segunda-feira, 21 de junho de 2010

Est modus in rebus

O jornal Público dirigido por Bárbara Reis, dedicou a José Saramago nos últimos três dias, uma parte substancial dos seus assuntos. No Sábado, nada menos que dez páginas mais a primeira página inteira. No Domingo, mais seis páginas e meia capa. Hoje, Segunda-feira, mais uma capa e quase outras tantas páginas e um título ridículo que a ministra da Cultura também adoptou: "não há palavras. Saramago levou-as todas". Enfim.

Não discuto muito os critérios editoriais do Público, cujo conteúdo e qualidade caiu notoriamente desde que o anterior director saiu e dá azo ao velho ditado "atrás de mim virá quem de mim bom fará".

O jornal, actualmente, vende nem sequer 40 mil exemplares e seguindo este caminho de idiossincrasia esquerdizante vai cavando a trotze, a própria sepultura dos jornais extintos.

Lá sabem o que fazem. Mas depois não se queixem dos leitores que não há. Assim não apetece ler o Público que compro desde o primeiro número e por isso me acho com legitimidade para criticar.

12 comentários:

Mani Pulite disse...

A ADESÃO POPULAR DIZ TUDO.APESAR DA INTENSA CAMPANHA DE PROPAGANDA A ADESÃO POPULAR AO FUNERAL DE SARAMAGO FOI UM FIASCO.O HOMEM ERA ANTIPÁTICO E IMPOPULAR PONTO FINAL.BENTO XVI MOVIMENTOU MUITAS CENTENAS DE MILHARES HÁ POUCO.O POVO CHOROU A MORTE DE AMÁLIA E SAIU À RUA.PARA O FUNERAL DE SARAMAGO O PC,O PS E O BLOCO ARREGIMENTARAM UNS MILHARES DE PESSOAS E POUCO MAIS.O POVO ESTÁ TANTO COM SARAMAGO COMO ESTAVA COM O CAMARADA VASCO.

joserui disse...

Não torture os seus estimados e ignorantes leitores, neste caso eu: que quer dizer o título? -- JRF

josé disse...

Literalmente, há um modo nas coisas.

O exagero estraga.

O senso comum da directora do Público anda muito confuso.

joserui disse...

Hmmm... Já tenho dito que deixei de comprar jornais há muito. Não acho que mereçam ser comprados, pelo seu conjunto de páginas... há coisas boas, mas para mim não chegam e a internet acaba por colmatar a leitura de Notícias. Alguns nem o papel onde são impressos valem.
Mas, no Público o que me admira é estando o papel a deslizar, não existir uma estratégia online. É tudo muito fraco. Lê-se o Guardian ou NY Times online e nota-se que há gente a pensar naquilo a sério, nesta mudança para internet e agora iPad.
Veja isto http://guardian.gyford.com/
E a explicação http://www.gyford.com/phil/writing/2010/06/09/todays-guardian.php

Qual é o pensamente por detrás do publico online? -- JRF

joserui disse...

Um dia destes fiquei muito surpreendido quando me disseram que eu conhecia a directora do Público... Eu? Pelos vistos conheço-a de NY. Estivemos numa festa na st marks street no dia em que cheguei e não sei se posteriormente... Também me lembro pouco disso... Acho que era a correspondente do jornal. Mas lembro-me que não foi assim há tanto tempo... Era uma rapariga muito nova... Não será nova demais para ser directora De um Jornal?
A primeira vez que pensei nisso, foi relativamente ao Martim Avilez Figueiredo... conhecia-o por correspondencia (pelos vistos também não me lembrava) e estivemos juntos numa ida a angouleme ao salão de bd... Era tão imaturo que metia impressão... à noite em grande velocidade, desligava os faróis em estradas sem iluminação, só para a "curte"... Depois comecei a vê-lo na tv a comentar tudo e depois director de Jornal... parece-me gente nova demais e de cv a menos (no sentido experiência) para directores De jornais... Acho eu. Já uma vez comentamos isso relativamente às juízas que grassam pelo país fora...-- JRF

josé disse...

Essa discussão é interessante, mas no caso do Avilez do i, foi uma vantagem porque tem lá um cronista de bd, o que outros jornais não têm.

Quanto à do Público o meu interesse era saber de onde vem. Qual o background cultural. Por que razão deu mais de vinte páginas a este fait-divers que foi a morte de Saramago?

O La Repubblica em duas páginas arrumou o assunto e bem. Melhor que os jornais portugueses.

Não entendo isto.

josé disse...

Na verdade quem é que realmente se interessa pelo Saramago?

Quero dizer, na vida real quem é que liga a esse escritor? Quem é que aguentou a estopada de horas e horas de tv? Realmente e não apenas por estimativa...

Os que o lêem são poucos e os que não o lêem aderem a isto como aderiram ao funeral da Amália ou do Solnado e voltarão a aderir á próxima figura mediática que desaparecer.

E o Público tem que fazer o mesmo, como se fosse populista?

Não entendo isto.

joserui disse...

Ora bem, a julgar pela tal festa -- com gente da música, cinema e artes em geral --, vem da onda cultural e aí entende-se em parte o destaque dado a Saramago.
O MAF escrevia sobre bd acho eu, daí o conhecimento (há décadas!). Mas depois era sobre muita coisa que comentava, basicamente tudo (bd é que não era)... apareceu director de um jornal económico e depois do i...
Longe de mim querer diminuir o valor de um e outro, mas de alguma forma, parecem-me novos. Contra mim falo. Director de jornal não devia ser o topo da carreira? Depois são chutados para cima, para algum lado, para a casa civil não sei de quê ou instituto não sei que mais... basta que no jornal, como directores, não tenham feito muitas ondas.
Algo não está certo. -- JRF

joserui disse...

Repare numa coisa: diz que pouca gente se interessa pelo Saramago, mas depois diz que o Público agiu populisticamente... parece-me uma contradição.
A minha leitura é que o Público, um jornal uns furos acima da concorrência (não quero dizer para a elite, porque começa a ser uma espécie rara), virou o público alvo.
Numa palavra, dirigindo-se ao mesmo estrato social, virou à esquerda. Continua a querer ser para a tal "elite", mas mais cultural e sensível (o chavão do costume). -- JRF

josé disse...

Quando digo que pouca gente se interessa realmente pelo Saramago, quero dizer na realidade. Não apenas por reflexo daquilo que certos media pretendem apresentar.

E populismo para mim, não é isso.

Populismo, no caso, é o alinhamento pela mentalidade daqueles que vão ao funeral da figura mediática, independentemente de saberem ou conhecerem o que vale cultural ou socialmente.

O Público ao dar mais de vinte páginas ao assunto, assumiu o histerismo cultural inerente a esse tipo de populismo.
Não foi sóbrio, não foi sensato e não prestou um bom serviço à causa do jornalismo.

josé disse...

O Público virou mesmo à esquerda e está mais próximo do jacobinismo. Nota-se á légua e é um indício cultural decepcionante.

Por isso gostaria de saber qual a formação cultural da directora.

Estas coisas têm sido a desgraça de Portugal, desde há décadas.

Mani Pulite disse...

QUANTO MAIS AS ACÇÕES DA SONAE DESCEM MAIS A LINHA EDITORIAL DESSE JORNAL É CONTROLADA PELA SOCIAL-MAÇONARIA.SIMPLES,NÃO É?