quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Em 4 de Dezembro de 1980 morreu Sá Carneiro, nemésis do comunismo

 Em guisa de efeméride recordo aqui um texto com imagens que publiquei aqui, em 7 de Julho de 2013 sobre Sá Carneiro, agora que faz anos que o mesmo morreu num desastre de aviação em Camarate, Lisboa, mais ou menos a esta hora (20:20), em 4 de Dezembro de 1980.
Sá Carneiro não era um líder que considerasse como sendo o ideal, na seriedade que deve ser apanágios dos homens de Estado que admiro. Porém, foi dos melhores que tivemos.

 Sá Carneiro representava para o PCP o verdadeiro adversário político-ideológico, capaz de mudar o paradigma de Esquerda que vicejava em Portugal desde os primeiros dias do 25 de Abril de 1974, como se pode ver pelos recortes de imprensa que por aqui tenho publicado. Em 1979, na altura da AD, os comunistas andavam em pânico eleitoral e desfaziam-se em comícios, reuniões e sessões de esclarecimento para obstar à onda "contra-revolucionária", "reaccionária" e no final de contas "fascista" que aquele representava. E sem grande sucesso, atento o resultado eleitoral.  Em 12 de Março de 1976, Álvaro Cunhal dava uma entrevista extensa ( duas páginas) ao O Jornal em que dizia claramente " Nós, os comunistas. não consideramos [o PPD] nem "popular" nem "democrático". Ficava assim claramente dito o que o PCP pensava da democracia...

Na altura, o problema principal era económico e o que os comunistas e esquerda em geral fizeram ao país e que nos conduzia directamente para uma bancarrota anunciada e apenas evitada in extremis, pela intervenção do FMI, em 1977. Isto é tão claro que não entendo como hoje se continua a dar crédito à troika Avoila, Jerónimo e Arménio, com o albardeiro Silva a dar-lhes apoio grevista. E ainda me espanta mais como é que o jornalismo caseiro dá cobertura mediática imediata e permanente a esta desgraça colectiva que se anuncia novamente, depois da experiência do passado. Este jornalismo é do pior que pode existir porque comunga causas perdias como se fossem a salvação do país. Exactamente como dantes e basta ler o artigo sobre o "entendimento" entre o PS e o PSD, de José Manuel Barroso, para perceber como era o tom geral nos jornais: de Esquerda, sempre, sempre. Arre!

Em 6 de Fevereiro de 1976, Sá Carneiro dava uma entrevista ao O Jornal. Assim.

Em 11 de Março de 1977, o PS já estava no Governo ( e o FMI por cá) e houve uma primeira tentativa de alterar a constitucional irreversibilidade das nacionalizações, através de um acordo bi-partidário entre o PS e o PSD, arrancado a ferros e com Sá Carneiro a dizer publicamente que havia possibilidade de entendimento com o PS ( o PS entende-se sempre com a dita "direita" quando está no poder...para grande desespero do PCP e em Portugal sempre assim foi.)


No mesmo número de O Jornal, a par da entrevista, vinha um artigo sobre as bases de entendimento entre os dois partidos e que "ressuscita actividade da banca privada", embora uma ressuscitação anémica cuja recuperação de cor ainda demorou uma boa meia dúzia de anos. A explicação para o entendimento dava-a o próprio Jornal: "Mercado Comum tem um preço: interno e externo". Exactamente e tal como hoje...embora o PS só o reconheça quando está no poder a rapar o pote. Como hoje quer  outra vez.

E na entrevista, Sá Carneiro explicava melhor porque o PCP o considerava "anti-democrático" (!)



14 comentários:

takitali disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
josé disse...

Obrigado, está corrigido.

Floriano Mongo disse...

José, vai continuar-se sempre a dar crédito às avoilas, arménios e cambada, porque a desinformação não seria desinformação se não conseguisse a sua própria existência.

O comunista italiano António Gramsci, disse que “um jornalista, um comentador, um escritor, são mais eficazes, a longo prazo, do que toda a artilharia do Exército Vermelho”. Por isso toda essa gente desempenha, na estratégia “gramsciana”, um papel de relevo.

É o que se passa há 40 anos em Portugal.

Gramsci, transformou a estratégia comunista, da força bruta, numa delicada teia de influências subtis, que penetram lentamente nas mentes, uma “invisível omnipresença de forma a moldar os cérebros até ao nível dos automatismos mentais”.

Incorporando mil faces, o marxismo na esfera cultural, tornou-se a influência dominante que, sem nome, quase invisivelmente, move as correntes de opinião no mundo.

Este poder fundado na hegemonia é um poder absoluto e incontestável, aquela forma profunda e irrevogável de consentimento que se assenta na força do hábito, principalmente dos automatismos mentais adquiridos que uma longa repetição torna inconscientes e coloca fora do alcance da discussão e da crítica.

Assim se constata que a influência do marxismo cultural é tão profunda que mesmo pessoas alheias a qualquer tipo de simpatia por essa ideologia reagem de forma mecânica sem se aperceberem que ao defenderem uma determinada ideia, estão a defender um “mal” que vem embrulhado em “bem”, e sem terem nunca a noção de que estão a servir a esse senhor invisível.

josé disse...

E alguns, seguindo a mesma lógica, tornaram-se cantores de canções infantis, tipo Joana come a papa...

zazie disse...

É vderdade. O Floriano tem razão.

Este fenómeno da propaganda disfarçada em "história e informação" é tremendo.

Maria disse...

Brilhante testemunho, Floriano Mongo, com provas concludentes do que a influência marxista interpenetrada em todos os meios políticos, sociais e mediáticos dos regimes democráticos, aparentemente inócua porque pràticamente invisível mas persistente o suficiente para causar danos irreparáveis e da qual poucas sociedades conseguem libertar-se justamente pela sua constância, produto da malignidade de que estão imbuídos os seus mentores e de que necessitam para atingir os seus fins ou seja, subverter completamente as sociedades nas quais se introduzem subreptìciamente socorrendo-se dos meios mais torpes e vís ao seu alcance - mentiras, chantagens, difamações, ultrajes, o incutir um medo atroz nos oponentes e mais ainda nos adversários políticos, fomentar terror nas populações através da violência e do crime nas ruas (propositadamente incentivados pelo sistema que deles necessita enquanto o regime durar), o acicatar de lutas estéreis entre todas as classes sociais, com predominância para o confronto, de preferência violento, entre trabalhadores e patrões (ou chefes, como agora se diz...) e finalmente instilar na sociedade um clima atemorizante traduzido num receio de tudo e todos, de modo a originar uma insegurança irracional nas populações. Insegurança e medo cuja permanência sem fim à vista tem originado patologias depressivas graves em percentagens elevadíssimas, muitas das quais conducentes à loucura. Mas o que está a tornar-se cada vez mais alarmante e perigoso - e aqui a culpa vai inteirinha para os pseudo governantes do país - é que um número considerável de quem se encontra sob uma depressão profunda opta pelo suicídio por não encontrar outra saída para acabar com o sofrimento.

Sendo este o cenário no qual os manipuladores democráticos, isto é, os responsáveis políticos e aqueles que não o sendo os secundam exemplarmente na maldade, se orientam e se movem como peixes na água - provocando conflitos sucessivos, agitação social permanente, distúrbios e violência sequencial de todo o género e feitio, manifestações frequentes de pseudo-contestantes (cientìficamente estudadas e cirùrgicamente aplicadas nos momentos julgados oportunos) causando mortos e feridos e quantos mais melhor - e fàcilmente chegaremos à conclusão de que esta é a verdadeira génese das democracias modernas e a seiva de que se alimentam para prosseguir na sua senda maldita, sem a qual inexistiriam.

zazie disse...

O esquerdismo não funciona agora pelo medo.

Isso foi no PREC. Com isso conseguiram um país de esquerda.

Agora funciona pela tal ideia de se estar do lado certo da História e fora disso ser algo que até parece mal.

Nunca tinha pensado muito nisso porque, como nem votyo e estive muitos anos sem ligar corno a política, não me dei bem conta disso.

Foi muito graqças ao José que despertei para este efeito de unanimidade de esquerda que reina em Portugal.

E movo-me num meio que é praticamente todo de esquerda.

Não tenho uma única conversa política e há-de ser por esse motivo.

Mas sou livre naquilo que faço de seguir o que bem entendo.

Portanto, em vez de andar a combater as visões distorcidas de tudo o que se ensina- faço inverso- transmito o que se esqueceu e incluo nisso bibliografia clássica, muito mais antiga.

A que também passou há história por força dos ventos de esquerda que vieram de França e que ainda dominam as ditas humanidades.

zazie disse...

Está tudo mal redigido, mas enfim.

josé disse...

A ideia básica está lá e é importante porque não há este discurso nos media.

Mesmo os que não concordam com a esquerda- e são muito poucos- não aproveitam essa ideia para se afirmarem como livres pensadores.

Têm algum medo de serem ostracizados porque é o que acontece.

Enquanto um imbecil como um Daniel Oliveira pode debitar as enormidades e disparates que debita quem pensa diferente não tem hipótese de expressar a opinião em lugares indênticos e quando têm não o fazem.

josé disse...

Para mim, a sintonia fica com a linguagem exacta que me lembro de ouvir e entender está na revista Observador cujos textos tenho publicado.

COmo tenho todos os números vou continuar porque é o melhor fiel daquilo que pretendo dizer.

josé disse...

sintonia fina, queria dizer.

zazie disse...

É verdade, José.

Até penso que me acontece um pouco disso.

Porque a forma como toda a gente que é de esquerda trata tudo, é como se nem fosse possível, ou legítimo, ou normal, ou decente, não ser assim.

E nem perguntam. Partem sempre do princípio que é óbvio que só podemos concordar.
Como se o inverso fosse mesmo um défice que colocava em causa a pessoa.

Eu não tenho mesmo conversas políticas com pessoas com quem me relaciono.

Mas recuso quando vêm com abaixo assinados. No caso do primeiro referendo do aborto acho que perceberam.

Agora naquilo que me diz respeito em matéria de trabalho, como é óbvio, não tenho satisfações a dar.

É mesmo um tremendo de um ostracismo.

E sei-o desde os meus vinte e poucos anos.

Meio mundo que deixou de me falar. Colegas e amigos próximos que nem à maternidade me foram visitar.

Por eu ter feito em cacos toda aquela trampa ideológica que se vendia no PREC.

josé disse...

Ainda ontem estive numa discussão entre amigos por causa destas coisas e quase todos de esquerda comunista. E não me chateei com ninguém apesar de ter afirmado exactamente o que digo aqui.

O segredo está em não hostilizar as ideias alheias e eu não hostilizo. Nem aqui, acho.

zazie disse...

É verdade. O José tem esse dom. É cool.

E responde sempre com muita informação.
Sempre factual.

Mas com comunas até seria capaz. Penso eu.
O problema é com quem não é carne nem peixe e trata tudo com processos de intenção e julgamentos morais.

Não aguento esse tom a ninguém.
E isso pode vir não de amigos mas de conhecidos.

Se a relação é profissional mantenho distância a todos os níveis e particularmente nesse.

O jornalismo sério do Governo