Esta crónica de Rui Cardoso Martins no Público de ontem
merece destaque porque concentra em meia dúzia de parágrafos o estado da arte
da nossa intelligentsia comentadeira em jornais e lugares paralelos.
Como ressuma complexos de uma esquerda fóssil, embora muito
envernizada em lugares –comuns do humor correcto merece o comentário opinativo.
Este Rui Cardoso Martins, anda pela meia idade e deverá ter
sido antifassista desde nascença por via genética. Por isso foi admitido no gotha do
nacional-humorismo, tipo produções fictícias.
Um humor adequado ao tempo que passa em que perpassa toda uma
idiossincrasia de uma esquerda equívoca que não tem eira e da beira não se lhe
conhece bem a baía. É uma esquerda “porque sim” e fica bem.
É uma esquerda acaparada pela Maçonaria e que por isso detesta uma Opus Dei diabólica que não desde
escadas em caracol na Regaleira. Uma esquerda que não reconhece ao PCP qualquer
pecado original e o acalenta nos media por ser muito cá do “nosso povo” e amigo
dos pobrezinhos explorados pela corja dos mercados.
Rui Cardoso Martins tem lugar cativo no Público que é uma
coisa em forma de assim, no dito de O´Neill que também era assado.
A crónica ad hominem malha no ceguinho Jardim Gonçalves
como se este fosse centeio verde e define logo o perfil a abater: um cristão
pio e beato da Opus Dei, sem direito a cidadania plena porque criminoso de um
delito comum a banqueiros: tentar ganhar
dinheiro, com regras que todos usam.
Qual o crime de Jardim, na selva dos mercados? Esse mesmo: o
de andar na selva de peito feito e sem medo aos
tigres de papel do oriente maçónico e das ciladas da corja que sustenta cronistas tipo assim.
E qual o corpo de delito elencado na crónica? Em primeiro
lugar, o de “ter feito prescrever, com atrasos e recursos na secretaria dos
tribunais, a multa de um milhão de euros do Banco de Portugal.”
Jardim tinha a obrigação de se prestar ao sacrifício ritual
da submissão às regras incontestadas sem tugir nem mugir, porque a condenação
era já de preceito para os ruiscardososmartins e quejandos. Assim o exercício do direito de defesa é um
desconsolo. Isto não se pode fazer aos ruiscardososmartins e outras produçõesfictícias
que andam por aí.
É esse o primeiro crime.
O segundo decorre do primeiro num bis in idem metafórico: é
parceiro de ofício de outros celerados que estes produtores fictícios detestam como insectos
em suspensão no seu universo particular de um mundo cor-de-rosa às bolinhas
vermelhas e chocalhos em bloco.
O último crime é o de
não querer ser tão pindérico como o cronista. Parece-me ser o mais grave e a
razão última da crónica.