Páginas

domingo, 29 de novembro de 2015

O jornalismo líquido do Público e as notícias em bruto do Correio da Manhã



Ontem, a jornalista do Público Cristina Ferreira acrescentou ao desmazelo ( em interpretação benévola) a manha que o Correio da Manhã não tem, nem sequer online, a propósito da notícia manhosa da véspera sobre o antigo governante Sérgio Monteiro.

Ontem desfez-se em explicações detalhadas sobre o pormaior da remuneração líquida ou bruta daquele. E explicou o que na véspera tinha completamente omitido, com a agravante de ter passado a mensagem principal da primeira página, efeito que com estes profissionais nunca é despiciente Nessa primeira página do jornal de Sexta-Feira tinha escrito " Sérgio Monteiro recebe 30 mil euros por mês para vender Novo Banco". Assim mesmo com um acrescento: o salário era pago pelo Banco de Portugal durante 12 meses.
A notícia interior, com foto "à Correio da Manhã" a ocupar a página escrita de alto a baixo repetia os 30 mil euros "brutos por mês" e a seguir informava que o mesmo iria receber " uma remuneração total bruta de 250 mil euros".
Apesar da bota não bater certo com a perdigota nem o artigo deixar sequer ponderar outra forma de calcular a remuneração líquida ( o IRS não se desconta assim, logo no início) a jornalista e a direcção do jornal em regime de mecenato entenderam que tinham aqui um grande escândalo a revelar e insistiram ontem num esclarecimento que é ainda mais lamentável.
A este propósito de escândalos e oportunidades líquidas para os denunciar, o jornal em regime de mecenato, apesar de conhecer o caso particular de António Costa que recebeu anos  a fio, por inteiro e líquido, duas remunerações a que aparentemente não tinha direito, eventualmente a título de direitos de autor a que também não tem direito porque o não são, pura e simplesmente, fez do assunto tabu e fechou-se em copas. Isso é um "não assunto" ou seja, tal como no caso da licenciatura do antigo primeiro-ministro, o caso fica em águas de bacalhau porque agora ninguém se mete com o PS, senão...

Enfim, vamos a este grande escândalo do tal Sérgio Monteiro cuja contratação foi transparente, no sentido em que está tudo claro, aparentemente não aldrabou o Fisco e afinal irá ganhar o que uma entidade reguladora independente determinou em conselho com outras entidades privadas.
Ontem o jornal em regime de mecenato explicou então ao que vinha anteriormente: esses 30 mil euros por mês, afinal eram mesmo brutos e tal valor "resulta de 21 mil euros, a que se somam verbas que o BdP vai despender com Monteiro, nomeadamente através do pagamento dos descontos para a Segurança Social que estão normalmente a cargo do trabalhador".
Isto que no dia anterior não foi notícia serve agora para outra notícia em que se tenta explicar que afinal os 250 mil euros brutos anuais foi a quantia declarada ao tribunal Constitucional pelo ex-governante" e que afinal não são mesmo brutos porque se devem acrescentar "os encargos assumidos pelo regulador".
 Uma confusão que a notícia de agora procura outra vez iludir, acrescentando o que antes não o tinha sido: que o tal governante saíra do cargo de administrador  da Caixa BI e não tinha o cargo suspenso, pelo que não poderia voltar, sem mais, para o mesmo lugar. Assim se procura justificar que não merece os tais 30 mil brutos, porque enfim, até é superior ao que ganha o regulador principal.
Para se tentar esconder o rabo do gato a esta notícia, deve ponderar-se que este jornalismo  é apenas um modo de fazer politiquice por outras vias perversas, sendo o das causas dos escândalos fictícios, fracturantes e próprios de uma esquerda que assumiu o modo oculto e se recusa a revelar em editorial. Um jornalismo de "referência" para uma esquerda militante que nunca deixou de o ser e que nem sabe fazer outra coisa, porque julga que assim é que deve ser.

Contudo há um outro modo de fazer jornalismo e afinal é o Correio da Manhã, "o pasquim", a folha de couve populista e desprezível quem ensina estes mestres do malabarismo.
Ontem mesmo a notícia sobre o tal governante era assim apresentada. É ler para perceber como se poderia comunicar o que tem interesse e ao mesmo tempo acentuar o ar de "escândalo" que é marca do Correio da Manhã. Lendo bem a notícia não há escândalo algum. E se o há reside noutra circunstância: a de o BNP Paribas ter a receber por tarefa quase idêntica à do tal governante, 15 milhões de euros, mais comissões se tudo correr bem.
Este escândalo, por motivos misteriosos escapou ao jornalismo do Público. Tal como o do actual primeiro-ministro em exercício,  António Costa.
E por isso fica o desafio que é para retomar: para quando uma investigação jornalística aos rendimentos conhecidos do actual governante e à situação concreta dos direitos de autor pela participação no programa de tv Quadratura do Círculo?  Para quando cair em desgraça, daqui a uns breve meses? Este assunto "agora não interessa nada"?
Irá o Público fazer como fez aquando do caso inenarrável da licenciatura de um primeiro-ministro, com os episódios rocambolescos que apenas foram descobertos por um simples blogger?
Este jornalismo de referência é só das causas fracturantes da esquerda ou afinal a expressão "watchdog", que até um professora do género Judite de Sousa saberá o que é, serve apenas para adornar princípios esquecidos?



16 comentários:

Portas e Travessas.sa disse...

O Rapaz até possui um ar de estadista - futuro assegurado, basta o "ar"

Zé da Adega

josé disse...

Conheço outro melhor: um tal Pedro Marques que costuma deixar a boca em casa...

josé disse...

Ou melhor, a beiça.

Floribundus disse...

a cristina cristalizou na maldade

ou

'monhé escondido com Monteiro de fora'

há centenos de asnos à solta

«a mediocridade é imbatível»

'regresso ao admirável mundo' social-fascista dos sovietes

Lura do Grilo disse...

Até conheço parte da família deste senhor. É um homem sério, a mulher é uma mulher séria .... é uma família unida e com quatro filhos. Tomaria que todos fossem assim e vivessem do seu trabalho, do seu talento e da sua honestidade. Já a fundação do cavalgador de tartarugas recebeu em 7 anos 1.5 milhões por fazer nada.

Portas e Travessas.sa disse...

Está a referir-se ao Pedro de sorriso malandro? - ao Pedro, que não sabia que tinha pagar impostos sobre o trabalho? - Com o sorriso de boca cheia - ai, não sabia, dizia Sua Excelência o 1º Ministro.

Zé da Adega e ainda não bebi nada

josé disse...

Não é bem a esse mas já que fala em impostos por pagar esse Pedro não é nada á beira do actual Costa que tem centenas de milhar de euros para liquidar adicionalmente se tal lhe for contabilizado como deve ser. Isso se se confirmar a historieta acerca dos direitos de autos que não são...


E sobre isso nem as portas ou travessas lhe valerão.

Se quer falar em energúmenos, trafulhas, aldrabões e quejandos podemos já começar. Mas ficamos por aqui.

Portas e Travessas.sa disse...

Carissimo José

"actual Costa que tem centenas de milhar de euros para liquidar"

Isso quer dizer - que o Pedro "boçal" - para além de não liquidar os seus, não pressiona aos devedores de pagar os seus à Fazenda Pública e são muitos pelos vistos


Zé da Adega

josé disse...

Não quer dizer nada disso, mas se não percebeu pode ficar sentado à espera que explique.

Portas e Travessas.sa disse...

Boa, hahaha - quando tiver oportunidade, agradeço - estou sempre pronto a receber novas - mas essa do Costa não lembro o "caneco"

Alberto Sampaio disse...

Caro José,
está enganado. O ac não recebeu apenas mais umas centenas de milhar por direitos de autor que afinal não são de autor e que, portanto, deveria ter declarado em conformidade. Também deveria ser investigada a história do apartamento. Mais, o ac participou inicialmente e depois esteve à porta durante o saque ao País. Alguém acredita realmente que os amigalhaços do partido do socrates não sabiam de nada? Ou sabiam tudo, ou fecharam os olhos, o que em Portugal ainda é crime. Problema é provar, e o costa já vai tratar para que nada se saiba.

Floribundus disse...

diz-se que vão terminar os jornais
Sol e I

José disse...

Pois parece que o futuro não é muito radioso para o Sol e i. O Público tem o mecenato da Sonae senão também ia de carrinho e pouco se perdia. O Diário de Notícias é uma não existência a não ser no título.

As sedes do DN e do JN vão ser rifadas.

Enfim, temos a merda do Expresso que é ainda pior que os demais citados.

E temos a Sábado e a Visão que nem apetecem ler.

O que vale é termos as publicações estrangeiras. Para as notícias nacionais temos o Correio da Manhã.

António Rosa disse...


Pelo que se vê , não será por falta de bom jornalismo que cairá o mosteiro , hehe...

Adelino Ferreira disse...

...e diziam eles: "O Sol brilhará para todos nós"

José Luís disse...

O CM de hoje confirma os comentários aqui feitos sobre o fecho dos jornais Sol e i.