sábado, 13 de agosto de 2011

A cretinice do Expresso não tem fim à vista

O Expresso de hoje continua a dar-lhe nas "secretas" e a burra a fugir-lhe. Escreve Rui Gustavo que "a fiscalização dos serviços de informação não detecta ilegalidades se forem praticadas por quadros de topo da hierarquia ou pedidas sem qualquer registo oficial." E ainda: "não há qualquer forma de impedir iniciativas individuais ou escutas telefónicas".

Fernando Negrão, presidente da Comissão parlamentar que investiga o caso por conta da República diz, segundo o Expresso, que "do ponto de vista formal a fiscalização funciona. Mas se alguém decide actuar fora do sistema é muito mais difícil fiscalizá-lo".

O que espanta neste tipo de notícias não é tanto a aparente ingenuidade dos repórteres que parece nunca terem pensado nisto e desde o início deram a entender que o assunto seria diverso e sindicável.
Mais: no fim do artigo conta-se um conto, o de que " no auge da investigação do processo Freeport, os procuradores que investigavam o caso desconfiaram que andavam a ser investigados pelo SIS. O juiz Antero Luís, então director, negou tudo publicamente. Não quer dizer que alguém estivesse a mentir: bastava que o coordenador das vigilâncias não tivesse dado conhecimento à hierarquia. O caso não deu origem a qualquer processo judicial ou investigação porque nunca foi feita nenhuma queixa formal. Ficou a suspeita que ninguém quis investigar."

O Expresso podia fazer ainda melhor: no auge do processo Face Oculta, quando se efectuavam escutas em que o primeiro-ministro José Sócrates foi interventor e das quais tomou conhecimento intempestivo e em violação de segredo de Justiça em 24 ou 25 de Junho de 2009 ( cujo inquérito para averiguação continua sem se saber que desfecho teve ou terá, sendo certo que um dos suspeitos dessa violação é uma alta figura do Estado português), criou-se repentinamente um facto político de pura desinformação e agit-prop, própria de serviços secretos. De repente alguém noticiou que haveria escutas em Belém. E um dos assessores do presidente, Fernando Lima, foi apanhado com as calças na mão de declarações que não tiveram em conta o trabalho de um certo Olrik. Logo a seguir, o caso mudou-se em escândalo por causa de os putativos visados pelas escutas afirmarem algo gravíssimo sem terem a mínima prova do que afirmavam. E a imprensa afecta, quase toda ela, embarcou no sacrifício ritual: transformar em vítima o carrasco. Foi o que sucedeu, foi um embuste, uma manobra de diversão que escondia um atentado ao Estado de Direito.
Alguém se importou em investigar o caso nesta perspectiva e prender o Olrik? Não. Então porque é que o Expresso continua com esta cretinice?

Desde os tempos de Nixon e também os mais recentes de Bush ( com o caso Valerie Plame e o Libby lambreta) se sabe que os serviços secretos têm afeições e razões que a razão desconhece para os patrões do momento.
Por isso mesmo quem não quiser que algo se saiba neste âmbito de vigilâncias ilegais e actividades subterrâneas de agentes sabujos do poder que está, tenha cuidado. Porque sempre as haverá e basta que esse poder o queira. O poder de José Sócrates qui-lo, fê-lo e saiu impune disso mesmo.
Mas pode ser que estes inquéritos permitam saber quem é Olrik.

9 comentários:

Karocha disse...

Também gostava de saber José!

josé disse...

Pois eu acho que sei.

Karocha disse...

Boa José

Faça um post!

josé disse...

Já fiz...

Karocha disse...

Eu sei José,mas podia faze um mais apuradinho, como os seus petiscos!!!

Karocha disse...

http://bragamaldita.blogspot.com/2008/06/permanent-link.html

Oscar Maximo disse...

Pois o Lima foi apanhado mas não foi sancionado. Isto corroi a sociedade de direito. Não vale perguntar cadê os outros, como fazem todos os ladrões apanhados em flagrante.

josé disse...

O lima foi apanhado em quê, exactamente? Diga lá que nunca percebi bem...

Vitor disse...

O Lima não foi apanhado em nada. Foi sim "monitorizado" nas deslocações e contactos que fazia.
É que "alguém" descobriu que para controlar/saber quais eram as intenções do "homem velho" bastava saber o que os assessores deste faziam e com quem contactavam.
Fácil, hem? E resultou...