sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A Direita que desapareceu, em Portugal

Depois de muito procurar dei com o livro de Riccardo Marchi, A Direita nunca existiu, publicado em segredo pelo Instituto de Ciências Sociais.  Parece que se não fosse António Costa Pinto, um esquerdista de antanho, revolucionário, tornado professor no dito Instituto, nem sequer haveria livro.



O índice dá um panorama dos assuntos tratados, todos relacionados com algumas pessoas que já desapareceram do mapa político e até do convívio físico e espiritual porque já morreram.


 A imagem da capa foi tirada de uma foto que o jornal semanário O Diabo publicou em 6 de Dezembro de 1977 e mostra uma manifestação de quem não se sentida identificado com a esquerda portuguesa, a descer uma avenida de Lisboa (a Av. da Liberdade ?).

Hoje em dia tal foto seria impossível porque não há tanta gente que se identifique com algo que não seja a esquerda, em Portugal.

Há um défice de direita em Portugal e tal se deve ao predomínio da informação e doutrinação em madrassas de ensino superior, totalmente dominadas pela ideologia esquerdista.

Mesmo os que não eram esquerdistas, nesse tempo dos anos setenta, renderam-se às conveniências pessoais, virando a casaca que nunca tiveram.

Em  Abril de 1986 o O Jornal classificava de "direita" estas personagens:


Hoje em dia, alguém como Jaime Nogueira Pinto que também arranjou lugar como professor algures foi barrado pela "esquerda" académica de alunos ignorantes como se fosse um perigoso fascista.

Notoriamente, porém, conformou-se com o regime e até charla semanalmente no sítio do Observador, fazendo contraponto a um comunista ( Ruben de Carvalho) e a um socialista moderado ( Jaime Gama). Quase nunca se nota o pendor direitista acentuado, mas apenas o conformismo assolapado pela idade. (En)calhou.

A Sábado entrevistou-o, publicando ontem a entrevista:



Não obstante, como conta Riccardo Marchi, até 1980 a Direita tentou encontrar um rumo e uma organização coerente que falhou redondamente e é desse falhanço que o livro dá conta, notabilizando uma personagem já desaparecida e que lutou para que não fosse esse o destino: Manuel Maria Múrias.



Em Maio de 1981 o jornal A Rua desapareceu e com ele uma voz que pretendia ser a da Direita em Portugal. Até hoje...

O obituário é de Marcelo Rebelo de Sousa, aliás muito apropriado. 


54 comentários:

João disse...

Não deixa de ser significativo o facto de ser um investigador italiano a fazer o trabalho mais sério sobre a direita radical portuguesa, não só depois como antes do 25 de Abril. A este título temos de juntar as obras que já publicou anteriormente e que acabam por constituir um todo fundamental para conhecer as ditas franjas radicais. Há outro investigador, brasileiro (não me recordo agora do nome), que também fez a sua tese de doutoramento sobre a "extrema-direita" portuguesa, mas creio que o trabalho dele não tem sido tão sistemático como o de Riccardo Marchi.
Já agora, para quem não conhece, deixo aqui uma referência para o trabalho desenvolvido pela editora autónoma Contra-Corrente. Nascida em 2013 já editou cerca de 20 livros, entre temáticas relacionadas com o fascismo, o Estado Novo, a crítica ao politicamente correcto e o marxismo cultural, etc. E acaba de sair, também pela mão da CC, uma revista de activismo cultural de seu nome Plus Ultra. É pouco, mas tendo em conta o predomínio cultural do esquerdalho todo o trabalho que lhes dispute a hegemonia é meritório.

muja disse...

Os livros dessa editora são interessantes.

Mas, uma revista?

Nos tempos que correm? Hmm...

Melhor fariam, creio, em pedirem uns euritos por mês para um abono que desse acesso aos artigos em linha.

joserui disse...

Em baixo do obituário, a editora Mir dos comunistas, deve ter sido de propósito :) … tenho o de Física Teórica Vol. I.
Não conhecia a Contra Corrente… volta e meia surge assim um projecto. É de uma associação ecológica :) .

Pedro disse...

Não percebo porque o senhor José só considera direita os apoiantes da ditadura.

Existem muitas correntes na direita e a presentemente mais representativa é a neoliberal, que não se coaduna bem com o salazarismo mas que é tão direita como este.

josé disse...

Mais uma vez falhou na leitura. A direita que considero como tal não é apenas a que apoiou a ditadura de Salazar e a abertura posterior, nos anos sessenta.

O neoliberalismo é um rótulo que não tem qualquer aplicação por cá.

O PSD não é neoliberal.

João disse...

A Contra Corrente está ligada também à associação Portugueses Primeiro. É um projecto interessante não só pelos títulos que tem lançado, mas também porque é auto-sustentável. Apesar das tiragens serem pequenas têm dado para suportar os lançamentos posteriores. Claro que é pena não existir distribuição em livrarias, mas também não são títulos apetecíveis ao grande público e às distribuidoras. Em relação à revista, vamos ver se consegue consolidar-se. O segundo número está previsto para Fevereiro.

Unknown disse...

Aqui está um bom artigo do Marchi sobre a oposição de direita à política do Marcello.
http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lh/article/download/1552/1665

Miguel D

Pedro disse...

O neoliberalismo não tem aplicação por cá ?

Ó senhor José, por acaso não é o Herman ? É que tem umas piadas muito giras.

Só para o livro de anedotas, o que pensa que é a entrega dos serviços públicos a "empreendedores" privados como o caso da raríssimas que comenta mais acima ?



Deve ser esquerdismo…

joserui disse...

O Neoliberalismo por cá é de uma estirpe rara… só mamões e bem encostadinhos ao estado e privatizações só empresas lucrativas, o resto estatal é que é bom.
Depois há os liberais sem neo, como o Tavares, coitadito. Mas para os pedrinhos que conheço é "alt-right".

Pedro disse...

O neoliberalismo REAL é diferente em alguma parte do mundo?

Eu só os vejo a querer cortes no apoio aos pobres.

No que toca aos ricos todos os apoios estatais são poucos.

Pedro disse...

E por falar nisso, nunca deixou de existir e existe uma outra direita radical.

De vez em quando ouvimos falar nela quando matam algum preto ou comunista.

A direita do MAN, FDN, PNR, Nova Portugalidade, NOS.

Nem tudo aquilo é direita, sem dúvida que os nacional-socialistas não são.

Mas que aqueles meios também estão cheios de salazaristas lá isso estão.

muja disse...

Qual é a diferença entre neo-liberalismo e liberalismo, ó Pedro?

Já agora, vem aqui com que ideia?

Já lhe expliquei que isto não é a sede do PSD.

As suas etiquetas são toscas e só faz figura de urso em vir para aqui aplicá-las como se estivesse em campanha das autárquicas.

Chamar à Nova Portugalidade, que, tanto quanto vejo, se limita a divulgar a influência cultural portuguesa no mundo, sem fazer profissão de fé política, é tosco - para não dizer de má-fé.

Ao fim a ao cabo, os toscos começam na defesa dos pobrezinhos e acabam quase sempre no Portugal = fascismo.

muja disse...

Existe uma direita radical mas nem tudo aquilo é direita?

Mas lê o que escreve, ao menos?

muja disse...

Neo-liberalismo é mesmo cena de tosco esquerdista que se presume politicamente sofisticado que já se vê como o próximo Tsipras, vá.

Tirar a gravata é já um passo para a revolução.

Depois, quando estão perante os donos do cacau, tiram o cinto.

Ahahahaha!

josé disse...

Tiram o cinto e baixam as calças, que se diga também. Vai ser o caso do Centeno, embora seja má, a comparação.

Seria melhor a de um antigo controleiro do Partido, chamado Pina Moura. E outros, muitos outros. Por exemplo o imbecil do Pedro Nuno Santos.

muja disse...

Baiar as calças vai de si, como dizem os nossos compatriotas franceses...

Eheheh!

Pedro disse...

Caro muja.

Sim, aqueles grupos agregam direitistas radicais e nacional-socialistas, que não são direitistas.

É muito complicado para si ?

O termo neoliberalismo foi inventado e usado pelos criadores do neoliberalismo, homens como Milton Friedman, Mises, Hayek.

Continua muito complicado ?

muja disse...

Qual é a diferença entre liberalismo e neo-liberalismo, sabe explicar sucintamente?

muja disse...

O que é que o novo-liberalismo traz de novo ao liberalismo, para lhe chamarem novo?

João disse...

Amalgamar MAN, NOS, FDN, PNR, NP e dizer que estão cheios de salazaristas revela ignorância sobre as coisas. A NOS não tem nada a ver com salazarismo, as referências são bem distintas. O MAN, apesar de lá ter tido gente que tinha algumas afinidades com o Estado Novo representou o primeiro grande corte com a tradição oriunda desse meio e foi a primeira experiência a integrar elementos até então ausentes da área nacional, como seja o movimento skinhead. A FDN nunca teve expressão, portanto nunca poderia estar cheia de salazaristas, etc, etc. Mas é mais cómodo juntar tudo num só e dizer que são todos salazaristas/fascistas/nazis, consoante a conveniência.

lusitânea disse...

Irmãos voltemos à constituição de 1933 um bom ano de vinho...

José Lima disse...

O livro de Riccardo Marchi não é fácil de se encontrar, mas está disponível para venda nos sítios da "Wook" e do "ICS".

joserui disse...

Ò Pedro pretos e comunas matas tu, mas é com a tua estupidez atroz. Esqueces-te do testículo do João Grosso — mas diz que foi uma mulher com o tacão. Revolta-te contra a claque do benfica que anda para aí a matar adeptos dos outros clubes.
O cheio de salazaristas é antológico… esses movimentos todos juntos representarão 1% da população? Resmas de salazaristas! Mesmo assim palermas como tu fazem uma festa e para os comunas enquanto existirem fassistas há esperança.

joserui disse...

E o comunismo REAL ò Pedro é diferente em alguma parte do Mundo? Mais fome, menos fome, o amanhã canta sempre!

Pedro disse...

Caro joserui.

Sim, o comunismo também é uma aldrabice como o neoliberalismo.

joserui disse...

He lá… vamos ter que imprimir isto a letras doiradas e pendurar na parede!

muja disse...

Pedro,

considera-se um liberal?

Pedro disse...

Caro joserui.

Acerca do 1%.

Este artigo é sobre grupos que foram representados em eleições com o tal Múrias que concorreu a deputado.

Francamente já não me lembro, mas tem a certeza que ele teve mais ?

E não, não sou comunista. Neste momento já acredito em nenhuma ideologia.

Mas se soubesse de onde vim ia ficar espantado.

Pedro disse...

Não, não tenho ideologia definida.

Em algumas coisas concordo com o liberalismo, outras com o comunismo ou o fascismo, em outras não acredito em nada.

Já fui um beliver fervoroso, não digo em quê, mas a vida ensinou-me que é demasiado complexa para caber em ideologias formatadas.

Pedro disse...

Caro João.

Eu não procedi a uma análise pormenorizada de cada uma dessas organizações e com certeza são todas muito diferentes entre si.

Embora tenha conhecimento para
o fazer, limitei-me a referir-me a elas genericamente como prova da existência de outras direitas.

Quanto ao salazarismo, posso garantir-lhe que existem skins admiradores do Salazar.

Mesmo entre os assumidamente nacional-socialistas, que são opositores do salazarismo a nível social e racial, na generalidade existe um grande respeito pela figura, ao ponto de já ter havido visitas de "peregrinação" a Santa Comba.

Pedro disse...

Caro Muja.

Eu não tenho culpa daquilo que os seus criadores lhe quiseram chamar.

Existe na direita uma estranha tendência de fingir que não existe e então muitos neoliberais actuais fingem que não existem e que "neoliberal" é um palavrão da esquerda para os insultar.

Não é. O termo foi inventado pelos próprios criadores do neoliberalismo.

Quanto ao que significa, é um termo de significação essencialmente histórica. Isto é, significa o ressurgimento do liberalismo depois de ter estado "adormecido" durante os anos do keynesianismo.

Para além disso apresenta algumas actualizações programáticas em relação ao liberalismo clássico.

E, claro, apresenta várias correntes. O neolib de Mises é muito mais radical do que o de Friedman.

Seja como for a culpa não é minha...

Pedro disse...

Isto pode não ser a sede do PSD, mas não sei porquê a maior parte do pessoal daqui fica nervosa quando se critica as tretas do Passos ou o neoliberalismo, assumindo como suas as narrativas dessa corrente.

E eu não chamei neoliberal ao autor deste post. Limitei-me a discordar nos aspectos em que sei que a "outra" diteita existe e que
o regime vigente é essencialmente neoliberal.

Quanto á Nova Portugalidade, apresenta uma certa visão da portugalidade - a do salazarismo.

Por falar nisso, uma das suas figuras mais proeminentes pertenceu á direção do MAN e era conviva habitual de elementos da direção do FDN - a ala radical nacional-socialista que se separou do MAN por o considerar demasiado conservador.

Quanto ao que venho cá fazer... Bem, é um espaço público de discussão não é ?

Pedro disse...

Caro João.

Existiram duas organizações diferentes com essa designação. Uma é do norte e francamente não a conheço.

Outra, a Frente de Defesa Nacional actuou no distrito de Lisboa e dela já sei umas coisas.

Sei que foi formado por boa parte do núcleo duro do MAN.

Entretanto, essa organização actuou na semicandestinidade. Apareceu quando começaram problemas com a polícia derivadas do assassinato de um dirigente do PSR.

Por isso não podemos saber se a sua representatividade era muito diferente do MAN.

Pedro disse...

Estava a falar do FDN.

muja disse...

Quem finge é quem fala em neoliberalismo. Acabou de escrever que é a mesma coisa que liberalismo.

Eu é que não tenho culpa que os liberais decidam inventar nomes novos para ludribiar papalvos.

Do que eu li vindo da Nova Portugalidade, e se eles são salazaristas, então o Norton de Matos também era salazarista, juntamente com a larga maioria dos portugueses de oito séculos...




muja disse...

Discutir não é só escrever tretas. É preciso reflectir.

Dizer que o PSD é um partido neoliberal, ou que Passos Coelho é mais neo-liberal do que Sócrates, por exemplo, ou este Costa, não é fruto de reflexão.

Os milhões de renda que o Estado paga a privados por auto-estradas onde não passa ninguém não é neoliberalismo?

Então os milhões que vão para os privados de "meios de combate" aos incêndios, não é neoliberalismo?

Alguém se opõe? Do PS ao BE e PCP? São milhões e milhões e milhões. Onde é que está a crítica ao neoliberalismo?

Não podiam ser meios públicos? A FAP até tinha alguns meios equivalentes não há muito tempo.

Vender empresas públicas arruinadas por adminstração inepta e indigente, ao longo de décadas, é que é neoliberalismo?





muja disse...

E essas empresas nunca poderiam ser alienadas de Portugal com Salazar.

Fossem elas públicas ou privadas.

Primeiro minaram-nas com toda a espécie de gente de merda, vinda dos partidos, com as nacionalizações. Tornaram-nas viveiros de tachos. Mas isso está muito bem.

Mas vender a carcaça, já toda carcomida de sucesssivas gerações de larvas tachistas, é que é neoliberalismo?

Ahahaha!




zazie disse...

«Primeiro minaram-nas com toda a espécie de gente de merda, vinda dos partidos, com as nacionalizações. Tornaram-nas viveiros de tachos. Mas isso está muito bem.

Mas vender a carcaça, já toda carcomida de sucesssivas gerações de larvas tachistas, é que é neoliberalismo?
»

Esta é de emoldurar

":O)))))

Pedro disse...

Pois. Pois.

O Ricardo Salgado foi obrigado a roubar aquilo tudo pelos comunistas.

Está-se mesmo a ver. Coitadinho.

joserui disse...

Ò Pedro, começo a suspeitar seriamente que não tem futebol para o campeonato do Muja… está de meter dó isto.

Pedro disse...

Sim zazie.

A família Espirito Santo, os donos disto tudo que até nos governos mandavam, eram todos do aparelho do PCP.

Quem sou eu para te contrariar.

Até porque é perigoso...

Pedro disse...

Claro.

As roubalheiras dos grandes empresários são culpa dos comunistas. Claro.

Pedro disse...

Quando digo que este regime é neoliberal, claro que estou a incluir o PS, que de socialista nnca teve nada.

Aliás, foi o PS que destruiu as hipóteses de haver socialismo ou até social-democracia em Portugal.

Quanto a este governo em concreto ser menos neoliberal que o anterior é um facto.
Não por o Costa não ser neoliberal, mas por ser um neoliberal mais moderado e ainda por cima ser obrigado a fazer algumas cedências á esquerda.

Já chamar neolib ao PCP e ao bloco é espatafúrdio.

A razão de ser do neolib é transferiir todo o poder e recursos para os grandes empresários privados.

PCP e bloco querem acabar com os grandes empresários...

Que tods sejam obrigados a engolir sapos, é um facto da vida e com certeza que a esquerda não tem poder para impor o colectivismo ao PS.

Pedro disse...

Francamente não percebo o pessoal da direita dar tanta importância a esses pormenores.

Qual é o grande drama de o liberalismo económico actual ser conhecido por neoliberalismo ?
A bosta é a mesma, não passa de uma forma de designar a forma actual do liberalismo económico.

E sim, a visão da portugalidade pelo salazarismo é ultra-conservadora. Logo encontra similitudes na visão tradicional. Concretamente na mitificação enaltecedora da história, em que os aspectos negativos são apagados.

Recuando no tempo todos tinham essa visão. A visão do salazarismo é precisamente a ultima forma de resistência.

A questão é que, precisamente, existem novas visões da portugalidade, desde a realista, que admite as partes negras, até ao outro lado do espelho do salazarismo, que só vê as partes negras.

joserui disse...

Ò Pedro, bola rente à relva!

Pedro disse...

Essa sua visão alargada do liberalismo, que inclui todos os "filhos da revolução francesa" que inclui a social democracia, o comunismo e o neoliberalismo considerando-os todos maus por serem liberais em contraponto ao salazarismo, que não o seria. é extremamente divertida.

É que, para ter essa visão alargada do liberalismo, que até inclui os comunistas, tem de incluir também o salazarismo.

O salazarismo era um regime republicano, constitucional, economicamente baseado na iniciativa privada e nacionalista - tudo criações da revolução fancesa que caracterizaram os primeiros regimes liberais.

O salazarismo não passa de um liberalismo ditatorial, nacionalista e conservador, como eram quase todos os regimes liberais depois da fase mais radical da revolução francesa ter dado origem a regimes liberal estáveis, controlados pela alta burguesia.

Pedro disse...

O seu nível de argumentação é giríssimo.

O que devo responder ?

Penálti ?

joserui disse...

De facto mais vale dedicar-se ao futebol, só diz asneiras. E não são poucas, muitas, bastantes mesmo!
Mas digo-lhe uma coisa, já vi máquinas a rotular garrafas de vinho, que não colocavam tantos rótulos por minuto. Parece uma gatling de rotular.

muja disse...

Se se lembrar de há uma ou duas conversas atrás, eu escrevi precisamente isso: o Estado Novo não deixava de ser um regime liberal.

Mas procurou - e conseguiu - atenuar algumas consequências nocivas do liberalismo.

Teria ido mais longe se não apanhasse as guerras pelo meio.


As suas referências aos Espírito Santo e outros, não querem dizer nada.

Havia gente rica e poderosa em Portugal - é facto, tal como hoje também há.

Mas também havia gente poderosa que não era rica - o caso de Salazar, entre outros.

Se não vê essa diferença, então não vê nada.





muja disse...

Nunca ouviu dizer que o diabo se esconde nos pormenores?

A mim, neoliberal diz-me que a pessoa que emprega esse termo está a papaguear.

Ou, para além disso, quer denunciar as prácticas liberais contra os pobrezinhos, sem assumir um anti-liberalismo que pode soar a défice de democracia.

E indiciar défice de democracia é crime de pensamento, como sabemos.

Por outras palavras, uma forma de quadrar o círculo político em que a esquerda é useira e vezeira...


muja disse...

Mas diz bem: o salazarismo é a última forma de resistência.

É a única forma coerente de resistência, em Portugal.

O Estado Novo, aliás, foi um regime de resistência ao Império mundialista liberal.

muja disse...

Essa resistência está, de uma forma geral, hoje em dia, na direita - escassa, por definição.

É por isso que a distinção dos filhos da revolução faz sentido: os filhos da revolução são todos mundialistas hoje em dia.

O mundialismo é o liberalismo globalizado, o mesmíssimo liberalismo da revolução francesa, sem tirar nem pôr. Aqui, sim, faz sentido um termo novo porque o fenómeno é novo: globalizou-se.

E o curioso é que, para além dos reaccionários tradicionais: tradicionalistas, integralistas, etc, há muita gente que veio da esquerda por reflexão.

O caso de Alain Soral, por exemplo, é paradigmático.

Mas na Itália também há exemplos.

O anti-imperialismo leva ao nacionalismo, se tiradas todas as conclusões.

A esquerda soube tirá-las nos anos 60 e 70 com o anti-colonialismo em prol de pseudo-nacionalismos.

Hoje sabemos que era só um peido do sistema. Resvalaram completamente para o campo do psicologismo e da relação entre o capital e, não já os meios de produção, mas os meios de lazer. Pois levar no traseiro é actividade de lazer, não é actividade produtiva...

Daí que muita gente tenha ido de um PC a uma FN, por essa Europa fora.


muja disse...

Quando tudo o mais é igual, é o material que faz a diferença.

É isto o fundo do liberalismo.

Ao postular a igualdade abstracta entre os homens neste mundo, faz com que a única coisa que os distinga nele seja, no concreto, quanto materialmente possuem.

Por outras palavras, negando a realidade do imaterial - do espiritual, do moral, etc - proclama a supremacia concreta do material.

No liberalismo, desde logo, toda a propriedade é material, o que é uma negação da realidade concreta.

Daí, por exemplo, a sanha anti-autoritária do liberalismo.

Porque a autoridade é uma propriedade imaterial - é uma propriedade moral que distingue os homens. Como qualquer propriedade, pode transmitir-se, perder-se, e possuir-se devida ou indevidamente.

Os comunistas, liberais radicais, levaram o liberalismo ainda mais adiante: para além de rejeitarem a propriedade imaterial, procuraram, nem nome da igualdade abstracta, limitar o que sobrava para distinguir os homens: a propriedade material. Não a podendo esconder completamente - é mais difícil esconder o material, que se vê e toca - procuraram abstraí-la no máximo, concentrando-a no Estado.

Claro que, no concreto, continuaram a ser homens concretos a deter tanto a propriedade material como a imaterial - em nome de nenhum homem ter qualquer das duas - logo, ilegitimamente - logo, tirania sociopata.




Maria disse...

Blogger Pedro disse...

Pois. Pois.

O Ricardo Salgado foi obrigado a roubar aquilo tudo pelos comunistas.

Está-se mesmo a ver. Coitadinho.

Pedro, mas não sabe quem mandou exilar a família Salgado e quem a mandou regressar do exílio?

Não sabe que Soares (escondido mas presente, sendo ele e Cunhal quem mandava na democracia e no País para o bem e para o mal... e foi para o Mal como se viu e vê) através do seu homem de mão, Sócrates, conseguiu meter-se na vida de Salgado para chegar aos milhões do BES de que iria usufruir e beneficiar durante anos, através das manigâncias tele-comandadas de um e da ingenuínidade e d'alguma cegueira e oportunismo do outro?

Não sabe que quando Soares mandou regressar Salgado do exílio para retomar a chefia do seu Banco, este lhe respondeu que não tinha dinheiro para re-erguer o Banco, ao que Soares lhe respondeu (o próprio afirmou isto em pormenor) "não se preocupe, o dinheiro arranja-se" e arranjou-se... através da ajuda doutro socialista-malandro Miterrand?

Não sabe que Soares sempre foi comunista desde a juventude e nunca abandonou essa ideologia, fingindo, já em Portugal, como cobarde e velhaco que sempre foi, ter abandonado o comunismo por querer "um socialismo, mas não de pobreza"?

Claro que ele queria dizer comunismo, mas absteve-se para não assustar os portugueses que ele sabia odiarem os comunistas e não os quererem a governar o País. E com a mudança sábia e velhaca do discurso levar avante o seu diabólico projecto da destruição de Portugal, como aliás o conseguiu com sobras.

Não conhece o ditado "uma vez comunista pra sempre comunista"? Claro conhece porque o Pedro é inteligente e se for honesto aceita e concorda que Soares nunca foi social-democrata na vida - como ele gostava de parecer para endrominar o povoléu, como conseguiu.

E acha que se Soares não fosse um comunista genuíno Cunhal tinha conservado a sua amizade, tinham sido unha com carne com ele enquanto ambos permaneceram na oposição? Que tinham tido reuniões permanentes para a preparação de actos subversivos e atentados ao País e a Salazar?

E posteriormente, já em Portugal, tinha-lhe dado todo o poder para governar o País (mas sempre sob a sua directiva e ordens, já que Cunhal era espertalhão e diabólico e Soares era preguiçoso, velhaco e traidor e principalmente ganancioso por poder e dinheiro) para benefício de ambos?

E que benefício! Viu-se.