco disciplinar comum", diz António Feijó.
O problema, quanto a mim, reside nesta utopia que pretende transformar o tempo de estudo e reflexão de um dado curso de Humanidades ou Ciências, num continuum em que um acervo monumental de saberes se vai trasmudando para outros saberes que se vão acrescentando aos primeiros.
A única reserva que coloco a este entendimento humanístico da cultura e ciência, de âmbito renascentista, é simples de expor: há tempo, em 2 ou 3 anos escolares, para um aluno médio fazer isto tudo com um grau de sucesso medianamente exigível?
O segundo caso, de Rui Teixeira, do Politécnico, é mais abrangente ainda:
"A escola, agora, mais do que um sítio onde se aprende é uma atitude de busca e procura. O professor que persista em ensinar esbarrará na sua ineficácia", diz Rui Teixeira, inspirado certamente noutros mestres que frequenta.
Meu caro Rui: essa utopia ainda me parece mais grave do que a anterior. A escola, então, não deve ser um lugar da aprendizagem, mas sim de busca e procura?
Desculpa, mas não entendo este novo conceito de ensino, ou melhor dizendo, de aprendizagem, digo, de busca e procura de conhecimento, sem mestre.
Por uma razão: há disciplinas científicas e até de humanidades cujo estudo e saber, não prescindem de mestre. E um mestre, desde sempre, dos séculos dos séculos e do porvir, é um mestre. Não é apenas um aluno entre os demais.
Mudara o paradigma para uma escola de inclusão de saberes dispersos e sem mestre, faz-me lembrar aqueles cursos rápidos de línguas que dantes se vendiam para quem tinha pressa em aprender as noções básicas. O Alemão sem mestre, por exemplo, ainda deve estar por aí, perdido num canto qualquer, à espera que alguém lhe pegue e aprenda o que é básico na língua de Goethe.
Se tivesse um mestre, nunca teria precisado de um livro que prescinde dele...
Entradas de leão
"O Instituto da Construção e Imobiliário (InCI), organismo público que ficou elaborou o Código dos Contratos Públicos em nome da transparência e do rigor no uso dos dinheiros públicos, entregou o desenvolvimento de um portal à Microsoft, num contrato sem concurso público e onde já há derrapagens, avança o Público."
"Em nome da transparência e do rigor" é uma muleta politico-conceptual que serve para isto que se vê: ajudar a ultrapassar as dificuldades decorrentes da burocracia, como esta que se pode ler também na notícia:
A "derrapagem", não é nada de especial: apenas o dobro do valor do contrato de prestação de serviços inicial. Pouca coisa.
O responsável institucional, com tutela governamental, por este fenómeno, segundo o Público, será Hipólito Ponce de Leão.
Já foi substuido no InCI, há cerca de um mês, mas foi ele o artífice do novo Código que procura contornar a burocracia das obras públicas e contratos de adjudicação directa.
Quem é Hipólito Ponce de Leão?
Em 2005 estava no IMOPPI, como presidente deste instituto regulador das obras públicas e privadas. Alguma das suas ideias podem ser lidas por aqui.
No site do InCI pode ler-se:
Ponce de Leão era presidente do InCI (antigo IMOPPI) há vários anos, tendo sido nomeado pelo secretário de Estado Jorge Costa, ainda no Governo de Durão Barroso. O seu mandato é marcado pela elaboração e entrada em funcionamento do Código dos Contratos Públicos (CCP), mas fica por fazer muita coisa. Entre a legislação que está mais ou menos elaborada mas nunca foi colocada em prática estão diplomas como o da gestão de condomínios, da defesa do consumidor do imobiliário e a lei dos alvarás. A nova liderança diz que "o trabalho da anterior direcção será integralmente aproveitado" mas afirma que é muito cedo para saber se vai haver alterações ao que estava previsto para o futuro.
domingo, junho 28, 2009
Filarmónica Fraude em concerto
Na passada Sexta-Feira, 26 de Junho, a banda de Tomar e arredores comemorou os seus 40 anos de canções de música popular, com um concerto no Cine-Teatro Paraíso, no centro de Tomar, com vista para o castelo e convento dos Templários, onde se pode admirar a célebre janela manuelina e uma charola de espanto na capela que foi da Ordem e que pretende imitar a do templo de Jerusalém. Mesmo em obras, merece a visita.
O concerto de Tomar, da Filarmónica, não foi uma fraude, passados 40 anos sobre os seus êxitos originais que lhes garantiram nessa época, encómios e lugares cimeiros na crítica musical de cá e além-mar ( por exemplo, na Onda Pop, uma publicação de Moçambique que o seu autor mostrou e entregou no final do concerto aos elementos da banda).
A música da Filarmónica, tal como depois aconteceu com a Banda do Casaco que aliás tem de comum com aquela, o facto de ter o mesmo letrista e compositor de versos das canções que se contam entre as melhores da nossa música popular: António Avelar Pinho é o nome que comunga do génio da composição versejadora de tradição portuguesa e que coloca em palavras simples, em alusões semióticas de grande gabarito e também no uso de palavras raras da língua portuguesa, alguns problemas atávicos deste nosso país que perduram há décadas e que já eram modernos há 40 anos atrás.
As letras de António Pinho para a Filarmónica Fraude, em temas como Animais de Estimação que a banda tocou quase no início, congregam os males sociológicos deste Portugal, país falhado e de futuro hipotecado a um presente sem ambição ou previsão de mudança. Uma das novas canções da banda, tocada no final do concerto, com letra de António Pinho ( Tó Pinho para os elementos do grupo), intitula-se "País aprendiz". Que pouco ou nada aprende...
O concerto, com os elementos originais da banda, permitiu ouvir o compositor musical da mesma, nas teclas do Petrof e dos restantes instrumentos de sintetização sonora. António Luís Linhares, músico acabado e de feição erudita, teve na banda o seu campo de eleição para a cançoneta de qualidade assegurada em vários êxitos: O Milhões, Flor de Laranjeira, Orícia, etc.
Em 1969, a música da Filarmónica Fraude era uma lufada de ar fresco, no tipo de canção que então passava nos rádios da época, com os expoentes máximos na ligeireza de um certo fado e cançonetismo de festival radiofónico.
A habilidade musical e bom gosto de composição da Filarmónica Fraude, destoavam no meio ambiente de cançonetistas, tal como destoavam outros como José ALmada ( com o primeiro disco em 1970) e Quarteto 1111, e poucos mais.
Em 2009, permanece o tom mordaz das letras e a musicalidade de raiz popular, folclórica por vezes, dos temas antigos e ainda os novos.
A Filarmónica, em Tomar, na passada Sexta-feira, reinventou-se para novos voos na música popular portuguesa.
Apesar disto que ficou escrito, não vi em nenhum jornal de referência, para não falar em rádios ou mesmo tv´s, qualquer referência ao concerto, à banda em si, à efeméride e à importãncia ddo grupo na música popular portuguesa.
A Filarmónica Fraude não faz parte dos grupos conhecidos dos media portugueses. Os animadores culturais também não topam o grupo. Nada lhes diz.
Portugal, um "país de aprendizes"? Pior que isso. Bem pior.
sábado, junho 27, 2009
O pai da mentira
"O Governo nada sabe, nem deu nenhuma orientação, nem lhe foi perguntado nada".
Passados uns dias, nenhum jornalista, comentador ou observador atento, acredita naquelas palavras do primeiro-ministro de Portugal, do governo ainda em funções e que nos envergonha diariamente.
O jornal Expresso de hoje, mostra isto que permite perguntar quem mente mais, neste negócio. A resposta vem logo na primeira página.

quarta-feira, junho 24, 2009
O DCIAP já abriu Inquérito por isto?
O líder parlamentar do PSD afirmou hoje que "tudo indicia" que a Fundação para as Comunicações Móveis "funciona como um verdadeiro saco azul", alertando que estão em causa milhões de euros que são atribuídos "sem controlo".
O presidente da bancada do PSD, Paulo Rangel, exigiu hoje, durante o debate quinzenal no Parlamento, explicações do primeiro-ministro sobre o dinheiro público transferido para a fundação, alegando que é uma "fundação fantasma".
No final do debate quinzenal, o líder do grupo parlamentar social-democrata reiterou aos jornalistas que "tudo indicia, enquanto o governo não der mais esclarecimentos, que [a fundação] funciona como um verdadeiro saco azul, porque permite o pagamento de quaisquer campanhas, de subsídios e financiamentos a pessoas singulares e pessoas colectivas".
"Eu pergunto como é que o dinheiro público é posto numa fundação privada, que depois pode fazer o que quiser com o dinheiro, sem qualquer controlo", afirmou, lembrando que "estão em causa dezenas e centenas de milhões de euros que são atribuídos sem controlo".
Paulo Rangel apontou algumas questões que suscitam estranheza, nomeadamente o facto de a sede da instituição ser na "Avenida defensores de chaves, número 41, 4º direito".
"Nesta morada, funciona a auditoria jurídica do ministério das Obras Públicas. Se falar para lá, ninguém sabe de uma fundação", disse. Outro dado "extremamente estranho" é o facto de a fundação, que "é da Sonaecom, Vodafone e TMN" ser gerida "por uma assessora do senhor ministro e que é nomeada por ele".
"É de uma promiscuidade e de uma falta de transparência total", disse.
"Não é normal haver uma fundação privada sediada no ministério. Não é normal que os fundos da ANACOM sejam todos postos nesta fundação, que é puramente privada", acrescentou.
Para Paulo Rangel, o debate quinzenal de hoje, o último desta legislatura, foi "uma caixinha de surpresas".
Por um lado, o primeiro-ministro "não sabe ou que pelo menos aparenta não saber que tem uma fundação saco azul no governo e para a qual não tem nenhuma explicação, e depois diz que foi aceite a demissão de uma pessoa quando o ministro da Agricultura tinha acabado de dizer que não", disse Paulo Rangel, referindo-se a Carlos Guerra, gestor do PRODER, constituído arguido no caso Freeport.
No debate, o primeiro-ministro, José Sócrates, disse a Rangel que a fundação foi "criada entre os operadores e o Governo com o objectivo de gerir os projectos para melhorar a sociedade de informação" e alegou que "é gerida com todas as regras de transparência".
O Ministério Público tem de investigar isto e depressa. Estas coisas têm limites.
A claridade ofuscante do BE
Lisboa, 24 Jun (Lusa) -- O Bloco de Esquerda (BE) sugeriu hoje a data de 27 de Setembro para as legislativas, considerando que a simultaneidade entre as eleições para o Parlamento e para as autarquias tem sempre "um efeito de diminuição da clareza democrática".
"O efeito de contaminação, da sobreposição de eleições que ocorreu raramente em Portugal e não é a regra, é a excepção, é sempre um efeito de diminuição da clareza democrática e até de partidarização do efeito de contaminação", defendeu o líder do BE, Francisco Louçã.
Não há crime, disse o MP
O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, contra João Miguel Tavares, por considerar que o jornalista não ultrapassou os limites na crítica que fez a Sócrates, enquanto figura pública.
O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro ministro contra o jornalista João Miguel Tavares que num texto publicado no Diário de Notícias comparou o apelo à moral na política feito por José Sócrates à «defesa da monogamia por parte de Cicciolina».
«As expressões utilizadas pelo arguido João Miguel Tavares dirigidas ao primeiro-ministro, figura pública, ainda que acintosas e indelicadas, devem ser apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas, e inserem-se no direito à critica, insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante», afirmou o Ministério Público.
Desta forma, o Ministério Público considerou que o jornalista do Diário de Notícias no seu artigo «José Sócrates, o Cristo da Política Portuguesa» não ultrapassou os limites na crítica que fez ao chefe do Governo e líder do PS, enquanto figura pública.
terça-feira, junho 23, 2009
Contas feitas
Filarmónica Fraude- 40 anos depois
Há quarenta anos, a música popular que se ouvia no rádio e no disco single de 45 rotações por minuto nos gira-discos de qualidade mono, era para assim dizer, um pouco diferente da que hoje se escuta por aí.
Um grupo em particular, jovens ainda na adolescência dos 17 aos 20, revelou-se uma descoberta de vulto e que marcou esse ano e os vindouros: Filarmónica Fraude cuja história detalhada se conta por aqui.
No próximo dia 26, Sexta-Feira, estarão em Tomar, no Cine-Teatro Paraíso, pelas 21h e 30m. para comemorar os 40 anos do lançamento do seu primeiro disco.
Na época, a revista Cine-Disco, publicava uma reportagem, assim:
A revista Mundo da Canção que se publicava no Porto e era o máximo da imprensa musival da época, publicou na sua edição de Fevereiro de 1970, uma entrevista conduzida por Maria Teresa Horta com dois dos mentores da banda ( ainda sem casaco): António Luís Linhares e António Pinho cujo teor vale a pena ler, para se ver em que nível de literacia se colocavam os jovens adolescentes de então, comparando com o que se pode ver hoje em dia.António Pinho é um dos meus heróis da música portuguesa e as suas bandas ( esta e principalmente a Banda do Casaco que se lhe seguiu), são alguns dos expoentes máximos da mpp, ainda hoje. Ao pé de outro que se chama José Almada e que ninguém parece querer conhecer melhor. Não sabem o que perdem.

Clicar nas imagens, para ler.
Fui à beira do mar
Desde então, não me sai do ouvido esta música de uma simplicidade fabulosa, aqui na versão original, mas cuja interpretação de João Afonso, naquele disco, em nada desmerece a original:
cortesia de www.letras.com.br
segunda-feira, junho 22, 2009
España nos mata
A observação consta do 3º. relatório PIN (Performance Índex) de segurança rodoviária, a divulgar segunda-feira, em Bruxelas."
A cidadania de juizes
Marinho e Pinto insiste
Marinho e Pinto, no editorial da revista da OA, de Maio de 2009, agora publicada.
domingo, junho 21, 2009
O manifesto que sabe a pouco

Hoje, no mesmo Público, Vasco Pulido Valente entende que o apelo é um aviso que deve ser tomado em conta e a sério.
O BE pela voz de Louçã apontou o dedo às responsabilidades políticas de alguns dos subscritores, de bloco central, como autores directos de algumas medidas que nos conduziram aqui. E denuncia a ausência de críticas " à máfia financeira".
Que dizer destes economistas? Pouco.
Em primeiro lugar, tal como Louçã aponta, são eles a inteligentsia de bloco central, incluindo alguns iconoclastas conhecidos ( Medina Carreira e Henrique Neto) e onde se recrutam os ministros de finanças ou de economia. E de economia percebem eles, como poucos.
E que percebem, de fundamental e que ainda não tivessem oportunidade de aplicar o que supostamente sabem? Pouco.
Que vale este "aviso" ou sugestão?
O mesmo que tem valido a sua prática política e técnica ao longo dos anos. Pouco.
Porquê? Por uma razão simples que me parece evidente:
Os economistas desacreditaram-se completamente com a recente crise mundial., como gurus infalíveis das soluções milagrosas.
Mesmo Paul Krugman, o mais recente Nobel do sector, tem sido contraditório nas medidas que publicamente defende para remendar a economia. Ora usa a "língua de caines" para defender uma forte intervenção pública para reanimar a Economia; ora afasta tal linguarejar para realçar virtudes insuspeitas do liberalismo que nos conduziu a um beco do modelo de gestão por flexibilidade em todos os sectores, incluindo a regulação do sector financeiro.
Portanto, continuamos na mesma: que fazer? Devemos acreditar nestas luminárias ou seguir um módico de senso comum que nos ensina que não devemos gastar o que não temos nem vislumbramos ter?
Mais: que faria um destes economistas, acaso fosse nomeado novamente ministro das finanças como alguns já o foram? Saberia o que fazer, exactamente?
Não. Não saberia, porque a Economia, como se demonstrou amplamente, não é ciência exacta e depende de inúmeros factores que os mesmos, ou seja quem for, não dominam.
Os economistas a mandar, querem fazer-nos acreditar que sabem e dominam a situação ( raramente se enganam e nunca têm dúvidas, como é sabido). Mas não sabem e esse segredo escondem-no como quem esconde a insegurança adolescente.
Portanto, para seguir o senso comum, será preciso um economista que nos mostre os caminhos ou dê sugestões avalizadas?
Para quê, se os economistas perderam a credibilidade, perante os sucessivos falhanços em previsões anteriores?
Em artigos recentes nas revistas americanas de grande circulação ( Fortune e Business Week) a ideia que transmitem é mesmo essa, com um acrescento: mesmo assim, não podemos prescindir deles, dos economistas.
Pois então, se não podemos, coloquemo-los no lugar de onde nunca deveriam ter saído: das teorias e modelos de experimentação sem resultados certos. Da academia. E do sítio da tecnocracia.
E denunciemos a sua tendência para explicar o mundo que não compreendem. Como aliás, ninguém compreende plenamente.
sábado, junho 20, 2009
Os modelos de virtudes políticas
" Gente ambiciosa, muito ambiciosa, com pouca "virtude", com poucas leituras e muita televisão e computador, deslumbrada pelos gadjets, movendo-se com à-vontade entre jornalistas e empresários, sem "vida" nem biografia e pensando a política como pouco mais do que uma forma elaborada de marketing."
É assim que JPP vê a geração S. Pressupondo, naturalmente, uma espécie de antítese que se corporiza politicamente em gente de ambição controlada, com muita "virtude", seja lá isso o que for, com muitas leituras e pouca televisão ou computador, sem apego a artefactos e com alguma dificuldade em comunicar nos media, mas com grandes vidas ( e grandes obras, como no título antigo de um livro das Selecções do Reader´s Digest?) e uma noção da política integrada em visões de conjunto aritmético eleitoral.
Que modelos de políticos podemos integrar neste conceito, já de si idiossincrático?
Estou mesmo a ver o modelo: Mário S. o político dos políticos, o decano dos videiros de partido, com biografia e obra de oposição a regime opressivo. Tudo lhe cola, menos a dificuldade em comunicar nos media.
Depois, outro modelo se perfila: o de Sá-Carneiro, o político instruído na actividade de ala liberal, com ideias definidas sobre o Estado e a sociedade organizada num certo modo capitalista e a noção precisa dos papéis institucionais modelados no antigamente. Tudo lhe assenta, mesmo a dificuldade em ligar aos media.
Tem sentido esta modelação de papel de político actual e moderno?
Não tem muito sentido, embora prefira esse modelo de virtudes à dos modelos sem virtudes especiais e por isso esvaziados de conteúdos subtis.
Tomemos como exemplo, os políticos que nos têm calhado em rifa eleitoral:
Onde se enquadra um indivíduo como Adelino Palma Carlos, primeiro ministro depois de 25 de Abril? No segundo modelo, sem dúvida, com o acrescento nada despiciendo de ter uma vida de oposição ao regime anterior, no interior de uma faculdade e em grupos secretos.
A seguir, tivemos casos particulares como o de Vasco Gonçalves, uma figura colectiva que por isso mesmo, passo. Mas não passo sem dizer que não se enquadrava num modelo nem noutro.
Depois da convulsão revolucionária, tivemos a liderança de Mário S. durante vários anos. Até aos oitenta, de facto e com ideias que se podem acantonar a uma esquerda ainda hoje reivindicada no mainstream democrático.
Mário S. é um indivíduo lido ( principalmente no Nouvel Observateur) e cultivado artisticamente ( na galeria de um Mário Brito por exemplo), experimentado na luta política ( com princípios aprendidos no antigamente em sedes de conspiração maçónica). O que adiantou ter um indivíduo dessa estirpe "nobre" na política?
Uma série de equívocos, com destaque para a reticência em modernizar a economia nacional e cuja obstinação política nos garantiu largos anos de dependências atávicas ao FMI.
Depois de Mário S., veio Sá Carneiro que estabeleceu o modelo dos políticos a devir, para certa intelectualidade lusa.
O que trouxe Sá-Carneiro de essencial ao modelo? A sua cultura? Não me interessa, a não ser saber que existia uma certa cultura liberal e oposta à do antecessor. A sua experiência vivida na Assembleia Nacional? Aí, interessa, porque foi uma experiência que concedeu estatuto de vivência política activa e com ligação ao que era antigo mas duradouro em certos valores.
Mas, na prática, o que trouxe ao país um político modelo como Sá Carneiro? Obstinação em governar centralizadamente; ideias fixas sobre opções políticas que se revelaram erradas ( a escolha do candidato presidencial foi o seu fim, literalmente) e incertezas sobre a mudança de mentalidade política reinante e de esquerda.
Seria necessária uma figura como Sá Carneiro, hoje em dia? Duvido, a não ser na firmeza dos valores e no estilo da sua afirmação.
Em seguida a Sá Carneiro, o que tivemos de modelar na política?
Cavaco Silva, voilà! E era aqui que queira chegar.
Cavaco Silva foi o herdeiro putativo das ideias de Sá Carneiro ( embora este não o distinguisse por aí além, eventualmente por ter percebido a sua diferença para nenhures) e conseguiu alcançar a liderança de um partido e de um governo como nunca se viu em Portugal: uma maioria absoluta com objectivos ambiciosos e meios prometidos como os fundos da CEE, aos milhões.
Que fez este modelo político desse acervo hereditário e dos seus frutos? Transformou porventura o país numa modernidade que outros não pudessem de igual modo fazer, nomeadamente o outro modelo, Mário S.?
Não me parece nada.
Por outro lado e mais importante ainda: onde encaixa Cavaco Silva no modelo proposto em negativo por JPP?
Fatalmente, no primeiro que critica e no aspecto que me parece essencial e diferenciador.
Cavaco Silva não era ( e continua a não ser) um indivíduo culto como JPP entende que deve ser um indivíduo lido. Não tinha cultura ( e continua a não ter) que o distinga no gotha da inteligentsia; sendo verdadeiro que não integra os outros itens, também é verdade que Cavaco Silva ascendeu na política segundo as regras partidárias: um grupo de apoio importante, um programa de ideias gerais e nomes de governo. E esse foi o erro fatal na escolha desse modelo. Os colaboradores fizeram toda a diferença, para pior, tal como se revelou posteriormente.
O cavaquismo é a pior experiência política portuguesa, incluindo a de Guterres, porque tinha os trunfos todos para mudar radicalmente o país e preferiu adiar essa mudança com as opções erradas. E José Pacheco Pereira esteve lá, no cerne desse poder que foi conferido ao PSD de então. Foi cúmplice desse falhanço e dessa frustração.
Que nomes e que apoios teve Cavaco Silva para ascender na política?
O primeiro de todos já está esquecido ( por boas razões? Ou por razões convenientes?): Eurico de Melo, de Braga ou Santo Tirso, empresário-político que não integra o modelo prè-definido de JPP, mas integra outro: o dos caciques partidarios locais do antigamente e que não é a mesma coisa que os "jotinhas" mas que os gerou, sem dúvida alguma.
Um dos rebentos mais notáveis, aliás, tornou-se uma das figuras-chave do cavaquismo: Marques Mendes. Vindo de Fafe, onde o pai era figura do partido, integrou-se com outras figuras gradas ( Ribeiro da Silva, em Braga) e ascendeu no firmamento dos governos de Cavaco Silva, para ministro indistinguível de outro qualquer de um governo, incluindo este de José S. O mesmo autoritarismo sem nexo; o mesmo abuso de carros e coisas do Estado; os mesmos tiques político-partidários de nomeações; as mesmas pechas de sempre da política portuguesa. Ao ponto de na altura de sair, Belmiro de Azevedo ( despeitado certamente, mas com pontaria) ter dito que nem o queria para porteiro das suas empresas.
JPP acha Marques Mendes um produto e modelo de quê e de quem? É indivíduo lido? Não parece nada, tal como não seria um Fernando Nogueira, outra figura grada do partido e com experiência de assistente de Direito de Família e Sucessões, na Universidade de Coimbra.
Portanto, Marques Mendes, no entender de JPP a que modelo pertence?
Ao de José S. sem margem para dúvida. O que o distingue deste, porém ,é coisa que JPP não aponta e que é mais importante: os valores. A única diferença pode estar aí, escondida.
Outra figura ligada ao líder, é, indubitavelmente, Dias Loureiro. Em que perfil o integra, JPP?
No dos cultos, evoluidos, com pedigree democraticamente solidificado? E como justifica a evolução política e pessoal desse político? Encontra paralelo no outro modelo, no devorismo e ambição de ascensão?
Logo a seguir a Cavaco Silva temos Guterres.
Guterres é um tipo culto, evoluído? Parece que sim. Engenheiro de pofissão que nunca terá exercido, escolheu a política ainda com bigode e só o cortou quanto estava perto do poder.
Que distinguiu Guterres dos restantes, em relação ao modelo de virtudes?
Segundo o próprio JPP, terá sido um dos piores primeiros-ministros que Portugal teve...o que aliás nem é original porque foi o próprio António Sousa Franco, pouco antes de morrer quem o disse, alto e bom som num restaurante: "o "António " era uma excelente pessoa mas o seu governo era o pior desde o tempo de D. Maria!" E Sousa Franco, encarnava, a meu ver, de modo completo, esse modelo de virtudes políticas: era realmente culto; instruído, inteligente, com valores realmente importantes, experiente na política porque vindo das primeiras experiências partidárias ( do PSD e da dissidência) e com currículo. Sousa Franco tinha tudo o que um político-modelo, para JPP, deve ter. E portanto, foi o seu contributo para a política económica de Guterres, com gastos à tripa-forra que terá deitado tudo a perder no controlo do défice das contas públicas...
Portanto, tínhamos o melhor dos dois mundos políticos, com Guterres: um indivíduo lido, comunicador, simpático e afável, sem problemas de autoritarismo, bom escolhedor de ministros para pastas importantes e daqueles com currículo que seleccionou entre "cem nomes para o PS" e competente para o exercício do cargo.
O que resultou deste modelo de virtudes?
O pior governo que Portugal jamais teve!
Portanto e em conclusão de fim de semana:
Os modelos de virtudes pré-definidas podem ser equívocos. O que parece, pode acabar por não ser e o modelo perfeito de político está por inventar.
E não é certamente o modelo JPP que vale a pena seguir cegamente, embora o diagnóstico deste primeiro-ministro seja certeiro e adequado. José S. é uma nódoa como governante, mas pode muito bem não ser por falta dessas vitudes.
Quanto a mim, modesto comentador de blog, há um fio condutor nessas virtudes essenciais e que acabei por citar duas ou três vezes, neste texto: valores. Digam-me em que valores acreditam e direi se aceito o modelo.
Este, o de José S., parece-me abaixo de cão. Ou de Vital Moreira, se se preferir um modelo execrável de político moderno.
sexta-feira, junho 19, 2009
Oportunidades novas
Luís Campos e Cunha (na foto), Augusto Mateus e Silva Lopes, que foram membros do Fórum Novas Fronteiras de Sócrates, estão entre um grupo de 30 economistas que assinaram um manifesto contra as grandes obras públicas.
O manifesto "não é contra as grandes obras públicas" mas "a favor dos grandes investimentos", explicou Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças de Sócrates, à Lusa.
(...) O manifesto será divulgado amanhã e reúne a assinatura de cerca de 30 economistas. António Carrapatoso, presidente da Vodafone, Medina Carreira e António Nogueira Leite também aderiram, tal como Augusto Mateus, que foi ministro da Economia de Guterres."
Um dia destes, Mário Lino adere também.
De fora e a remar contra a maré, ficarão então os "inginheiros" independentes que agora andam com a língua de caines aprendida em artigos de jornal e provavelmente ministros das Finanças que querem ser governadores do Banco de Portugal e não podem contrariar os chefes.
quinta-feira, junho 18, 2009
José Calvário

José Calvário orquestrou algumas das composições ligeiras que antes de 25 de Abril de 1974 fizeram o que nunca mais se fez do mesmo modo: uma música popular com ligações intelectuais e até políticas.
Hoje, durante a manhã, a Antena Um, o rádio que gosto de ouvir, ( mesmo aturando a inaudita informação da senhora Maio), passou hora a hora algumas músicas orquestradas por José Calvário e que fazem parte de um disco esquecido da música popular portuguesa, aliás, dos melhores de sempre: Fala do Homem nascido, com músicas de José Niza e letras de poemas de António Gedeão.
Publicado em 1972 é um retrato musicado de um certo Portugal da oposição que tomou as rédeas do poder político a seguir ao 25 de Abril e nunca mais largou amarras a essa Esquerda que criava obras-primas e perdeu depois disso a inspiração.
A orquestração de José Calvário confere a esse disco a qualidade intrínseca do conjunto que tem, desde o começo.
Isso é claro quando se ouve por exemplo, a interpretação de uma boa voz da música popular portuguesa, Samuel, intérprete de algumas das canções desse disco, numa prestação a solo, aqui, da Fala do homem nascido.
O blog do Rato, já publicou em tempos o disco, ( esgotado) para ser ouvido por quem se interessar.
Aqui ficam os apontamentos de memória de um tempo que já é dos anos setenta, tirados do blog do Rato e que fixam a memória da época que deixa saudades pela qualidade intelectual que se emprestava mesmo à música popular.





Logro
Maria de Lurdes Rodrigues participou, hoje de manhã, na sessão de abertura do Fórum de Lisboa sobre Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e Inovação na Educação, no Centro de Congressos de Lisboa. Sem mencionar médias ou dados concretos em relação a cada um dos anos, a ministra assegurou que se verificaram “melhorias ligeiras na Língua Portuguesa e na Matemática”.
quarta-feira, junho 17, 2009
Contentinho
E na entrevista inexpressiva conduzida por Ana Lourenço, José S. lá vai enumerando os seus múltiplos sucessos, nas suas preciosas reformas em todos os domínios e no controlo das contas públicas como nunca se viu.
E nunca governou contra classes profissionais, assegura. Nem contra juizes, nem contra professores. Nada disso. Foi sempre a favor do povo em geral.
As reformas, essas, são a última das maravilhas que qualquer governo ambicionaria. Alguns erros, é certo. Na Educação, um modelo de avaliação demasiado burocrático que alias, assegura, já foi corrigido.
De resto, tudo nos carris da vitória eleitoral que se aproxima.
Este PM é um espanto no uso do paleio de enrolar argumentos.
Felizmente, as pessoas começaram a ver a essência real desse discurso: um vazio de sentido e mentiras pegadas atrás de aldrabices completas.
A entrevistadora numa expressiva manifestação de subserviência, começou por agradecer a presença do PM, como se José S. lhe estivesse a fazer um favor particular, aparecendo na tv em hora de grande audiência, para vender a sua imagem renovada na mesma mixordice reformística.
Durante a entrevista, José S. usou um qualificativo que durante o dia e no debate parlamentar na AR por causa da moção de censura, repetiu: infantil, referindo-se a argumentos dos opositores.
Infantil...
Angola é nossa escapatória
E quem vai ser um dos managers da nova empresa no país do ouro negro?
António Morais, o professor das 4 cadeiras de José S?
Pode ser ( mas não é o Público que o diz).
Perspectiva político-partidária
terça-feira, junho 16, 2009
O Supervisor de bancos
Constâncio disse mesmo isso? Não, não disse, mas o escriba do DN, Rudolfo Rebêlo, acha que sim e publica, na mais completa impunidade, como é costume.
O governador do Banco de Portugal, desabafou apenas que "teria sido diferente" se a Procuradoria--Geral da República, PGR, "nos tivessem informado mais sobre o que aparentemente sabiam" , sobre o Banco Insular e o BPN então presidido por Oliveira Costa.
Já só faltava mais esta. Vítor Constâncio, o supervisor da actividade bancária em Portugal, político socialista de longa data, ex-ministro, economista, ex-chefe de partido, deu assim um desabafou, ontem, na comissão parlamentar de Inquérito, esquivando-se ao reconhecimento da sua responsabilidade e incompetência, insistentemente apontada por alguns membros da comissão de inquérito parlamentar, indicando um nome: Souto Moura.
Vítor Constâncio não viu nada no caso BPN porque o antigo procurador não lhe abriu os olhos, coitado.
É preciso ter lata! O supervisor da actividade bancária portuguesa não conseguiu aperceber-se de nada de grave no caso BPN, mormente a existência de um banco oculto no universo do BPN, porque a PGR de Souto Moura...não o avisou.
E avisou de quê, já agora? Repare-se nesta pérola informativa:
"As cartas de 2004 e 2007 da PGR não mencionavam" relacionamentos entre o BPN e o Banco Insular, referiu em resposta a questões do bloquista João Semedo. Constâncio revelou que chegou a pedir a Souto Moura, anterior procurador-geral da República, uma reunião, devido "às notícias", sobre "contra-ordenações detectadas na operação furacão", o que "foi rejeitado" por Souto Moura."
Portanto, foi no âmbito da operação Furacão que envolveu vários bancos e onde se misturavam crimes e contra-ordenações que o segredo do Banco Insular se escondia. Vítor Constâncio de nada soube porque as reuniões com o antigo PGR não ocorreram de modo ao Governador pôr em alerta o bestunto de Governador do Banco de Portugal, coitado, para as realidades ocultas do BPN.
Patético? Pois sim, era ouvi-lo ontem na AR, todo encrespado contra os deputados que o entalaram, chegando às raias da insolência.
E afinal, foi isso: o Souto Moura não o avisou, coitado. Parece, aliás, que ninguém o avisou de nada.
Ninguém lhe lembrou, porém, ontem na AR, que a operação Furacão é um processo crime que corre termos no DCIAP que não é propriamente a PGR.
Além disso, o antigo PGR, Souto Moura, tinha por hábito cumprir o Estatuto no que se refere à autonomia interna dos magistrados do MP e por isso quem investigava os crimes do Furacão, com dezenas e dezenas de arguidos era o DCIAP, não era Souto Moura, mas os magistrados do DCIAP. Este PGR já se apercebeu disso também- e já o disse em público, em entrevistas recentes.
O Público de então, em Janeiro de 2007, altura das tais cartas, escrevia:
Cerca de uma centena de arguidos já foi constituída no âmbito do inquérito gerado pela Operação Furacão, pendente no Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP) e relativo a suspeita de fraude fiscal agravada, abuso de confiança qualificado e branqueamento de capitais. Numa avaliação provisória, fonte do DCIAP revelou, ontem, ao PÚBLICO que poderá ascender a "várias dezenas de milhões de euros" o valor dos impostos em falta, em sede de IRC e de IRS.
Pormenores como segredo de Justiça, diferenciação entre ilícitos administrativos e ilícitos criminais, arquivamentos de processos de natureza fiscal a troco da "reposição da verdade fiscal", troca de informações com intervenientes que não desempenharam qualquer função relevante na investigação, etc etc, nada disso esclarece ou incomoda o Governador do Banco de Portugal, cuja "cimeira" com o PGR, agora (des)valoriza como factor de encobrimento da sua própria incompetência.
Na AR, ontem, ninguém teve a coragem de lhe atirar à cara de ingénuo distraído, esta ignorância. Nem sequer Nuno Melo, que pelo mesmo foi apodado de ignorante, se dignou devolver-lhe o epíteto...
Triste figura, a deste Constâncio que pinta os factos como se fossem cabelo.
segunda-feira, junho 15, 2009
Este já cansa
O primeiro-ministro, que falava aos jornalistas à entrada da reunião da comissão política do PS, na sede nacional do partido em Lisboa, fez saber que está disposto a explicar melhor as medidas do Governo e a corrigir a comunicação com os portugueses.
Para mostrar que está disposto a outro rumo, de "diálogo", explicou logo a seguir:
Portanto, a mudança vai ser de paleio, ainda mais enrolado na aldrabice. Ministros, políticas, etc e tal, tudo como dantes.
Vai-te embora, pá! A malta está farta é das tuas figuras tristes e das políticas falhadas, sem saída e sem sucesso algum que se veja.
A falsificação real
These photos were found in a digital Casio Z750, amidst the remains in Serra do Cachimbo. Although the camera was destroyed, the Memory Stick was recovered. Investigating the serial number of the camera, the owner was identified as Paulo G. Muller, an actor of a theatre for children known in the outskirts of Porto Alegre .


As imagens são verdadeiras, dizem respeito a uma ocorrência fotografada, mas...em ambiente cinematográfico.
domingo, junho 14, 2009
Jornalismo tapa-furos

A notícia serve, aliás, para chamar a atenção para este "procurador", com um título de primeira página que mais não é do que mais um ataque despudorado à Justiça que afinal "tapa a morte de 4 crianças".
"Tapa"? Vamos já ver o que tapa e destapa.
Na página interior, a Justiça não só "tapa" como "ignora", mostrando em tons jornalisticamente compungidos a tragédia das famílias de 5 crianças, em casos abertamente classificados como de "negligência médica".
De que negligência médica se trata em concreto? Não se sabe bem, os factos relevantes da negligência estão completamente ausentes da mensagem e a notícia apenas aflora um ou outro pormenor factual, deixando ao exercício adivinhatório e de voluntarismo fácil, os restantes factos acessórios e também os principais. As pessoas envolvidas no caso, a quem se imputa a "negligência" não são ouvidas, para dizerem o que pensam de quem escreve por causa dos "tapa" mortos.
O que se fica a saber logo, sem margem para dúvidas é que a Justiça tapou e ignorou, pressupondo, obviamente, que este tipo de jornalismo destapa e informa com esclarecimento profissional.
Ora é nada disso. A notícia, para além do ataque despudorado e genericamente extensível a toda uma classe, com laivos de atenção particular ao procurador, pouco ou nada informa de concreto, o que é dizer tudo sobre esta espécie de jornalismo de chinela na mão e faca na liga dos últimos
Assim, de que médicos trata a "negligência" e que pessoas envolvem?
Médicos e pessoal do hospital de Guimarães que teriam contribuido para a morte de cinco crianças que lá entraram com "poucos dias de diferença e que contrairam um vírus que se revelou mortal", escreve o jornal. O vírus é um adenovirus. O que é um adenovirus? O jornal não explica ( o jornalismo de chinela no pé é assim mesmo), mas a Wiki, diz o que é preciso e uma das coisas refere-se à sua característica especial de não ser passível de tratamento médico específico, por ser...um virus.
Qual o problema com o procurador Pereira e a Justiça que tapa mortes e até as ignora?
O procurador Pereira arquivou os processos, por ter entendido que a "assistência médica foi correcta e adequada". E fê-lo, segundo escreve o jornal, porque a Inspecção Geral de Saúde escreveu no relatório sobre o caso que "não era obrigatório que os médicos pesquisassem a existência de adenovirus em casos de infecções respiratórias" e ainda que esse adenovirus possa ter sido trazido para o hospital pelo "progenitor de alguma das crianças infectadas".
Portanto, o problema, para este jornalismo, é a "culpa que morre solteira", porque a Justiça tapa estas mortes, ignorando-as. Por outro lado, estes pregos no caixão da "crise da Justiça" são sempre bem martelados para esconder a verdadeira crise que se alimenta da outra: a do Jornalismo.
É um jornalismo opinativo em que os factos são irrelevantes a não ser que sirvam para ajustar as mensagens. Neste caso, sobre a crise da Justiça...
segunda-feira, junho 08, 2009
Homem rico, homem pobre...
A roubalheira afectiva
domingo, junho 07, 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
O caçador de prémios

quinta-feira, junho 04, 2009
A popularidade de Vital entre os seus
Segundo a acta da Comissão Eleitoral para as Eleições do Conselho Científico da FDUC, Vital Martins Moreira não colheu qualquer voto e ficou em último lugar nas preferências dos docentes da faculdade.
A votação realizou-se terça-feira, 2 de Junho. Entre os candidatos contavam-se todos os docentes doutorados que não tivessem declarado indisponibilidade para concorrer a um lugar no conselho científico.
Vital Moreira não manifestou indisponibilidade para continuar naquele órgão para o qual foi eleito em 2006, apesar não ter comparecido a qualquer reunião do conselho durante dois anos.
Nesse período, o constitucionalista também acumulou faltas injustificadas às aulas e não apresentou sumários da lições, como a lei exige. No entanto, Vital não foi alvo de qualquer processo disciplinar.
O jornal O Diabo já tinha, há duas semanas, abordado o assunto das faltas do professor Vital, aos seus deveres docentes. Foi alvo de um comentário ácido do mesmo, a desmentir sem esclarecer, como é costume. Agora, é o Sol.
Vital irá ter de esclarecer esta roubalheira de crédito pessoal ou fará de conta que nada se passa?
É que entre as dezenas de professores da FDUC, Vital Moreira foi o único que não recolheu um só voto.
Nem um!