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sábado, 14 de março de 2015

Trambiquices de há trinta anos: o caso dopa e os privilegiados de sempre

Em 1985 Portugal vivia o espectro da segunda bancarrota, em menos de 10 anos, evitada in extremis com grandes sacrifícios para o cidadão comum e à custa de ajuda externa maciça. com empréstimos do FMI e não só.
A manchete do Tal&Qual de 1983 mostrada em postal anterior, não era de todo irrealista porque a situação social fora também denunciada pelo então bispo de Setúbal, d. Manuel Martins que era de Barcelos.

Em 1985, a revista Grande Reportagem, que tinha um "grande repórter" que assinava Miguel Sousa Tavares publicou esta capa em que insisitia no panorama da fome e fazia  esta pequena entrevista com um certo Alfredo Barroso que no outro dia se desvinculou do PS em desacordo com "o Costa":


Quem governava então? O veterano das bancarrotas, padrinho emérito das mesmas e actualmente desmemoriado de todo: Mário Soares.
 Nessa altura, vendo a desgraça às portas dos portugueses teve um lampejo de senso comum e dizia coisas nesta entrevista que hoje desdiz e já nem se lembra:


O jornal Semanário de 2 de Março de 1985 mostrava bem o que eram as dificuldades por que o país atravessava por mor daquele veterano dos sacrifícios por que passamos devido às políticas de sempre, por ele apadrinhadas e seguidas.


Num dos itens das dificuldades apresentadas ao FMI, estava a da "banca", ainda toda nacionalizada, nossa,
com muito orgulho e afecto comunista,  com resultados negativos. Um dos factores apontados era a "fuga de capitais" que originaram créditos malparados. E dá-se conta de que empresas que deram garantias reais para empréstimos, estavam a desfazer-se deses bens, desses activos do respectivo património, perante a inoperânca da "banca" nacionalizada, nossa.

Sendo este o panorama em meados dos anos oitenta,  surgiu nas páginas dos jornais dessa época um escândalo de vulto, aqui explicado na altura em que os factos ainda estavam em "segredo de justiça" mas ninguém se importava com a sua violação...
O caso Dopa, como ficou conhecido foi o caso monte Branco dessa época, e o zé das medalhas de então chamva-se Joaquim Queirós de Andrada, empresário ido de Angola para o Brasil no rescaldo da "descolonização exemplar", onde era cambista e gerente bancário. Uma vez no Brasil regressou a Portugal e fundou a empresa Dopa, como se pode ler. Através da empresa exportava ilicitamente capitais do país, essencialmente divisas ( moeda estrangeira) que eram preciosíssimas para um país cuja moeda desvalorizava a cada dia, por força das políticas do "veterano" das bancarrotas. 



O escândalo só surgiu quando o jornal o diário, comunista e adepto da "verdade a que temos direito" publicou as notícias ( o segredo de justiça ou segredo profissional bancário era uma balela e ninguém se preocupava com tal...) e apareceram a público nomes dos exportadores ilegais de dinheiro estrangeiro. Todos privilegiados na sociedade portuguesa de então e que passava por uma crise económica gravíssima que nem hoje tem paralelo.

E quem eram tais personagens de vulto e alguns de porte moral antifassita que vituperavam o antigo regime das piores barbaridades e agora se associavam a alguns dos seus próceres para acautelar dinheirinho lá fora, na alta Suíça, tal como hoje?

Pois é ler e ver as surpresas, particularmente na letra M, onde aparece um jornalista agora tão moralista que vitupera tudo e todos e mais a maldita violação do segredo de justiça...


Deve notar-se  que esta actuação na altura era considerada crime relativamente grave e conduziu à prisão preventiva do principal actor do esquema de evasão de capitais, com aqueles clientes de luxo, e alguns deles privilegiados que viviam a escrever contra o fascismo...e a lutar pela Constituição de 1976 e as nacionalizações e a banca nacionalizada etc etc. A latere, punham o seu dinheirinho a bom recato.

O caso ainda se complicou mais quando surgiu a notícia que o juiz de instrução recebera dinheiro pela libertação do principal arguido, Queiroz de Andrada. Pelos vistos, nem fora preciso porque o mesmo se evadiu a tempo, o que  originou um processo de burla contra uma  funcionária judicial que acusara o juiz de tal malfeitoria. Depois de muitas andanças processuais o referido juiz acabou "ilibado" como agora se diz nos media.


Ainda gostava de saber se um actual primeiro-ministro ou candidato a tal estivesse envolvido num caso destes seria fustigado como o foi o actual por aquele mesm Sousa Tavares, Miguel...por factos que nem têm qualquer comparação...

Certo é que outro Sousa Tavares, Francisco, foi obrigado a demitir-se na altura, do cargo de ministro.

A vergonha, entretanto, prescreveu. Já lá vão trinta anos e por isso é compreensível. A de vinte anos parece que ainda não tem tempo para tal...e aqueloutra, agora é apenas pouca-vergonha.

Nota: como habitualmente, se alguém quiser ler os "recortes", basta clicar em cima da imagem com o botão do lado direito do rato. Dependendo da versão do sistema ( Windows ou Mac) basta abrir outra janela ( no caso do Windows, com o botão do lado direito do rato e clicando outra vez nessa nova janela a imagem amplia perfeitamente para se poder ler. Quem não conseguir, mesmo assim, pode tentar porque a imagem lê-se muito bem.

9 comentários:

lusitânea disse...

Uns filhos da puta estes gajos...

Floribundus disse...

pessoa Amigo assistiu a um precioso 'elogio' feito ao dito cujo por uma peixeira na Praça de Campo de Ourique

JReis disse...

Enquanto a FIAT ia vendendo o seu modelo RITMO , Mário Soares ia tratando de escangalhar este nosso pequeno País lançando a semente para a nação falhada que somos claramente hoje. Gostava de continuar este pequeno comentário mas a revolta que me faz recordar esses tempos porque foi o laboratório da trampa que hoje somos impede-me de continuar, por razões até de boa educação. Filhos de uma "grã-bretanha" !!

Joaquim Pereira disse...

"Certo é que outro Sousa Tavares, Francisco", pai deste Miguel!

Floribundus disse...

consta que o xico, mais conhecido por tareco, terá dito em relação à Pintassilga (PM)
'-vou agarrar a gorda!'


José disse...

claro. O pai deste Miguel. O que se pôs em cima da árvore no Largo do Carmo, com um megafone, a dar vivas à cristina no dia 25 de Abril, ainda com o Marcello Caetano lá dentro. Há fotografias a provar.

Anjo disse...

Perdoem a minha ignorância: que significa "dar vivas à cristina"?

zazie disse...

google

http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=27603

Anjo disse...

Tem piada: também googlei, mas devo ter pesquisado mal porque não encontrei nada.

Obrigada, Zazie!