Os intelectuais em Portugal parece que se extinguiram como espécie há cerca de dez anos, com a morte de Eduardo Prado Coelho.
De resto, mesmo este último exemplar enquanto vivo, intelectualizava através de outros semelhantes, um pouco mais evoluídos, que vivem além dos Pirinéus e ainda sobrevivem na penumbra dos dias que passam.
De vez em quando as revistas francesas que frequentam o meio, dão-lhes algum palco quando não fazem o balanço a benefício de inventário.
Em 20 de Maio de 2010 a mais influente dessas revistas dava-lhes uma capa e vários artigos :
Numa entrevista, um deles- Pierre Nora- fazia então o ponto da situação:quase um balanço final. A Economia tomou conta de tudo.
No entanto, já em 18 de Março de 1991 outra revista francesa- Le Point- tinha feito tal balanço e destacado mesmo as disciplinas em decadência com destaque para o "estruturalismo" e a perda de importância de um Claude Lévy Strauss, de um Bourdieu ou de um Lacan, tudo gente muito lá da casa daquele falecido por cá.
Aliás, os franceses tinham o referido Claude Lévy-Strauss, um etnónolgo que esteve no Brasil a fazer estudos, nos anos trinta do século passado, como um génio. Por cá parece que também é assim, ainda hoje...
Em Maio de 2008 a revista Magazine Littéraire consagrou-lhe um número inteiro, considerando-o "o pensador do século". Nem menos..
Algumas destas ideias ainda vicejam por cá nos isctes todos e madrassas anexas e sofremos as consequências dessa influência nefasta.
Por exemplo, no número de 20 de Maio de 2010, daquela Le Nouvel Observateur aparecem estas duas páginas em que a propósito da ideia comunista dialogam dois intelectuais Alain: Finkielkraut e Badiou .
A conclusão é aplicável nos dias de hoje ao PCP e ao BE: o desiderato de ambos é a destruição do outro que não pensa como eles, porque é essa a lógica que os anima, conforme Finkielkraut deduz das proposições do comunista Badiou. O totalitarismo que se justifica em nome da causa justa e a exclusão de quem não pensa como eles, se o puderem fazer. Tal como o nazismo ou o verdadeiro fascismo. Terroristas, portanto.
É com este tipo de gente que lidamos, em Portugal, sempre que ouvimos os jerónimos, os arménios, catarinas e louçãs. O problema é que ninguém os olha desse modo porque os media não mostram tal faceta. E isso acontece porque são eles quem os domina, mesmo que não pareça.
Aliás, em Março-Abril de 2014 a revista francesa Philosophie publicou um número especial sobre os "filósofos e o comunismo".
O mesmo Badiou, ideólogo do comunismo renovado e professor na escola Normal Superior, em França trocava argumentos com Marcel Gauchet chefe de redacção da revista Débat e pensador de referência da democracia liberal.
Três páginas desse debate:
Os franceses, porém, mesmo de esquerda já em 1996 achavam que tudo isso precisava de uma barrela...como se publicava na L´Évènement du Jeudi ( que deu origem à Marianne, saída em 1997 e que também trata destes assuntos de vez em quando) de 5 de Setembro de 1996:
Por cá, mesmo no tempo daquele falecido Prado Coelho havia pouca gente a discutir isto. Porém, nas escolas e madrassas havia de certeza muita influência destas doutrinas.
A prova de que ninguém liga nenhuma a isto é a publicação de um livro, o ano passado nos EUA, de Tom Wolfe, além do mais sobre o "darwinismo", chamado "The kingdom of speech", o reino da linguagem. Wolfe atira-se a...Chomsky, o linguista.
Já encomendei o livro mas por cá nem existe referência alguma.Preferem traduzir merdas a esmo.
Se não fosse a revista francesa Obs desta semana nem dava por isso...