segunda-feira, 4 de novembro de 2019

King Crimson: na corte dos reis da música progressiva

Há 50 anos o grupo inglês King Crimson publicou este disco com esta capa estranha:


O disco é considerado como o primeiro e porventura dos melhores, desse género musical popular.
No ano de 1969 e até antes houve outros grupos de música popular que publicaram discos aparentados, como os Genesis, os Caravan ou mesmo os Deep Purple. E até os Jethro Tull de Stand up lá queriam chegar, para não falar dos Moody Blues que já tinham quatro discos do género, desde Days of Future Passed até To our Children´s Children.

Os Procol Harum também faziam parte do género e os Yes e Van der Graaf Generator também viriam a entrar no clube progressivo, tal como os Gentle Giant, Traffic, Nice e ELP, para mencionar os mais notórios.

No entanto, resumindo tudo ficamos com aquele primeiro disco dos King Crimson como o mais representativo da onda progressiva que começou na Grã Bretanha e se espalhou depois pelo continente, até chegar à Alemanha dos Can e similares e a Itália dos Area e dos Arti+Mestieri.

Os King Crimson desde 1969 até 1975 publicaram outras tantas obras primas do género, sendo difícil escolher uma delas para ouvir e que se destaque das demais tal é a qualidade artística de todos estes discos. Neste momento agrada-me In the Wake of Poseidon mas houve tempo em que só jurava por Red. E depois Lizard e Islands. O mais fraco de todos, aliás inaudível, é Earthbound, um disco ao vivo que tenho na versão cd+dvd e que é mesmo para relegar para o arquivo morto.
Falta ainda a versão ao vivo de Red, USA, com a capa azul e metálica. Chegou a ser um dos discos preferidos, quando só jurava por Red, em 1975, mas depois perdeu o fulgor e ainda nem arranjei a versão original.

Os discos originais são estes:


Em 1976 publicaram uma colectânea organizada pelo próprio mentor do grupo, Robert Fripp. Um guia para jovens interessados em ouvir o grupo:


Em Portugal, na altura de 1969,  ninguém deu importância ao disco da corte do rei carmesim. Nem aos seguintes.

Em 1 de Fevereiro de 1970 a revista Mundo Moderno publicava o top do Em Órbita relativo ao ano anterior:


Na verdade, apenas em  1973-1974 a revista Mundo da Canção deu atenção ao grupo, mostrando o nome na capa do nº 38:


O artigo de crítica aos discos, até Lark´s Tongue in aspic, de 1973,  é de pedante, como era costume na revista. O de serviço chamava-se Octávio Fonseca da Silva e encontra em todos os discos a seguir ao primeiro uma composição "inqualificável", "horrível" ou de "mau gosto".
Logo no segundo, In the Wake of Poseidon,  acha que o tema Cat Food é "uma faixa inqualificável de estúpido mau gosto". Enfim, gostos de quem não se apercebeu que tal peça é uma das mais incríveis do disco por causa do solo de piano tocado a velocidade supersónica.




Em França, a Rock & Folk pela escrita do director da publicação não poupou elogios ao primeiro disco, na edição de Janeiro de 1970:


O primeiro disco foi agora editado em versão comemorativa dos 50 anos. Assim:


E escusado será dizer que as versões originais dos discos atingem importâncias significativas no mercado dos usados, como mostra esta página da Record Collector de Julho passado:


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