terça-feira, janeiro 24, 2012

A Esquerda nunca esquece e nada aprende


Esta crónica de Pedro Lomba no Público de hoje retoma o tema do livro de Miguel Cardina sobre o maoismo, já por aqui recomendado e comentado. E anota um excelente blog-Malomil.
Pedro Lomba coloca a questão certa, a propósito do assunto: “os nossos ex-maoistas integraram-se bem neste regime. Foram muitos. Que há 40 anos evitassem falar das barbaridades do “grande timoneiro”, está certo: a ideologia cega. Hoje, é inconcebível. E é ainda mais inconcebível uma imprensa tão selectiva na sua (falta de) memória.”
Esta questão é certa porque muitos dos antigos maoistas e esquerdistas extremados andam por aí a mandar na opinião pública dos media e quanto à falta de memória da informação não é tanto como isso. É mais um pudor (des)envergonhado porque muitos jornalistas que mandam nos jornais passaram por essas vergonhas que agora "não interessa nada" lembrar ou fazem-no com o ar distante de quem passou por tais devaneios de juventude como quem muda de namorada, porque "o amor acabou".
Contudo, para estes, o amor antigo aos métodos que de democrático pouco ou nada tem, mantém-se inalterável e sintomático.
Os jornais Público e Diário de Notícias demoraram algum tempo a fazer a recensão crítica do livro. A do Público pareceu-me fraquinha. A do Diário de Notícias, da autoria de Fernando Madaíl publicada no excelente suplemento do DN, Q, no passado Sábado é mais bem feita e ilustrativa do fenómeno. Ambas. no entanto, denotam aquele ar de simpatia escrita pela condescendência para com um fenómeno de juventude. O facto de alguns serem puros assassinos pouco ou nada conta. O facto de defenderem uma revolução sangrenta ( a burguesia só entende a linguagem das armas) pouca consequência tem. Basta ver o "politólogo" ( são quase todos politólogos, sociólogos e outros logos)António Costa Pinto, perante a inefável Ana Lourenço para se entender que essas coisas "agora não interessam nada".
O D.N publica estas fotos para que as pessoas não esqueçam e compreendam a nossa idiossincrasia actual:


E não se pense que esta gente era em pequeno número como alguns pretendem fazer crer. Basta ver esta imagem do congresso da LUAR ( Palma Inácio, um amigo de Mário Soares) publicada pela Flama, em 1974. São vários milhares de pessoas que se reuniram no Coliseu para debater a Revolução, a sério. Para depor e derrotar a "burguesia". Em Março de 1975 conseguiram o que queriam: descapitalizar a Nação e passaram a mandar no tecido produtivo. Dois anos depois estava o país na bancarrota. Não desarmaram e dez anos depois tentaram através das FP25 retomar o "curso da História". Mataram outra vez. Foram derrotados mais outra vez e como viram que não tinham mais hipóteses de andar a brincar às revoluções, matando pessoas, meteram-se no PS. Acoitaram-se. Alguns passaram para o Bloco de Esquerda, novo tugúrio das mesmíssimas ideias e têm lugar no Parlamento da burguesia que querem sempre combater enquanto lhes tomam o gosto pelas coisas boas ( Ana Drago foi a Guimarães de carro e motorista, pois claro).
Portanto, esta gente não andava pelo Coliseu em 1974 para brincar, ou fruto de uma doença infantil, como dizia Saldanha Sanches pouco antes de morrer.



Para comentar este escrito ( cujo tema é sempre actual porque os próceres desta cripto-ideologia enraizada na sociedade portuguesa de esquerda é também sempre actual) repesco aqui um postal de 2009:
Encontrei o absoluto. É o marxismo-leninismo."- Pedro Baptista, natural do Porto ( Foz), antigo maoista, opositor do regime de Salazar/Caetano, actualmente socialista da social-democracia do PS e ex-deputado.
A frase, confessional, terá cerca de 40 anos e segundo a revista Pública de hoje, que retrata antigos maoistas, "pouco depois, Pedro Baptista fundou, no Porto, o jornal O Grito do Povo ( 1970), numa altura em que já um outro grupo de jovens tinha criado, em Paris, O Comunista ( 1968). A fusão dos dois, daria origem, em 1973, à União Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, um dos principais grupos maoistas portugueses."

J.Pacheco Pereira deve saber desta História como poucos, mas não conta nada. A revista Pública de hoje, revisita alguns dos próceres dessa época e dessa utopia rovolucionária esquerdista, com inspiração na revolução chinesa: António Costa Pinto, o ubíquo palrador televisivo, apresentado como politólogo e que ostenta camisa Polo Ralph Lauren na foto, é um deles; Tino Flores o cantor de baladas de intervenção e fundador do "O Comunista", é outro; Saldanha Sanches, também. Este, cita na pequena reportagem, algo desconcertante, a propósito da importância "das massas".

"Nunca soubemos exactamente o que era isso das massas, mas enchíamos a boca com essa palavra".

As perplexidades que surgem, passados estes quase 40 anos de ideias feitas e desaparecidas, revolvidas e abandonadas, são várias:

Estes indivíduos, na altura em que defendiam estas ideias estrambólicas sobre revoluções sociais para substituir o salazarismo/caetanismo, eram de maior idade e eram indivíduos estudados e lidos.
A crer no que Saldanha Sanches diz agora, esses disparates eram fruto de adolescência retardada, portanto de uma infantilidade intelectual.
Abandonada esta, o que subsiste de solidez ideológica na mentalidade de antanho? Houve alguma mudança de estrutura mental ou de entendimento da sociedade que inexistia nesse tempo?
Permito-me duvidar. Por exemplo, o tal Pedro Baptista, agora, diz que "o PS é o que luta pelas pessoas". A mentalidade de 68 é a mesma; a linguagem idêntica e o modo de articular ideias, semelhante.
Então, se for assim, por que razão estes indivíduos continuam a ter uma importância na sociedade, desajustada e assimilada aos disparates de antanho e que perduram na mentalidade presente, porque originários de uma matriz que não desapareceu de todo?

Essa perplexidade não é abstrusa ou irrelevante. Estou convencido que esta esquerda que domina todo o panorama ideológico que nos orienta no imaginário colectivo actual, tem a matriz nesses erros e nessa mentalidade que não passa com a lixívia do tempo.

É por isso que eleitoralmente o povo escolhe como tem escolhido e é por isso que determinados assuntos da nossa sociedade são entendidos por estes arrependidos do marxismo-leninismo, de um modo particularmente condescendente, deletério e, no final de contas, relativista para além do que deveria ser tolerável.

Entre todos os males que nos afligem colectivamente, este é, sem dúvida um dos mais importantes: a importância e relevo que se continua a dar a estes comentadores da politologia ambiente.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

A elite da dúzia de milhar de euros mensais

Anda por aí um rebeubéu por causa do presidente da República ter dito que as reformas que recebe não lhe chegam para as despesas que tem.
O jornal i de hoje informa ainda que Cavaco Silva recebe mensalmente e a acrescer às reformas, cerca de 3000 euros para despesas de representação.
Tudo somado, Cavaco Silva recebe por mês cerca de 13 mil euros. E não lhe chegam...

Este fenómeno, por muito escandaloso que seja, não é extraordinário em certas elites que temos e se habituram a ganhar uma maquia por mês que sobreleva em muito o que será a remuneração média dos portugueses. Sem justificação plausível para tal, diga-se. Julga-se que tal ordenado médio, por casal, andará à volta de dois mil euros, muito por alto.
Uma boa parte da classe política, incluindo-se aqui os deputados, os governantes e os que estes nomeiam para cargos de confiança política ou para cargos em que os políticos têm algo a dizer, não vive nesses padrões do salário médio, como é evidente. Um deputado, segundo contas de há alguns anos, ganhava em média, mais do que nominalmente lhe cabe porque acumula trabalhos em comissões e coisas que tais que alavancam o salário para a ordem de uma quase duplicação do que recebe com carácter regular. Assim a modos como os responsáveis pela informação televisiva, cujos salários base são medianos e as alcavalas pela fidelidade ao respeitinho lhes garante a dezena de milhar suplementar e que os coloca na elite.
Lembremo-nos por exemplo do caso singular de um inenarrável, Manuel Pinho que terá dito a Eduardo Catroga ( foi este que contou o episódio), logo após sair do governo, que o queriam ( governo de Sócrates) colocar na CGD mas o que iria ganhar ( cerca de 350 mil euros por ano) não era grande coisa e o carro que lhe davam também não...
Há por isso um grupo alargado de pessoas, de alguns milhares de indivíduos que ganham directa ou indirectamente do Orçamento do Estado ou das empresas do Estado ou das que este participa, salários mensais que neste momento rondam uma dúzia de milhar de euros e que contam com isso como sendo o seu "pão para a boca".
Esta dúzia de milhar de euros fica muito acima daquela média, mas esses figurões na ordem de alguns, poucos, milhares, que se habituaram a viver em Lisboa, a frequentar restaurantes caros, com casas compradas ou arrendadas e de custo elevado, com carro eventualmente com motorista ou de cilindrada elevada, com mulher empregada em sinecuras e filhos em escolas particulares e viagens frequentes, se não ganharem isso, levam vida de pobre...voltando à casa de partida em que nasceram. Devem imaginar que lhes saiu o totobola ou o totoloto e é por isso que nunca sabemos em Portugal quanto ganham certas pessoas. É um tabu acima de todos os tabus. E os jornalistas que já fazem parte do esquema sabem muito bem guardar esse tabu. São, aliás, os guardiões do tabu e do segredo. É um mundo de segredos, para esta gente. As maçonarias são apenas mais um.

Esta gente não percebe os demais cidadãos, nunca anda em transportes públicos, e são, muitos deles, os herdeiros do 25 de Abril. Estiveram presos ou ganharam a vida com o novo regime, por serem contra o antigo. Os empregos que conseguiram nunca os teriam em circunstâncias normais de vida económica regular. Alguns deles são professores universitários, acumulam cargos de sinecura em empresas do Estado ou em que este tem peso determinante.
Um boa parte deles gravita na sede do poder político da A.R. e alguns até são deputados, daqueles que nunca intervêm e cujo trabalho na Assembleia nunca ninguém o viu. São "históricos" e por isso têm a carta de alforria para impor e exigir o devido tratamento senhorial.

Cavaco Silva gravita neste mundo, neste pequeno mundo e é por isso que afirmou o que afirmou sem se dar conta do que disse. E ainda não deu, porque para tal seria preciso perceber o mundo real em que vive. Os políticos que agora o vituperam são um escol de hipócritas, naturalmente. Como os dois maçónicos que peroram agora no programa de Mário Crespo, na Sic-Notícias- Carlos Zorrinho e Nuno Magalhães. A vergonha para estas pessoas, nem sequer existe nas lojas com colunatas.

Aditamento:
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje "muito difícil para não dizer impossível" que os esclarecimentos prestados pelo Presidente da República sobre as declarações que proferiu acerca das suas pensões justifiquem "aquilo que é injustificável".

O "camarada" Jerónimo chega atrasado a mais esta polémica mas não quer perder pitada. Não percebe, ou não quer perceber algo muito simples:

Cavaco andou durante muitos anos a poupar tudo o que ganhava líquido e lhe entrava na conta bancária. Não precisava de gastar muito mais que um tostão porque as "despesas de representação" que são todas as despesas que um político no activo gasta, são todas, mas mesmo todas por conta do Estado.
Cavaco paga alguma conta de luz, água ou gás no sítio onde mora habitualmente? Paga algum almoço ou jantar, porventura? Alguma viagem ( e tem feito muitas, mas mesmo muitas)?
Não, não paga e há anos que é assim.
Só essa razão justifica que tenha poupado cerca de 700 mil euros e que os tenha no banco a render a prazo.
Se as pessoas se dessem ao cuidado de fazer contas e verificar como é que Cavaco pode ter poupado tanto dinheiro, facilmente chegariam a esta conclusão...
Daí que a diminuição nessa renda o tenha afectado.
Temos um presidente medíocre não temos? Temos mas a culpa é de quem nele tem votado.

domingo, janeiro 22, 2012

A informação da RTP

A RTP tem um repórter Dentinho em Paris que não falha nada de importante que aí acontece.

O repórter Dentinho ainda não arranjou tempo para ir saber onde mora José Sócrates, no 16º Arrondissement e perguntar-lhe o que deve ser perguntado.
Dentinho e a direcção de informação da RTP, obviamente fazem de conta que tal assunto "agora não interessa nada".

Um postal cultural

Ontem, no Público, Vasco Pulido Valente descarregou este postal sobre a cultura em Portugal, neste ano de graça e em balanço destas ultimas décadas.
A Cultura, para VPV é um refugo de uma certa ideologia, transformada em religião laica da esquerda.

Em 1973, antes de 25 de Abril, um jornal popular ( precisamente o Diário Popular que fora do tio de Pinto Balsemão) publicava esta espécie de "cartoon", em que o ilustrador, Luís Jardim catalogava as referências culturais da época, tais como traduzidas na crítica literária de então ( e que o jornal publicava em suplemento às quintas feiras, assinadas por um João Gaspar Simões, por exemplo).
A diferença entre as referências de então e as de agora fazem toda a diferença do artigo de VPV.





A cigarra PS e a formiga do contra

Recebido por mail, uma versão pós moderna da fábula antiga:

Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.

Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.

Fim

Versão portuguesa

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.

Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.

A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.

A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.

A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares organizam manifestações diante da casa da formiga.

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia ( transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.

Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.

Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti descriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).

Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.

A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás.

Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista....

A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se nas tintas para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.

Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.

Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar.

Ana Gomes um pouco a despropósito afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.

Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...

FIM

Gastronomia nacional

Este indivíduo, por vezes, escreve burrices. Desta vez em entrevista à Pública, fala sobre a vida na cozinha e a gastronomia portuguesa. Diz a dado passo que o restaurante que mais gosta, em Portugal, fica em Braga e chama-se Arcoense, "onde se come um arroz de tordos extraordinário".
Epá! Dito isto, fico reconciliado com o Tavares. Aliás, no outro dia, no supermercado, folheei o seu livro de cozinha que publicou agora no Natal. Tem muitas fotos de produtos portugueses, de pratos que confecciona e li e reli a receita de atum fresco. Simples mais simples nem pode haver. Já experimentei com uma variante: junto o atum, não o grelho em separado...

Diz que todos os anos faz um jantar para 24 pessoas, lá para o Alentejo e cozinha tudo, quase exclusivamente. Este ano a ementa era a seguinte: sopa de lavagante, bacalhau à Brás, uma receita de perdizes com legumes estufados em vácuo, borrego caseiro, um peru criado lá também e uma canja de pombo no fim. "

Porra! Já sinto apetite e vou buscar dois rins de porco que ontem me ofereceram.
Em Coimbra, ao Domingo de finais dos anos setenta e quando as cantinas estavam fechadas, havia um pequeno restaurante no largo da Sé Velha, com vista para a dita e que servia pratos baratos aos estudantes. Um deles era rim frito com batatas fritas. Que bem me sabia...

O Público e os títulos

No jornal Público de hoje, o Provedor do Leitor penitencia um azar de segunda-feira passada: o Público publicou uma manchete falsa, vejam só! E tal, para o Provedor que nem sempre as costuma detectar a olho nu ( porque não as denuncia), é "um dos danos mais graves que podem ser infligidos à credibilidade de um jornal de referência."

A manchete em causa, em papel de jornal, era um título apelativo: " Passos já fez mais nomeações do que primeiro Governo de Sócrates".
Como se verificou, o assunto era notícia, mas a indignação quantitativamente errada. Só isso. O Provedor passa as três colunas semanais com que conta no jornal para dar eco aos protestos dos leitores, a zurzir no erro quântico e na displicência da direcção do jornal em detectar tal gato que miou a semana inteira, na gaiola de Schroedinger, com a agravante de ter sido amplificado por outra aleivosia no dia seguinte, relacionada com as "nomeações" deste Governo.

O Provedor do Leitor enuncia o seu critério pessoal para ensinar jornalistas sobre estas matérias: "Não deve esquecer-se, no entanto, que o escrutínio das nomeações governamentais, para ser útil e permitir formar opiniões com base numa informação correcta, não pode limitar-se a uma contabilização de despachos. Nem sequer, embora esse dado seja certamente relevante, ao conhecimento da filiação partidária ( se a têm) dos nomeados. O que mais importará à opinião pública e à desejável transparência no preenchimento dos cargos dirigentes é saber se as opções governamentais são feitas com base no mérito pessoal e na competência profissional dos escolhidos. E, para isso, o que importa conhecer é o seu currículo e história pessoal."

Depois de assim estatuir este critério jornalístico, seria útil um pequeno exercício com efeitos retroactivos.
Por exemplo, o que pensaria José Queirós “um dos grandes e mais respeitados jornalistas portugueses", deste mesmo critério, logo que se soube ser José Sócrates um licenciado pela UnI, num modo deveras original e particularmente discutível quanto ao mérito, o que agora é facto corriqueiro para quem queira ver com olhos de ver uma realidade que se impõe a olho nu? Tal facto foi noticiado por um blog e durante muitos e muitos meses, o Público, ou o Jornal de Notícias, por exemplo, nada escreveram. O facto era ou não importante, segundo aquele critério enunciado? Durante os meses que se seguiram a uma reportagem de José António Cerejo, precisamente no Público então dirigido por José Manuel Fernandes, o caso assumiu relevo inusitado e revelador daquilo que José Queirós entende como muito importante no jornalismo: "O que mais importará à opinião pública e à desejável transparência no preenchimento dos cargos dirigentes é saber se as opções governamentais são feitas com base no mérito pessoal e na competência profissional dos escolhidos." , escreveu agora.
Então estava no Jornal de Notícias, já propriedade do "amigo Joaquim", ou seja de Joaquim Oliveira, cuja empresa Controlinveste não tinha provavelmente os mesmos critérios tão elevados de jornalismo tão isento e os jornalistas disto sabendo, faziam como antigamente porque o patrão é quem sabe sempre melhor...
Não se trata aqui apenas de sindicar o passado jornalístico do Provedor do Leitor do Público. Trata-se tão só e apenas de lembrar que para dar lições de bom jornalismo moral é preciso ter pergaminhos irrepreensíveis para tal e o Jornal de Notícias de 2007 foi essencialmente um aríete impresso, ao serviço de uma clique que então governava, ligada a um certo grupo do PS. Por isso mesmo é que Joaquim Oliveira era "o amigo Joaquim", o que é iniludível. Sobre o FCPorto e notícias correlativas nem vale a pena escrever uma única linha. Os factos falam por si e as escutas do Apito Dourado nem falam por si: ouvem-se em si.

Tal como escreveu José Queirós agora, para se saber mais sobre o mérito pessoal e competência profissional dos escolhidos, seja na política seja noutras áreas, torna-se necessário "conhecer o seu currículo e história pessoal."

Para se conhecer o critério jornalístico, fundamental, das pessoas que dirigem actualmente o Público tais asserções valem de igual modo. É preciso saber quem são, de onde vêm e como pensam sobre determinadas matérias. Os jornalistas do Público não governam a coisa pública, é certo. Governam apenas uma parte da opinião pública. É preciso realçar mais ou este facto é suficiente para dar a importância devida e correlativa?
Sobre isso tenho escrito aqui o que penso: são essencialmente jacobinas. Não em sentido jocoso ou irónico, mas o sentido arreigado ao conceito, semanticamente evoluído e que escuso de enunciar porque devidamente assente.
Tal jacobinismo conduz directamente a uma rejeição visceral do liberalismo mais soft em prol de um controlo social veiculado ideologicamente pela esquerda geral. Daí todo o reflexo que essa ideologia difusa espalha nas notícias do jornal, nas capas do jornal, nas opções culturais do jornal e no modo como se escreve no jornal. Só não percebo como um liberal da Sonae ainda tolera uma tal política editorial em bloco, sem brechas a não ser em dois ou três comentadores residentes que não escrevem notícias nem fazem títulos.

Portanto, o título de Segunda-Feira ou o de Terça ou Quarta não são um fenómeno isolado e que escapou por distração, ao filtro da direcção editorial. É mesmo uma marca de água, quase irrelevante neste contexto e de que José Queirós, a meu ver e mais que outros provedores anteriores, faz parte. Malgré lui.

sábado, janeiro 21, 2012

O feiticeiro de Po que vive na margem direita

O Expresso conseguiu a reportagem sobre a "misteriosa vida de Sócrates em Paris". Daniel Ribeiro, correspondente do jornal em Paris, sem falar com o visado e sem nada de especialmente relevante que não tivesse sido já revelado pela revista Flash, aqui há mês e meio, relata o suposto dia a dia comezinho do emigrado de luxo que se recata porque não pode revelar como vive e de que vive. Triste vida. E ilustra-a do modo que se vê...em tom de capa de disco de Elton John.

Em artigo separado, trata o "curso" que José Sócrates frequenta na Sciences Po, "que tem a má reputação de funcionar de forma opaca". Escreve-se que Sócrates é "auditor livre", num ensino superior em que tal categoria desapareceu ( "os alunos livres já não existem oficialmente em Paris, há vários anos", escreve o jornal); que a direcção da Po faz segredo de Estado do seu estatuto e apenas confirma a inscrição. Sócrates, para todos os efeitos tem um estatuto especial na Sciences Po: "só vai a exames se quiser, mas pode apresentar dossiês ou trabalhos de pesquisa" . E portanto, não compareceu aos exames semestrais, no primeiro semestre do curso de M1 em Ciência Política, variante Teoria Política. Nada de Filosofia, como anunciou aos quatro ventos, para se dar uns ares. Nada de estudos que isso parece não ser o seu campo de trabalho. Nada de nada, afinal. Mais uma grande aldrabice e ninguém a querer reconhecê-lo. É espantoso como este indivíduo passa entre os pingos da chuva do descrédito.
Mas, segundo o Expresso, para integrar tal "escola doutoral", teve que apresentar um dossiê de candidatura com o currículo escolar e profissional completo, foi recomendado por dois académicos ( quem, santo Deus? Quem?!) e "em princípio pagou as propinas no valor de alguns milhares de euros e a sua inscrição foi aprovada pessoalmente pelo director da instituição Richard Descoings. Este Descoing, assim que descobrir quem é este personagem vai fazer como aquele director do London School of Economics, aqui há uns meses. Mas enquanto tal não sucede, Sócrates, certamente por especial favor, "Não efectuou prova escrita nem foi avaliado por júri". "O curso que segue exige conhecimento aprofundados de francês e Sócrates está longe de os ter."
Portanto, um mundo de fantasia todo para José Sócrates voar e planar, de bicicleta, pelas ruas de Paris.
E como se alimenta uma fantasia destas, digna do reino de OZ?
A vida no bairro 16 na rive droite, margem direita, é cara. Sócrates, aliás, identifica-se mais com Sarkozy do que com Hollande. O embaixador Seixas da Costa, em Paris, reconduzido recentemente, é amigo do dito cujo e ajudou-o na fixação no terreno. Foi o embaixador quem o orientou na escolha dos dois padrinhos universitários...mas nega qualquer ajuda relevante.
José Sócrates em Paris faz vida de rico, secreta e pura e no outro dia foi o convidado de honra da Confraria dos Financeiros, uma elite de luso-franceses dos negócios.
O Expresso relata depois a vida quotidiana do emigrado em Paris, rematando com uma pergunta singela que nenhum dos nossos jornalistas de tv se atreve a colocar em prime-time:

"quem paga as suas despesas na excessivamente cara cidade de Paris"?

Quem paga? Ora, quem paga...isso agora não tem interesse nenhum. Aliás, as dívidas desse género, tais como a dos estados não são para se pagar. São para se irem pagando...

José Sócrates entrou definitivamente no reino de OZ, na universidade de Po. Tal como no relato de fantasia, anda à procura de uma qualidade perdida, no caso a respeitabilidade académica.
Do modo que se vê, assume a figura do homem da palha, a quem a faísca do julgamento da UnI ainda vai chamuscar. Descoings, na figura de protector improvável que prepare as mangueiras de água, porque quem se vai queimar é mesmo ele. E será muito bem feito se o parquet de Paris se inteirar do diploma fictício do homem de palha.


JPP: estudo antropológico da corrupção portuguesa, parte 2

Esta é a segunda parte do estudo de jornal sobre a nossa corrupção endémica e que JPP esportula hoje no Público, em três colunas com retrato de permeio. Meia hora de trabalho escrito, se tanto...e trata da área dos "negócios politizados", como lhes chama, mostrando uma imagem de uma turba de repórteres para ilustrar o conúbio equívoco dos media com o fenómeno.
A imagem parece-me um pouco desadequada. Muito mais ilustrativa do fenómeno descrito seria esta, da Visão de 11.2.2010, altura em que ainda decorria o prazo de dois anos para certas pessoas "sacarem" o mais que pudessem...como despudoradamente confessaram ao telefone aos amigos, o que esta semana foi lembrado na audiência do processo cujo julgamento decorre em Aveiro.
Um dos do retrato está a responder, por corrupção, no caso Face Oculta, caso que JPP erige como exemplo do que escreve. Exemplo sem nomes, porque Pacheco Pereira pode ser limitado mas não é indigente ao ponto de começar a cuspir na sopa da Sic.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

As reformas do Presidente

Agência Financeira:

O Presidente da República disse esta sexta-feira que a reforma de 1.300 euros que recebe da Caixa Geral de Aposentações (CGA), mesmo somada à que vai receber do Banco de Portugal (BdP), não chega para as suas despesas.

«Neste momento já sei quanto é que irei receber da Caixa Geral de Aposentações, descontei quase 40 anos uma parte do meu salário para a CGA como professor universitário e também descontei durante alguns anos como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e devo receber 1.300 euros por mês. Não sei se ouviu bem: 1.300 euros por mês», disse.

«Tudo somado, o que irei receber do fundo de pensões do Banco de Portugal e da CGA, quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas», concluiu.

Há aqui um assunto mal explicado: Cavaco Silva optou o ano passado por receber a reforma, prescindindo do vencimento como presidente. Na altura falou-se em reformas acumuladas que atingiam quase 10 mil euros por mês. Agora queixa-se assim...e para ajudar ao lamento, estava a mulher de quem disse ganhar de reforma cerca de 800 euros por mês. Se assim é e não duvido, é porque não descontou para mais...
Este presidente da República desilude quando fala destes assuntos. A seriedade obriga a outro discurso.

Olha! Uma condenação por corrupção!!!

Sol:

O Supremo Tribunal de Justiça revogou a absolvição do dono da Bragaparques no caso de tentativa de corrupção de José Sá Fernandes, vereador da Câmara de em Lisboa. Domingos Névoa está agora condenado a 5 meses de prisão, pena que fica suspensa por um ano se indemnizar o Estado em 200 mil euros.

Interessante: a primeira instância ( Nuno Coelho, Maria Leonor Botelho e Elizabete Reis) condenou ;a segunda ( Cid Geraldo, João Abrunhosa e Maria do Carmo Ferreira) absolveu e a última ( Santos Carvalho e Artur Rodrigues da Costa) condenou. O direito, nisto? Uma contingência...
O falecido professor de Direito, Orlando de Carvalho, ainda nos anos noventa, numa entrevista notável, dizia que os tribunais, enfim, os melhorzinhos ainda estão na primeira instância e dali para cima era uma desgraça. Artur Marques, se calhar partilha hoje desta opinião...
O advogado Artur Marques, de Braga ( à direita na imagem) deixou de atender o telefone...são coisas, dr. Marques. No Face Oculta, se calhar, vai ter mais dissabores. Espero bem que sim, para bem da justiça e da verdade.

Aditamento: discute-se agora a eventual prescrição do crime pelo qual o arguido fio condenado. Para se ajuizar da produtividade dos tribunais superiores atente-se no seguinte:
O arguido Domingos Névoa foi condenado em primeira instância em 23.2.2009, relativamente a factos ocorridos em 2006.
Interposto recurso com os devidos prazos legais, foi absolvido em 24.4.2010, mais de um ano depois.
Desta absolvição houve recurso para o STJ que em 15.10.2010, por decisão sumária do relator ( A. Costa?) entendeu que o recurso não era admissível por inconstitucionalidade relativamente à possibilidade de admissão de um segundo grau de recurso nos casos de absolvição na segunda instância de uma decisão em que tivesse havido condenação na primeira em pena não privatica da liberdade. Esta "decisão sumária" foi confirmada por acórdão em 2.12.2010.
Desta decisão houve recurso para o tribunal Constitucional que decidiu em contrário e assinalando a perfeita constitucionalidade, em 16.11.2011.
Daí até esta decisão do STJ demorou menos de dois meses, com férias incluídas...
Equivale isto a dizer o seguinte: o STJ teve medo da prescrição do caso e que o mesmo lhe estourasse nas mãos. O que os colendos Conselheiros fizeram em dois meses, demoraram quase seis meses ( não foi tanto porque os prazos de recurso da Relação absorveram parte desse prazo mas ainda assim foram meses quando já se sabia o risco de prescrição iminente), para dizer que afinal o recurso não era admissível por ser inconstitucional. O que aliás se veio a verificar não ser o caso. Portanto, erro do STJ e tempo perdido, muito tempo.
Portanto, se o caso prescrever é pedir responsabilidades a este sistema e analisar a produtividade dos magistrados que isto permite. Magistrados que são conselheiros e principalmente desembargadores. Justifica-se que um caso destes esteja mais de um ano na Relação para uma absolvição? Não há inquérito para saber como é que isto foi possível num caso destes com prescrição à porta e portanto muito urgente ( e com prazos reduzidos a metade se preciso for)?

Pinto Monteiro agarrado ao lugar

O Sol de hoje noticia que Pinto Monteiro não quer sair da PGR quando perfizer 70 anos, no próximo mês de Abril. Diz que quer permanecer até ao fim do mandato, em Outubro.
Pinto Monteiro sabe perfeitamente que não tem o apoio da ministra da Justiça e que o chefe do Governo eventualmente não tem vontade de abrir uma guerra para o substituir nestas circunstâncias. O presidente da República, esse, é o responsável único por esta situação porque faz o que sempre tem feito: prefere não fazer.
O PGR Pinto Monteiro há muito que deveria ter abandonado o cargo que ocupa. O Sindicato do MºPº já o disse há muito e apresentando razões e motivos.
Pinto Monteiro não quer fazer a vontade à maioria que está a governar porque provavelmente sente ter um papel a cumprir até Outubro.
Como o cargo é eminentemente político, o que parece é. E se tal seria uma razão de peso suficiente para já ter saído do cargo que ocupa é também razão suficiente para sair em Abril, ao perfazer o limite de idade, tal como saiu o antigo presidente do tribunal de Contas, Alfredo José de Sousa.
Há um par de anos, Guilherme da Fonseca, antigo magistrado do MºPº e juiz do tribunal Constitucional ( de esquerda) disse publicamente que se bem o conhecia, Pinto Monteiro não sairia voluntariamente do lugar. Quer vencer a dele, como diz o povo...

Um despacho de arquivamento pronto a usar

Otelo Saraiva de Carvalho em declarações de Novembro do ano passado, disse que é contra manifestações de militares, mas defende que, se forem ultrapassados os limites, com perda de mais direitos, a resposta pode ser um golpe militar, mais fácil do que em 1974.

Por causa disto foi alvo de um inquérito criminal que ainda decorre e devido a queixa apresentada por algumas pessoas.
Recentemente voltou à carga repetindo o que dissera antes e reafirmando um direito de livre opinião.

Tendo a concordar e até apresento um rascunho acabado de modelo de despacho de arquivamento.
Este, que subscrevo e é da autoria de Fernanda Palma, professora de Direito Penal:

Que afirmações públicas podem ser consideradas crimes? Que fronteira separa a liberdade de expressão do pensamento, consagrada no artigo 37º da Constituição, do ato criminoso, num Estado de Direito democrático? O problema coloca-se a propósito das declarações de Otelo Saraiva de Carvalho sobre a possibilidade de se verificar um golpe militar.
Sendo aquela liberdade condição da democracia e direito fundamental, a criminalização de opiniões só se justifica quando não reduzir o seu conteúdo essencial e for indispensável para salvaguardar outros direitos ou interesses.
Isso sucede nos casos de apologia pública do crime (e até do suicídio) e incitamento à guerra ou à alteração violenta do Estado de Direito.Todas estas condutas estão tipificadas no Código Penal. Mas só constituem crimes se corresponderem a apelos idóneos a criar perigo para os bens protegidos – que são a Paz e o Estado de Direito, no caso do artigo 326º.
Além disso, trata-se de crimes dolosos, exigindo-se que o agente actue de forma consciente e voluntária em relação a essa idoneidade.Também as declarações públicas discriminatórias – em função da raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual – são incriminadas, nos termos do artigo 240º do Código Penal, com idêntico fundamento.
Assim, é necessário que tais declarações sejam aptas a desencadear actos de violência ou discriminação contra uma ou várias pessoas.Em todos os casos tem de existir um efeito possível relativamente a terceiros e uma afectação da segurança. Não basta a mera opinião ou uma previsão do curso da história a partir de uma certa mundivisão. Sem esse elemento factual, externo e objectivo - de perigo ou de dano –, nem sequer a intenção de provocar determinado efeito justifica a incriminação.
Lendo as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho, não se vê algo que indicie esse elemento objectivo, de perigo para os bens jurídicos protegidos, que poderia consubstanciar o ilícito penal. Só uma visão do Direito Penal das intenções ou atitudes, afastado das exigências do Direito Penal do facto poderia qualificar as ditas declarações como facto criminoso.
Não é fácil, pois, compreender a instauração de um inquérito pelo Ministério Público - embora não se saiba se o autor das declarações foi constituído arguido. E, em termos da desejável equidade no exercício da acção penal, a estranheza aumenta quando se recordam os apelos à violência e as ameaças à unidade do Estado proferidas noutras declarações.

Um último comentário: li por aí que Rui Moreira, comentador de televisão, sempre sensato, escreveu sobre estas declarações de Otelo, aludindo ao seu papel no PREC dos mandados de detenção arbitrários e à prisão do seu pai durante longos meses.
Não posso concordar que Otelo, por causa destas afirmações, seja perseguido criminalmente no rasto daqueles factos antigos e já prescritos porque antes disso, amnistiados. Otelo deve ser evidentemente lembrado desses factos. Mas não pode ser punido por outra coisa que tem como causa aqueloutra.Isso não é sensato. Nem sequer justo.


quinta-feira, janeiro 19, 2012

Uma declaração de princípio

Nuno Vasconcellos ( com dois ll) líder da OnGoing, em entrevista à Sábado de hoje diz algumas coisas interessantes nas entrelinhas. Nas linhas há uma declaração estonteante que relega para a ridicularia as declarações recentes de alguns próceres de lojas maçónicas.
A uma pergunta sobre a "influência especial" das lojas maçónicas é muito claro e sem papas na língua:

"Têm, e não vale a pena dizer que não têm. Mas se calhar algumas ordens têm menos poder que um clube de futebol."

Pronto. Fica dito para registo.

terça-feira, janeiro 17, 2012

O som do silêncio maçónico

Sol:
«Quero confiar no bom senso dos nossos irmãos mais expostos publicamente nestes dias. Quero confiar na sua fraternidade e na sua sabedoria. Quero confiar que vão, em todos os momentos, saber proteger o bom nome da Ordem e dos milhares de Maçons portugueses. E que em Liberdade saberão tomar as melhores decisões. Mesmo que essa decisão passe por um afastamento voluntário», avisa o grão-mestre, que pede ainda silêncio aos membros da sua maçonaria. «As circunstâncias exigem por isso parcimónia na forma como os Irmãos utilizam a palavra publicamente. E sabendo que os preconceitos se alimentam de palavras, as circunstâncias exigem aos Maçons mais silêncios que reacções», lê-se no documento de três páginas.

O grão-mestre dos maus mações apela à parcimónia e silêncio dos irmãos e à fraternidade lendária para ultrapassar o mau momento da sua loja. Quer que os irmãos mais expostos saiam pela esquerda baixa e em silêncio para que os demais continuem ocultos e lhes tomem os lugares. O silêncio é a alma dos negócios.

o advogado do diabo

Maria de Lurdes Rodrigues e João Pedroso, para além de outras pessoas com cargos dirigentes no Ministério da Educação, no tempo em que aquela foi ministra, foram acusados pelo Ministério Público e agora pronunciadas por um tribunal, pelo crime de prevaricação.
Segundo o Público de hoje, os factos são relativos a adjudicações directas de vários contratos entre 2005 e 2007, ao arguido João Pedroso, com violação de regras do regime de contratação pública para aquisição de bens e serviços. Esses, os elementos objectivos. Os subjectivos, dizia então o Ministério Público que acusou e diz agora o juiz que pronunciou, traduzem a ausência de fundamento para tal e através de um meio ilícito de beneficiar patrimonialmente o arguido professor com prejuízo para o erário público, com pleno conhecimento de tal circunstância, pelos arguidos. Portanto, um dolo directo e necessário. Uma gravidade imputada que só pode desembocar numa condenação quase de preceito. Em pena de prisão, logo se verá.

Ainda assim, Vital Moreira, habitual defensor do vínculo, continua na sua causa: inocente, a ministra, porque "acusar um ministro por adjudicação directa de uma prestação de serviços, que a lei permite, por supostamente ter tido a intenção de beneficiar financeiramente o escolhido, não lembra ao diabo."
Assim tal e qual no seu escrito em que imputa despudoradamente ao Ministério Público uma intenção de ignomínia: "Mas lembra a um Ministério Público disposto a instrumentalizar politicamente a Justiça."
Esquece Vital Moreira uma coisa simples: a tal ministra e os restantes arguidos foram "pronunciados". Não foi o Ministério Público quem os pronunciou depois de ter articulado uma acusação que "não lembra ao diabo": foi um juiz de instrução que se dispôs a fazer o papel de advogado do diabo. E foi o poder judicial, assim, a "instrumentalizar politicamente a justiça."
Vital continua a senda das faenas e a fazer figuras destas.

Aditamento:

Vital Moreira, para além da figura em que vilipendia o Ministério Público, demonstrando um conhecimento particular de processo penal de que já havia dado provas no tempo do processo Casa Pia, mostra o seu nojo particular no postal anterior pelo facto de o jornal Correio da Manhã andar em campanha de "denegrimento" de José Magalhães, seu comparsa político ( foi comunista, tem sido socialista e tem sido um particular inimigo da magistratura que perseguiu sem descanso, tudo características que ambos partilham).
O jornal escreveu que José Magalhães se ausentou do país e " tem uma casa no Brasil, numa zona de praia paradisíaca, no estado da Bahia".
Vital Moreira acha esta notícia um "denegrimento" daquela excelsa figura maçónica porque "A luxuosa casa em que ele alegadamente vive no Brasil não é luxuosa (eu conheço-a!) nem sequer é propriedade sua... "
Na notícia escreve-se que José Magalhães "detém 50% de uma moradia situada em Ponta do Ramo, zona das Praias do Norte, em Ilhéus, na Bahia."
Portanto, a casa não é dele. É apenas metade...e quanto a luxo, Vital assegura, porque já lá esteve, que "não é luxuosa". Deve ser também metade...
Vital Moreira, como é costume, conta meia verdade para denunciar uma mentira. Putativa, ainda por cima.

Contributos para o estudo antropológico de JPP

Esta notícia no C.M. de Sábado aparece na sequência de uma denúncia publicada por um tal Daniel Oliveira, no Expresso online. Nela se dava conta de um desmando do Instituto de Investigação Científica Tropical, presidido por Jorge Braga de Macedo, que "foi ministro das Finanças de Cavaco Silva e que é militante do PSD, pelo qual foi deputado", e que "depois disso foi escolhido, com Eduardo Catroga, Celeste Cardona e Paulo Teixeira Pinto, todos do PSD e do CDS, para o Conselho de Supervisão da EDP." como lembra o tal Oliveira que não é da Figueira, mas é caixeiro viajante de ideias peregrinas sempre de esquerda e com "muito gosto".

Como se pode ler no esclarecimento de responsáveis pelo tal Instituto ( será dos que vai acabar?) o apoio foi nada de especial e não envolvia " o nosso dinheiro". Apenas uma sala e acesso a documentos da instituição. O apoio estatal já era factual através de outro instituto- Camões ( será também dos que vai acabar? Parece ser do grupo dos bons, porque dirigido por pessoas com muita experiência em Macau). Oliveira acha bem este apoio. Porque sim e fica mesmo assim. Ainda assim, o mesmo Oliveira selectivamente, viu um argueiro no outro apoio espúrio e paternal e desancou o seu presidente por ser do PSD e deputado e ex-ministro e agora escolhido para uma empresa pública. Uma raiva incontida que lhe assomou aos gorgomilos porque se trata do "nosso dinheiro" e Braga de Macedo "usou recursos" do IICT e isso não se faz em proveito da filha. Nepotismo! gritou, aflito e em transe escrito o tal Oliveira que não vem da Figueira.
Este Oliveira, já o escrevi uma vez, é um rematado palerma, cuja indignação selectiva não passa no crivo de dois dedos de testa racional.
Se passasse perguntava-se como é usado o "nosso dinheiro" da CGD pela SIC onde trabalha, isso depois da denúncia do entalado da Ongoing.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

O "reencontro".

A RTP mobilizou avultados meios públicos ( recebe mais de um milhão de euros por dia, só em "compensações" numa época muito descompensada em tantos sectores) para transmitir em directo um programa Prós & Contras, que decorre a partir de Angola.
A apresentadora intitulou o programa como "Reencontro". Reencontro de quê, afinal?

De um Estado de Direito como o nosso, com outro Estado de Direito como deveria ser Angola? De uma democracia em que de há muitos anos a esta parte é parte fundamental a família Dos Santos, com a democracia do actual regime português, pluripartidária e de alternância? Será isso?
Um reencontro dos antigos colonizadores com os colonizados entretanto enriquecidos pelo petróleo e outros recursos naturais?
E a democracia da família Dos Santos, para o caso, será mais ou menos democrática que a ditadura do tempo de Marcelo Caetano tão vilipendiada ainda hoje? Angola, então, segundo esses critérios, será ou não um Estado de Direito?
Este programa, patrocinado pelo menos por um membro do governo ( Miguel Relvas, com o pelouro da RTP) é uma espécie de reflexo da "realpolitik" de há quarenta anos em que o Leste europeu era aceite pelas democracias europeias porque não havia alternativa e tal se revelava vantajoso.
Nessa altura ainda Portugal vivia em ditadura anti-democrática, embora com liberdade porventura superior à que se verifica em Angola, nos tempos que correm. Essa ditadura era sempre denunciada por aqueles que agora acolhem o "reencontro".
Enfim.

Mais uma vergonha para este Ministério Público

Sol:

O Tribunal Criminal de Lisboa absolveu hoje Pinto da Costa, Ana Sofia Fonseca e Felícia Cabrita do crime de ofensa ao Ministério Público (MP). O presidente do FC Porto tinha comparado o MP à PIDE, num livro das jornalistas.

Na sentença, a juíza da 1.ª Secção do 2.º Juízo Criminal de Lisboa conclui que Pinto da Costa limitou-se a fazer «um juízo de valor» sobre a actuação do MP e que «o direito à crítica insere-se na liberdade de expressão», por muito depreciativa ou injusta que seja.

Este Ministério Público parou no tempo. Algures nos anos setenta...

Trabalhar pouco e bem há pouco quem

Diz o jornal i de hoje que em Portugal a produtividade é baixa e a competitividade da economia portuguesa é a mais baixa da U.E.
Entre os factores elencados para explicar tais fenómenos estão os problemas da justiça, a burocracia, aversão ao risco e a quase ausência de financiamento das empresas a que se somam problemas de organização do trabalho e falta de qualidade dos gestores portugueses.

Não obstante, "entre 15 países europeus, Portugal é o segundo onde mais se trabalha em média. O último é a Finlândia."
Quem é que tem o dever de estudar estes fenómenos e dar-lhes solução? Diz o jornal que os parceiros sociais ( CGTP, UGT, CAP, CPP e CTP) não apresentaram ideias nem propostas para debate.

O título é tudo!

...de jornalismo "para quem é, bacalhau basta", no Público de hoje. O provedor do leitor do jornal aproveitou uma polémica recente, iniciada numa notícia do Público online e da responsabilidade de um jornalista que se chama Victor Ferreira. Desconheço que tipo de jornalista será, onde aprendeu as regras da profissão e que noção concreta tem do jornalismo, imaginando e presumindo que se formou, é licenciado e tem orgulho na função. Dantes, há uns anos largos o jornalismo era um pouco mais modesto e ficava-se pelas notícias com rigor. Algumas até eram censuradas pelo excesso.
Fico a saber porém outras coisas também importantes para concluir que o jornal Público piora de dia para dia e um dia destes afunda-se em irrelevância e dívidas. Por causa exclusiva deste tipo de jornalismo que nem sequer tem a decência de assumir erros.
Aliás, até o provedor do jornal acaba por dar razão aos leitores que protestaram contra este tipo de jornalismo de causas escondidas.

O assunto que traz a notícia era o teor das declarações de Manuela Ferreira Leite num programa da Sic-Notícias de há oito dias, conduzido por essoutra expoente deste tipo de jornalismo apressado que pare notícias coxas. Não sei, repito, onde é que esta gente aprendeu a particular noção de jornalismo que têm, mas que vem acompanhado por uma dose de arrogância incrível lá isso é notório. Esta gente não se enxerga, não se vislumbra no espelho das vaidades a não ser em reflexo côncavo que lhes aumenta um ego já de si mesmo inflacionado pela mania que sabem tudo.
O tal jornalista do Público entendeu "pegar" nas declarações televisivas de Manuela Ferreira Leite, produzidas num contexto muito preciso e isolá-las para o efeito pretendido: " Ferreira Leite defende que doentes com mais de 70 anos paguem hemodiálise", foi o título que incendiou comentários variados, mesmo do sítio do jornal. Alguns detectaram logo a aldrabice, o erro básico e a descontextualização anti-jornalística. Caíram em cima do jornalista, mas este, escorado nas declarações verbais e incisivas da dita cuja, não remendou, não corrigiu nem se arrependeu, como se pode ler no pequeno extracto do texto do provedor do Leitor do Público, José Queirós.
À laia de justificação ainda "ponderou mudar o título" mas recuou na putativa ideia porque " Apesar de compreender o argumento (...) que destaca o facto de Ferreira Leite ter acabado por se explicar melhor mais à frente no debate, entendi que isso não apaga o que anteriormente disse uma ex-candidata a primeiro-ministro de Portugal, ex-titular de diversos cargos públicos(...)". E porquê, afinal? Porque essa era " a novidade que sempre se procura na construção de um título."

Perceberam a ideia deste jornalista do tipo para quem é bacalhau basta? É isso mesmo: manipular uma afirmação para fazer um título. Quem lhe ensinou esta noção de jornalismo em que o título vale uma notícia per se? Foi o Armando Vara que disse em telefonema escutado que o Público vendia pouco mas fazia títulos?

Na verdade o jornalista em causa nem tem a culpa toda do efeito do título que escolheu. Os restantes jornalistas que lhe ampliaram o título manipulador é que devem sufragar este tipo de jornalismo vergonhoso. O pior é que escolhem para atacar, em bando, quase sempre as mesmas vítimas e Manuela Ferreira Leite é uma delas. Diga o que disser, e provavelmente dará azo a mais títulos destes, é um pitéu para estes apaniguados de um jornalismo que não presta mas lhes sabe bem.

P.S. Outra das vítimas deste jornalismo em bando é o ministro da Economia Álvaro Santos Pereira. Tomaram-no de ponta e com apoio de dois ou três comentadores já o zurzem por tudo e por nada. Os que o fazem, de Economia percebem pouco ou nada. Mas de bacalhau à Zé o pipo, isso, é um alento para o arroto.

domingo, janeiro 15, 2012

Notícias da viúva

António Lobo Xavier, "advogado e fiscalista", como lhe chama o Público de hoje, numa alusão sempre curiosa, diz coisas ao mesmo jornal, propriedade de uma empresa em que Lobo Xavier é parte interessada como administrador, sobre a declaração de interesse dos maçónicos.
Começa por contextualizar o assunto sobre a "Loja Mozart" para dizer que "o caso da Loja Mozart e tão grave, que não devemos estar aqui com panos quentes de protecção da vida privada e das filiações, porque há um problema muito grave que só se resolve com transparência." E por isso é a favor da declaração sobre "as vinculações que existem , relativamente a empresas, a associações mais ou menos secretas, sejam vinculações decorrentes de organizações internacionais" que "têm de ser conhecidas na sua substância".
Pois bem. Muito bem. O que é que a tal Loja Mozart fez, ou os seus membros, mormente o tal Silva Carvalho em ligação de negócios a um tal Nuno Vasconcelos e a um tal Agostinho Branquinho e a um tal e tal, porventura alguém que agora está no governo e dantes não estava? Alguma coisa "muito grave"? E o que foi essa tal coisa "muito grave" que o desinteressado Lobo Xavier tão recrimina?

Serviram-se aqueles maçónicos de obediência má, do Estado para perpetrar crimes de lesa pátria ou património público? Mais que a SONAE, por exemplo, no caso da tentativa de compra de uma PT aqui há uns anos? Fizeram ou não? Actuaram em prejuízo do que é de todos ou tentaram apenas enfraquecer o império de uma Impresa que detém uma SIC em que Lobo Xavier palra semanalmente ou quando calha? Fizeram-no com recurso a meios ilegítimos ou não? E que meios ilegítimos são esses, em concreto e que Lobo Xavier, para além de enlamear indiscriminadamente não especifica?
Lobo Xavier que responda porque com afirmações gratuitas daquele teor só se descredibiliza. E nem o salva o não pertencer a lojas maçónicas e defender a declaração de interesses...

Aditamento:
"A maçonaria, cara ministra, é a casa dos livre-pensadores. Se não fosse, não veria lá o meu nome." - Henrique Monteiro, ex-director do Expresso e colunista no mesmo jornal, esta semana.
Henrique Monteiro esse emérito livre-pensador de ideias avulsas foi para director do jornal porquê? Porque era brilhante na escrita, fulgurante nas ideias e sagaz no entendimento?
Sabe-se agora como já se desconfiava: Henrique Monteiro é da irmandade da viúva e foi por isso que chegou à direcção do periódico regimental, porque outra explicação não colhe. Continua a ser convidado frequente da Sic-Notícias e sendo maçónico é valor seguro para propagar ideias de livre-pensador. Por exemplo, a do secretismo nas nomeações combinadas entre amigos do mesmo clube; a da conveniência em combinar ideias alheias e em defender o jacobinismo. É tudo apanágio de livre-pensador que pensa pela própria cabeça de parceiro pensador, o que dá alimento às vidinhas que por aí andam.

Uma massada

Segundo o Correio da Manhã de hoje, José Sócrates anda por aí. "De visita a Lisboa, José Sócrates que se encontra a viver em paris. almoçou ontem com o seu ex-ministro da Justiça Alberto Costa".
Esses dois indivíduos, um deles da maçonaria, foram os responsáveis pelo maior ataque à Justiça que Portugal viveu nas últimas décadas. Um ataque que começou no discurso de tomada de posse como governante, em 2005 e se prolongou por meia dúzia de anos, ininterrupta e desavergonhadamente.


Ainda ninguém o abordou para lhe perguntar como é que ganha a vida. Ninguém parece interessado em saber se afinal anda em Filosofia " a estudar", ou noutro curso qualquer. Ainda ninguém sentiu necessidade de o confrontar com a realidade que todos entendem: como é que alguém que vende cabritos justifica a ausência de cabras. Ontem parece que almoçou massada. Uma maçada.

A propósito desta gente que nos desgovernou, hoje o Correio da Manhã revela que outro mação, José Magalhães, da mesma roda, andou a remodelar o gabinete que ocupava no ministério da Justiça, como se fosse a sua casa. Milhares de euros à custa de todos nós, sem o mínimo pingo de vergonha. Numa altura de gravíssima crise económica anunciada, gastou milhares e ainda tem a desfaçatez de escrever no Facebook que foi uma pechincha ( "um custo minúsculo") de 62 mil euros.
Como a casa era do Estado e não dele ou da mulher, como a que foi demolida na Arrábida por imposição do Ministério Público , o gasto é sempre minúsculo. Provavelmente, a tal casa demolida que valia apenas um pouco mais, também foi uma despesa minúscula...

sábado, janeiro 14, 2012

A análise antropológica de um fenómeno nacional

Vale a pena ler este pequeno texto no Público de hoje, de José Pacheco Pereira ( " A construção da Máfia portuguesa" -1). Faltam nomes aos "boys", mas ainda assim é tema para uma novela. Parece que terá continuidade porque é um apontamento numerado e "na próxima semana falaremos em mais detalhe da pergunta certa : por que razão foi escolhida esta pessoa e não outra?"
Por mim respondo já sugerindo outro tema: porque razão os comentadores pagos, em Portugal, são sempre os mesmos há décadas?
É certamente por motivos muito parecidos aos que JPP denuncia como semente de corrupção e mafia. Portugal é um pequeno país em que alguns vicejam de modo pouco meritório. JPP não merece o espaço público que ocupa, com a importância que lhe conferem. Não o digo por acinte, por maldade, inveja ou espírito de maledicência gratuito, espero que entendam.
JPP é um personagem intelectualmente menor, parece-me. Não tem culpa, é mesmo assim. E ainda assim, tem lugar de destaque mediático desproporcionado. Porquê? Porque sim. Porque esteve na altura certa no sítio certo. Só isso, parece-me.
No entanto desenvolve naquele pequeno texto uma teria fenomenológica da nossa teia social de corrupção. A não ser que nem seja tal coisa e se confunda apenas com o nosso modo de viver. E é isso que JPP pretende dizer: a nossa maneira de viver em sociedade gera fenómenos mafiosos naturalmente, por vezes indistintos da própria ética corrente e comumente aceite.
Para os identificar e circunscrever talvez apenas uma obra literária servisse, mas não vejo quem a escreva, com capacidade para tal, neste momento em Portugal. Bastava-nos um Tom Wolfe mas sobram-nos Walter Hugos e as mães não dão mais.
Vamos a nomes que JPP não quer escrever. Miguel Relvas, por exemplo. Que diria JPP deste se pudesse escrever claramente?
Mais: Francisco Pinto Balsemão. Que poderia dizer um JPP desligado de SIC´s e outros apêndices Impresariais? Muita coisa, porque é exactamente isso que pretende dizer no escrito. Mas não diz, sugere e deixa nas entrelinhas, como antigamente em que andava a colocar panfletos subversivos para propagandear clandestinamente o maoismo.

Outro escândalo


Correio da Manhã de hoje: José Magalhães na fronteira do crime de peculato. Um mação sem vergonha.

A anedota do dia

No Expresso, na página a seguir:

"Arrolei-o como testemunha para demonstrar que o ensino na universidade era exemplar, mas prescindi da sua presença quando percebi que alguns sujeitos processuais estavam a aproveitar-se para criar uma cortina de fumo e tornar o processo um caso político."- Vítor Parente Ribeiro, advogado de Luís Arouca, ex-reitor da UnI, referindo-se a José Sócrates.

Venham mais cinco!

Ainda no Expresso ( à medida que se viram as páginas estas coisas saltam à vista):

"Só cinco deputados se assumem como maçons. Todos do PS. " A saber: João Soares ( GOL), Isabel dos Santos ( ordem maçónica internacional que o GOL não é para senhoras); Mário Ruivo ( GOL, se faz favor); Miguel Coelho ( GOL se não se importam) e Rui Paulo Figueiredo ( GLLP, uma excrescência irrelevante e potencial fonte de maus mações...)

Venham mais cinco de uma assentada- que eu pago já. Em preito de homenagem pública...

Como refere Rui Ramos no mesmo jornal, na Inglaterra, em 1998, "O governo trabalhista obrigou os novos magistrados e polícias a declararem filiações maçónicas". A Inglaterra, sobre democracia parece que não tem lições a receber da nossa maçonaria...

Outro que fuma sem inalar

António Costa Pinto, um comentador avulso da Sic-Notícias auto-intitulado "politólogo" ( deve ser um curso recente) e professor no ICS, diz ao Expresso que não acha nada bem essa coisa de os mações registarem publicamente a marca de pertença porque "quando entramos na chamada área de valores, devemos ser muito prudentes".
E devemos tomar também caldos de galinha. Ou calduços, quando dizemos asneiras. Ou, por exemplo, quando entendemos que "mesmo no PS, a relação entre o GOL e o PS é hoje em dia muito remota, tanto quanto nos apercebemos."

A toupeira boa e a cretinice que continua

O Expresso escreve hoje outra vez sobre "as secretas". Para denunciar que "o espião que obteve lista de chamadas de jornalistas ficou no mesmo posto".
Este tal espião é marido da "toupeira" que havia na Optimus.
Como é que o Expresso soube disto? Através de uma "toupeira" que tem no SIRP. Uma boa toupeira, a denunciar a má toupeira...
Uma boa toupeira que é procurador do MºPº e que esportula bafos avulsos para o Expresso a denunciar os sussurros da má toupeira.

Cretinice maior que esta ainda está para vir. Mas seguramente virá enquanto o tal Ricardo Costa for director do jornal.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Leite derramado

RR:

O Pingo Doce tem nas suas lojas uma promoção que consiste na oferta de uma embalagem de leite meio gordo de marca própria na compra de outra, considerando a cadeia que esta "promoção não tem qualquer efeito de prejuízo para os fornecedores".

"No âmbito de uma acção nacional de fiscalização levada a cabo pela ASAE, foram levantados dois autos de apreensão de embalagens de leite meio gordo de marca própria em duas lojas da nossa cadeia", lê-se no comunicado hoje emitido pelo Pingo Doce.

Note-se: a operação da ASAE que tem muita queda para estes espalhafatos, com o senhor Nunes que é da Maçonaria ( se não fosse provavelmente não era o que é nem estaria na ASAE nem em porra alguma de direcção geral, certamente), foi direccionada para o Pingo Doce mas também o Continente.
O Continente calou-se bem caladinho não metendo prego nem estopa em mais esta estopada da ASAE. O Pinto Doce já anda em comunicados e tarda nada o senhor Elísio Alexandre Soares dos Santos vai outra vez à tv se calhar clamar por uma cabala.

O Pingo Doce não precisa deste ar de calimero para ser o que é: o melhor supermercado do país. Aguente, fique quieto caladinho e direitinho e aja duas vezes antes de pensar, como diria Chico Buarque.

O Pingo Doce é o melhor supermercado do país porque é no Pingo Doce que há melhor peixe, em oferta imbatível se comparada com a concorrência. Melhor, só nas lotas e nem em todas.
Por outro lado, o Pingo Doce é o melhor supermercado em carne para consumo caseiro. Carne de vaca, de porco e outras. A de vaca, particularmente o bife é do melhor que se pode encontrar em qualquer parte do mundo, vem embalada com indicações perfeitas e com diversas proveniências, mesmo portuguesas, ( porque a Irlanda tem muito peso nesse sector do Pingo Doce). Tem agora um produto próprio, o "porco preto", que é um espanto de qualidade. Qual Continente, qual El Corte Inglès gourmet ou qual Intermarché ou L´Éclerc! O Pingo Doce é que é e digo-o com o mesmo à vontade que critiquei aqui a falta de patriotismo de Soares dos Santos em abalar para a Holanda.
Portanto, há dois sectores em que o Pingo Doce é o melhor: na carne e no peixe. Exemplar. Deixe por isso a ASAE do senhor Nunes andar por aí a espalhafatar que, como dizia alguém, o karma do senhor Nunes um dia cai-lhe em cima.

A Maçonaria benfazeja e o PCP do costume

Esta imagem é tirada de um blog cujo autor se intitula, apropriadamente, "Jumento".

Inês Pedrosa que escreve uma coluna no Sol , diz hoje no jornal que chegou a ser sondada para integrar lojas maçónicas. Por três vezes. A primeira há quase trinta anos e "invocava a aprendizagem, a amizade e a evolução espiritual."
Pedrosa não diz, mas deve ter sido uma loja em anexo, reservado a mulheres na órbita do Gol. Esta maçonaria dos bons não admite mulheres na mesma sala, como dantes, no Estado Novo, havia escolas de ensino primário do sexo masculino e outras do sexo feminino, contíguas e por vezes sob o mesmo telhado, lado a lado ou em cima e em baixo.
Os outros dois convites foram mais "pragmáticos" como diz a autora. Um dos convites era acompanhado de promessas inefáveis: " Se precisasse de um médico ao domingo, bastava um telefonema." Assim, tal e qual e a lembrar aquele episódio rocambolesco de um fax, a um Domingo para completar uma licenciatura em engenharia de um certo figurão que por aí anda.
O outro era mais redondo: "seria bom para o meu futuro, porque quem entra para a Maçonaria tem emprego garantido". Ó se tem! E em cargos de luxo, geralmente pagos por todos nós. Porém, Pedrosa sente-se um pouco desencantada com a promessa benfazeja. Diz que conhece amigas da maçonaria que estão desempregadas, coitadas e...discriminadas porque logo acrescenta que as lojas masculinas funcionam melhor sob esse ponto de vista.
Mas esta discriminação, a Maçonaria entende como sendo...positiva. Não é discriminação é assim a modos que...ninguém fala nisso.

O Sol dedica largo espaço ao assunto e na primeira página chama a atenção para o facto de o PCP não admitir ninguém que seja da Maçonaria. Lá saberão porquê...mas é caso para perguntar: como é que eles sabem se um militante é ou não da Maçonaria? Afinal o PCP obriga a um registo de interesses particular e para efeito interno que denega no público e alargado espaço da A.R.?

Já se sabia que o PCP é um partido com paredes de vidro. Fosco, mas frágil. O que não se sabia é que a hipocrisia era tamanha dentro daquelas paredes.

Ridendo castigat mores

Daqui:

O estranho caso da licenciatura que não prescreve

Sol: Link
O Ministério Público não vai reabrir o inquérito à licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente (UnI) – apurou o SOL junto da directora do Departamento Central de Investigação e Acção_Penal (DCIAP), que em 2007 investigou e arquivou as suspeitas de que o ex-primeiro-ministro não completou a licenciatura em Engenharia Civil.

Os dados novos surgidos nos últimos dias não abalam a convicção que o Ministério Público (MP) formou: apesar das múltiplas irregularidades administrativas patentes no seu dossiê, José Sócrates completou o curso.

Vejamos. O caso da licenciatura de José Sócrates na UnI foi alvo de um inquérito efectuado pelo DCIAP, em 2007 .

Conforme é sabido e o Público tem trazido a lume, no DCIAP de Cândida de Almeida e Pinto Monteiro, os factos que foram averiguados diriam respeito a eventual crime de falsificação de documento e/ou uso de documento falso.

Tal crime está previsto no artº 256º do C.Penal e a pena prevista é de três anos de prisão. Porém, se os factos, como sejam por exemplo o uso de documento falsificado, forem praticados por funcionário, a pena eleva-se para cinco anos de prisão.

O conceito de funcionário para o caso, releva do disposto no artº 386º do mesmo diploma que estabelece um amplo leque de equiparações, incluindo no conceito os funcionários civis, os agentes administrativos e quem desempenhar funções em organismos de utilidade pública. Para os políticos, a equiparação é feita em lei à parte.

Tudo isto para dizer que a falsificação e/ou uso de documento falso por suspeitos, no caso José Sócrates e outros, como necessariamente teria que ser averiguado em inquérito, apanham evidentemente pessoas com essa categoria, mormente as que exercem funções em autarquias e o próprio suspeito, porque era então político.

Os factos relativos ao uso desse eventual documento falso ocorreram em 2007, pelo menos, altura em que há prova indiciária sobeja de terem sido usados esses documentos, designadamente para apresentação a entidades oficiais.

A prescrição de crimes com pena até cinco anos, como é o caso, ocorre em dez anos após os factos, segundo o disposto no artº 118ºnº1 al. b) do C.Penal.

Estou em crer que a directora do DCIAP vai mesmo ter que reabrir o processo em causa...

Aqui estão os nomes! Por que esperam?


Em meados de 1992, no auge das tragédias que foram os assassinatos dos juizes Falcone e Borselino, imputáveis à Mafia italiana, a revista Epoca publicou uma separata com os nomes de todos os mafiosos conhecidos da polícia. Na altura contabilizaram 3 564 e a revista titulava: Ecco i nomi- que cosa aspettano?

Ressalvando as devidas diferenças porque a Maçonaria não é uma associação criminosa típica e até anda por aí o GOL, uma das maçonarias, a proclamar a sua permanente filantropia moral, a revista Sábado desta semana publica os nomes que são alguém na estrutura das lojas maçónicas nacionais (clicar na imagem para ler).
A publicação destes nomes retira o secretismo a quem sempre o procurou e que disso se serve para subir na vida, como se costuma dizer. A pertença à maçonaria, à viúva, para a maior parte destas pessoas não é para qualquer aperfeiçoamento espiritual. Isso é apenas o pretexto que serve de justificação. A prova? A razão onde se concentram mais mações é na Assembleia da República deste país.
Eis portanto os nomes. E faltam muitos outros, mormente os que assentam nos tribunais superiores, o que é outro fenómeno: é raro ouvir dizer-se que determinado magistrado de primeira instância é da maçonaria. É muito frequente ouvir dizer-se ( e um juiz afastado, Costa Pimenta, até escreve mais que isso) que determinados tribunais superiores estão pejados de mações.
É imperioso que se averigue e determine quem são esses juízes e magistrados que pertencem a lojas maçónicas. Não para qualquer caça a bruxas mas apenas para se ficar a saber quem é quem e em relação a determinados processos ( evidentemente o Casa Pia foi um deles), ficarem a saber-se ligações que permanecem secretas e são fundamentais para se entender a isenção e independência dos magistrados . Afinal, tal declaração de interesse não contende com a vida privada.
Ou se contender, é muito menos do que ser obrigado a declarar no tribunal constitucional o que se ganha e que rendimentos e bens se possuem...e não vejo por aí indignados a contestar tal obrigação.



quinta-feira, janeiro 12, 2012

Entretanto, a viúva alegre fez-se triste

Silva Carvalho, o mação mau, escreveu ontem no seu "facebook" ( não tenho acesso, não aprecio o facebook) que "eventuais participações em quaisquer organizações, ordens ou clubes eram do conhecimento generalizado de todas as entidades com responsabilidades."

Esta afirmação significa o seguinte: nenhum dos responsáveis que o nomearam ou que o dirigiam ( designadamente o responsável pelo SIRP ou pela fiscalização ou outro, ou seja, Júlio Pereira, Marques Júnior e tutti quanti e nestes se incluem os ministros e primeiro-ministro), desconheciam que Silva Carvalho era obediente a uma loja maçónica. Como tal se verificava, das duas uma: ou nada tiveram a opor, como não tiveram; ou pactuaram sempre com tal circunstância por não lhe darem importância; ou então, pelo contrário, deram suprema importância e que é o que incomoda e preocupa neste assunto. E se deram importância, das duas uma: ou os demais não fazem parte parte de lojas maçónicas, e não se percebe o desinteresse com o facto ou pertencem e temos um problema maior, porque tal revela até que ponto as organizações secretas capturaram um certo poder em Portugal. Um poder que é controlado por quem? Obviamente por pessoas dessas lojas. Et pour cause.

A viúva é quem manda na democracia? Uma conclusão se impõe: é preciso uma barrela geral e tal é possível se se descobrirem as pertenças e filiações maçónicas dos envolvidos. A revista Sábado desta semana dá uma ajuda, ao publicar um diagrama com nomes e ligações. Amanhã coloco aqui a cópia.

Espantoso!

Daqui:

O Procurador-Geral da República está satisfeito com que se tem feito no combate à corrupção em Portugal, mas alerta o poder político para a falta de meios do Ministério Público.
Pinto Monteiro considerou, esta quarta-feira, que há leis suficientes para o combate à corrupção, o que falta, na sua opinião, é aplicar essas leis, mas o trabalho é moroso, difícil e complexo.

«Nunca a corrupção foi tão detectada e investigada em Portugal como nos tempos actuais. Apesar de alguns insucessos, a prevenção e punição são hoje qualitativa e quantitativamente maiores do que no passado recente» , afirmou.

O Público de hoje refere os números do DIAP sobre corrupção: actualmente, em Portugal, há quatro presos preventivos e sete em prisão domiciliária por corrupção activa, em resultado da actividade daquele departamento do MºPº que abrange a área de Lisboa.

A insustentável leveza do peso de J.M. Anes

O mação bom, Anes, que se auto-suspendeu para vilipendiar o afilhado Carvalho, o mação mau, diz ao Público de hoje que "Na Maçonaria os irmãos têm obrigação de entreajuda. E o dever de agir em nome de valores superiores, seja através do aperfeiçoamento pessoal, seja na criação de obras sociais. Daí até às ambições de conquista de poder político e económico, só dá o passo quem quer."

Diz ainda que a loja Mozart49, do mação mau e seu afilhado, "deixou de prestar contas ao padrinho e dedicou-se a ressuscitar uma loja maçónica em tempos fundada por jornalistas, mas que se encontrava adormecida."

Este mação bom, Anes, é ridículo. E não faço mais comentários sobre ridicularias.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

A Maçonaria é o problema; não é a Opus Dei

O responsável máximo da Opus Dei em Portugal esclareceu ontem ( contado pelo C.M.) que no Parlamento português só há um membro da obra: Mota Amaral, antigo presidente da A.R. , o que foi confirmado por este que afirmou pertencer à obra "há mais de 50 anos" e que "é preciso transparência".
A pergunta que se coloca esperando respostas é esta: quantos mações há na A.R.? Mais: quantos foram eleitos precisamente por terem essa qualidade?
A resposta compete às maçonarias. A Opus Dei já deu a sua resposta...

O PS está sempre na mesma

Económico:
O PS exigiu hoje ao primeiro-ministro explicações sobre recentes nomeações para empresas públicas, acusando mesmo Passos Coelho de "interferir" na justiça ao nomear o presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes, para as Águas de Portugal.

Duas coisas: os que estavam eram "boys" e "girls" do PS, certo?
Os que entram são da mesma estirpe dos Fernando Gomes ou Armando Vara? São?
Porque é que o PS tem esta lata?

O discurso deletério de sempre

Económico:

"Na pirâmide da corrupção, temos no topo a corrupção do Estado", acusa Maria José Morgado, responsável pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, durante uma conferência do ciclo "Ministério Público e o Combate à Corrupção". Esta é a corrupção de "maior sofisticação" e de "mais difícil detecção", acrescentou.

Este discurso da directora do DIAP não é o mesmo do da directora do DCIAP nem do PGR, aliás presente no evento. No entanto, ninguém quer tirar consequências desse facto...

terça-feira, janeiro 10, 2012

Os mações bons movimentam-se

Fernando Lima, o representante dos mações bons pagou uma publicidade de página no Diário de Notícias para enaltecer a agremiação secreta. Diz que o seu clube é dos democráticos.
"O grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) - Maçonaria Portuguesa, Fernando Lima, considera que qualquer lei que obrigue os candidatos a lugares públicos a declarar a sua pertença a associações maçónicas é discriminação."
Almeida Santos, um dos Sombras do regime acha que a declaração de transparência é coisa salazarenta. Só lhe faltou dizer que era coisa do fassismo. Manuel Alegre secundou em poema prosódico.

Na Sic-Notícias, agora mesmo, Adelino Maltez diz coisas e loisas. Maltez é um dos que apoia a boa maçonaria e portanto está contra a transparência. Diz que faz parte da sociedade há muito tempo, secundando as palavras do cardeal patriarca, o tal que fuma mas não inala. E o fumo do cardeal também lhe convém...
Maltez que também fuma mas não inala, acabou de proferir uma ignomínia: classificou como criminosa a actuação do mau mação, que dirigia os serviços secretos. Disse que se as coisas forem como os jornais dizem- Ah! Então...isso- e lança a ignomínia. Devia ter um pouco mais de contenção porque na tv há muitos ignorantes a ouvir e tanto quanto se sabe até agora ( corre um inquérito) não há qualquer crime imputável ao dito mação mau. Insinuar o contrário é grave e equivale a inalar o inadmissível.

Maltez acha que a declaração dos maçons no sentido da pertença à agremiação é assunto complicado por causa da declaração universal dos direitos do Homem. O problema para todos os que fumam e não inalam é recusarem o entendimento de uma coisa muito simples: a transparência democrática não prejudica a maçonaria. Ou prejudica? E porquê? Não se trata de proibir a "viúva" de continuar a ser alegre. Trata-se apenas de inventar um modo de a viúva não contribuir para uma democracia anquilosada e secreta em que alguns representantes do povo afinal são escolhidos pela viúva em vez de o serem pela família alargada e democrática. É muito simples de entender para quem quiser.
Estes fumadores não inaladores, no entanto, mostram muita dificuldade nesse entendimento. Razões haverá e algumas serão mesmo secretas.

O bom mação é padrinho do mau

Tomem nota: este é dos bons. É um bom mação. Por isso acha que deve julgar o mau mação de quem foi padrinho...
"Anes, que se apresenta como padrinho de Silva Carvalho no seio da organização maçónica, acusa o ex-chefe dos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa de ter desenvolvido a loja Mozart em função desse objectivo, convidando pessoas ligadas a vários sectores do poder político e económico e da segurança. "

Anes é um convidado regular de televisão, para comentar coisas e loisas. Resta saber o que é que este bom mação deve à agremiação secreta a que se agregou desde 1988, pelo menos. E que autoridade tem para julgar os maus, apartando-os dos bons...

Aditamento em 11.1.2012:

No Público de hoje escreve-se que José Manuel Anes, padrinho de Silva Carvalho na Maçonaria da GLRP, pretende apenas ajustar contas com este, pelo facto de ter sido preterido para dirigir a escola de formação do SIRP.
Ou seja, Anes que acusa Carvalho de ter usado a maçonaria para um projecto de poder pessoal e conquista de poder, queria dirigir a escola do SIRP a que propósito? Obviamente, servindo-se do facto de ser membro de uma loja maçónica. E considerava tal coisa normalíssima. Tão normalíssima que vem acusar o afilhado de traição à causa e assim ajustar contas.
Mais dignificante para um mação não pode haver. Mais coerente e lógico é que...também assim parece. Afinal, a Maçonaria é mesmo para esse efeito: projectos de ambição pessoal e conquista de poder. Está tudo dito pelo tal Anes. Et tu, Brutus?

A democracia entre a espada e a parede

A espada é a sociedade informal das firmas de consultas do Estado que cobram milhões para fazer o que o Estado podia e devia fazer e condicionam a democracia, em permanência. Alguns dos seus patrões têm acesso permanente aos media, particularmente às tv´s que servilmente os convidam sempre que algo de anormal acontece na sociedade portuguesa. Meia dúzia deles, se tanto, são hóspedes permanentes dos programas de informação das televisões. E já nem sequer é apenas a tv do Estado, mas principalmente as privadas. A do Estado por vezes, paradoxalmente até consegue ser mais isenta ao silenciar os casos e censurar factos. Os que lá estiveram a cumprir tal tarefa estão noutro lado na mesma função. Continuam a ganhar muito bem e sem cortes. A crise não é para eles. É apenas para eles contarem como é que sabe aos outros...
Correio da Manhã de hoje.

A parede é este muro de silêncio à volta daqueles e de todos nós. A opinião pública é condicionada pelos pareceres e comentários de muitos desses indivíduos que integram sociedades secretas para melhor se alcandorarem ao poder e aí permanecer.

Público de hoje.

A Igreja já teve melhores dias

R.R.

Para o Cardeal Patriarca, não há necessidade de um maçon se assumir publicamente. “Não vejo porquê. A páginas tantas, também vão ter que assumir se são do Sporting ou do Benfica? Não me parece necessário.”

O ponto que D. José Policarpo questiona é a eventual influência em decisões políticas: “A maçonaria, enquanto tal, ter influência directa em coisas políticas, isso está mal. Agora se são maçons, ou católicos, ou do Sporting, isso não me parece importante”.

Este cardeal, como todos sabem, fuma. Mas não inala.

Para acabar com a maçonaria

José Vítor Malheiros hoje no Público, pergunta se "será a maçonaria o maior partido português?:

"A verdade é que a maçonaria é um grupo ( vários grupos) dedicado ao tráfico de influências. Em defesa de algum valor? Em nome de alguma ideia? Em prol de alguma ideia de progresso? Não. Nem sequer isso se pode dizer em seu benefício. A maçonaria defende a maçonaria sem estados de alma."

E JVM elenca algumas das idiossincrasias da "viúva" ( como lhe chama Pacheco Pereira): o esoterismo bacoco; o poder insuspeito que o segredo dá; a sua cultura misógina e machista e as disputas entre lojas.

Para acabar com a influência maçónica parece evidente a receita: abrir o culto às mulheres. Basta isso. Aliás, não se ouvem mulheres que habitualmente pugnam pela igualdade de direitos, a exigir a abertura de quotas na maçonaria. Na Assembleia da República onde param as Apolónias e as Rosetas?

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso