terça-feira, setembro 25, 2012

Boa sorte aos investigadores.


 TVI:

A TVI sabe que os ex-ministros das Obras Públicas do Partido Socialista, António Mendonça e Mário Lino, e o ex-secretário de Estado Paulo Campos foram esta terça-feira alvo de buscas domiciliárias pelo Ministério Público.

Buscas que se realizaram no âmbito do inquérito-crime às Parcerias Público-Privadas rodoviárias, que decorre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

O inquérito visa apurar se houve ou não crimes económicos contra os interesses do Estado nas decisões dos governos socialistas.

O juiz Carlos Alexandre acompanhou os procuradores Vítor Magalhães e João Melo, bem como a Unidade anti-corrupção da PJ, nas buscas realizadas aos domicílios dos ex-governantes.

A TVI tentou contactar os três ex-governantes. Apenas António Mendonça respondeu, confirmando a notícia, sem mais comentários.


 Espera-se que os investigadores tenham sucesso no trabalho encetado. Espera-se que sigam o velho preceito do processo penal: descobrir culpados, se os houver, e só os culpados.
Esta investigação é, imagina-se, muito difícil. Por vários motivos, mas principalmente por um especial: não acredito que algum dos visitados hoje, guarde consigo elementos que esclareçam devidamente o que se passou com a negociação e renegociação das PPP, designadamente as rodoviárias. Nem acredito que escutas telefónicas possam esclarecer seja o que for, muito menos lograr alcançar provas de factos relevantes. Aliás, se os visados estiverem de algum modo comprometidos com o assunto, estarão alerta em relação a isso e não falarão ao telefone...
Acredito que esse esclarecimento virá, eventualmente, da análise exaustiva do percurso negocial, desde o início. Se se descobrir que nesse percurso alguém praticou factos estranhos e normalmente suspeitos, talvez seja por aí que a investigação deve dirigir a atenção.
E depois pode acontecer que surja um golpe de sorte e alguém se disponha a explicar o que se passou.
Seguindo o método de U. Eco, no Nome da Rosa é preciso que se coloquem palpites em cima da mesa de hipóteses. Mesmo relativamente absurdas. E as pistas aparecerão.  Como o povo dizia dantes ( agora o povo anda esquecido destes ditados, por causa do jacobinismo), o diabo tapa com uma mão e destapa com as duas.
Espera-se aliás que alguém que saiba como isto aconteceu, apareça e esclareça como foi. E há várias pessoas que sabem...

Se alguém fez algo que seja ilegal, será apenas uma questão de tempo até que se descubra. Desde que a investigação faça por isso, claro está...

Entretanto, na SIC-N, o antigo ministro da Justiça Alberto Martins, pronuncia-se sobre a notícia e a violação do segredo de justiça, aliás em modo bastante comedido.
Para esvaziar estas críticas basta apenas dizer o seguinte: os visados são presumidos inocentes, judicialmente. Mas não o são do ponto de vista das críticas que se foram avolumando ao longo de meses e meses em que tais assuntos saltaram para as primeiras páginas de alguns jornais. Portanto, os visados não são culpados de coisa alguma, ainda. São apenas suspeitos. E tal pode resultar no final em reafirmação de uma inocência presumida desde já ou no contrário.
Como foram políticos e sabem que estas coisas não devem ser encaradas como estranhas ou fruto de alguma cabala ( a explicação preferida do PS para estas coisas) devem aceitar democraticamente que possam ser investigados. É um dos ossos do ofício porque ninguém os obrigou a governar...

Questuber! Mais um escândalo!