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A Espanha na lua: que Deus guarde os portugueses!

Esta crónica de Filipe Pinhal no Sol de ontem suscita-me este postal.


Há muito tempo que procurava oportunidade para colocar aqui este recorte antigo de que até esqueci a data mas é dos início dos anos noventa e de um jornal que suponho ser o Expresso, mas poderia ser o Independente.

O tema é a Espanha e Portugal e a comparação de termos aponta-se ao longo dos anos até à época.
A comparação de Filipe Pinhal, cada vez mais interessante nas crónicas que publica, resume-se  a alguns fenómenos económicos: Telefónica, Santander, Corte Inglès e Zara, versus PT, BES, Armazéns do Chiado e Maconde.

Ora como é que isto sucedeu?

A revista francesa L´Histoire deste último trimestre dedica um número especial a Espanha e à sua história. Talvez um dia destes a revista de História do Jornal de Notícias ou a Visão História faça o mesmo. Até lá podemos sempre ler o que escrevem...



Por ocasião da comemoração dos 30 anos do seu aparecimento, o jornal El País, em 2006, publicou-se um número especial cujos recortes informam o essencial da história contemporânea espanhola, após o desaparecimento do franquismo, em finais de 1975 e a transição para a democracia.


Enquanto os portugueses aguentaram neste mesmo espaço de tempo de três anos, um PREC comandado pela Esquerda, com os comunistas ainda estalinistas a orientar ideologicamente, os espanhóis não embarcaram nessa aventura e tal fez toda a diferença para os anos vindouros. O PC espanho tinha-se social-democratizado ( tal como o PCI italiano)  para grande enfado dos comunistas portugueses que nem queiram ouvir  falar nisso. Até hoje, aliás.

A razão para aquelas discrepâncias económicas acima apontadas reside em grande parte nesse fenómeno que nos assolou durante mais de 15 anos, a seguir ao 25 de Abril de 1974 e continua a influenciar através da ideia de geringonça política: a política de esquerda condizente com as nacionalizações. A Espanha não teve nada disso e parece-me ser essa uma das principais explicações para o nosso atraso relativo. Nesse período de tempo tivemos duas bancarrotas iminentes e a Espanha nenhuma. Enquanto eles progrediram nos regredimos e afastámo-nos da Europa de que aqueles se aproximaram mais.

Ou seja e em resumo: a principal razão do nosso atraso é imputável à ideologia esquerdista que ainda permeia a nossa intelligentsia, plasmada na Constituição que continua a ser um farol para essa mesma esquerda, comunistas incluídos, naturalmente.

Além disso, culturalmente deixamo-nos atrasar também. Pegando num aspecto que afeiçoo, o da cultura popular, a Espanha nos anos oitenta tinha uma produção de banda desenhada invejável e comparável aos franceses da época, mesmo que aí fossem buscar grande inspiração.

Mais recortes, de 1981 e 1987:



Nós, em 1989, tínhamos quase nada de original e disso dava conta o Independente de 28 Abril de 1989.

 
 Tínhamos um Relvas ( que morreu no outro dia na miséria, depois de ter desenhado no Sete), um Colombo em duplicado ( os irmãos Vasco e Jorge que aliás faz a resenha do estado dessa arte menor, nessa altura, porque era director gráfico da revista do Independente) e um Eduardo Teixeira Coelho que já não existia graficamente ou um ilustrador como Carlos Alberto que fazia capas para revistinhas semi-pornográficas, depois de ter ilustrado centenas delas para livrinhos de cóbóis, nos anos sessenta e setenta. Tínhamos ainda um Zíngaro, às vezes em capas de discos. E nada mais que me lembre.

Dos espanhóis, só de ver as ilustrações do galego Miquelanxo Prado até doía apreciar tanto talento que nunca tivemos.

Portanto, nos anos sessenta e antes disso nós nem éramos destituídos de valores. Basta ler este recorte publicado no jornal Aurora do Lima, do passado 29 de Março deste ano:


Picasso, nessa altura era quase nada, para essa escola e para os demais cidadãos comuns.  E com alguma razão porque o mito apareceu muito tempo depois.

Para além de Picasso, a Espanha tinha para mostrar vários contemporâneos, com museus dedicados. Por exemplo, Salvador Dali que em Abril de 1981 foi retratado assim na revista alemã Pan:


Para além disso a Espanha evoluiu ao longo destes anos e dei por mim a folhear esta revista no quiosque, para concluir depois de a comprar que é...espanhola e cujo número um é deste mês.  Uma imitação da ideia lançada pela Monocle ( que não consigo ler) e outras The Good Life ( francesa e que leio melhor) mas com um interesse possivelmente maior:


Escrita integralmente em inglês, o título é um programa- Man on the moon- e os artigos são curtos, bem como as pequenas entrevistas. Neste primeiro número também se fala de Lisboa e aparece o presidente Medina, de boas graças com a redacção da revista...o que é de desconfiar, mas enfim.

Portugal não tem disto nem nada que se pareça. Porquê? Uma explicação pode ser esta que aparece em página dupla no Correio da Manhã de hoje:


Um almoço comemorativo de assassinos salvos pelo gong das prescrições processuais penais, com uma contribuição omissiva da actual responsável pela PGDL, Maria José Morgado.
Neste caso, por razões políticas?  Terroristas das diversas facções que descambaram nas FP25 e que não sentem qualquer vergonha pelo que fizeram. Até comemoram!

Esta gente que comemorou ( o quê, afinal?) algo hediondo,  queria para Portugal um regime democraticamente insuportável a exemplo das piores ditaduras do séc. XX.  Pois não têm qualquer vergonha disso e a prova aí está.


Comentários

Floribundus disse…
as independências do rectângulo foram sucessivos erros

sempre defendi a Federação Ibérica

a maior dificuldade reside no facto da Espanha
'não aceitar devoluções em mau estado'

'jaz morto e apodrece'
josé disse…
Calma aí! Os espanhóis são os espanhóis, os caracolitos são os caracóis.

Nós somos portugueses há séculos suficientes. Só não somos, como povo, tão finos como eles.
josé disse…
Quem aguenta uma esquerda como a que nós temos merece uma lula e um polvo também.
Ricciardi disse…
Pib per capita

A preços e taxas
de cambio correntes
1960
Portugal -275
Grécia - 421
Espanha - 375

1973
Portugal - 1271
Grécia - 1830
Espanha - 2032
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Portugal no tempo de Salazarismo era um pais mais atrasado e pobre . Tinha um pib per capita de metade da Espanha e menos de metade da Grécia.
.
Rb
zazie disse…
O Fernando Relvas morreu?

Não sabia!
Ricciardi disse…
O Franco teve mais inteligência do que o ditoso ditador português. Percebeu que era preciso restaurar a monarquia para evitar precisamente aquilo que aconteceu em Portugal. O poder ser assaltado pelas esquerdas mais radicais.

Salazar apegou-se ao poder. O poder subiu lhe à cabeça. Quando pôde fazer uma transição de regime, ele preferiu manter o poder, como qualquer bom ditador.
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O resultado está à vista. Como o poder não é eterno ele havia de cair. É devia cair pelas mãos daqueles que se opunham ao regime. Benditos. Malfazejos. Calhou ser o pcp. É ao pcp se deve a resistência ao regime.

Honras lhe sejam feitas.

A sorte ditou que o pcp não ocupasse o poder. Salzar e Marcello colocaram o futuro do pais nas mãos da sorte.
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Em vez de planear como fez o franco apegaram se aos tachos e lugares, sustentados pela forca militar.
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Acabou. Acabaou bem. Podia ter sido pior. O bom senso do Mario Soares resolveu o problema da esquerda radical ocupar o poder.
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Devia ser considerado santo. São Mario das causas impossíveis.

Rb
joserui disse…
Vários autores estrangeiros ou comandantes militares, distinguem perfeitamente o português do espanhol. É um povo diferente. E mesmo os espanhóis sendo todos diferentes, excepto na Galiza (o Prado é galego, podia perfeitamente ser português), há por lá algo de tenebroso. Por exemplo, a nossa exploração marítima, não se pode comparar com a espanhola… mas no que foi deixado de alguma forma pode: A maior parte são estados falhados, convulsos, ou sempre em vias de falhar. Tudo miséria.
Na exposição 100 anos Leica, com todos os figurões da fotografia, imensas fotografias de Espanha… cenas de filme de terror. Cenas bizarras e inquietantes. Numa palavra: Não gosto de Espanha, por azar está aqui ao lado, um dos países que considero mais desinteressantes da Europa (outro é a Austria). Nem bom vento, nem bom casamento, é bem verdade.
lusitânea disse…
Hoje em dia poucos afinal defendem os Portugueses e a Portugalidade.Por internacionalismo puro o mundo agora é um só.E pela natureza das coisas o nivelamento faz-se precisamente com quem não nos queria em lado nenhum e que nos expulsou e sem bens.O homem novo vai ser mulatinho donde não são precisas essas empresas modernas.Talvez cultivo de cana de açúcar no Alentejo para fazer grogue em abundância chegue...
lusitânea disse…
Não se produzindo quase nada temos contudo resmas de gajos especialistas em combater as desigualdades, diferenças, racismo, xenofobia, homofobia e outras lutas modernas.Muito activismo e pouco trabalho.Compensador claro porque a malta o que não sabe é de facto fazer nada de nada...a não ser assentar tijolo e fazer limpezas!
Floribundus disse…
como povo o que nos diferencia da Espanha é as várias formas de indigência

a nível da América latrina coexistem Maduro e Lula ..

50 anos após a conquista o México já possuia imprensa

continuamos a abanar a árvore das patacas

temos um governo maravilhoso a gastar o dinheiro retirado aos contribuintes

e todos adoram antónio das mortes
e a sua republiqueta dos bananas

gosto de passear ao ar livre
adoro ver os cães a cagar o chão
toda a relva tem brinde

OMS menciona 1 milhão de casos de quisto hidático proveniente dos cães das familias da Europa

Stefan Zweig tirou o 13º ano de escolaridade na década de 1890

'siga o enterro'

Floribundus disse…
rectângulo e seus dirigentes
o 'ovo da serpente'

Brutus na obra de Shakespeare Julius Caesar:

And therefore think him as a serpent's egg
Which hatch'd, would, as his kind grow mischievous; And kill him in the shell.
Miguel D disse…
Para mim, a defesa de uma Federação Ibérica é o objectivo último da maçonaria e das correntes herdeiras do jacobinismo republicano do final do sec. XIX.
Por isso, o projecto passa sempre pelo combate a tudo o que constitui obstáculo político e cultural a tal desiderato: um Estado sólido e pouco dependente de financiamento externo, uma diplomacia que não descura a vertente extra-europeia, as instituições tradicionais (Igreja, Forças Armadas, Municípios) e o ensino da história portuguesa segundo cânones não marxistas.
André Miguel disse…
Tenho uma costela espanhola, nasci é vivi sempre na fronteira, trabalhei vários anos em Espanha. Quando do lado de cá dizemos "bom dia!tudo bem?" a resposta é um lamento: "vamos indo..." Somos invejosos e carregamos o fado na alma. Nuestros Hermanos têm orgulho até das suas desgraças, são os maiores em tudo. D. Afonso Henriques foi um idiota.
netus disse…
Caro José
Muito bom dia.
Respeitosamente discordo de si no seguinte: que mereçamos um polvo, ainda vá, mas não atire com lula.......eh.....eh.....eh
António Cabral
josé disse…
Li uma notícia qualquer, no CM de hoje a propósito da namorada de Ronaldo, Georgina. Sendo de uma aldeola espanhola sem grandes horizontes ( Jaca em Huesca) disse que saiu de lá porque era uma terrinha onde não havia muito que fazer.

Os habitantes indignaram-se logo. Se fosse por cá, todos teriam percebido os problemas da "desertificação e abandono do interior"...

Há de facto uma diferença entre portugueses e espanhóis. Nós somos mais pacíficos e conformados.
juan gomez disse…
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