terça-feira, maio 10, 2011

Os interesses ideológicos vitais, casados num discurso já reaccionário

Paráfrase a um artigo de opinião de Vital Moreira no Público de hoje ( em itálico as passagens originais do artigo).

O programa eleitoral do PS é menos uma base para um programa de governo do que um manifesto ideológico a favor do Estado laico e jacobino. Embora a retórica republicana mais radical tenha sido propositadamente evitada, as suas ideias e propostas não faltam. O caso mais flagrante é a aposta no ataque ao ensino privado e à participação pública no seu financiamento residual e muito parcial. A aposta é toda no sentido do estrangulamento financeiro do ensino privado com um objectivo claro e muito preciso: alcançar o que Afonso Costa não conseguiu- exterminar o ensino praticado em colégios de inspiração cristã. Se o problema fosse apenas dos colégios modernos não veríamos esta verrina vertida em letra de opinião jacobina.



Todo o receituário usual da ortodoxia jacobina contra o privado lá está: a hipertrofia do Estado com a proposta de substituir 900 cargos dirigentes por outros com designação parecida, enganando mais uma vez com o uso das palavras como é agora a “ extinção”; a fusão ou extinção de 60 organismos a troco certamente da criação de mais 100, etc. etc.



[Sobre a Educação] São três os pressupostos ideológicos desta proposta.



O primeiro tem a ver com a vulgata jacobina de que o Estado deve providenciar ele mesmo a prestação de serviços públicos, de preferência em exclusivo, mesmo quando o mercado, como no sector do ensino, seja garante de prestação de melhores serviços.
O segundo esteio ideológico da liberdade de opção pelo ensino público contra o ensino privado passa pelo tradicional argumento da “garantia do direito fundamental à educação”, tendo o Estado a obrigação de financiar a opção assim condicionada de cada um. Como já foi dito muitas vezes, este argumento não procede. Primeiro, entre nós ninguém deveria estar impedido de optar pelo ensino que quiser, dada a liberdade de criação de escolas privadas e a equivalência da sua frequência, mau grado a tentativa sempre presente de limitar esse sector, em nome do laicismo mais exacerbado em ateísmo militante e anticlericalismo renitente. Segundo, havendo um ensino público aberto a todos, pago pelos impostos de alguns, não há razão nenhuma para que o Estado não financie também o ensino privado, pago pelos que normalmente pagam impostos e tendo em atenção as graves carências de algumas escolas públicas, geralmente pouco competitivas nos resultados em função de programas e gestão, mais laxistas e menos exigentes. Terceiro, a liberdade individual de ensino ( a liberdade de ensinar e aprender) é mais bem assegurada na escola privada, justamente por esta não seguir os ditames programáticos de um Estado que se alheia das idiossincrasias nacionais e opta voluntariamente pelo laicismo mais anticlerical e jacobino, escolhendo obrigatoriamente um programa ideológico- jacobino ou doutrinário-marxista.
O terceiro elemento ideológico da opção pela total prevalência do ensino público sustentado por todos os que pagam impostos e contra o ensino-privado-comparticipado-pelo-Estado, está no preconceito contra a escola privada, as liberdades fundamentais de escolha religiosa ou outras, combatidas acerrimamente pelo jacobinismo que se fundamenta no mais acéfalo ateísmo e na tentativa de formatar a sociedade numa opção ideológica única e unidireccional, o que contraria frontalmente os pressupostos democráticos e as liberdades fundamentais. As elites do politicamente correcto, socialista e jacobino nunca abandonaram as ideias de Afonso Costa que apostava em eliminar todos os vestígios de religiosidade portuguesa e católica no espaço temporal de duas gerações. Daí o esforço denodado sempre em prol de uma escola controlado pelo Estado à boa maneira estalinista e soviética que forneceu o modelo de funcionamento para o controlo das mentalidades e aposta agora no reaccionarismo mais básico.
A par da ideologia, há os interesses. O primeiro é o interesse dos que actualmente já ensinam na escola pública e que reivindicam ser pagos pelo Estado pelas despesas em que incorrem, na criação de cursos paralelos de pós-graduação, em associações privadas a funcionar em instituições públicas, com receitas privatizadas e despesas públicas, como acontece na Universidade de Coimbra, na faculdade de Direito. Colocam-se assim todos os contribuintes a financiar os seus privilégios. O segundo interesse é o do belicoso sector da burocracia do ensino público, regido nas diversas sinecuras dos departamentos ministeriais, organizados por toda esta gente ideologicamente marcada, boa parte dela ligada a movimentos e sindicatos jacobinos que ambicionam aumentar a clientela, o negócio privado à sombra dos impostos de todos e a influência, parasitando financeiramente o Orçamento do Estado.

Não é difícil antecipar as consequências da ausência de liberdade de opção pelo ensino privado, parcialmente financiado pelo Estado, obrigando quase todos a optar pelo público onde se concentram mais recursos pagos pelos impostos de alguns que pagam. A primeira será a institucionalização do fenómeno da segmentação e segregação social entre o ensino público e privado. As escolas públicas assim formatadas continuariam a formar incompetentes e vedadas à excelência que a concorrência sadia propõe. Além disso, uma vez que deixa de existir procura importante por se restringir o mercado das escolas privadas, a repartição geográfica de professores mais preparados entre as escolas continuaria a permitir a escolha do litoral em detrimento das regiões menos povoadas e mais pobres do país, como tem acontecido até agora, resultado lógico da opção jacobina e republicana laica.
Do ponto de vista financeiro, o resultado global continuaria a ser o que é: a exaustão de recursos públicos, pagos com os impostos de todos os que pagam, sem que os resultados sejam proporcionais a esse custo exorbitante.
Nenhum interesse público , muito menos a disciplina financeira justifica esta proposta.

Para além deste texto parafraseado, Vital Moreira continua a defender sempre a opção político do momento mais propício. Em 1975 era o comunismo puro e duro, versão estalinista acaseirada por Cunhal. Em finais dos oitenta, os perfumes da perestroika e da vida sem horizonte de poder fustigou-o para a traição à ideologia, entregando-o de armas e bagagens intelectuais para o serviço à burguesia que dantes combatia.
Em consequência dessa liberdade de escolha, foi escolhido para empresas capitalistas de grande coturno, para assembleias gerais e comissões de remuneração, onde o liberalismo campeava e os ceo´s são adeptos do mais puro liberalismo caseiro, com desprezo pelas redundâncias da natureza e das populações locais e de interior ( caso da EDP e barragens). Nunca se lhe tolheu o gosto pela prática leninista de centralizar o poder no Estado dos amigos de comité centralizado.
Até hoje, todos os escritos que publicou amplificam esse estranha obsessão de controlar o povo que vota e escolhe, através da concentração do poder político em meia dúzia de correligionários de seita, sem alternativa democraticamente aceite de bom grado.
O Poder Judicial livre e independente incomoda-o. O poder de influência da Igreja exaspera-o ao limite do suportável. O poder de alternativa democrática é uma canga que nunca aceitaria se pudesse desprezar, como dantes se permitia em nome da democracia soprada pelo vento leste.
Vital é um dos maiores fenómenos individuais que temos nos últimos trinta anos: uma figura sinistra que urge combater no espaço público da influência mediática.

segunda-feira, maio 09, 2011

Um fait-divers

Daqui tirei estas duas imagens que seguem, bem significativas do esforço do "Luís" e séquito de assessores que desesperam até 5 de Junho.

As imagens, supostamente reportam-se ao mesmo momento, mas são enganadoras. Na primeira, a bandeira da UE está protocolarmente mal colocada.
Por isso mesmo, a foto que foi cedida pelo Governo à Reuters, foi apanhada de outro modo e notoriamente noutra altura. Esta foto, mostrada no Público e relativa ao momento e assunto, foi obviamente montada e "retocada" à boa maneira soviética. A pose e a gravata do "mudo" não é a mesma. A bandeira trocou de lugar e ambas foram deslocadas para outro sítio mais "enquadrado". A encenação aparece evidente, porque a ideia da foto é da do momento da comunicação, o que é falso.

Com esta gente é tudo encenação. Tudo. Desde sempre.

A versão dos "verdadeiros finlandeses"

Neste artigo publicado no Wall Street Journal, Timo Soini do partido dos "Verdadeiros Finlandeses" apresenta a sua versão sobre o "resgate". E o que escreve é simples de entender: estamos a ser aldrabados e vamos pagar com língua de palmo o que estes governos nos fizeram.

"The official wisdom is that Greece, Ireland and Portugal have been hit by a liquidity crisis, so they needed a momentary infusion of capital, after which everything would return to normal. But this official version is a lie, one that takes the ordinary people of Europe for idiots. They deserve better from politics and their leaders."

Vale a pena ler o que escreve Timo Soini para percebermos bem a desgraça que este Inenarrável primeiro-ministro atraiu sobre nós.

O sentido do ridículo

Este Inenarrável se tivesse o sentido do ridículo tinha enfiado a cara num saco, neste dia: todos a rirem das suas tiradas em inglês técnico.

PS: Este video pode ser uma montagem. Pode ser mas não tenho a certeza, por isso mesmo fica o aviso de precaução.

O guião da falta de vergonha

Negócios:

O cabeça de lista do PS por Lisboa, Ferro Rodrigues, defendeu hoje que o PSD cumpriu a "ameaça" de fazer um programa eleitoral "de radicalização do acordo com a 'troika'", para desmantelar o "Estado Social".

"Verifiquei que foi cumprida a ameaça. Tinha sido dito que seria um programa de radicalização do acordo com a troika, foi cumprida essa ameaça", afirmou Ferro Rodrigues aos jornalistas.

À entrada para um debate no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa, Ferro Rodrigues apelidou ainda de "profundamente anti-democrática" a forma como os sociais-democratas se estão a posicionar perante os eleitores, considerando que "os portugueses não estão dispostos a ser condicionados".

Não satisfeito com as mentiras sobre a governação, este inenarrável Ferro Rodrigues que devia estar recolhido a uma reforma antecipada da política por motivos que são bem conhecidos, deu em replicar o guião jacobino que lhes serve para ganhar eleições: o Estado social em perigo se o PSD ganhar.
É assim que contam arrebanhar votos: com aldrabices costumeiras e falsidades patenteadas e que já deram provas de eficácia.
O Estado social vai ser parcialmente desmantelado por causa da governação do Inenarrável e os seus próceres de que este Ferro Rodrigues é apoiante. E quem o impõe é a política que seguiram durante anos e anos que nos destruiram e arruinaram. E ainda têm a distinta lata de acusar dos outros das malfeitorias que fizeram e de atribuir aos outros o que nos é imposto por causa delas.

Este tipo de indivíduos nunca mais se arreda da política e vamos sofrer ainda mais por causa destas criaturas.

A queixa do Bloco foi autuada...

O Bloco de Esquerda, através de uns peões de brega colocados em lugares de relevo político-académico pretende sindicar o "comportamento" das agências de rating internacionais- Moody´s, Fitcher e Standard & Poor´s- na origem do descalabro das nossas contas públicas.

A PGR, pelos vistos deu andamento ao processo. Entende por isso que há indícios de crime ou em caso contrário- como no famigerado caso Face Oculta- teria arquivado liminarmente, em procedimento administrativo sem mostrar os fundamentos.

Espera-se agora que o mesmo MºPº e PGR autue ou mande autuar como inquérito as notícias de um outro crime público de importância maior: a sonegação de documentos, pela Estradas de Portugal, ao Tribunal de Contas e que induziu esta entidade a autorizar o que não autorizaria se não fosse aqueloutro "comportamento.

PS. Em todos os inquéritos há suspeitos, mesmo desconhecidos. Se não houvesse não havia inquérito. Neste inquérito fantástico os suspeitos são os autores do "rating", da classificação desprimorosa que deram ao nosso país e nos afundaram na obtenção de crédito que precisávamos por causa da má governação, do despesismo descontrolado, da corrupção que não se investiga porque é matéria "política" ( e o poder judicial não se deve meter na política...), de muitos outros factores cujos responsáveis não são investigados.
Pois bem. Para além daquelas três agências de rating já há mais outra. A Weiss já nos atirou para as profundezas da nossa miséria que estes politicos que temos causaram ( mas não podem ser investigados criminalmente por isso porque isso seria uma interferência do poder judicial no poder político e como todos sabem os inquéritos desse género são todos políticos).
Portanto temos mais um suspeito neste inquérito.
O mínimo que o PGR deve fazer neste caso é assumir a responsabilidade pelo mesmo.

Financial Times chama mentiroso a José S.

Copiado do Blasfémias:

“José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.

Apesar destas evidências, os apaniguados e correlegionários, mais uns tantos úteis ( podem ou não ser idiotas) em pânico de perda de votos e lugares, continuarão a dizer que este primeiro-ministro é um "génio da comunicação".


PS. Como se controlam os danos. É assim: Em vez de se escrever que o Primeiro-Ministro é um mentiroso qualificado, citam-se apenas as partes gagas sobre a "tragi-comédia.
Percebem o jornalismo nacional, não percebem? É um nojo. Uma vergonha.

O Calado é o melhor


Toda a gente das ciências químicas sabe isto: este indivíduo- Jorge Calado- que aqui aparece numa imagem do Público de hoje é o maior na Química em Portugal. Como professor, entenda-se. Sabem os de Aveiro e os de Coimbra ( Lélio Quaresma Lobo, por exemplo, outro expoente). E sabem os de Lisboa ( Edmundo, por exemplo). Os Portugueses não sabem, mas deviam saber. Até porque o indivíduo é um Humanista ( "Sempre gostei de tudo", diz) e tem agora um livro com o título "Haja Luz! Uma História da Química através de tudo".

A lição islandesa não é para aprender

"Não encobrir os problemas. Promovam uma investigação independente. Descubram o que está errado no Governo e no sistema político, para que ninguém se esqueça e não volte a acontecer."

São palavras de Gylfi Zoega, economista do Banco Central da Islândia, citado hoje no Público numa entrevista de página e em resposta à questão concreta sobre o que aconselharia aos portugueses.

E diz mais, do mais puro senso comum: "os países protegem os seus- é como uma família que esconde casos de alcoolismo. Os países têm de enfrentar os seus problemas, saber o que correu mal-é assim que aprendem. Isso foi o que aconteceu no meu país. A investigação produziu um relatório de 3000 páginas que mostra quanto é que cada um dos gestores tinha tirado dos bancos. Isso foi bom."

Por cá, tal conselho vai ser música de ouvido para a campanha eleitoral que segue. Os culpados já estão identificados há muito, pelos vítores ramalhos que querem ficar nos inatéis que temos por aí: a crise internacional é que deu cabo disto tudo porque tudo era uma maravilha antes da crise internacional. E depois aquele maldito chumbo ao PEC IV é que foi um desastre. Até o primeiro-ministro disse, desolado com tanto antipatriotismo: "como é que foi possível fazerem isto ao país?"

O resto, bem, o resto os jornais compõem, incluindo o Público que se apresta a denunciar os desmandos da "direita" que é outra culpada da crise por causa do "neoliberalismo" ou o "ultraliberalismo" ou a "direita radical".

O jacobinismo, o socialismo democrático governado por incompetentes e mentirosos de alto coturno, isso não existe porque afinal "todos mentem" e "ninguém faria melhor". Pelo que sendo assim, o melhor ainda é deixar quem está...
Tal como diz o economista islandês, professor num Birbeck College de Londres, "os países protegem os seus". No caso, são mais os correlegionários políticos e os compagnons de route ideológica que nos jornais portugueses são mato. Este Governo e este primeiro-ministro goza de aceitação generalizada nos media por algum motivo. E o principal será este: a cripto-Esquerda socialista democrática está em todo o lado, como a marabunta.

E a prova está em que os jornais de hoje nem tocam no assunto relatado pela TVI sobre a sonegação ao tribunal de Contas de documentos essenciais para o negócio das parcerias. É matéria desinteressante. O importante é dizer que o programa do PSD é liberal e que "O PSD endurece o discurso" e balelas do género deste jornalismo vergonhoso.

PS. Entretanto, Marinho e Pinto anunciou ontem ao país que "Não votarei nas próximas eleições". Faz muito bem e estamos todos agradecidos por nos ter comunicado tal intenção tão importante e decisiva.

domingo, maio 08, 2011

A resposta dos finlandeses ao video...

O "radicalismo da direita"...

Sol:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, distribuiu hoje no Porto críticas ao 'radicalismo ideológico' da direita e à postura 'passadista e imobilista' da esquerda 'radical', num discurso centrado na defesa da escola pública.

Considerando que a escola pública será um dos temas-chave das eleições de 05 de Junho, José Sócrates criticou os que, a pretexto da situação económica, insistem na aposta no privado.

Mas essa é, disse, “uma ideia aventureira, perigosa e radical, que vai estar em causa também nestas eleições”.

Para o líder socialista, que falava no Porto durante um fórum sobre Educação, a proposta do PSD, “disfarçada”, é a de que se “pode e deve transferir recursos do sistema público de educação também para financiar privados”.

“E dizem isto com aquele ar cândido de quem está apenas a propor liberdade de escolha”, ironizou, lembrando que os países que fizeram essa opção passaram a ter boas escolas privadas “para ricos” e uma escola pública “degradada e decadente”.

José S. tem os dois filhos em escolas privadas. E não é em qualquer uma. Um no Colégio Moderno. Outro no Colégio Alemão. E depois, publicamente, tem este discurso jacobino e de essência hipócrita.

Esta coerência na hipocrisia nada o incomoda porque está habituado a isto tal como respira.

Louçã quer um novo PREC


Louçã, o comunista encapotado do BE anda desesperado. Por votos, entenda-se. Segundo as sondagens, a Esquerda portuguesa prefere o produto genuíno ao falsificado do Bloco.

Em declarações comicieiras, Louçã já previne que é preciso fazer outro 25 de Abril. "Um 25 de Abril novo". Com um PREC repristinado, subentende-se.

Louçã é um dos grandes enigmas da política portuguesa. Em Setembro de 2009, véspera de eleições legislativas e confortado em sondagens favoráveis, declarava ao Público sem peias ou meias ideias, a sua convicção comunista, facção trostkista:

"Tenho as opiniões que tinha desde os 15 anos" ( "progressistas". Em Junho de 1974 já lamentava no primeiro ano de Económicas que houvesse tão poucos professores progressistas. Logicamente, hoje pensará o mesmo e com uma vontade activa de que haja mais e cada vez mais). Sou dirigente do BE. (...) Fui, desde novo, um socialista de esquerda ( quer dizer, um comunista na acepção comum e corrente da expressão).

E o Público: Era um revolucionário?
E Louçã, lesto e ufano: Com certeza.
E o Público: Hoje continua a ser um revolucionário?
E Louçã, mais cuidadoso: Sou socialista ( do PS não é, do PCP também não quer ser, pelo que só pode ser de um socialismo que não existe na prática. Mas existe na teoria, marxista-leninista-trotskista, com destaque pare este último. Em suma, um comunista disfarçado de burguês á espera de melhores dias). E para que não haja qualquer dúvida, avança no esclarecimento fatal, real e completo:
"E sou contra o capitalismo. O socialismo para nós, é um projecto anticapitalista, com todo o gosto pelas palavras e com toda a clareza." Ah! Valente Louçã! Assim é que é. Parte esta louça toda, Louçã!
Nunca Louçã tinha ido tão longe, mesmo nos tempos em que era proprietário ( capitalista) do Combate, com ideias tão avançadas como desmantelar as prisões e o sistema de justiça. Agora, é claro: Louçã quer a destruição do sistema capitalista que existe em todo o mundo, com pequenas excepções conhecidas: Coreia do Norte, Cuba e aqui em modo mitigado e...onde mais, afinal?

E o Público, aproveitando a embalagem de confissões: Foi um revolucionário. Hoje já não é?

E Louçã, embalado na declaração inebriante e de coração à mostra: Sou o que sempre fui. Aprendi muito, em muitas questões. Aprendi, mais que tudo, que é preciso uma política que seja clara. ( Oh céus! Clara, a política de Louçã?! Agora, neste entrevista, é. Mas anda sempre a esconder o que é. A ocultar o que pensa. A mentir. A dissimular o seu comunismo de luta revolucionária contra o capitalismo!)
E continua, para que não fique qualquer dúvida: O socialismo quer dizer combate à exploração e combater o capitalismo como forma de desigualdade social. ( aqui está, claríssima, a ideologia comunista, no seu esplendor. Ideologia abandonada em todo o mundo civilizado, repescada por Loução como o destino do Homem). E como vai o mesmo convencer o cidadão comum? Assim:

" Mas quer dizer também ( o socialismo) recusar os regimes de partido único ou de censura, ou de ataque à liberdade de opinião".

Em tempos, a explicação para mais esta aldrabice foi dada aqui.

À atenção do DCIAP: podem começar por aqui

Da TVI ( ainda mas por pouco tempo se esta gente que governa continuar...):

Os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. A denúncia consta de um relatório de auditoria às parcerias público-privadas rodoviárias, que vai ser aprovado na próxima semana. Um documento que a TVI revela em primeira mão.

As auto-estradas lançadas pelo governo só passaram no tribunal de contas porque foi sonegada informação aos juízes. Em causa estão cinco subconcessões feitas pela Estradas de Portugal, em representação do Estado, no valor de 10 mil milhões de euros.

A auto-estrada transmontana, no valor global de 1692 milhões euros. A sub-concessão douro interior, de 2846 milhões euros. Baixo alentejo com 1996 milhões euros. Algarve litoral, com 1634 milhões euros. E litoral oeste, com um custo global de 1847 milhões.

O Tribunal de Contas começou por recusar o visto a todos estes contratos, porque as propostas finais das empresas eram mais caras do que as levadas a concurso. A Estradas de Portugal voltou à carga com segundos pedidos de visto, após renegociação dos contratos, mas sonegou informação aos juízes, relativa a significativas compensações financeiras aos bancos e às construtoras privadas.

Sugere-se um inquérito a esta actuação denunciada pelo Tribunal de Contas. Mas não é o anunciado com a participação ao MºPº para efeito de aplicação de multas. Não, não é esse. É o Inquérito para apuramento de responsabilidade criminal que neste caso se configura como muito grave se for verdadeiro o teor da notícia, porque o dano provocado é imenso.
E portanto, com prisões preventivas se se comprovar indiciariamente o que é denunciado. Pode ser que assim acabe a "roubalheira" ( não é só a do BPN) que nos conduziu à miséria e à humilhação de termos de pedir fortunas emprestadas que todos teremos de pagar com língua de palmo, enquanto os responsáveis se refastelam em empregos que arranjaram para si e para os seus. E que fogem à crise porque quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte. E eles têm a arte toda, mas mesmo toda.

PS. Se esta notícia for verdadeira, não é preciso ser muito perito em Direito para dizer que o contrato da concessão da parceria deve e tem de ser renegociado e com denúncia dos aldrabões que o subscreveram. E participação criminal das pessoas concretas que nele participaram. E os nomes que saltem para os media porque é disso que precisamos: de responsáveis conhecidos por estas coisas.

Entretanto ficam aqui as referências aos nomes que compõem a administração da Estradas de Portugal. São estes, actualmente, e devem ser ouvidos sobre este escândalo incrível.

A semiótica familiar lusa

Estas duas imagens estão publicadas na Flash desta semana em páginas seguidas e comparadas. A da esquerda mostra um indivíduo que é primeiro-ministro em ambiente furtivo, " a pensar na vida no luxo algarvio" e com o filho, única companhia no "luxo", tapado pela desfocagem voluntária do instantâneo. As fotos, obviamente, não são da autoria do fotógrafo oficial, Ricardo Oliveira, um brasileiro que se fidelizou na função desde 2005.

À direita, em imagens completamente diversas mas de significado preciso encontra-se o eventual futuro primeiro-ministro, acompanhado da mulher e também de uma filha e outra familiar, de rosto descoberto, sem desfocagens dos familiares e com título a condizer: "dias de família em Odivelas". E mais: "O líder do PSD ficou em casa na Páscoa e não faltou ao espectáculo musical do cunhado."

Mais palavras para quê? O recado está dado. Mas mal. Nestas coisas ou há espontaneidade , mesmo preparada, ou perde-se a essência da mensagem autêntica.
A "vida de luxo" do farsante da esquerda não é esta. E a vida familiar do da direita devia interessar menos que isso. Porque é privada e assim devia continuar.

sábado, maio 07, 2011

António Barreto, o mal informado

O sociólogo António Barreto, ultimamente avençado dos supermercados Pingo Doce, através de uma fundação do dono, dá hoje uma extensa entrevista ao jornal i que celebra o seu segundo aniversário.

Sobre Justiça, tema que o atrai frequentemente a dizer algumas baboseiras, António Barreto não se fez rogado mais uma vez ao dislate.

Diz que a Justiça está refém de grupos organizados. E que no seu entender são os sindicatos da magistratura, mais os advogados que "muitos deles são da própria política".

Perguntado pelo jornal porque é que os políticos têm medo em mexer com a Justiça, Barreto dislata mais uma vez:

"Têm medo de confrontar interesses. A justiça sabe segredos de muita gente. Sabe segredos da vida pessoal, da vida económica, da vida empresarial e da vida política e partidária. Quando formos capazes de analisar e investigar seriamente o que se passou em vários processos, ao longo dos últimos dez ou vinte anos, há processos que são incompreensíveis. Da Casa Pia ao Freeport, à Face Oculta e ao Apito Dourado. Há muitos fenómenos incompreensíveis nestes processos."

Tirando de lado o particularismo antonomásico em citar estes processos como revelando o panorama da crise da Justiça, António Barreto lança a chama da desconfiança sobre quem investigou, acusou, pronunciou ou despronunciou, julgou, recorreu, condenou ou absolveu.

Por mim, à semelhança do que o sociólogo faz, acusando indiscriminadamente e lançando ignomínias a eito sem qualquer indício de prova ou elemento de inculpação, poderia dizer do mesmo modo que é incompreensível tanta burrice num sociólogo assim. E nem daria qualquer justificação porque o mesmo também não dá. Mas aborrece-me o método e por isso vou justificar o epíteto- e tentar comprovar porque é que António Barreto não sabe o que diz.

A justiça não se encontra refém dos sindicatos porque estes não se alargam em manifestações políticas ou intervenções de força junto do poder político-legislativo. Os códigos e as leis, nestes últimos 25 anos, para não dizer mais, foram todos, mas mesmo todos, gizados sem intervenção directa dos sindicatos que apenas se limitaram em alguns casos contados a dar pareceres a que esse mesmo poder político-legislativo deu importância zero.
Basta ver por todos, o exemplo das críticas que foram oportunamente feitas em 1987, antes da entrada em vigor do C.P.P. que sofreu várias revisões durante estes anos ( mais de vinte) e todas sem que os sindicatos tivessem papel activo. E no entanto as críticas eram certeiras, ajustadas e vinham de quem sabia do assunto. De nada adiantaram e passados anos, as revisões sucederam-se dando razão aos sindicatos...
O poder político-legislativo escolhe comissões, geralmente professores universitários que as coordenam e de certa escola de Direito ( Coimbra ou Lisboa) e dão carta branca para os projectos que apresentam. A prova? A última reforma do processo civil e acção executiva, bem explicada num número recente do Público que Barreto se calhar lê, mas não entende. Essa reforma é a prova comprovada se preciso fosse, de que as leis são da responsabilidade dos poderes políticos e legislativos sem que os sindicatos metam sequer uma palha no assunto ou tenham qualquer poder de influência decisiva nos mesmos.

Isto que é evidente e claríssimo para quem percebe o mínimo destas matérias é obscuro e opaco para António Barreto.

Depois há outro fenómeno que o mesmo não entende: certas leis que temos, como por exemplo o Código dos Contratos Públicos são da autoria de certas firmas de advogados a quem o poder político, à míngua de legisladores de confiança e competência que não sabe encontrar noutro lado, entrega a escritórios de advogados como é o caso da Sérvulo & Associados.

Essas leis avulsas e outras codificadas são gizadas de acordo com o poder político-legislativo que aprova no Parlamento. Se as mesmas saem coxas, mal feitas, numa palavra incompetentes, o problema e a culpa devem-se a quem e a quê? Aos sindicatos da magistratura? Às pessoas que são contratadas a peso de ouro para as elaborarem? Ou tão simplesmente à incompetência dos políticos que temos no governo e A.R. que não sabem ler nem analisar o que mandam fazer a outros e as aprovam sem mais, fazendo ouvidos de mercador às críticas, precisamente algumas delas dos sindicatos?

Só estes dois reparos chegam para pedir a António Barreto que se cale nestas matérias, peça conselho a quem sabe e fale de outras coisas como por exemplo a sociedade portuguesa que provavelmente estudou alguma coisa para saber como é. É muito penoso ler o que diz sobre isto.

PS. Mas há outro assunto ainda mais penoso e que acabei de ler agora. Refere Barreto que a incompreensibilidade de algumas coisas nesses processos está ligada a quebras de segredo de justiça. E refere depois que está convencido que "houve informação dada deliberadamente por operadores de justiça e eu estou convencido que os responsáveis são obviamente os procuradores e os juízes." E depois refere-se às desgraçadas vitimas destas violações de segredo como se este fosseo valor absoluto a respeitar nestes processos. É irritante ler isto pelo seguinte:

António Barreto devia saber que o segredo de justiça é um instrumento para assegurar a eficácia das investigações. Não é um instrumento para preservar a ignorância do povo em relação a políticos suspeitos. Isso seria o mesmo que voltarmos ao passado de há 40 anos. O segredo era nessa altura um valor a preservar na dignidade do Estado autoritário. Actualmente em nenhum país europeu e civilizado se resguarda segredo em relação a casos que envolvam personalidades públicas e políticas. Porque as pessoas querem saber e têm direito a saber.
Se há abusos, entorses e ilegalidades que se denunciem devidamente. Mas tal não autoriza a que se faça como Barreto faz, um processo de intenção genérico em relação à magistratura dizendo que capturou o poder político. Tal afirmação é de uma enormidade incompreensível, a meu ver.

Quem capturou o poder foram os políticos. E não o querem largar por nada deste mundo que é deles, procurando açambarcar o mais possível a fatia que lhes pertence, diminuindo a dos outros poderes do Estado. Daí que acusar a magistratura de malfeitorias , com estas ajudas de indivíduos como Barreto é sopa no mel, para os mesmos.

Barreto, sobre violação de segredo de justiça, grave e séria, já que fala nisso, deveria lembrar-se do que se passou no processo Face Oculta em 24 de Junho de 2009. Que se inteire desse fenómeno e depois venha falar disso e da tal "captura" do poder político pelos magistrados.

Uma bofetada de luva branca aos finlandeses

A bofetada vem mesmo no fim. Não sei quem fez este pequeno filme, já apresentado em público, mas merece os parabéns.


Sacudir água do capote

Maria Celeste Cardona, ex-ministra da Justiça, escreve um pequeno artigo no Público de hoje para justificar a inoperância da acção executiva que foi aprovada no seu tempo de ministério. É um pequeno exemplo da dificuldade em fazer reformas na justiça portuguesa e um aviso para o que vem aí, com medidas de fundo e de forma propostas à vol d´oiseau pela "troika".

Celeste Cardona explica que na altura em que chegou ao Governo de Durão Barroso, em Abril de 2002 havia uma reforma da acção executiva pronta a entrar em vigor e preparada toda ela pelo anterior governo de Guterres que tivera António Costa como ministro da Justiça.
Perante alguns reparos acerca da flexibilidade do novo sistema, a ministra pediu então ajuda a um professor de Direito de Lisboa, Lebre de Freitas, versado nessas tecnicalidades que verteu em livros e ensinou na faculdade.
A reforma entrou em vigor em Janeiro de 2004 e introduzia a figura carismática do solicitador de execução ( os advogados puseram-se fora da carruagem reformadora).

Escreve agora a ex-ministra que " De imediato foram detectadas anomalias, deficiências, dificuldades, sobretudo a nível técnico e a nível do funcionamento dos solicitadores de execução".

Ou seja, a reforma de António Costa mai-la contribuição da sumidade Lebre de Freitas deu logo com os burros na água da ineficiência e incompetência.
Mas...ninguém lhes pediu contas sobre o fracasso que dura desde então. Nada de nada e tudo se passou como se essas sumidades continuassem a merecer a atenção desvelada dos alunos onde se ensina Direito. São sumidades e basta.
Na altura o sistema era entendido como o "nec plus ultra" que iria pôr nos eixos a bagunça de caloteiros à solta e a deverem as penas aos pássaros mas a chilrearem de impunidade.

Escreve agora Celeste Cardona que "dei de imediato início à introdução de melhorias operacionais e legislativas no regime de acção executiva. Devo, aliás, referir que no Ministério da Justiça ficaram elementos mais que suficientes que ilustram os trabalhos que já tinham sido feitos, bem como os que estavam em curso." E justifica Celeste Cardona que este seu trabalho durou seis meses e que desde então está tudo na mesma e pior, porque " a reforma da acção executiva continua a ser considerada como um bloqueio à celeridade da justiça."
E esclarece que se "multiplicaram, ao que se sabe, as iniciativas legislativas e outras.
Portanto, conclui: " O governo socialista encomendou, estudou e preparou a reforma da acção executiva. Fez bem. Eu reanalisei, melhorei e tornei operacional a reforma. A sua entrada em vigor demonstrou algumas fragilidades que, de imediato, foram ou estavam a ser corrigidas quando terminei o meu mandato. O PS voltou a ser governo. Passaram mais de sete anos. A reforma da acção executiva continua a ser qualificada como um problema.
A pergunta óbvia: de quem é a responsabilidade? "

Pois é uma pergunta óbvia mas a resposta não é.

A responsabilidade é da incompetência das sumidades. E nada mais. Julgam-se no olimpo do saber académico e provocam estes desastres de milhões e milhões.
Pior ainda: nunca darão o braço a torcer acerca da sua incompetência prática sustentada em manuais e teses de doutoramento com centenas de citações.

A acção executiva destina-se a cobrar coercivamente, através dos tribunais, o que os caloteiros se recusam a fazer tempestivamente.
Os problemas com esta cobrança coerciva são inúmeros. As soluções milagrosas não existem. Os estudos académicos esbarram na inexequibilidade prática que aquelas sumidades não conhecem, porque gizam teorias copiadas de lugares onde não se praticam os nossos costumes.

Quem deve muito, a primeira coisa que tenta fazer é "fugir com os bens". Quem teme dever muito nunca tem os bens " em seu nome".
Há uns tempos andou por aí uma notícia sobre a fortuna de Dias Loureiro e que parece mítica. parece que o pobre homem nada tem de seu. É tudo de empresas onde se encontra...

O que se poderá dizer de um sistema teoricamente elaborado, tecnicamente sofisticado, com base de sustentação comprovada em modelos estrangeiros e que afinal de contas não funciona?

Que é uma caricatura de sistema. É isso a nossa acção executiva. Uma caricatura. E ninguém tem coragem de dizer aos sofisticados autores das reformas que andam sempre nus, como reizinhos de caricaturas.

Danos não-patrimoniais ao senso comum

O deputado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar do PS e figura política de proa desse partido, cabeça de lista para deputado à próxima legislativa, pelos Açores ( é um dos imprescindíveis) , foi acusado pelo Ministério Público, recentemente, pela prática de crime de atentado à liberdade de imprensa.

Os factos da acusação reportam-se a 30 de Abril de 2010 e a uma entrevista à revista Sábado que correu muito mal. Segundo o Público de hoje, Ricardo Rodrigues "decidiu processar judicialmente a revista e os dois jornalistas, pedindo uma indemnização de 35 mil euros por "danos não-patrimoniais sofridos".

Ricardo Rodrigues só agora se lembrou de accionar os jornalistas e a revista e acha que o assunto é do foro privado, depois de ter sido publicamente debatida a sua conduta, o que não foi suficiente para o afastar da bancada do partido onde milita. O assunto delicado que a revista pretendia abordar na entrevista era o caso Farfalha, ocorrido nos Açores e que respeitava a pedofilia. Havia rumores na ilha de que o então membro do governo regional dos Açores estaria envolvido no assunto e Rodrigues demitiu-se e veio para o continente postar-se na Assembleia da República, pelos vistos um refúgio propício para fugitivos.

Um dos motivos da actual queixa, segundo o Público, será o de ter sido alvo de comentários depreciativos sobre a sua indoneidade para "estar à altura das funções que exerce nas comissões parlamentares". Outro motivo refere-se explicitamente "à chacota" de que foi alvo...

Rodrigues, seguindo os ensinamentos públicos do presidente do STJ, Noronha Nascimento, sabe que em direito civil, a amplitude para apreciação da matéria de facto atinente aos danos é muito mais lata que em processo crime. E por isso poderá sempre apresentar as provas suficientes, com as testemunhas todas da bancada do PS a dizer que sim e que o mesmo chorou baba e ranho de vergonha e opróbrio por causa dos malvados jornalistas.

Por isso mesmo, haverá agora um terceiro motivo, para resposta numa eventual réplica: a má-fé processual. Devida a quem costuma fazer o mal e a caramunha a seguir. Que é punida nos termos da lei de processo civil e que a troika parece querer aumentar nos respectivos valores.

Dos tribunais portugueses espera-se a devida e necessária colaboração para esse efeito.

sexta-feira, maio 06, 2011

O primeiro mentiroso é um querido líder

Para estes e deste modo surreal que só tem paralelo na terra dos kimilsun. A prosa que segue é do melhor que se pode encontrar nos antigos panfletos da propaganda que nem sequer no tempo do "fachismo" era possível ler.

E ainda dizem mal do Américo Tomás...pois então leiam e meditem.

Defender Portugal:

Ao fim de 6 anos como Primeiro-Ministro, julgaríamos já conhecer suficientemente bem a personalidade de José Sócrates. No entanto, no «5 para a meia-noite», com Fernando Alvim, o Primeiro-Ministro conseguiu surpreender, revelando a sua faceta mais humana, descontraída e bem-disposta. Foi um José Sócrates bem diferente aquele que, desta vez, nos chegou a casa pelo ecrã da televisão. Mais solto e liberto das obrigações institucionais, José Sócrates mostrou ser:

- um homem divertido e com sentido de humor, que sabe imitar o Futre (ó sócio, tou concentradíssimo), que envia SMS aos seus ministros sportinguistas a brincar com a situação do clube e que responde às provocações com uma piada rápida (Alvim: vai contratar o melhor político chinês da actualidade? José Sócrates: não sei se o FMI deixa...)

- um homem simples, que gosta de ir ver os jogos ao estádio, que vai com os filhos ao cinema e que deixa a gravar as mesmas séries que todos nós vemos: Dexter, Mad Med, etc.

- um homem terra-a-terra, que consegue explicar em poucas palavras a diferença entre ser de direita ou de esquerda, com a mesma naturalidade e à-vontade com que expõe as vantagens do programa INOV e a forma como ele promove o emprego jovem.

- um homem com fair-play, que tem amizade e respeito pelos seus adversários políticos, não confundindo as disputas eleitorais com as relações pessoais.

- um homem que não se deixa levar pelo politicamente correcto e não tem qualquer pudor em assumir que é do Benfica e que tem orgulho nisso.

E, para isto, não precisou de recorrer a marketeiros brasileiros para lhe construirem uma personalidade artificial, nem de expor a sua intimidade em público...


A fome e a peste

Segundo sondagens hoje conhecidas o PS aproxima-se do PSD nas intenções de voto e talvez mesmo o ultrapasse na recta final das cruzinhas no boletim.

As razões profundas e verdadeiras para tal fenómeno não são inteiramente conhecidas por ninguém. Seria preciso perguntar a cada um dos votantes PS ou na Esquerda típica a razão porque não confiam nos partidos que lhes estão mais à direita. E mesmo assim, haveria equívocos porque as respostas não seriam esclarecedoras.
Nenhum sociólogo das tretas no ISCTE ou no CES de Coimbra conseguirá entender e explicar com segurança e verdade todas as razões dos votos neste ou naquele partido porque há razões que a razão desconhece e essas ainda entendem menos.

Mas pode haver aproximações explicativas. A minha é esta:

O PSD é um partido social-democrata cujo programa político-económico em nada se distingue, no essencial, do do PS actual. Então por que razão não se vota no PSD ou mesmo no CDS, escolhendo outros protagonistas para o governo em vez das estafadas figuras que estão e querem continuar com o projecto que deu tão belos resultados? Mistério acrescido. E que se pode explicar de uma maneira simples e com anos de prática empírica:

O PSD nestes últimos anos tem passado uma imagem que sendo falsa tem sido aproveitada subrepticiamente pelos informadores dos media: é um partido de liberais, "de direita", daqueles que irão despedir na função pública, privatizar a eito, entregar "isto" aos ricos. Como se os ricos não estivessem logo logo com quem ganha a seguir. Ricardo Salgado que o diga.

O PSD nunca foi um partido que entrasse abertamente no eleitorado de Esquerda típica porque sempre foi denunciado pela mesma como um "partido de direita", o que faz imenso jeito à Esquerda que alimenta esse embuste há dezenas de anos. Et pour cause. As poucas vezes em que tal conseguiu, timidamente, foi com propostas social-democratas e nunca liberais.

Colocado perante uma escolha entre a fome e a peste, o eleitorado português parece disposto a escolher a fome do PS por lhe parecer que o PSD é a peste.

Tem sido essa a propaganda consistente dos últimos anos e o próprio PSD tem contribuído com largas medidas para que o eleitorado o veja como a peste do regime que está.

Qualquer pessoa da rua está convencida que o PSD não fará melhor que o PS e que este fez o melhor que podia e até podia ser pior do que é...e tal ideia tem sido propagandeada abertamente através de todos os Prós & Contras, noticiários da RTP e agora da TVI e dos jornais afectos que são quase todos, mais a TSF que passa tudo o que se passa neste contexto, com ou sem balda(ia)s.

E tal ideia básica, subliminar primeiro e sedimentada agora, vai ser muito difícil de desmontar. Para isso seria preciso entendê-la e depois ter o génio para a denunciar como um embuste. E não parece que este Passos Coelho seja capaz. Talvez o Rangel o fosse porque denota outra capacidade que anda muito desaproveitada.

lavagem automática


Esta é uma publicidade que hoje aparece no Público. Uma imagem da nova informação da TVI. Uma informação ajustada a um controlo de danos de imagem do poder que está. A nova informação da TVI está em consonância com aquilo que António Reis, o maçónico do GOL, diz ao Sol, em entrevista.

Perguntado sobre o primeiro ministro diz candidamente como quem não parte o prato das reuniões de avental que "Foi perseguido como provavelmente nenhum outro governante português depois do 25 de Abril". Subentende o grão-mação que a perseguição foi ignóbil e de todo injusta, ao líder do partido no poder que está. Subentende que o primeiro-ministro de um governo que conduziu o país à miséria em que se encontra- a pior média de crescimento económico dos últimos 90 anos; a dívida pública maior dos últimos 160 anos; a maior dívida externa dos últimos 120 anos; o desemprego maior dos últimos 80 anos- sujeito a humilhação suprema de ter de estender a mão a uma caridade sem alternativa, é um bom primeiro-ministro, injustiçado e quiçá incompreendido pelos "perseguidores", essa canalha vil que não acolhe com salmos e améns a política que nos trouxe até aqui.

Em seguida e para compor o ramalhete, este grão-mação, como o jornal lhe refere que "há quem diga que ele tem vindo sucessivamente a mentir ao pais", responde assim:

"Essa expressão, mentir, é das que maior irritação me produz. Hoje, na vida política, usa-se a palavra mentir com uma facilidade que eu não julgava ser possível. Perdeu-se a noção da gravidade das palavras e é verdadeiramente lamentável que o debate tenha caído tão baixo."

É este o mote e o tom da informação tipo TVI, depois da reformulação da equipa de assessores, sob a batuta do conde que a comprou em negócio muito curioso. O Primeiro Mentiroso é apenas o mais virtuoso dos políticos e a mentira relativa é a ordem natural das coisas na gestão da coisa pública. Se perguntarem ao grão-mação o que pensa, por exemplo, de Berlusconi e da sua manipulação informativa através dos media que controla directamente porque os detém, dirá precisamente o contrário do que agora diz. E com o maior desplante de seriedade maçónica.

E tal como em 2009, a informação televisiva tem um papel crucial e fundamental no resultado eleitoral. No núcleo essencial do Estado de Direito. E o grão-mação, mai-los seus correlegionários sabem perfeitamente que assim é.

quinta-feira, maio 05, 2011

A competência muda

ATESTADO DE INCOMPETÊNCIA no blog Desmitos

Quem ler atentamente os documentos com as medidas da troika facilmente pode concluir que este é o maior atestado de incompetência do actual governo que já foi produzido por entidades internacionais. É certo que a OCDE, o FMI, e a própria Comissão Europeia já tinham criticado em vários documentos a política económica e a política fiscal dos últimos anos. Entre nós, este papel de crítica institucional foi igualmente desempenhado variadíssimas vezes pelo insuspeito Tribunal de Contas e pela UTAO (a Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República). No entanto, até hoje, nenhuma entidade internacional tinha ousado criticar tão frontalmente o governo actual.
Embora, por motivos políticos, a linguagem seja técnica e alegadamente neutra, a apreciação da troika da economia portuguesa e da governação dos últimos anos é simplesmente arrasadora. Não há área onde as sugestões da troika não se façam sentir e onde os falhanços e as irresponsabilidades dos últimos anos não sejam denunciados. Desde à Justiça paralisada, ao mercado de trabalho excessivamente rígido, ao mercado de rendas desajustado, aos problemas de competitividade, à economia anémica e esclerosada, aos sofríveis indicadores da Educação, às excessivas dívidas das empresas públicas, à reavaliação das parcerias público-privadas (PPPs), à pouca concorrência dos sectores protegidos, à pouca transparência das contas públicas, e ao excessivo despesismo do nosso Estado, os documentos da troika não deixam de lado praticamente nenhuma área inalterada. Se isto não é um atentado de incompetência, eu sinceramente não sei o que é. Afinal, se as coisas estavam tão bem e se a crise nacional tivesse começado mesmo em 2008 (como o governo nos quer convencer), por que razão teríamos que reformar todas estas áreas?
E é exactamente por isso que o pacote das medidas propostas é bastante razoável e faz bastante sentido. Porventura, o elemento mais negativo do pacote da troika é a insistência no agravamento fiscal das famílias e das empresas. Sinceramente, espero que um próximo governo seja capaz de renegociar este aspecto do pacote de ajustamento, pois seria preferível insistir numa maior redução da despesa estatal em vez de ter de agravar mais os impostos das famílias e das empresas.
No entanto, é de saudar que o pacote de medidas a implementar inclui inúmeras propostas para melhorar a competitividade da economia e das exportações portuguesas, incluindo uma reforma abrangente da Justiça, uma maior flexibilização do mercado laboral, e uma reforma do Estado, que irá incluir uma reforma administrativa (com a redução de freguesias e municípios) e a redução dos milhares de organismos e entidades públicas. Para além do mais, o pacote de ajustamento propõe a chamada desvalorização fiscal, onde se dá uma descida da taxa social única paga pelos empregadores em contrapartida da harmonização das taxas do IVA e de uma diminuição da despesa pública. Ao baixar as contribuições sociais das empresas, os custos do trabalho baixam, o que nos permite melhorar a competitividade das nossas exportações, criar mais emprego e, assim, combater a maior chaga social do nosso país, que é o nosso desemprego histórico.
Em suma, com a excepção da subida dos impostos, bem como dos cortes na Saúde e na Educação, penso que a grande maioria dos economistas e analistas poderia facilmente subscrever o pacote de ajustamento proposto pela troika. Um pacote de ajustamento que, pela sua abrangência e diagnóstico arrasador, é simplesmente o maior atestado de incompetência do governo actual. É tão simples como isso.
Posted by Alvaro Santos Pereira

Bafo de onça





Sapo:

O cabeça de lista socialista pelo Porto, Francisco Assis, afirmou hoje que o PSD ficou “subitamente sem programa eleitoral” já que estava à espera da boleia da “troika” para destruir o Estado Social, não tendo agora condições para o fazer.


Este Assis, em vez de escuteiro, de vez em quando solta-se-lhe o bafo. De onça. Seja como for, outra personagem cómica e de livros do patinhas.


O escuteiro "mirim"



Económico:

O Governo quer congratular-se pelo facto de desta vez ter prevalecido o sentido de responsabilidade dos partidos da oposição, em particular do PSD e do CDS, ao terem agora aceitado um compromisso político alargado quanto à execução do acordo negociado pelo Governo", afirmou Pedro Silva Pereira, no habitual 'briefing' após o Conselho de Ministros.

Este Pereira é a figura típica do escuteiro mirim. Todos o santo dia tenta a boa acção que o redima das aldrabices em que se envolve.

"Coisa horrorosa!"



Sapo:


Depois de Teixeira dos Santos ter anunciado que era prematuro divulgar as taxas de juro associadas ao empréstimo, Poul Thomsen, representante do FMI, avançou que "serão de 3,25 por cento no início, mas irão mudando. São taxas flexíveis".


Este desgraçado ministro das Finanças que ainda temos, professor universitário no Porto, suposto pelo Governo, sus muchachos e papagaios associados, como alta competência na Finança e deposto como nulidade pelo Economist, tem manifestamente azar. Um azar mumificado.


Depois da representação tipo "múmia paralítica" a que assistimos na sua última intervenção ao lado do seu mentor, o desgraçado interveio hoje para tocar a campaínha do discurso conveniente.

O regente fez ouvidos de mercador e mumificou-o outra vez.

O nosso Primeiro Mentiroso

A demonstração da aldrabice, pelos estrangeiros:

O representante da Comissão Europeia disse que se Portugal tivesse pedido ajuda mais cedo, a cura de austeridade poderia ter sido mais leve. Ainda assim, cortes dos subsídios de férias e natal nunca estiveram em causa, afirmou.



A única pergunta a fazer pelos jornalistas do sistema é esta: Senhor Primeiro-Mentir, perdão, Ministro, como é que explica a afirmação do representante da Comissão Europeia que o desdiz naquilo que anda a afirmar sempre e em todo o lado?

A pergunta ganha mais impacto se for fotografada em exclusivo como agora é costume, pelo inefável Ricardo Oliveira, fotógrafo privativo da presidência do Conselho de Ministros.

O caso Snu e Mário S.

Decorreu ontem no auditório 3 da Gulbenkian um evento- o lançamento de um livro da autoria da repórter de tv Cândida Pinto, sobre o relacionamento amoroso entre Snu Abecassis e Sá Carneiro.

O Público de ontem, sobre isso, nada escreveu. Hoje, escreveu nada. O i anunciava em duas páginas ilustradas o assunto.

Presentes no evento estiveram o embaixador da Dinamarca, terra de origem daquela Snu, casada antes com Vasco Abecassis e que se terá apaixonado por Francisco Sá Carneiro nos anos a seguir à Revolução de 25 de Abril. Também presentes, o presidente da Gulbenkian Rui Vilar e o administrador curvado ao peso da responsabilidade, o professor Grilo que foi ministro e escreve livros em que se lamenta pelos alunos não se sentarem. Presente ainda um confuso Rui Ramos, com discurso atropelado e de reverência escusada a Mário S. também presente. E uma amiga do casal desfeito, Maria João Sande Lemos. Também Fernando Dacosta, sempre muito bom comunicador e que contou a história do encontro dos dois. Terá sido Natália Correia quem os apresentou em modo ditirâmbico e grandiloquente no seu Botequim. E contou que Natália era apelidade por Agustinha Bessa Luís como a "tasqueira da Graça" ao que a desancada replicava com o vitupério "bruxa da Areosa".

O personagem dúbio, Mário S., recontou algumas peripécias desses tempos relacionadas com o assunto. Que era amigo do casal e até visita. Que se dava muito bem com eles e patati patata. Contou que semanas antes do desastre que os matou, cruzou-se com Snu Abecassis nos Passos Perdidos da Assembleia da República e esta olhou vagamente, em frente, sem lhe falar. Então Mário S. voltou-se, agarrrou-lhe o braço e pediu-lhe explicações para aquele comportamento, para lhe ouvir dizer que estava muito zangada com ele por causa do que dissera publicamente da relação entre aqueles.

Mário S. ter-lhe-á explicado como explicou ontem que não era nada pessoal e que essas coisas não devem contar e que só por motivos políticos haveria razões para zangas o que não chegava para ser motivo de coisa alguma.

Na sala do Auditório 3, onde se encontravam presentes várias pessoas que se lembram muito bem do que se passou realmente, ninguém teve a coragem de contradizer o pai do socialismo democrático que temos.

Dizer-lhe de caras e ali mesmo que nessa altura, num comício no Algarve, Mário S. vituperou o comportamento de Sá Carneiro dizendo alto e bom som que quem não tem capacidade para governar a sua própria vida pessoal e familiar não tem igualmente competência para governar o país. Ou seja, serviu-se do facto de Sá Carneiro ter repudiado a mulher legítima, trocando-a por uma paixão na pessoa de Snu para o atacar politicamente e fê-lo sem qualquer pejo ou vergonha, o que não o impediu de cinicamente apresentar depois tal facto, perante a visada como coisa sem importância alguma...

Mário S. saiu dali a pouco "porque tinha outros afazeres" e quem ficou lembrou depois o episódio triste, na ausência do dito.

É este um retrato da personagem e de um carácter político e pessoal que muitos adulam e se recusam a mandar para o caixote do lixo da nossa História.

quarta-feira, maio 04, 2011

O mudo



Nos idos de setenta do século passado, na RTP a preto e branco havia um programa patusco chamado Museu do Cinema, apresentado por António Lopes Ribeiro, um realizador de cinema do antigamente. Os pequenos "clips" de cinema mudo, com Chaplin e Pamplinas eram pontuados em notas de piano vertical tocado por um ainda mais mudo António de Melo, arrancado ao silêncio no fim do programa através de um incentivo particular do apresentador: " António, diz boa noite aos espectadores!" e o outro lá balbuciava as duas palvras da praxe, sem mais.


Ontem, na mesma RTP, o circunstante mudo nem a isso teve direito...porque o realizador da farsa habitual nem sequer lhe deu oportunidade.


A prova dos dois

RR:



O Supremo Tribunal de Justiça confirmou a condenação a dois anos de cadeia de Isaltino de Morais. O órgão rejeitou o pedido de anulação de prisão efectiva a que o autarca foi condenado no Verão passado e aumentou para mais do dobro o montante da indemnização cível que vai ter de pagar à administração fiscal.




A questão que se coloca é muito simples: Isaltino vai ou não cumprir os dois anos de prisão efectiva?


Aceitam-se apostas. E cds ( credit default swaps) para a hipótese previsível...

A tiragem das ofensas

Decorre no tribual criminal de Lisboa um julgamento em que se discute se uma peça de teatro baseada num livro pode constituir um acto de difamação de alguém já falecido.

No caso, a famíla de Silva Pais, último director da DGS ( a notícia do Público em que me baseio só refere a PIDE, o que é significativo da incorrecção histórica e do enviesamento subjacente), polícia política do antigo regime, entende que a atribuição factual, ao seu familiar, de responsabilidades directas na morte de Humberto Delgado, como co-autor do crime de homicídio, é uma ofensa à memória da pessoa falecida.


Segundo o Público de hoje, Carlos Fragateiro, , antigo director do teatro D. Maria II e um dos visados na queixa apresentada "questionou ontem em tribunal se é possível "manchar a honorabilidade" de um responsável por uma polícia política" .


Para estes "antifachistas" de sempre, um responsável por uma polícia política, ipso facto, está desprovido de honra e despromovido à categoria de "üntermensch".

A honra pessoal á apanágio de "antifachistas" que defenderam as polícias políticas mais hediondas de que há memória na História. E negaram os seus feitos. E não renegaram as suas crenças. Os que se lhe opunham em nome de uma legalidade não têm direito sequer ao bom nome. Sacanas sem lei, portanto.


No editorial do jornal, o assunto é notícia, para se escrever que "acusar uma peça de teatro a tal pretexto, é, no mínimo, impensável".

Portanto, no mínimo "impensável". No máximo será, talvez... o quê? Absurdo? Inexistente no campo das hipóteses plausíveis? Onírico e portanto inelutável para o sonhador?

Então o que se deverá dizer de uma queixa crime em tempos apresentada por um notável da nossa praça política, contra uma pessoa que lhe disse ter pisado a bandeira nacional, no exílio dourado onde se encontrava?

Uma queixa "impensável" , também?

Bárbara Reis que dirige o jornal, tem nestas tiradas de luxo o seu cartão de apresentação. O jornal por estas e por outras de teor igualmente jacobino e completamente esquerdizado nos preconceitos adquiridos, tem descido nas vendas. Já vai em 31 950 exemplares, numa descida de 33 393 desde a última contagem. A notícia no jornal sobre este fenómeno ainda é mais fenomenal: "Correio da Manhã sobe e Público ultrapassa DN".


Parece uma notícia lida no teleponto pelo primeiro-ministro...

O prime minister que não era




Segundo os jornais de hoje, José S. , denunciado num processo crime, por difamação à jornalista Manuela Moura Guedes, por queixa particular desta, verá a instrução do processo decorrer num tribunal de primeira instância e não no STJ como aquele pretendia e o próprio MºPº assim entendeu.


O STJ, em resumo e segundo os jornais, diz que na altura em que José S. foi a uma televisão conversar com os jornalistas suaves que conhecemos, o fez noutra qualidade que não a de primeiro-ministro. Explica que " a entrevista dada pelo primeiro-ministro não se insere no exercício das funções políticas, legislativas ou administrativas e aquele não estava no momento em funções governamentais." Logo, tinha despido a fatiota de primeiro-ministro e vestido o fato de treino político que costuma envergar como uma segunda pele.


A distinção é subtil e provavelmente o actual primeiro-ministro nunca a entenderá a não ser que lha escrevam no teleponto para ler no intervalo de um jogo de futebol de grande audiência.


Assim, parece seguro poder dizer-se que o acto de representação que há pouco mais de um ano foi noticiado e a que se alude na foto acima mostrada, foi um abuso.


Quem esteve no bijan do Rodeo Drive de L.A. não foi o primeiro-ministro em funções. Foi apenas um José S. que se apanhou na pele de primeiro-ministro e não a quer largar por nada deste mundo, principalmente no mundo do luxo e da ostentação.




Por isso mesmo, seria mais apropriado figurar na montra do bijan, com a verdadeira pele que lhe subjaz e recobre todas as outras: José S. Primeiro Mentiroso de Portugal.




terça-feira, maio 03, 2011

As ideias paradoxais

No Público de hoje, numa página a seguir à outra, fica à vista o peso de ideias na política.


Num dos casos, José Vítor Malheiros acha simplesmente populista a ideia de que "os ricos devem ser penalizados pelo seu uso do SNS", ideia "aparentemente socialista mas profundamente reaccionária" porque se os ricos já pagam mais impostos, uma taxa moderadora progressiva afastará os ricos do SNS e este ficará apenas para os pobres, o que determinará a sua destruição a breve trecho.

Esta ideia, sendo paradoxal ( a de que todos devem pagar igual pelo SNS, pois só assim todos beneficiarão de modo igual) é também um mito. A mim me parece que a taxa moderadora deveria mesmo ser progressiva, embora em doses aceitáveis. Tudo grátis para todos, redunda em encarecimento para os que já pagam, mesmol pouco. O que desmonta o paradoxo.

Mas isto é um exemplo do que significa governar: optar, escolher e decidir o que será melhor para todos. Se neste aspecto as dúvidas são as que se expõem, como será possível escolher o "melhor para todos"? Através da experimentação? Nem isso porque as ideias erradas não mudam, por causa dos burros velhos que temos na política.

Outra ideia mais extensa e publicada na página anterior:

Os membros da Comissão de Revisão do Código de Processo Civil, formada pelo governo que está e esteve, em 18.12.2009, assumiu o encargo de remodelar a legislação executiva e de processo civil. Parece que se reuniram mais de 25 vezes desde então e até Novembro de 2010.

O trabalho que produziu foi simplesmente deitado às malvas pelo mesmo ministro que nomeou. Por isso se queixam no artigo de página inteira do Público. Lamentam que se tenha adiado mais uma vez a reforma conforme preconizavam e o governo tenha optado por outra.

Os membros dessa comissão que assinam o artigo são:


António Abrantes Geraldes, um teórico do direito processual civil; Armindo Ribeiro Mendes, outro teórico do Direito, com breves incursões na prática de tribunais, como o Constitucional; Carlos Lopes do Rego, um teórico do ensino de Direito, no CEJ, com incursões na prática dos tribunais superiores como procurador-geral adjunto; Gabriela Cunha Rodrigues, uma juiza de direito, filha de Cunha Rodrigues; João Alves, procurador- jurista; João Correira, advogado, antigo secretário de Estado; João Paulo Remédio Marques, um teórico, professor de Direito em Coimbra; Júlio Castro Caldas, advogado e actual membro do CSMP e da Maçonaria, presumivelmente; Miguel Teixeira de Sousa, professor, teórico do direito civil e processual e Paulo Pimenta, outro teórico do processo civil.


Todos se manifestam frustrados por as medidas que preconizaram para a reforma da acção executiva e do processo civil terem dado em nada, porque o actual governo assim o quis, substituindo-as por outras que encomendou a outros.


Resta dizer o seguinte: estes teórico-práticos do direito processual civil sabem toda a teoria sobre o assunto. Algums fizeram teses de doutoramente sobre o mesmo. Antes desses, outros tentaram reformar o processo civil e gizaram o actual modelo de acção executiva. Tanto ou mais teóricos que estes. Tanto ou mais competentes que estes. Tanto ou mais capazes que estes. E a acção executiva deu no que deu: um rotundo fracasso que agora se impõe como evidência indiscutível. Com um nome que se evidencia agora, pela negativa: Tiago Silveira que desde então continua a ajudar o Governo nesta como noutras matérias, seguindo o famoso princípio de Peter e a demonstração da ausência de responsabilização política por erros cometidos.

Por isso mesmo se organizou esta comissão e cujos resultados foram agora ignorados pelo poder político em detrimento de outras propostas.


Para analisar as propostas desta comissão podem ler-se aqui as medidas que os mesmos achavam iriam resolver os problemas jurídicos e práticos que avultam nos tribunais e que redundam na famosa "crise da justiça" que os membros da "troika" parece estarem interessados em perceber. O que duvido, como duvido das soluções que aparentemente irão propor.


Para verificar o que pensam dessas medidas alguns práticos do direito e que o aplicam nos tribunais, podem ler-se os comentários.


E concluir o seguinte: não basta saber muito Direito para se poder fazer leis adequadas. E ainda outra coisa: as reformas de leis processuais são difíceis de fazer porque lidam com muitas variáveis e duvido que os teóricos as abarquem todas. A única maneira de lidar com o problema é dar tempo ao tempo para estudar os efeitos do tempo em que se aplicam. Por isso mesmo, as revisões dos códigos, antigamente demoravam anos e anos. Não por os revisores serem calaceiros, mas porque era assim mesmo que se podiam fazer.


Parece que esse ensinamento antigo se perdeu e que se pretendem inventar rodas quadradas.

segunda-feira, maio 02, 2011

A sombra da vergonha


Um dos sinais mais preocupantes no panorama político recente é a recuperação de certas figuras pardas de um certo partido, no caso o PS.

Uma delas é Ferro Rodrigues, tacticamente afastado das lides políticas durante uns anos e regressado há meses para retomar a actividade política a que se julga com pleno direito. Ferro Rodrigues foi em tempos indiciado por vítimas da Casa Pia participante em factos vergonhosos no âmbito da Casa Pia e foi-o no respectivo processo. Tal como Jaime Gama. Tal como Paulo Pedroso, único acusado pelo Ministério Público.
Os três agiram judicialmente contra os vários acusadores. Perderam sempre os processos de difamação que intentaram e os considerandos dos respectivos acórdãos deviam ser suficientes para se afastarem de vez de todas as actividades políticas, apesar de haver mentecaptos a pensar ao contrário.
Mesmo assim não se descompuseram politicamente. E ninguém os descompôs. Os três vivem e sempre viveram à sombra da actividade política, de um partido político.

Paulo Pedroso tentou obter uma indemnização do Estado por ter estado preso preventivamente. A recente decisão do STJ, esmagou-lhe por agora as veleidades de se apresentar ao eleitorado, o que terá inviabilizado a apetência pelos holofotes do teleponto no recento congresso-comício.
Mas tal não sucedeu com Ferro Rodrigues. Este e os acólitos de partido acham que está tudo resolvido na opinião pública que é o que conta.
Quanto a Jaime Gama, é o próprio presidente da República Cavaco Silva quem o recupera politicamente sendo inclusivamente um candidato frustrado pelas circunstâncias para substituir o actual primeiro-ministro. Segundo o jornal i de hoje, tal hipótese foi seriamente considerada.

Há aqui qualquer coisa de moralmente doentio. E tem Cavaco como mentor o que ainda torna a doença mais estranha.

O psiquiatra das vítimas da Casa Pia, Álvaro de Carvalho, actual Coordenador nacional para a Saúde Mental em entrevista recente, dizia que "os ex-alunos não mentiram em tribunal". E disse mais: que as vítimas foram escolhidas a dedo para alguns Sombras poderem dizer depois que "poderiam estar a mentir"...

Não importa para o caso que interessa, saber se são culpados ou inocentes. Presumivelmente sê-lo-ão, como entenderem...e o que importa mesmo é saber se ainda assim têm direito a exposição pública em cargos de representação por nomeação ou eleição. Pessoas assim, com este passado assado, têm direito a figurar nos livros de registo de cargos públicos de nomeação política? Por mim, acho que não. A democracia não precisa destes génios e há muitos outros capazes de os substituírem com vantagens acrescidas.

Portanto, a pergunta que se impõe é esta: o presidente da República não terá o pingo de vergonha suficiente, nesta matéria, para não convocar politicamente, quem ficou seriamente assombrado deste modo?

A política é um exercício de voluntariado. Não é uma carreira nem sequer uma obrigação civil. Então porquê insistir em pessoas que se julgam insubstituíveis? Não há mais ninguém ou as várias maçonarias é que mandam em Portugal?

domingo, maio 01, 2011

O novo guião do alienado

Sapo:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, desafiou hoje em Évora o PSD a parar de “jogar este jogo infantil” e apresentar as suas propostas e programa eleitoral, passados “37 dias desde que foi chumbado o PEC”.

O PSD, segundo consta, tem insistido em conhecer as contas verdadeiras do Estado. O Governo esconde-as e evita a conversa.

O Inenarrável encontrou agora a nova linha de argumento alienado: o PSD que apresente o programa! Como se o programa do PSD lhe interessasse um chavo, a não ser para o desfazer como neoliberal ou coisa que o valha. Um programa que não pode ser diferente do do FMI mais os acólitos da União Europeia. Tal como o do PS nunca poderá ser.

Este tipo é mesmo inenarrável.

sábado, abril 30, 2011

Não pagamos! Não pagamos!

Sapo:

O líder do PCP defendeu hoje, em Coimbra, que a “única solução” para os problemas financeiros do país passa pela “imediata” renegociação da dívida externa ao nível dos prazos, montantes e taxas de juro.

“Perante a complacência e a cumplicidade da União Europeia, com as práticas de agiotagem e especulação, a única solução que se impunha para defender os interesses do país era e é, em alternativa a esta inadmissível ingerência externa, a imediata renegociação da dívida externa portuguesa”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O bravo Jerónimo, se tivesse poder, levar-nos-ia num instantinho para a miséria mais adequada ao seu programa eleitoral: à saída do euro e à desvalorização da moeda que viríamos a ter. Como boa parte da dívida privada aos bancos é de empréstimos à habitação, cujo pagamento de juros seria incomportável para a maioria dos portugueses, era fácil: nacionalizava-os e mandava-os dar uma volta ao bilhar grande da especulação. Depois, o bravo Jerónimo iria fazer uma quête à Coreia do Norte ( a Cuba já não adiantava) para nos dar algum...

Este Jerónimo e os seus economistas só inventados. Será que o Octávio Teixeira também pensa assim?

Alguém trave este louco!

"Na prática, sem ajuda externa o Estado não tem dinheiro para funcionar a partir do final de Maio."- escreve Joao Silvestre no Expresso de hoje.

O título da notícia , na página 6,- " Cofres do Estado estão praticamente vazios"- devia estar na primeira página, mas os critérios editoriais do cretino que dirige o jornal são o que são e prefere por isso noticiar uma fantasia: que a "troika reestrutura Portugal de alto a baixo". Maior parvoíce jornalística é difícil de encontrar e só um director como o dito seria capaz de uma coisa assim.

Portanto, a notícia diz o que parecia óbvio a muitos e que era a realidade que nunca deveria permitir a este Inenarrável primeiro-ministro andar por aí publicamente a anunciar que não havia necessidade de intervenção externa, de ajuda financeira porque "tínhamos dinheiro".
Não tínhamos, o ministro das Finanças sabia-o muito bem e colaborou na farsa deste Mentiroso compulsivo que poucos querem acreditar seja um verdadeiro Vale e Azevedo. O tempo o dirá e nessa altura, os que o negaram voltarão com aquele ar de sábios tournesol a assegurar que sempre assim pensaram.

A verdade nua e crua, sabida já muito tempo antes do chumbo do PEC IV e do anúncio de pedido de ajuda e da demissão desse Inenarrável, é que Portugal, no início de Abril tinha em caixa apenas 300 milhões de euros. Isso tornava inevitável um pedido de ajuda externa como aconteceu e não seria qualquer PEC que o evitaria.

O Inenarrável evidentemente sabia disto. E mentiu. E votou a mentir. E continua a mentir. Não é a simples mentirola política de dizer que não esteve com quem teria estado. Não. É muito mais grave que isso: É uma negação de uma realidade que lhe seria prejudicial eleitoralmente e na qual o mesmo acredita tão piamente como no ponto electrónico que lhe colocam na frente quando discursa.

Tudo o que este Mentiroso pretende é permanecer no poder. Para continuar a mentir e a mentir e a mentir. Descarada, impudica e impunemente.

Evidentemente que isto só pára quando um alguém de reconhecida competência de credibilidade lhe diagnosticar a doença ou o prenderem para conduzir a um rilhafoles que já não existe.
Já há vozes dispersas a reclamar responsabilidade " de tribunal" a este Inenarrável. São poucas, manhosas algumas delas e sem consistência factual em corpo de delito suficiente. Outras surgirão, como aparecerão os Sombras do costume a cobrir com o manto diáfano da fantasia a notória mancha de factos criminosos.

Portanto, como isso não vai suceder, este Inenarrável vai conduzir-nos ao lugar onde nunca estivemos em centenas de anos de História: à falência económica e moral. Porque a anomia que vemos no eleitorado é de tal ordem que essa espécie de nemátodo social já está em expansão.
Os Sombras, nessa altura ficarão mudos que nem petos. Pica-paus a quem tiraram as árvores...

PS. Pacheco Pereira, no artigo no Público de hoje, diz a mesma coisa. Agora e de outro modo mais suave. Tipo jornalismo caseiro.

Uma estupidez, apenas.

Num programa de rádio, na Antena Um e que passa aos Sábados de manhã, João Gobern e Pedro Rolo Duarte, dois animadores mediáticos das últimas décadas, entrevistaram hoje o advogado Garcia Pereira.
Em dado momento Garcia Pereira falou da sua vida política e pessoal e no seu passado do "fachismo", palavra que há mais de quarenta anos lhe enche o discurso para falar do regime de Salazar/Caetano.

Contou que um tio se encontrava preso no Aljube ( não disse porquê, mas adivinha-se que foi por ir duas vezes seguidas à missa de Domingo) e foi visitá-lo com a mãe, pessoa que notoria e confessadamente o influenciou para a vida. Ao deparar com o tio "desfigurado" com a "tortura do sono", nem o reconheceu pela face e só notou que era o tio que foram visitar quando ele falou e lhe ouviu a viva voz. Chocado com o aspecto, começou a chorar e perto de "um Pide" que vigiava o encontro e a conversa.
A mãe então deu-lhe uma lição para a vida: "nunca se chora à beira de gente desta". Carrascos, entenda-se. Facínoras, compreende-se. Psicopatas, adivinha-se. O piorio, conclui-se.

Garcia Pereira já então jurava pela subversão ao "fachismo" e continuou a luta pela revolução proletária com os slogans importados da China de Mao, da Albânia e outros paraísos da classe operária.
Nem é preciso lembrar a Garcia Pereira quem era "essa gente" chinesa que o dirigente do MRPP adulava politicamente e apoiava em bandeiras, cartazes e panfletos num culto ridículo de uma personalidade estúpida.
Desde então e até hoje, a História, em livros, documentos e depoimentos de pessoas vivas e testemunhas daqueles "amanhãs a cantar" em "campos de flores" com bandeiras a desfraldar ao vento do folclore político, encarregou-se de lhe mostrar com uma evidência de tal modo esmagadora que nunca o atingiu nas meninges, a natureza do regime que Pereira propunha em alternativa ao "fachismo".

Mesmo com estas evidências que nunca lhe permearam os neurónios pensadores, Garcia Pereira continuou ao longo dos anos a defender o absurdo e o projecto político da "ditadura do proletariado" e da revolução de classe, com luta armada se preciso fosse. O MRPP,depois tacticamente transformado em PCTP, continua por aí em cartazes de circunstância e depoimentos do garbo deste Garcia Pereira, dirigente sempiterno desse projecto fantástico que denuncia o "fachismo" mas não se revê no regime que continua a defender e que matou, assassinou, torturou, escravizou, vilipendiou milhões de pessoas.
Não foram nos aljubes ou caxias ou mesmo em campos de deportação quase semelhantes a campos de trabalho para presos, existentes em democracias sem ditaduras. Foram em extermínios massificados, por simples delitos de opinião contrária à oficial. Foram em matanças colectivas e prisões de uma arbitrariedade que o nosso "fachismo" nunca sonhou sequer imitar.

É nisto que o advogado, supostamente inteligente Garcia Pereira ,acredita ainda hoje e é isto que os animadores de rádio em Portugal, numa estação oficial, continuam a apreciar, porque é politicamente correcto entrevistar um lutador contra o "fachismo" e que acredita no projecto político que extermina pessoas como ele. É um "romântico" defensor dos trabalhadores e sempre na luta política, que tem sido marginalizado pelo actual poder político e mediático que não quer ouvir as suas magníficas propostas, partidárias porque nem sequer pessoais ( que horror! Ele que até disse que nem gosta de falar de si próprio...) e a sua actividade de causídico lutador com maravilhas nos tribunais do trabalho. Ou a defender pequ(en)itos.

Será isto uma vergonha? Não, não é. É apenas uma estupidez.

sexta-feira, abril 29, 2011

O conto do vigário

O programa eleitoral do PS é um novo conto do vigário. Mostra aos portugueses o seu vigésimo premiado: o PEV IV. E que não se pôde aplicar porque a malvada oposição subtraiu ao aflito e empenhado governo a possibilidade no último instante, fechando-lhe a porta na cara. Mas o PS precisa de novo fôlego para aplicar esse vigésimo que sendo premiado será pago aos eleitores depois das eleições.

Por isso mesmo só pede uma coisa: que lhe dêem os votinhos necessários e que são de graça, não custando nada a ninguém.

Os crédulos e néscios cairão na esparrela e no fim pagarão a conta do que lhes era prometido como gratuito...

A caridade maçónica

José Moreno, grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal, hoje em entrevista ao Sol:

Sol- Porque é importante para a Maçonaria ter pessoas com cargos importantes?

José Moreno- Se um maçon desempenha um cargo de relevância, levará também valores da maçonaria para a sociedade. E, por outro lado, nós gostamos que os nossos irmãos estejam bem. Pretendemos ser uma elite ética e moral. Uma escola de valores.

Sol- Nas lojas debate-se muito a crise e o estado do país?

José Moreno- Partidariamente nunca falamos. Discutimos os problemas que preocupam a sociedade e trazemos a eventos nossos figuras que não são maçons mas que têm destaque na sociedade.

Sol- Quem?

José Moreno- Desde dirigentes partidários a dirigentes religiosos.

Sol- Que dirigentes religiosos foram esses?

José Moreno- Temos tido conferências com bispos e de grande sucesso. Mas não revelo os nomes.

Sol- Um dos princípios é a protecção dos irmãos. A todo o custo?

José Moreno- Naturalmente se sou seu amigo e precisar da minha ajuda, eu ajudo-o. Da mesma forma se for minha amiga também me ajuda. É apenas isto.

Os anglo-saxónicos têm uma melhor definição: I scratch your back you scratch mine.

Fica apenas um mistério gozoso: por que razão os "irmãos" do credo não se dão a conhecer à comnunidade? Têm medo da exposição ou cultivam o anonimato útil e insindicável? Para quê?

A Maçonaria nunca responde a esta questão simples.

quinta-feira, abril 28, 2011

O que a propaganda esconde

Isto, por exemplo:

O programa eleitoral do PS ontem apresentado por José Sócrates, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, apresenta os números do défice de 2010 que foram corrigidos pelo Instituto Nacional de Estatística no passado dia 23 de Abril.

Ou seja, em vez dos 9,1% reais, refere os 6,8% antes apresentados. Num tom elogioso escreve-se na página 27 que "o défice de 2010 foi de 6,8% do PIB, isto é, menos 2,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Este é um indicador evidente do esforço de consolidação realizado." Os números estão errados.


E principalmente isto:

No PEC IV, o verdadeiro programa que o Governo queria seguir, mas que agora já nem sequer pretende impingir, mas vai cumprir porque nem tem alternativa, previa-se o aumento para o dobro do IRS a pagar por reformados com pensões inferiores a 1000 euros.

Quem denuncia esta manigância? Ninguém.

Para entender a nossa miséria

Este vídeo mostra uma pequena lição do fiscalista Diogo Leite Campos sobre o rendimento dos nossos "ricos", segundo o entendimento comum deste "socialismo democrático" que temos e que é a principal base de apoio do partido do governo.



Vale mais que um artigo no Público... porque mostra até que ponto descemos e fomos descendo no cômputo da riqueza média comunitária. Um país cujo rendimento mínimo socialmente garantido é inferior a 500 euros por mês e tal é considerado excessivo por um FMI e até pelo próprio governo que está, é um país que perdeu definitivamente a capacidade de fazer contas e perceber onde nos conduziu este socialismo de miséria.




Onde, paradoxalmente, um primeiro-ministro que ganha 5000 euros consegue milagres de poupança pessoal para almoçar nos restaurantes de maior luxo e comprar os fatos em Nova Iorque e Milão e foi cliente ( pelo menos uma vez ) do famigerado Bijan, em L.A., deixando lá o nome de Portugal inscrito na montra. Inenarrável. Só visto.

A táctica eleitoraleira do vale tudo

O portal do Sapo, às 11h e 30 já tinha notícias frescas da propaganda "vota PS":

O primeiro-ministro, José Sócrates, convidado do Fórum TSF, disse que o PSD foi irresponsável ao provocar uma crise política quando chumbou o PEC IV. Além de assumir a responsabilidade pelas negociações com a Troika, o líder socialista garantiu que o PS está a trabalhar para que as medidas tenham o menor impacto possível, tanto a nível social como económico.


É assim que se apanham votos, na democracia portuguesa: com patranhas e bolos prometidos. Serão tolos, os votantes? Alguns, muitos, certamente o serão. Mas para o certificado psiquiátrico contribuem em esforço denodado as agências de informação e propaganda.


Que interesse especial relevam as declarações repetidas e marteladas do primeiro-ministro sobre esta matéria, quando o governador do banco de Portugal disse coisas gravíssimas sobre a responsabilidade daquele, essas sim gravíssimas e isentas de propaganda?

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso