domingo, agosto 21, 2011

VPV e a "loucura colectiva"

Vasco Pulido Valente na sua crónica de hoje no Público mostra que não esgotou ainda o que as suas ideias têm de essencial.
Intitula a crónica como " o fim da loucura?", referindo-se à decisão do actual governo em extinguir a Parque-Expo que enquanto existiu "teve tempo para produzir uma ninhada de empresas ( no mínimo sete e quase sempre deficitárias), para se meter indevidamente no domínio do Estado e para se afundar numa dívida directa de 225 milhões de euros."

A loucura colectiva a que se refere começou com a XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura " que o Governo da AD resolveu fazer sem boa razão ( e em que reconheço uma certa dose de culpa)." Diz que não sabe o que se gastou com a mesma mas "não saiu barata; e sei que não se tiraram grandes vantagens dela. Veio a seguir a Europália, uma extravagância do dr. Cavaco, que se destinava, diziam os devotos, a pôr Portugal na moda e que também não serviu para rigorosamente nada. E no fim, com as mesma ideia de impressionar o `estrangeiro´ apareceu o CCB- de que o país não precisava- em que espatifaram milhões e que acabou por ficar incompleto.
Pior ainda: o CCB ajudou muito Portugal a passar do exibicionismo de província à megalomania militante. O primeiro sinal dessa megalomania foi a chamada Expo´98 que, segundo nos garantia o seu exuberante comissário, `se pagava a si própria´. De Cavaco a Sampaio, os responsáveis da altura deliraram com a ideia invocando o incompreensível argumento de que a Expo ia ser a ´oportunidade` e o ´pretexto` para ´reconstruir a Lisboa oriental`. "

Fica aqui explicado, por um dos seus primeiros protagonistas ( no tempo da AD foi secretário de Estado da Cultura), aquilo que agora considera a "loucura colectiva".

Mas está enganado, Vasco Pulido Valente. A tal "loucura colectiva" é loucura, sim, mas não colectiva. Poderia refazer a crónica e chamar-lhe loucura da classe política que tomou conta do poder em 25 de Abril de 74 e da nossa intelligentsia dominante.

Tenho a certeza absoluta que com o "fassismo" que todos combateram tal loucura não se manifestaria. E não pela razão que gostam sempre de apresentar, que é a do miserabilismo. É muito mais simples de entender: no tempo de Marcello Caetano que alguns execram só por ser quem era, não havia lugar a loucuras dessas porque o sentido do dever, das realidades nacionais e do entendimento do que devia ser um país era outro, diferente e muito melhor, no meu entender.
A classe política de então não se aventurava em "loucuras colectivas" aplaudidas pela intelligentsia de braços abertos e bolsos à espera da dávida e do subsídio, sem limites.
Nesse tempo, a honra de um país media-se pelo respeito que infundia e pela seriedade e noção dos limites da nossa riqueza e capacidade de endividamento.
Depois disso, com a democracia que adveio, Soares, Cavaco e tutti quanti, nem sequer tiveram a noção do que significava esse respeito e em pouco tempo hipotecaram toda uma nação, várias vezes e sem terem a noção do que fizeram. Basta ler os livritos que publicaram para justificar as acções políticas que tomaram para se entender a mediocridade que nos tem governado. É essa aliás , a maior desgraça nacional. Maior que todas as crises.
O nosso mal profundo e a raiz da nossa crise permanente, desde os anos oitenta, depois do PREC reside aí, nesse fenómeno singular: a fraca liderança tornou fraca a gente forte. Se todos percebessem isso, o país mudava radicalmente.
E nem precisava de abdicar da democracia...

Questuber! Mais um escândalo!