Vasco Pulido Valente retoma hoje no Público uma ideia antiga: o Portugal de hoje não é um país para levar a sério.
De facto, basta ver quase diariamente uma tal Catarina Martins a falar na tv para perceber que há uma parte do país, com destaque mediático e impulsionado por jornalistas que não pode ser levado a sério.
O grave nisto tudo é o tempo que isto dura. O tempo em que começou e que ainda não acabou, ao contrário de países europeus para levar a sério e que não têm destas figuras diárias nas tv´s nacionais.
Tal como VPV refere, depois de "o fim do marcelismo" ter sido a época mais feliz da sua vida, com a esperança de " uma vida livre, numa democracia à europeia, sem guerra e sem colónias", começou logo a desilusão. Logo, logo. É importante perceber que ilusão foi essa e que desilusão ocorreu entretante e porquê. VPV não parece ter entendido o que foi a tal ilusão porque andava mesmo iludido em 1973. Será bom recordar para quem não se lembra e mostrar para quem não soube. Porque isto dura mesmo há quarenta anos e as figuras ilusórias e ilusionistas continuam aí a merecer encómios, até mesmo de VPV.
Em 2 de Novembro de 1973, há quarenta anos, a revista Observador publicou estas páginas que mostro. Era o tempo das eleições, diferentes das de hoje porque restritas e sem "liberdades amplas" ( o partido comunista não entrava e era uma medida acertada, como se viu depois de 1989) mas de qualquer modo com um embrião de oposição verdadeira que desistiu do acto eleitoral. O cartoon de Quito ( o autor do cartaz do 28 de Setembro de 1974, da maioria silenciosa) vale mil palavras para mostrar o panorama de então.
Cito esta revista porque era das que fazia parte de um regime coerente, embora pretendesse "ir mais além com..." no caminho da modernidade que se anunciava. A revista espelhava fielmente o marcelismo e aposto que Marcello Caetano a lia com agrado ou pelo menos com circunspecção. Não era "fassista" ou reaccionária, como epítetos que os comunistas punham a outros media como por exemplo os jornais afectos ao regime, aliás muito poucos, um ou dois, se tanto. Era o que de melhor se fazia então em Portugal e mostrava o país que éramos e do qual me lembro e VPV se lembra também. Suponho que a Censura não perdia muito tempo com essa revista, ao contrário do Expresso que já era cretino nessa altura.
Torna-se interessante ler o artigo "portugueses falam de política" a propósito de uma sondagem do IPOPE. Quem souber ler nas entrelinhas percebe que povo português não era parvo, mas concordava com a política de então, na generalidade. E por isso não houve revoltas populares de vulto. E por isso o 25 de Abril surgiu e foi aclamado pelo povo nos primeiros dias, porque a promessa de liberdade era um factor importante de afeição.
Porém, como escreve VPV, durou pouco, importando perceber porquê e principalmente por que razão quem entende essas razões não é coerente nas análises e conclui em conformidade: foi a Esquerda quem nos tramou. Sempre.
Por exemplo, na Educação. Este número da revista é consagrado aos "grandes problemas nacionais" e o assunto é a "Educação e o ensino", duas palavras que hoje significam pouco, porque envolvidas em "paixão" e "iscte" ( uma instituição criada por Marcello Caetano para acantonar os "sociólgos" esquerdistas de então). As razões, também merecem ser compreendidas. Por exemplo, na imagem abaixo, avulta uma reunião de professores liceais. Basta olhar para a imagem e retirar ensinamentos. E um deles é a razão pela qual a Esquerda ( Rui Grácio, PS) aboliu o ensino das escolas secundárias industriais e comerciais: os professores dessas escolas geralmente não usavam gravata...no entanto eram chamados de "mestres". Porque o eram.
Parece anedota? Não é. É semiótica e seria bom entender esses sinais.
Hoje em dia o que sobra? Por exemplo esta semiótica política, também no Público de hoje. Este indivíduo votou em 1976 contra a Constituição. Foi depois candidato presidencial pela "direita", seja isso o que for que não sei o que seja.
Veja-se o que agora fiz da lei fundamental e tente perceber-se porque o faz, sem o pudor mínimo nestas coisas.