O escândalo empolado da associação Raríssimas ( parece que vestia "luxo" asiático de 200 euros...imagine-se o desaforo!) é sinal de outra coisa bem mais grave e subterrânea, a que uma notícia de hoje pode levantar o véu e que aliás suplanta qualquer escandaleira de meia tijela com factos de tijela rachada ( carros "BMW", "viagens a lugares paradisíacos", etc.):
Observador:
O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da
Silva ocupou o cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da
Raríssimas, avança
o jornal Público. O cargo na vice-presidência da Assembleia Geral foi
ocupado entre 2013 e 2015 — antes de ser ministro no actual Governo,
confirmou o gabinete do ministro ao mesmo jornal.
O cargo de
Vieira da Silva na Raríssimas é o único “cargo social” que consta da
declaração de registos de interesses divulgada pelo ministro e
consultável na página do Parlamento.
Este ministro Vieira da Silva é um personagem sinistro há muitos anos. De facto, desde o caso Casa Pia.
Enquanto esteve em pousio politico-governativo deve ter andado por aí, sempre ao lado do largo do Rato, em actividades beneméritas como a apontada.
Seria muito interessante conhecer o que ganhava com isso. Realmente, ou seja, o que lhe entrava na conta pessoal todos os meses.
Mário Soares, um dia, classificou Paulo Portas como um "tumor que devia ser extirpado". É precisamente o caso desta personagem mirolha ( não resisti porque me enoja, este indivíduo).
Se alguém quiser mesmo levantar outros véus de escandaleiras avulsas e pindéricas, como é este caso, terá mesmo muito por onde esgaravatar, por exemplo pelos beneficiários directos desta condenação que deu então à Raríssimas e outras associações beneméritas algumas centenas de milhar de euros. As "auditorias" a estas instituições já provaram que não descobrem coisa alguma e deviam acabar, dando lugar a sindicâncias avulsas e a pedido fundamentado, mesmo anónimo:
Os juízes decidiram que as verbas das indemnizações aplicadas aos
três condenados e que lhes permitem evitar as penas de prisão são
destinadas a instituições de solidariedade e têm que ser pagas no prazo
de seis meses.
Assim, Jardim Gonçalves vai entregar metade dos
600 mil euros à Ajuda de Berço e o remanescente à Raríssimas -
Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras. Filipe Pinhal vai
pagar 300 mil euros à Acreditar - Associação de Pais e Amigos de
Crianças com Cancro e António Rodrigues tem que avançar com 300 mil
euros para a CASA - Centro de Apoio ao Sem Abrigo.
O que esta escandaleira pindérica mostra é que a ética é uma batata e não dá de comer a ninguém, como dizia esse génio televisivo chamada Teresa Guilherme, rainha dos reality shows. O ambiente é o mesmo...
Aliás, esta é fresquíssima:
A estação pública de radiotelevisão vai gastar mais de 480
mil euros no aluguer operacional de 47 novos automóveis, segundo o
contrato entre o canal e a Finlog, publicado na terça-feira no portal Base.
O
contrato “de locação de bens móveis”, assinado com a empresa Finlog a
25 de outubro, estabeleceu o pagamento de 480.991,20 euros, mais IVA, e
tem um período de 48 meses para um número de quilómetros que varia entre
os 40 mil e os 140 mil quilómetros em função da tipologia de viaturas.
Por
mês, a RTP vai pagar algo entre os 170 euros (viaturas tipo C, pequeno
monovolume) e os 300 euros (viaturas tipo E e F, carro todo-o-terreno),
de acordo com o contrato disponibilizado para consulta.
Qual a diferença entre a escandaleira pindérica da Raríssimas e esta, bem mais sofisticada da RTP dirigida por uma cambada? Apenas uma: os montantes em dinheiro que movimentam. A ética é a mesmíssima e vulgaríssima.