Ainda [não] vi o filme. Apenas posso comentar as informações que vão saindo e as declarações de Moore. O filme denuncia a promiscuidade entre Wall Street e Washington (o "complexo político-financeiro") e acaba ao som da "Internacional", depois de Moore tentar envolver Wall Street com fita amarela policial. É giro. E o "complexo político- -financeiro" é grave. Só que nada disto é muito sério: a sociedade ocidental não precisa de bufões que denunciem inevitáveis injustiças. Sobretudo quando são hipócritas, como Moore. Para Moore, o "capitalismo é o Mal", e "o Mal não se reforma, erradica-se". Por isso tem de ser "substituído pela democracia".
Será que Moore dirige os seus filmes de forma "democrática"? Quantos colaboradores já despediu? Será que a Paramount, que distribui o filme, é uma democracia?
A oposição capitalismo-democracia é absurda. De facto, as empresas (como a família ou a escola) não são democráticas. Mas a oposição legítima é entre capitalismo e socialismo (que o toque da "Internacional" precisamente sugere). Ora no socialismo as empresas eram geridas de forma ainda mais autoritária. Já quanto ao "complexo político-financeiro", Moore tem razão. Mas é a negação do capitalismo, pelo menos na sua versão liberal.
O "complexo" até é bastante democrático, envolvendo políticos democraticamente eleitos. E mesmo um pouco socialista. Moore é um típico produto capitalista: escolhe temas de choque e faz fortunas com isso.
Vive tão bem do capitalismo que de certeza não o quer destruir. Um hipócrita, portanto.
Adapte-se este escrito mutantis nutandis, ao tipo de discurso do Bloco de Esquerda e temos a receita da hipocrisia.
Será que Moore dirige os seus filmes de forma "democrática"? Quantos colaboradores já despediu? Será que a Paramount, que distribui o filme, é uma democracia?
A oposição capitalismo-democracia é absurda. De facto, as empresas (como a família ou a escola) não são democráticas. Mas a oposição legítima é entre capitalismo e socialismo (que o toque da "Internacional" precisamente sugere). Ora no socialismo as empresas eram geridas de forma ainda mais autoritária. Já quanto ao "complexo político-financeiro", Moore tem razão. Mas é a negação do capitalismo, pelo menos na sua versão liberal.
O "complexo" até é bastante democrático, envolvendo políticos democraticamente eleitos. E mesmo um pouco socialista. Moore é um típico produto capitalista: escolhe temas de choque e faz fortunas com isso.
Vive tão bem do capitalismo que de certeza não o quer destruir. Um hipócrita, portanto.
Adapte-se este escrito mutantis nutandis, ao tipo de discurso do Bloco de Esquerda e temos a receita da hipocrisia.