
Esta crónica de Pedro Lomba no Público de hoje retoma o tema do livro de Miguel Cardina sobre o maoismo, já por aqui recomendado e comentado. E anota um excelente blog-Malomil.
Pedro Lomba coloca a questão certa, a propósito do assunto: “os nossos ex-maoistas integraram-se bem neste regime. Foram muitos. Que há 40 anos evitassem falar das barbaridades do “grande timoneiro”, está certo: a ideologia cega. Hoje, é inconcebível. E é ainda mais inconcebível uma imprensa tão selectiva na sua (falta de) memória.”
Esta questão é certa porque muitos dos antigos maoistas e esquerdistas extremados andam por aí a mandar na opinião pública dos media e quanto à falta de memória da informação não é tanto como isso. É mais um pudor (des)envergonhado porque muitos jornalistas que mandam nos jornais passaram por essas vergonhas que agora "não interessa nada" lembrar ou fazem-no com o ar distante de quem passou por tais devaneios de juventude como quem muda de namorada, porque "o amor acabou".
Contudo, para estes, o amor antigo aos métodos que de democrático pouco ou nada tem, mantém-se inalterável e sintomático.
Os jornais Público e Diário de Notícias demoraram algum tempo a fazer a recensão crítica do livro. A do Público pareceu-me fraquinha. A do Diário de Notícias, da autoria de Fernando Madaíl publicada no excelente suplemento do DN, Q, no passado Sábado é mais bem feita e ilustrativa do fenómeno. Ambas. no entanto, denotam aquele ar de simpatia escrita pela condescendência para com um fenómeno de juventude. O facto de alguns serem puros assassinos pouco ou nada conta. O facto de defenderem uma revolução sangrenta ( a burguesia só entende a linguagem das armas) pouca consequência tem. Basta ver o "politólogo" ( são quase todos politólogos, sociólogos e outros logos)António Costa Pinto, perante a inefável Ana Lourenço para se entender que essas coisas "agora não interessam nada".
O D.N publica estas fotos para que as pessoas não esqueçam e compreendam a nossa idiossincrasia actual:

E não se pense que esta gente era em pequeno número como alguns pretendem fazer crer. Basta ver esta imagem do congresso da LUAR ( Palma Inácio, um amigo de Mário Soares) publicada pela Flama, em 1974. São vários milhares de pessoas que se reuniram no Coliseu para debater a Revolução, a sério. Para depor e derrotar a "burguesia". Em Março de 1975 conseguiram o que queriam: descapitalizar a Nação e passaram a mandar no tecido produtivo. Dois anos depois estava o país na bancarrota. Não desarmaram e dez anos depois tentaram através das FP25 retomar o "curso da História". Mataram outra vez. Foram derrotados mais outra vez e como viram que não tinham mais hipóteses de andar a brincar às revoluções, matando pessoas, meteram-se no PS. Acoitaram-se. Alguns passaram para o Bloco de Esquerda, novo tugúrio das mesmíssimas ideias e têm lugar no Parlamento da burguesia que querem sempre combater enquanto lhes tomam o gosto pelas coisas boas ( Ana Drago foi a Guimarães de carro e motorista, pois claro).
Portanto, esta gente não andava pelo Coliseu em 1974 para brincar, ou fruto de uma doença infantil, como dizia Saldanha Sanches pouco antes de morrer.

Para comentar este escrito ( cujo tema é sempre actual porque os próceres desta cripto-ideologia enraizada na sociedade portuguesa de esquerda é também sempre actual) repesco aqui um postal de 2009:
Encontrei o absoluto. É o marxismo-leninismo."- Pedro Baptista, natural do Porto ( Foz), antigo maoista, opositor do regime de Salazar/Caetano, actualmente socialista da social-democracia do PS e ex-deputado.
A frase, confessional, terá cerca de 40 anos e segundo a revista Pública de hoje, que retrata antigos maoistas, "pouco depois, Pedro Baptista fundou, no Porto, o jornal O Grito do Povo ( 1970), numa altura em que já um outro grupo de jovens tinha criado, em Paris, O Comunista ( 1968). A fusão dos dois, daria origem, em 1973, à União Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, um dos principais grupos maoistas portugueses."
J.Pacheco Pereira deve saber desta História como poucos, mas não conta nada. A revista Pública de hoje, revisita alguns dos próceres dessa época e dessa utopia rovolucionária esquerdista, com inspiração na revolução chinesa: António Costa Pinto, o ubíquo palrador televisivo, apresentado como politólogo e que ostenta camisa Polo Ralph Lauren na foto, é um deles; Tino Flores o cantor de baladas de intervenção e fundador do "O Comunista", é outro; Saldanha Sanches, também. Este, cita na pequena reportagem, algo desconcertante, a propósito da importância "das massas".
"Nunca soubemos exactamente o que era isso das massas, mas enchíamos a boca com essa palavra".
As perplexidades que surgem, passados estes quase 40 anos de ideias feitas e desaparecidas, revolvidas e abandonadas, são várias:
Estes indivíduos, na altura em que defendiam estas ideias estrambólicas sobre revoluções sociais para substituir o salazarismo/caetanismo, eram de maior idade e eram indivíduos estudados e lidos.
A crer no que Saldanha Sanches diz agora, esses disparates eram fruto de adolescência retardada, portanto de uma infantilidade intelectual.
Abandonada esta, o que subsiste de solidez ideológica na mentalidade de antanho? Houve alguma mudança de estrutura mental ou de entendimento da sociedade que inexistia nesse tempo?
Permito-me duvidar. Por exemplo, o tal Pedro Baptista, agora, diz que "o PS é o que luta pelas pessoas". A mentalidade de 68 é a mesma; a linguagem idêntica e o modo de articular ideias, semelhante.
Então, se for assim, por que razão estes indivíduos continuam a ter uma importância na sociedade, desajustada e assimilada aos disparates de antanho e que perduram na mentalidade presente, porque originários de uma matriz que não desapareceu de todo?
Essa perplexidade não é abstrusa ou irrelevante. Estou convencido que esta esquerda que domina todo o panorama ideológico que nos orienta no imaginário colectivo actual, tem a matriz nesses erros e nessa mentalidade que não passa com a lixívia do tempo.
É por isso que eleitoralmente o povo escolhe como tem escolhido e é por isso que determinados assuntos da nossa sociedade são entendidos por estes arrependidos do marxismo-leninismo, de um modo particularmente condescendente, deletério e, no final de contas, relativista para além do que deveria ser tolerável.
Entre todos os males que nos afligem colectivamente, este é, sem dúvida um dos mais importantes: a importância e relevo que se continua a dar a estes comentadores da politologia ambiente.
Pedro Lomba coloca a questão certa, a propósito do assunto: “os nossos ex-maoistas integraram-se bem neste regime. Foram muitos. Que há 40 anos evitassem falar das barbaridades do “grande timoneiro”, está certo: a ideologia cega. Hoje, é inconcebível. E é ainda mais inconcebível uma imprensa tão selectiva na sua (falta de) memória.”
Esta questão é certa porque muitos dos antigos maoistas e esquerdistas extremados andam por aí a mandar na opinião pública dos media e quanto à falta de memória da informação não é tanto como isso. É mais um pudor (des)envergonhado porque muitos jornalistas que mandam nos jornais passaram por essas vergonhas que agora "não interessa nada" lembrar ou fazem-no com o ar distante de quem passou por tais devaneios de juventude como quem muda de namorada, porque "o amor acabou".
Contudo, para estes, o amor antigo aos métodos que de democrático pouco ou nada tem, mantém-se inalterável e sintomático.
Os jornais Público e Diário de Notícias demoraram algum tempo a fazer a recensão crítica do livro. A do Público pareceu-me fraquinha. A do Diário de Notícias, da autoria de Fernando Madaíl publicada no excelente suplemento do DN, Q, no passado Sábado é mais bem feita e ilustrativa do fenómeno. Ambas. no entanto, denotam aquele ar de simpatia escrita pela condescendência para com um fenómeno de juventude. O facto de alguns serem puros assassinos pouco ou nada conta. O facto de defenderem uma revolução sangrenta ( a burguesia só entende a linguagem das armas) pouca consequência tem. Basta ver o "politólogo" ( são quase todos politólogos, sociólogos e outros logos)António Costa Pinto, perante a inefável Ana Lourenço para se entender que essas coisas "agora não interessam nada".
O D.N publica estas fotos para que as pessoas não esqueçam e compreendam a nossa idiossincrasia actual:

E não se pense que esta gente era em pequeno número como alguns pretendem fazer crer. Basta ver esta imagem do congresso da LUAR ( Palma Inácio, um amigo de Mário Soares) publicada pela Flama, em 1974. São vários milhares de pessoas que se reuniram no Coliseu para debater a Revolução, a sério. Para depor e derrotar a "burguesia". Em Março de 1975 conseguiram o que queriam: descapitalizar a Nação e passaram a mandar no tecido produtivo. Dois anos depois estava o país na bancarrota. Não desarmaram e dez anos depois tentaram através das FP25 retomar o "curso da História". Mataram outra vez. Foram derrotados mais outra vez e como viram que não tinham mais hipóteses de andar a brincar às revoluções, matando pessoas, meteram-se no PS. Acoitaram-se. Alguns passaram para o Bloco de Esquerda, novo tugúrio das mesmíssimas ideias e têm lugar no Parlamento da burguesia que querem sempre combater enquanto lhes tomam o gosto pelas coisas boas ( Ana Drago foi a Guimarães de carro e motorista, pois claro).
Portanto, esta gente não andava pelo Coliseu em 1974 para brincar, ou fruto de uma doença infantil, como dizia Saldanha Sanches pouco antes de morrer.

Para comentar este escrito ( cujo tema é sempre actual porque os próceres desta cripto-ideologia enraizada na sociedade portuguesa de esquerda é também sempre actual) repesco aqui um postal de 2009:
Encontrei o absoluto. É o marxismo-leninismo."- Pedro Baptista, natural do Porto ( Foz), antigo maoista, opositor do regime de Salazar/Caetano, actualmente socialista da social-democracia do PS e ex-deputado.
A frase, confessional, terá cerca de 40 anos e segundo a revista Pública de hoje, que retrata antigos maoistas, "pouco depois, Pedro Baptista fundou, no Porto, o jornal O Grito do Povo ( 1970), numa altura em que já um outro grupo de jovens tinha criado, em Paris, O Comunista ( 1968). A fusão dos dois, daria origem, em 1973, à União Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, um dos principais grupos maoistas portugueses."
J.Pacheco Pereira deve saber desta História como poucos, mas não conta nada. A revista Pública de hoje, revisita alguns dos próceres dessa época e dessa utopia rovolucionária esquerdista, com inspiração na revolução chinesa: António Costa Pinto, o ubíquo palrador televisivo, apresentado como politólogo e que ostenta camisa Polo Ralph Lauren na foto, é um deles; Tino Flores o cantor de baladas de intervenção e fundador do "O Comunista", é outro; Saldanha Sanches, também. Este, cita na pequena reportagem, algo desconcertante, a propósito da importância "das massas".
"Nunca soubemos exactamente o que era isso das massas, mas enchíamos a boca com essa palavra".
As perplexidades que surgem, passados estes quase 40 anos de ideias feitas e desaparecidas, revolvidas e abandonadas, são várias:
Estes indivíduos, na altura em que defendiam estas ideias estrambólicas sobre revoluções sociais para substituir o salazarismo/caetanismo, eram de maior idade e eram indivíduos estudados e lidos.
A crer no que Saldanha Sanches diz agora, esses disparates eram fruto de adolescência retardada, portanto de uma infantilidade intelectual.
Abandonada esta, o que subsiste de solidez ideológica na mentalidade de antanho? Houve alguma mudança de estrutura mental ou de entendimento da sociedade que inexistia nesse tempo?
Permito-me duvidar. Por exemplo, o tal Pedro Baptista, agora, diz que "o PS é o que luta pelas pessoas". A mentalidade de 68 é a mesma; a linguagem idêntica e o modo de articular ideias, semelhante.
Então, se for assim, por que razão estes indivíduos continuam a ter uma importância na sociedade, desajustada e assimilada aos disparates de antanho e que perduram na mentalidade presente, porque originários de uma matriz que não desapareceu de todo?
Essa perplexidade não é abstrusa ou irrelevante. Estou convencido que esta esquerda que domina todo o panorama ideológico que nos orienta no imaginário colectivo actual, tem a matriz nesses erros e nessa mentalidade que não passa com a lixívia do tempo.
É por isso que eleitoralmente o povo escolhe como tem escolhido e é por isso que determinados assuntos da nossa sociedade são entendidos por estes arrependidos do marxismo-leninismo, de um modo particularmente condescendente, deletério e, no final de contas, relativista para além do que deveria ser tolerável.
Entre todos os males que nos afligem colectivamente, este é, sem dúvida um dos mais importantes: a importância e relevo que se continua a dar a estes comentadores da politologia ambiente.