quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sua Inocência e dona Complacência

Esta crónica de Manuel A. Pina, no Jornal de Notícias, via InVerbis, merece leitura:

A entrevista “non stop” que, desde que foi condenado, Sua Inocência tem estado ininterruptamente a dar às TVs teve o mais respeitoso e obrigado dos episódios na RTP1, canal que é suposto fazer “serviço público”.

Desta vez, o “serviço” foi feito a um antigo colega, facultando-lhe a exposição sem contraditório das partes que lhe convêm (acha ele) do processo Casa Pia e promovendo o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia sem se impressionarem com a gritaria mediática de Suas Barulhências os seus advogados, o constituído e o bastonário.

Tudo embrulhado no jornalismo de regime, inculto e superficial, de Fátima C. Ferreira, agora em versão tu-cá-tu-lá (”Queres fazer-lhe [a uma das vítimas] alguma pergunta, Carlos?”). O “Prós & Contras” só não ficará na História Universal da Infâmia do jornalismo português porque é improvável que alguém, a não ser os responsáveis da RTP, possa chamar jornalismo àquilo.

Manuel António Pina Jornal de Notícias 08.09.2010

13 comentários:

Mentiroso disse...

Só uma coisa me admira.

Se em 4-9-2008 fez referência a este caso, citando um texto noutro blog como apoio à sua descrição, porque não menciona agora esse mesmo texto, pois que se refere directamente ao assunto?

Outra, mas agora a minha opinião. Não restam dúvidas de que houve vítimas de abuso na Casa Pia. O que já não acredito é que tenham sido tão poucas. Certamente que através dos anos foram centenas. É justo que os abusadores paguem as suas obras horripilantes pesadamente. Porém duas questões se pousam: (1) Porque só apanharam estes? (2) Serão estes realmente acusados com razão, ou não será novo erro da justiça, incapacidade na investigação e corrupção em ambos, como já estamos habituados a ver? Seria assim tão estranho? Se ninguém confia na justiça portuguesa, vamos agora confiar e tomá-la como digna e de mérito, tudo o que até agora repudiámos? Não podemos aventurar opiniões que se contrariem sem que nos arrisquemos a sermos tomados por impostores. É verdade que o povo é desmiolado e se limita a papaguear o que lhe impingem sem reflectir, mas há excepções.

Domingos disse...

A alta autoridade para a comunicação social não viu o programa?
Será que estava a ver outro canal?

Reunindo os melhores genes de carlos cruz e de josé sócrates, o José Carlos Sócrates da Cruz, é o estereotipo do português actual.

joserui disse...

As crónicas de Manuel A. Pina em poucas palavras costumam dizer muito.
Que lhe disse? O título do post anterior estava bom. Aquilo não é jornalismo nenhum. Ainda apanhei os minutos finais numa outra RTP, estava o senhor televisão a debitar. Não ver estes programas não será eternidade recuperada, mas algum tempo poupei — não que o tenha rentabilizado :) . -- JRF

josé disse...

"Se em 4-9-2008 fez referência a este caso, "

Como, isso?

Fernando Torres disse...

M.A.P. foi certeiro, porém a vergonha não tem limites. Aguardam-se os próximos episódios, depois de ser conhecida a totalidade do acórdão.

rita disse...

Afinal há quem já saiba muito...

"(...)o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia (...)"

... eu não sei mesmo nada, mas parece-me que este "grotesco julgamento na praça pública" pode ser aplicado tb aos "condenados". Mas isso é só a minha ignorância a falar.

josé disse...

Que julgamente é que tem ocorrido na praça pública?

Não é o do tribunal, particularmente dos juízes?

Haverá outro na praça pública dos media?

josé disse...

Basta ler os comentários dos barrabazes do costume no site do Sapo à notícia de que ainda não foi hoje que se deu conhecimento público do acórdão e com uma justificação que me parece plausível: limpar os nomes das vítimas dos papéis, para que não sejam outra vez vitimizadas pelo opróbrio dos do costume.

rita disse...

Tem razão, na "praça pública dos media", que têm dado voz aos "condenados", o julgamento é o dos juízes/justiça, mas para o comum dos mortais é incompreensível o que aconteceu e voltou a acontecer hoje. Considero no entanto que, na opinião pública não mediatizada o julgamento é o dos "acusados", por isso é que eu digo que sou ignorante. Penso mesmo que muitas "provas provadas" me terão passado ao lado, uma vez que não consigo ter a convicção de TANTAS pessoas.

rita disse...

Será que as vítimas estão interessadas nessa omissão de nomes? Parece que pelo menos algumas não se importarão com isso, porque já conseguiram ultrapassar o "anonimato".
Mas as vítimas não foram sempre as mesmas, não se saberia desde sempre que tinha de apagar-se os nomes???

Antonio Coutinho Coelho disse...

Primeiro: Em Portugal o crime de pedofilia não é considerado um crime grave. Aliás, até há pouco, nem sequer era crime!
Segundo: Para os nossos fazedores de opinião, pedofilia só é de alguma gravidade se for cometido por padre ou bispo (já que o papa está fora de prazo).
Terceiro: o lobby gay acha-se no direito de defender os pedófilos, já que se trata de gays e eles entendem dever ser solidários.
Quarto: a esquerda entende que deve sempre defender alguém de esquerda, em qualquer circunstância, e haja o que houver e como neste caso os pedófilos eram de esquerda...

Unknown disse...

E a filha que este Pina lá tem em casa que foi expulsa da Procuradoria-Geral da Repúbica por actos menos lícitos?

Ele não quer falar disso?

ER

josé disse...

emília:

Isso é uma ignomínia. O que fizeram à filha de Manuel Pina é uma sacanice em que teve papel preponderante o Independente de Inês Serra Lopes.

que "actos menos ilícitos foram esses"? Não me ocorre nenhum e na altura comentei o facto num blog- GLQL.