terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A esquerda mediática nas vésperas do 25 de Abril 74

Em 1972, três autoras portuguesas, assumidas "feministas" publicaram um livro incaracterístico que chamaram de Novas Cartas Portuguesas. O livro, mal saiu, escandalizou a sociedade mediática da época e não demorou muito a ser considerado "proibido" pela Censura.
Não obstante, pelo menos um jornal da época, o Diário de Lisboa num suplemento, publicou algumas das cartas tal como já foi aqui mostrado.

Em função de procedimento judicial, o escândalo chegou além Atlântico por via da revista Time que tinha cá uma correspondente ( Martha de La Cal) muito sensível a estas questões que serviram para acicatar o regime. O julgamento das Três Marias vítimas da censura fassista prosseguiu durante o ano de 1973 e chegou até depois do 25 de Abril de 1974, altura em que as mesmas foram absolvidas porque então  "the times they are a-changing". Numa questão de poucos meses, o livro deixou de ser "pornográfico e imoral", para ser uma das obras da nossa literatura de costumes...digamos assim.

Em   Fevereiro de 1974, o cronista Vasco Pulido Valente publicou na revista Cinéfilo um comentário a uma entrevista de uma das Três Marias- no caso, Maria Teresa Horta- à revista Vida Mundial.  O modo como o fez, suscitou o reparo atento de uma outra feminista de então, sempre de esquerda e punho erguido, mesmo quando dirigia a Máxima, como revista.
 Maria Antónia Palla, mãe do Costa da Câmara ( tinha escrito que era também do Costa do Expresso mas não é)  a quem transmitiu os sagrados valores da Esquerda democrática, criticava asperamente no número de 23 de Fevereiro de 1974 dessa revista o artigo de VPV, numa carta aberta. Assim:

Lendo a carta aberta ficamos elucidados sobre a ideologia da Esquerda portuguesa de então e que aliás é a mesma de agora. Nada mudou, nem mesmo por causa da Máxima. 

No número seguinte Vasco Pulido Valente respondia assim, denotando igualmente o lugar da Esquerda mediática que não pode ser muito incomodada pelos poderes da intelligentsia.

Essa mesma esquerda que já antes de 25 de Abril de 1974 dominava o panorama mediático, poucos meses depois apresentava assim as suas ideias para  a música que passava nos rádios...como se pode ler neste artigo do Cinéfilo de 15 de Junho de 1974. A prosápia de um tal Mário Contumélias é de antologia.

Este PREC cultural, muito mais profundo e duradouro que o político, ainda perdura. E é essa uma das razões profundas do nosso atraso económico e social e um dos motivos por que vemos a Esquerda da troika Avoila,Arménio e Jerónimo, albardados pelo Silva que não corta o bigode nem que a vaca tussa, sempre presente nas pantalhas televisivas, nos debates radiofónicos e nas páginas dos jornais.

Esta saga dura há mais de 40 anos...como se pode comprovar.



8 comentários:

foca disse...

Jose
Creio que a Palla só é mãe do da câmara, o outro é meio irmão.

josé disse...

Tem razão e o pior é que já é a segunda ou terceira vez que cometo a mesma calinada.

josé disse...

Cai-me sempre esta nódoa na escrita, mas já corrigi.

josé disse...

E aproveitei também para corrigir a data do Cinéfilo de 18 de Junho de 1974 para 15 de Junho do mesmo ano.

Enfim, há dias de manhã que um tipo à tarde não pode sair à noute.

Maria disse...

Essa senhora Palla (que não há meio de aportuguesar o nome por snobice parva, é claro, uma vez que a família Palha ligada à tauromaquia e com o mesmo apelido de origem espanhola, já o fez há séculos, mas enfim) tem o desplante de se considerado feminista mas deu-se ao trabalho de ter tido filhos, o que no mínimo é paradoxal já que as feministas nunca foram apologistas do casamento ou de formar família ou de procriar. Estas regras aceites naturalmente nas sociedades civilizadas são demasiadamente 'faxistas' para este género de gente moderna.

Já agora e sem ofensa, porque é que esta feminista comunista desde sempre, a exemplo do falecido marido e de pelo menos um dos filhos, teve a indignidade e torpeza de pouco depois do 25/4 apresentar em directo na televisão do Estado uma mulher a praticar um aborto, para mostrar ao mundo e a própria exemplificava "era assim que eles se praticavam no faxismo" com os pormenores e diálogo condicente.

Este programa infame passado a uma hora nobre e podendo ser visto por toda a família, em nada preocupou a jornalista feminista se chocasse e revoltasse as pessoas mais velhas habituadas a normas de decência e respeito pelo outro, desde sempre praticados no país e tanto ou mais na televisão.

Sem querer ofender, repito, permito-me apesar de tudo e uma vez que estou perante uma feminista sem complexos de linguagem nem comportamentos cívicos correctos, fazer-lhe uma pergunta inocente - embora como boa esquerdista que é estou certa de que usaria outra terminologia mais d'acordo com a há muito desaparecida ideologia que ainda professa - porque é que sendo uma feminista comunista (as duas crenças completam-se) portanto seguidora incondicional das duas correntes filosóficas, a política e a social, que têm semeado os piores cataclismos pelo mundo, porque razão, dizia, não abortou os seus filhos? Se isso tivesse acontecido mais não teria feito do que dar o exemplo aplicando à letra os ensinamentos criminosos por que propugnava e quis impor ao país com força de lei, tendo com essa decisão poupado inúmeros dissabores aos portugueses. Esta pergunta tem razão de ser porque a senhora Palla fez uma campanha cerrada e vergonhosa a favor da despenalização e descriminalização do aborto; porque mostrou na televisão em directo um aborto praticado por uma qualquer curiosa que a isso se prestou (feminista comunista de certeza) para mostrar como eles eram praticados no regime anterior clandestinamente aos 'milhões' sòmente por não estarem legalizados, correndo as mulheres riscos de vida e até a morte porque efectuados sem a devida assistência médica o que jamais aconteceria se eles fossem legalizados (como se nesta pseudo democracia os abortos clandestinos não continuassem a ser praticados e as mortes a acontecer da mesmíssima maneira e até em número superior... ah!, mas agora temos clínicas abortistas legalizadas por tudo quanto é sítio e os abortos já são autorizados por lei, lei que a esquerda dizia ir fazer diminuir substancialmente senão anular totalmente os praticados, segundo as feministas esquerdistas, 'em vãos de escada', mas, não curiosamente, ambos os métodos dispararam em flecha e os 'de vão de escada' até aumentaram); e também porque esta jornalista sempre escreveu em artigos de jornal e falou nas televisões a favor destas e de outras práticas repulsivas que no regime anterior não eram proibidas, mas quanto aos abortos e sòmente a estes eram toleradas - e agora repare-se na hipocrisia monstra dos/as valdevinos/as esquerdistas - em contrapartida nos países cuja ideologia sanguinária as esquerdas endeusam e professam religiosamente, surpresa das surpresas ou nem por isso, estas mesmas práticas eram rigorosamente proibidas e severamente punidas com muitos anos de prisão aos transgressores!

Hipocrisia, cinismo, ódio, maldade e desprezo asoluto pela lei e pela ordem é tudo quanto albergam os espíritos doentes dos esquerdistas (feministas incluídas) que para nossa infinita desgraça tivemos o tremendo azar de terem nascido em Portugal.

Maria disse...

Leia-se "... práticas repulsivas que no regime anterior ERAM proibidas...".
Maria

Carlos disse...



Coscuvilhices, onde para a "porteira"?

Maria,
Que violência!
Este comentário, além do mais, tresanda a ódio - é o que me parece.
Não vi o programa que refere.
Mas, afirmar que, quem defende a despenalização do aborto, obriga implicitamente a que o mesmo se faça, vai uma grande diferença, ou não?

Cumprimentos

Aníbal Duarte Corrécio disse...

"Este PREC cultural, muito mais profundo e duradouro que o político, ainda perdura. E é essa uma das razões profundas do nosso atraso económico e social e um dos motivos por que vemos a Esquerda da troika Avoila,Arménio e Jerónimo, albardados pelo Silva que não corta o bigode nem que a vaca tussa, sempre presente nas pantalhas televisivas, nos debates radiofónicos e nas páginas dos jornais."

De facto este tem sido um dos centros do PROBLEMA.

Estou esperançado que o actual governo abra mais o caminho a caminhos diferentes que hão-de vir, mais em linha com a afirmação cada vez maior da iniciativa privada como o motor fundamental da economia e um novo reposicionamento do Estado na vida dos cidadãos.

Na minha opinião temos que 'rezar a Deus todos os dias' e agradecer o voto dos Portugueses na dupla Cavaco-Passos.

Tivesse havido outro resultado e tudo estaria mais inquinado do que está.

Avançar nas privatizações será decisivo para prosseguirmos e aprofundarmos mais o caminho.E com esse aprofundamento, o domínio ideológico a que hoje assistimos da esquerda nos meios de comunicação social irá esboroar-se.

A mentalidade,essa infelizmente, vai durar um pouco mais.

O TCIC é para acabar...