sábado, 15 de janeiro de 2011

Mudar de vida e de regime

VPV publica hoje no Público este artigo seminal ( clicar para ler) da conclusão lógica daquilo que o Diário de Notícias fez ao longo da semana: o retrato actual do Estado português.

VPV conclui muito simplesmente assim: " "só se resolve a crise mudando de regime". Como assim?

VPV no artigo, refere no início o motivo prosaico da impossibilidade de tal acontecer: Dez milhões de portugueses foram vítimas de uma fraude, que os fará passar anos de miséria."
E aponta linhas de responsabilidade:
"ninguém acusa os verdadeiros responsáveis, que continuam aí a perorar como se não tivessem nada a ver com o caso e até se juntam, quando calha, ao coro de lamúrias. Parece que não há um político nesta terra responsável pelo défice, pela dívida e pela geral megalomania dos nossos compromissos."
" A oligarquia partidária e a oligarquia de "negócios" que geriram, em comum, a administração central e as centenas de sobas sem cabeça ou vergonha da administração local não nasceram por acaso."

Quanto à mudança de regime e de vida pública que temos, podemos todos esperar sentados na crise que se vive e anuncia: o próximo presidente da República é parte muito importante do problema. O Governo que temos e se anuncia não conta mudar de vida coisa nenhuma. E os portugueses em geral continuam (des)informados como sempre estiveram, com algumas excepções de mérito, como é o caso dos artigos do DN desta semana. Até se anuncia ( no Expresso), um novo "grupo de comunicação social" ligado ao PS e encabeçado por luminárias como Emídio Rangel e o ubíquo Rui.Pedro. Soares. Dupla de peso, sem dúvida e com capitais de maior peso. Certamente que o tal Rui.Pedro, acusado de corrupção conta safar-se incólume do assunto. Cadeia? Qual quê! Presunção de inocência e escutas apagadas.

Na conferência conclusiva em que participaram quatro indivíduos que ainda têm alguma credibilidade ( Miguel Cadilhe, apesar dos primeiros tempos do cavaquismo; Carlos Moreno, ex-juiz do tribunal de Contas, apesar da denúncia tardia dos desmandos; Miguel Lebre de Freitas, economista de Aveiro que não conheço e cujo apelido lembra processo civil e Álvaro Santos Pereira, economista em universidade do Canadá e que não conheço) apresentam as suas ideias para o futuro. Todas vão de encontro àquele resumo que VPV faz: é preciso mudar de vida e de regime.

Alguém acredita que este Inenarrável que nos governa tem sequer a noção do problema em que nos meteu?
Este tipo não merece cadeia por longos anos, só pelo estado em que nos colocou? Isto é alguma coisa ao pé do "caso de polícia" do BPN? Ou do caso do sucateiro do Face Oculta, com amigos de peito do dito cujo? Se o crime de "gestão danosa" é erigido em modelo de vitupério social, que dizer do crime social que este Inenarrável anda a cometer há anos a esta parte?

Melhor: este tipo vai passar incólume e impune por isto tudo que fez e anda a fazer?
Provavelmente vai. E é por isso que não passaremos da cepa torta.

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