domingo, abril 15, 2012

Os magistrados com liberdade de expressão






Maria José Morgado dirige o DIAP de Lisboa, um departamento de acção penal do Ministério Público, mesmo ao lado do TCIC, no Campus de Justiça.
Maria José Morgado, enquanto magistrada, fala quando quer à comunicação social e nunca ninguém se importou com isso ou criticou tal exposição mediática.
Na revista deste mês da Ordem dos Advogados, concede uma extensa entrevista em que esportula a sua visão da magistratura, sistema de justiça e o par de botas habitual, que aliás e sem desprimor dá gosto ler.

Ninguém, nem sequer no i, jornal diário agora muito preocupado com a imagem e dignidade da reserva dos magistrados, vai comentar o assunto. Se fosse um Carlos Alexandre ou outro magistrado que não tivesse o agréement implícito do establishment, caía imediatamente o Carmo enquanto a Trindade ficaria a tremer.
Com MJM nada disso acontece, porque a posição de MJM no sistema judicial é um pouco como a de João Cravinho na política. Quem souber ou quiser que entenda...

Na entrevista cujo extracto se publica, MJM fala sobre "pressões" na magistratura ("ninguém se dava ao trabalho, tenho má fama, devo confessar", refere para afastar a hipótese de ser pressionável.
Vejamos. Há muitas maneiras de se pressionar um magistrado. Um de topo como MJM pode sofrer pressões e nem as sentir. A começar pelas que advém da própria idiossincrasia. Não há nenhum magistrado bacteriologicamente puro de pressões ou influências. Por isso mesmo é importante saber em que se acredita, em que se sustenta uma personalidade e em que bases se pensam os problemas políticos, sociais e culturais.
A lei, a legalidade, não é tudo e nem sequer significa o parâmetro essencial de conduta profissional sempre que há uma discricionariedade prática que decorre da aplicação dos conceitos legais segundo critérios que podem objectivamente ser interpretados como de oportunidade.
Sempre que uma investigação criminal complexa não abrange toda a complexidade inerente, aí espreita o princípio da oportunidade, escondido numa aparência de legalismo estrito enganador.
Um caso exemplar disso mesmo? O da "licenciatura de José Sócrates". É um processo que dá uma má imagem do MºPº porque não é límpido e claro na sua fundamentação ( o Público de hoje desmente a directora do DCIAP, num esclarecimento que a mesma prestou sobre um pormenor importante do mesmo, o que só acrescenta má imagem à existente).

MJM na entrevista dá a imagem de uma magistrada radical. "Fundamentalista", como a própria admite. Como tal não admite que os magistrados possam exercer para além do sacerdócio da profissão, outras funções, mesmo públicas.
Curiosamente o argumento com que justifica tal opção é o mesmo que o PGR apresentou recentemente: "um magistrado tem know how, tem informação, e quando vai trabalhar para empresas privadas, sejam elas quais forem, esse know how e essa informação permanecem com ele, por mais honesto que seja. Até o próprio nome, que também tem um significado."

O argumento é singelo. Descorticando...que informação tão relevante assim terá um magistrado que o impeça de pedir uma licença sem vencimento e ir trabalhar para uma empresa privada? Informação dos processos? Só interessa se a empresa privada for sujeito processual de algum desses processos.
Conhecimentos particulares obtidos na profissão? Que conhecimentos concretos poderão ser esses que possam impedir tal coisa? Não se compreende porque um magistrado não obtém no exercício da profissão conhecimentos particulares que não possa usar em público ou privado decorrentes da sua própria experiência e saber acumulado, para além dos que por dever de reserva está obrigado a manter sob reserva.
É isso aliás que MJM usa nesta entrevista para dar parecer sobre tudo aquilo que lhe perguntam, menos certas coisas de que não gosta. Usa conhecimentos adquiridos, o seu nome e a sua opinião. Foi isso que aconteceu há uns anos quando escreveu um livro em parceria com José Vegar sobre o fenómeno da corrupção em Portugal. São conhecimentos adquiridos na profissão que lhe permitem opinar sobre o fenómeno. Tal impede um magistrado de aplicar esse saber se for trabalhar para outro lugar? Porquê? Por saber como se praticam crimes e que estratagemas os arguidos usam para se safarem?
Se for este argumento então é melhor nem usar mais argumentos, porque a discussão não tem futuro.
Será MJM contrária à expressão de opiniões como as que esportula aqui na entrevista? Ou defende apenas uma reserva de opiniões para alguns escolhidos com direito de expressão mais amplo que outros?
Será que a imagem da magistratura deve ser preservada do público, em nome de algo obscuro e nunca explicado para além daqueles argumentos estafados que aliás aqui nem sequer são usados?
Confesso que não entendo como não entendo este tipo de argumentação.
Aliás, precisamente no DIAP que MJM dirige, decorreu ou decorria um inquérito criminal na altura em que a entrevista foi feita.
O inquérito tinha como arguido Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados e queixoso o magistrado judicial do TCIC. MJM não sabia disso? Marinho e Pinto nunca pressionou nada nem ninguém? Não estava preocupado com o inquérito e eventual acusação?
O magistrado que dirigia o inquérito arquivou o mesmo, com base em argumentos de consciência juridica, o que será normal, legal e processualmente justificado. Insindicável a não ser em sede de instrução. Eppure...este caso deveria servir de exemplo de como a magistratura não está isenta de pressões inerentes e inefáveis. E de como MJM não deveria ter aceite a entrevista nessa altura, segundo o meu entendimento que pode retomar a opinião da mesma sobre o tal fundamentalismo ético. Não fica bem dar uma entrevista à revista da OA quando o bastonário tem um processo crime a correr termos no DIAP. Isto tem que ser dito, por causa do que MJM disse.

Tal não se diria fosse MJM um pouco menos fundamentalista. Assim...

Todo o homem é meu irmão


Um cartoon gamado a quem gamou...

O tribunal Constitucional vai de mal a pior

Os políticos escolheram...e estão escolhidos os nomes para o tribunal Constitucional.

O PSD escolheu o jurista-advogado-comentador televisivo de assuntos judiciários, Paulo Saragoça da Mata.
O PS escolheu Conde Rodrigues que foi juiz durante meia dúzia de meses em tribunais administrativos e fiscais, entrando nessa jurisdição per saltum, ou seja, por concurso directo, vindo da universidade. Foi governante socialista, secretário de Estado e actualmente está no Conselho Superior do Ministério Público. Eventualmente é da Maçonaria ( digo eu por pensar de que).

Para saber melhor o que pensam alguns magistrados destas designações, é ler os comentários da InVerbis...

Há coisas em que somos os melhores do mundo...

Público ( que hoje dá um destaque desmedido a um tal Daniel Oliveira, como se este tivesse algo para dizer de interessante ou útil):

Um novo livro propõe-se provar uma ideia: Portugal tem o melhor peixe do mundo. E ensina-nos a aproveitá-lo melhor.

É literal? Era inevitável começar a conversa por esta pergunta. Fátima Moura acaba de lançar um livro chamado Portugal – O Melhor Peixe do Mundo, e queremos saber se o título deve ser entendido de forma literal. Sim, responde Fátima, convicta. Portugal tem mesmo o melhor peixe do mundo, e são vários, de médicos a chefs, a testemunhá-lo neste livro.

Mas será melhor contextualizar. "Portugal, o melhor peixe do mundo" é uma frase que foi cunhada por José Bento dos Santos, presidente da Academia Portuguesa de Gastronomia e responsável pela concepção do programa Prove Portugal, lançado pelo Turismo, e que pretende promover alguns dos pontos fortes da gastronomia nacional – entre os quais o peixe. Bento dos Santos é coordenador deste livro, editado pela Assírio & Alvim.

Em vez do pastel de nata, o peixe. E com razão porque em Portugal há bom peixe nas lotas, nos supermercados e restaurantes e se alguém com autoridade turística e gastronómica diz que será o melhor do mundo, o eventual excesso pecará apenas por parolice.

Como não tem havido muitas razões para andarmos satisfeitos com nós mesmos, esta é uma delas e substancialmente importante: o peixe faz bem à saúde comparando-o com a carne e a qualidade do que temos deveria ser um trunfo para que o país seja mais visitado.

Publicitar o peixe que temos como um produto de excelência é bom para os pescadores, para os consumidores ( pode aumentar a concorrência se o mercado expandir) e para o país.

Tem apenas um contra: a publicidade pode levar a aumentar o preço...

PS e à parte:

No Público, o tal Daniel Oliveira, confessa: "sou um social-democrata. Coisa que a maior parte das pessoas do Bloco de Esquerda não é."

O tal Oliveira, com esta declaração vai perder audiência, mas vai ganhar um tacho qualquer um destes dias, numa qualquer sinecura, proposto pelo PSD. É o modo de Oliveira se dedicar à pesca.

É assim a vidinha.

Vá lá, ainda sobra alguma lucidez.

Passos Coelho à Veja:

"Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usámos mal o dinheiro, seleccionámos mal os projectos de obras públicas, aumentámos os impostos, não abrimos a economia. Os líderes europeus não agravaram os nossos problemas, pelo contrário, ajudaram-nos", afirmou Passos Coelho à revista "Veja", distribuída no sábado no Brasil.

Agora só falta dizer quem errou. Dizer concretamente se foi a ou b, porque não foi o povo quem errou, tirando o pormenor das eleições...
Por exemplo, dizer qual o papel dos Cravinhos, Constâncios, Guterres, Sócrates, dos lados dos socialistas; Cavaco, Barroso, Santana, mais os seus mágicos ministros, do lado dos social-democratas.
E do lado da sociedade civil, o inefável Ricky. Espírito Santo, entenda-se.
Apontar nomes tem um efeito: ajuda a clarificar os erros e a evitar que os mesmos voltem a errar. E tem uma função que a nossa sociedade carece: responsabilizar politicamente, ou seja, a famosa responsabilidade que nunca opera porque as eleições mascaram sempre o efeito.
Por isso mesmo temos sempre os inevitáveis Assis, os Costas do castelo de cartas, os Marques Mendes e tutti quanti.

sábado, abril 14, 2012

Protecção social

Esta imagem acima mostrada é do jornal Diário Popular de 15.8.1971 ( "visado pela comissão de censura").
Retrata uma miséria social extrema que nessa altura não era tão rara quanto isso, embora o facto de ser notícia denota a sua singularidade e o quadro é de um "neo-realismo" terrível.
Numa barraca improvisada com "dois cobertores e uma velha lona", em Lisboa, uma mãe ainda jovem, com 23 anos, mas doente ( icterícia) e três filhos menores, um de seis anos, outro de quatro e um outro, ao colo que "não aparenta a idade que tem: dezoito meses". Mais a notícia de um outro filho de nove meses, o Zé, "morto há dias".
O retrato é de uma carência absoluta: de saúde, de recursos económicos e "sociais". A notícia aparece porque uma vizinha no bairro, condoeu-se da sorte das três crianças e "telefonou-nos", ou seja ao jornal que dá a notícia, para " que lançássemos um apelo no sentido de minorar a infelicidade dos três garotos, antes que lhes suceda o mesmo que ao irmãozinho mais novo."
A esperança do jornal era que "algum instituto nos oiça e recolha as três crianças".
Na notícia diz que o jornal falou com a mãe, perguntando-lhe se se importava que alguém tomasse conta dos filhos. "Justina Lopes pôs-se a chorar e não nos respondeu. E porque insistimos, torneando a pergunta, disse-nos por fim: ´se for para bem deles`..."

O redactor ainda escrevia: " Os três garotos assistiam à conversa, imóveis e silenciosos. Atrás de nós, na sombra acolhedora do pinhal, casais de burgueses anafados, descansavam pachorrentamente, fazendo a digestão."

A história de Justina era ainda dramática: tinha vindo da Mealhada há meses, com um pai doente e um irmão paralítico, todos pobres. O jornal concluía que era "um caso de assistência social."
"Haja alguém que ajude", concluia a notícia, depois de citar a pessoa que telefonou, preocupada com as crianças: "os adultos que se governem...mas é pelas crianças".
O jornalista dá então a sua opinião pessoal, de pensamento diferente desse: "Há adultos que não sabem governar-se..."

Passados 40 anos, o Público de quarta-feira deu conta de uma outra notícia: a de uma condenação do Estado português por causa de uma decisão de tribunais portugueses sobre uma adopção de uma criança contra a vontade dos país, toxicodependentes. A decisão do TEDH critica a atitude dos tribunais portugueses em proibir os pais da criança de ver o filho durante mais de dois anos, os suficientes para se discutir a adopção, decretada por "inexistência de laços familiares entre a criança e os pais".

A advogada desses pais refere ainda na notícia que "os tribunais confiam quase cegamente em instituições como a Segurança Social" e que a decisão dos tribunais foi sempre condicionada por um parecer de uma técnica desse serviço que entendeu que a criança deveria ser encaminhada para a adopção.


Que dizer destas duas notícias? Na primeira, a sociedade portuguesa da época, aparece de corpo inteiro, para quem souber ler. A Segurança Social, incipiente então, não resolvia estes casos por incumbência específica. Tal era deixado "à sociedade civil", às organizações de caridade, aos vizinhos, aos que se "condoíam". Ou seja, a uma solidariedade mais efectiva, real e humana.

Na segunda aparece um sector, o dos serviços, que tomaram conta das pessoas em aspectos tão essenciais como o poder paternal.

No primeiro caso, a miséria social é de tal modo absoluta que comoveu alguém da vizinhança daqueles protagonistas que tomou a iniciativa de telefonar a um jornal para que o órgão de comunicação social desempenhasse um papel que em princípio não lhe competiria. Dantes era assim. Havia até um jornal que tinha uma secção intitulada "todo o homem é meu irmão".

Agora, não. Os jornais, hoje em dia, não se sentem vocacionados para ajudar na miséria social. Deixam tal papel para as "instituições" e relatam casos em que as mesmas intervém.
A Segurança Social em Portugal evoluiu para uma protecção social mais alargada de modo que casos como aquele de 1971 não seriam fáceis de encontrar, sem que alguém não tivesse ainda alertado essa mesma Segurança Social.
A evolução é evidentemente positiva: dar algum conforto económico a quem nada tem e apenas herdou miséria, é um dever social e cristão.
Mas...reportando-nos a 1971, o que faria nesse caso a Segurança Social de hoje? É fácil de responder:

Em primeiro lugar teria retirado os filhos àquela mãe. "Sinaliza-los-ia" em primeiro lugar a uma Comissão de Crianças e Jovens" que abriria um processo em que participariam "técnicas de serviço social", que elaborariam relatórios que enviariam ao tribunal de menores e família a fim de o juiz ratificar a decisão de retirada das crianças à mãe.
Depois, seguir-se-ia o calvário habitual para mães destas: sem recursos, meios ou capacidade para os obter, restar-lhe-ia gritar.
Gritar, como na pintura de Münch...
Sinceramente, entre 1971 e 2012, algo aconteceu na sociedade portuguesa que paradoxalmente nos tornou piores do que éramos. E não falo do progresso económico, mesmo esse uma quimera para muitos.

Outro impagável...

Outra figura impagável no centro das polémicas sobre negócios ruinosos para o Estado ( são socialistas, segundo dizem, mas prejudicaram o Estado mais do que qualquer liberal o faria...) é Paulo Campos. Escusado será dizer que o maior culpado neste assunto foi quem o nomeou para o lugar.
Ontem, na A.R. e segundo o Público, este Paulo Campos viu-se em palpos de aranha para defender a "honra". O presidente do Inir ( Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias) defendeu que todas as PPP, nas Scuts, tinham que ser renegociadas, o que é quase apodíctico tal é o escândalo do desvio a favor de certas empresas privadas com um gigantesco prejuízo para o Estado, o que já foi denunciado pelo próprio tribunal de Contas e outras entidades e o senso comum demonstra. O inquérito criminal, esse, é assunto de "judicialização da política", pelo menos até Outubro. Mas ainda irá a tempo...e, palavra de honra, se me fosse dada a incumbência de o fazer, seria com todo o gosto e empenho que seria feito. E sei muito bem o que faria. Com isenção e imparcialidade, mas com a suspeita firme de que houve trafulhice grossa. Se no fim se demonstrasse o contrário, seria uma satisfação também, porque acho que é assim que quem investiga deve proceder: partir de suspeitas mas apurar a verdade que as pode contrariar.

Paulo Campos, sentindo-se atingido agitou-se e os deputados socialistas presentes não fizeram a coisa por menos e chamaram àquele presidente do Inir, "mentiroso" e "aldrabão".
Depois de troca de outros mimos, alguém prometeu o que dantes os putos faziam na escola quando se zangavam com colegas na sala de aula: "falamos lá fora..."
Diz o Público que o presidente do Inir não se atemorizou e redundou: "lá fora, sim, lá fora..."

Paulo Campos, para quem não saiba é filho de António Campos...e embora tal não signifique muito mais que isso, também um episódio bem mais pitoresco teve como protagonista o pai que no caso suscita problemas genealógicos. Bem a propósito, só por isso.
Para quem não saiba, aqui fica um trecho delicioso das aventuras parlamentares de um tempo mais antigo mas não esquecido:

19 DE MARÇO DE 1980
(-…..)O Sr. António Campos (PS): – São ou não da mesma família?
O Orador: – Bem, eu não sei qual é o conceito de família do Sr. Deputado.
O Sr. António Campos (PS): – Estou a perguntar se são ou não da mesma família.
Neste momento registou-se uma violenta troca de palavras entre os Srs. Deputados Sousa Tavares e António Campos, os quais se ergueram dos seus lugares ameaçando-se mutuamente.
O Sr. Raul Rego (PS): -Vá para a puta que o pariu.
Protestos do PSD, do CDS, do PPM e dos Deputados reformadores.
O Sr. Sousa Tavares (DR): – Já todos sabemos que o senhor é um malcriado.
Protestos do PS.

O Sr. Presidente:-Srs. Deputados, peco-lhes calma e que não entrem em diálogo directo, bem como peço aos Srs. Deputados Sousa Tavares e António Campos que terminem de imediato essa troca de palavras.
Sr. Deputado Ferreira do Amaral, queira continuar a responder, por favor.
O Orador: – Sr. Presidente, penso que após este momento um pouco agitado já poderei responder à pergunta do Sr. Deputado António Campos.
O que para este efeito interessa não é saber os laços de parentesco, que podem interessar a um genealogista, mas que não interessam num ponto de vista de economia ou num ponto de vista agrícola. Tão-pouco interessa saber o nome.
O Sr. António Campos (PS): – Mas são a mesma família ou não?
Protestos do PSD, do CDS, do PPM e dos Deputados reformadores.
O Orador. – No caso Sousa Uva não é a mesma família.
Protestos do PS.
O Sr. António Campos (PS): – Você é um mentiroso.
O Sr. Presidente: -Sr. Deputado António Campos, o Sr. Deputado poderá protestar no fim das respostas, mas neste momento tem de deixar o Sr. Deputado Ferreira do Amaral responder aos pedidos de esclarecimento.
O Orador – Se o Sr. Deputado António Campos não me deixa responder aos pedidos de esclarecimento, manter-me-ei calado.
O Sr. António Campos (PS):-Só lhe exijo que diga se são ou não da mesma família.
O Sr. Sonsa Tavares (DR): – O senhor é um mentiroso.
O Sr. António Campos (PS): – O senhor é um animal.
Nova troca de insultos entre os Srs. Deputados Sousa Tavares e António Campos.
O Sr. Presidente: – Srs. Deputados, se não se calam imediatamente suspendo a sessão.

Será esta a figura do maior embuste intelectual de sempre?


Jornal de Negócios:

João Cravinho, ex-ministro das Obras Públicas, responsável pelo lançamento do conceito das SCUT (auto-estradas sem portagens para os utilizadores), declarou hoje à SIC Notícias que todos os partidos do eixo da governação - PS, PSD e CDS - têm responsabilidades nas PPP (Parcerias Público-Privadas).

"Em relação às PPP tem passado a noção de que tudo foi feito pelos outros, pelo Governo de José Sócrates, pelo governo de António Guterres, por mim, aqui estão oferecidos às feras os responsáveis, mas na realidade em matéria de decisões desse tipo de finanças públicas não há ninguém que eu conheça que se possa considerar virgem, porque todos os partidos, PS, PSD, CDS, a seu tempo e a seu modo, subscreveram PPP que hoje os partidos do Governo combatem como se nada tivessem a ver com o assunto", declarou João Cravinho.

E refere dois exemplos: a Scut do Grande Porto foi assinada pelo governo de Durão Barroso, "quando poderiam muito bem ter deixado de assinar se tivessem a doutrina de hoje, sem qualquer prejuízo para o Estado, mas quiseram assinar". O outro exemplo é o da Scut Costa de Prata que teve "um agravamento de centenas de milhões de euros porque um senhor candidato a deputado do PSD, alta figura, resolveu prometer, para ganhar alguns votos em Estarreja, uma alteração que onerou a SCUT". João Cravinho concretiza: foi Marques Mendes.

"Então e as virgens onde é que estão?", questiona João Cravinho, continuando: "não se pode ter um período de grande vida airada, andando por aqui em libertinagem, e passado algum tempo, esquecendo tudo isso, vem-se para o campo público reclamar que se é virgem. Ninguém consegue voltar a ser virgem nestas condições".

Mas João Cravinho assume que se deve "apurar responsabilidade de todos, vamos aprender lições importantes e corrigir o que for preciso. Da minha parte estou disponível para esse debate". E acrescenta: "tudo, tudo, tudo deve ser apurado [na auditoria da Ernst & Young] com o maior rigor e frontalidade possível. E onde houver abuso deve ser denunciado e cortado".

As PPP das estradas foram apenas um exemplo das medidas, que envolvem negociar com empresas, que não estão tomadas pelo Governo, apesar dos compromissos com a troika. A energia é um dos casos que mais tem sido falado, dizendo a troika que o Governo não foi suficientemente ambicioso até ao momento para resolver o problema das rendas excessivas.

"Tudo o que são reformas profundas que afectam grandes empresas estão em banho maria ou deslizando lentamente", diz João Cravinho, indo mais longe: "foi demitido um secretário de Estado pela EDP". Cravinho referia-se a Henrique Gomes, ex-secretário de Estado da Energia.

O Governo, acrescenta, "vai empurrando com a barriga essas reformas que o próprio governo considera decisivas para repor o País no bom caminho".

Comentando o corte dos subsídios de férias e de Natal, e as diversas declarações que têm sido feitas por parte de vários membros do Governo, João Cravinho diz que as contradições são um péssimo sinal para todos os portugueses. "São forçados a perceber que aquilo que o governo diz amanhã pode ser totalmente diferente e depois de amanhã mais diferente".

João Cravinho acaba por temer que também o Tribunal Constitucional - que considera ilegal um corte definitivo desses subsídios - mude de ideias. "Vamos ver se o Tribunal Constitucional, que é de conveniência política, vai variar como o primeiro-ministro", concluiu.

João Cravinho como por aqui se escreve, esteve em "todas", desde o PREC. Como se costuma dizer em palavreado vulgar, "só fez merda", apresentando-se sempre como um grande combatente da corrupção e foi sempre em nome desse combate que mudou as regras de funcionamento económico de algumas instituições.
Talvez seja altura de desmistificar este autêntico predador da nossa situação económico-política. Com uma agravante: fê-lo por acreditar que era a melhor solução para o país, o que revela um diletantismo dilacerante e uma incompetência absoluta.
Cravinho passa por ser um grande senhor e afinal mais valia ter-se dedicado à pesca, durante a vida toda porque o mal que nos causou directamente é tão intenso e tão grave que só um desmemoriado ou um insensível não reconhece a magnitude dos erros que cometeu.
Também me sinto enganado por essa figura, já que algumas vezes a defendi por escrito. Mas, como se costuma dizer, pode haver quem engane muita gente durante algum tempo; pouca durante muito; mas ninguém o tempo todo.
O tempo de Cravinho esgotou-se.

sexta-feira, abril 13, 2012

Isto anda tudo ligado...

Para perceber porque é que isto não pode ser de outra maneira, ver o Do Portugal Profundo ( consultar os links aí referidos):

"Neste País arruinado, para provocar a mudança, é decisivo analisar a consultoria prestada ao Estado e setor público pelas empresas e organizações ligadas ao PS radical, da matriz ex-férrica, através de ajuste direto e de concurso, o seu volume em dinheiro e os contratos, desde 1995. Nomeadamente, estas sete magníficas organizações:

- Augusto Mateus e Associados - Sociedade de Consultores, Lda.
Veja-se a relação de alguns desses contratos com o Estado de 2008 a 2012, publicada no sítio Despesa Pública, no montante de 2.559.116,81 €. Interessante é, segundo este sítio, o volume de 762.911,38 € de ajustes diretos (A.D.) em 2011 (em comparação com 72 500.00 €, em 2012 - valores publicados) - dados publicados.


-Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE)
Teve como cooperantes o Dr. José António Vieira da Silva e o Dr. Paulo Pedroso e a que presidiu o Dr. António Oliveira das Neves. De 2009-2012, segundo o sítio Despesa Pública, o valor das prestações de serviços ascende a 1,44 milhões de euros (e apenas 29.450 em 2012) - dados publicados. De relevo, existe um contrato de «Prestação de serviços para dotar as diferentes estruturas e orgãos da Rede Social de dispositivos fundamentais de suporte, à monotorização e à avaliação de impactos da sua atividade», no valor de 224 500.00 €, contratado em 2-11-2010 e agora publicado em 11-4-2012.


-Ilha de Ideias - Projectos e Serviços, Lda.
Do Dr. Nuno Vitorino, agora também Presidente do Conselho Estratégico da Augusto Mateus e Associados. Segundo o sítio Despesa Pública, obteve prestações de serviços no valor de 468 151,00 €, entre 2008 e 2012 (dados publicados). Destaque para um contrato designado sinteticamente «Consultoria», no valor de 70 mil euros, com a RTP.


-Gabinete Oliveira das Neves (oficialmente, «Oliveira das Neves, Consultoria, Estudos e Projectos, Lda.»)
De António Oliveira das Neves. De acordo com o sítio que identifica as despesas públicas, de 2008 a 2012, o montante global de prestação de serviços é de 493.656,63 € (dados publicados).


-Centro de Estudos Sociais (CES) - da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Neste pontifica o Prof. Boaventura Sousa Santos. Recebeu 518.464.34 € de prestações de serviços, de 2009 a 2012 (dados publicados pelo sítio Despesa Pública).


-Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE.
Aí prepondera, desde sempre, a fação ex-férrica, de Paulo Pedroso, José António Vieira da Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Luís Capucha, etc. Conseguiu 641.192,03 € de prestações de serviços, segundo o mesmo sítio. Nesta quantia, avulta: um contrato com a Parque Escolar E.P.E. de «Prestação de serviços científicos para elaboração de estudo piloto integrado no processo de acompanhamento e monitorização do programa de modernização das escolas destinadas ao ensino secundário», no valor de 193 mil euros; e ainda a singularidade de um contrato de 3 mil euros para «Serviço de análise dos Projectos Educativos dos CED» com a Casa Pia de Lisboa, em setembro de 2009 - dados publicados.


-Quaternaire Portugal
Dirigida por António Manuel Figueiredo. Segundo este sítio da Despesa Pública, recebeu de prestações de serviços o valor de 2.855.190,70 €, entre 2008 e 2012 - com uma descida de 742 570,70 €, em 2011, para 36.500 €, em 2012 (dados publicados). "


Junte-se a tudo isto outros contratos com outras entidades ( firmas de advocacia de negócios e de consultadoria) e as ligações de pessoal político aos banqueiros deste país e temos um retrato acaciano do Portugal presente.

A Choldra

Sol:

O fundador do PS dá mostras de estar longe de se ter reformado da política. Quando Passos Coelho foi eleito primeiro-ministro, convidou-o para jantar em sua casa. E esta semana, num programa da RTP, revelou que já visitou José Sócrates «duas vezes em Paris» e que este «está muito bem».

A gente às vezes pergunta-se porque é que este governo tem sido como é, em relação ao passado socialista. As explicações mais simples são sempre as melhores: é como é porque tem que ser.

quinta-feira, abril 12, 2012

A festa grega...

Na Grécia, finalmente, conseguiram prender um antigo ministro. Por coisas menores: apenas umas luvitas no caso de submarinos, pagas pela Ferrostaal. Por cá não há casos destes. O Fripó nunca existiu e o Face Oculta não passa de uma (pouca) vergonha...
O mais interessante da notícia reside na circunstância de os gregos terem descoberto o pote do dinheiro escondido. Novamente, por cá, nunca se descobrem estas coisas. As offshores e assim são casos da vida privada. Por cá, simplesmente não há políticos corruptos. Há apenas quem venda cabritos sem cabras ter.

Tsohatzopoulos nearly became prime minister in 1996, when he was narrowly defeated in an internal party vote to become chairman of the then ruling Socialist PASOK party.
Since quitting politics in 2009, he has repeatedly denied any wrongdoing in a string of affairs investigated by prosecutors, including the use of offshore companies to buy his Athens mansion and the sale of German submarines to Greece.
In 2011, PASOK expelled Tsohatzopoulos after lawmakers asked that he be indicted in connection with the submarine procurement deal with German firm Ferrostaal.
Sources quoted by Greek media said that the court had identified cash payments to then-defence minister Tsohatzopoulos from Ferrostaal, allegedly to ensure that it would win a contract for the purchase of four submarines in 2000.
The sum he received is estimated at €8 million, deposited in a Swiss bank.

Os fiéis da balança

Uma crónica de Jorge Fiel ( jornalista com a carteira profissional número 729, Jorge Fiel tem uma extensa carreira que começou na secção de revisão do JN e que passou, depois, pelo "Norte Desportivo", "Comércio do Porto", "Semanário", "Expresso" e "Diário de Notícias") um dos muito preocupados com o caso BPN.

O BPN dava um filme indiano

Não imaginam quanto lamento não ter o tempo nem o talento para digerir os 70 volumes e 700 apensos do caso BPN e escrever um thriller baseado nos factos reais da maior fraude portuguesa do século.
A realidade supera sempre a ficção. Duvido que John Grisham fosse capaz de imaginar a cena do juiz presidente do colectivo ter de fazer uma colecta para comprar no IKEA uma estante para arrumar o processo - que lhe foi negada pela DG da Justiça.
A galeria de personagens é estupenda. Ken Follet teria de nascer duas vezes para conseguir inventar um naipe tão rico, denso e variado.
No protagonista, Oliveira e Costa, que por alguma razão era conhecido na sua terra (Esgueira) como Zeca Diabo, e que munido de um cartão laranja subiu na vida ao ponto de chegar a secretário de Estado.
Saído do Governo de Cavaco, na sequência de um perdão fiscal mais que suspeito a empresas de Aveiro (Cerâmica Campos, Caves Aliança), foi recompensado pelo seu amigo com uma vice-presidência do BEI, apesar de ter um inglês ainda mais rudimentar que o de Zezé Camarinha.
Amigo do seu amigo, Costa comprou, em 2001, um lote de ações da SLN (dona do BPN), a 2,4 euros cada, que revendeu com prejuízo (a um euro/acção) ao amigo algarvio (o Aníbal, não o Zezé) e à filha dele. Menos de dois anos depois, Cavaco e Patrícia venderam as ações com um lucro de 140% - ele ganhou 147 mil euros, ela 209 mil. Nada mau.
Quando o naufrágio foi evidente, Zeca Diabo teve a dignidade de ir ao fundo com o barco, aceitou fazer de único responsável pelas patifarias.
Em recompensa pela imolação, foi libertado devido "ao seu estado de saúde e por se encontrar em carência económica". O elenco de actores secundários também é muito atraente e diversificado. Por exemplo, Manel Joaquim (Dias Loureiro), o filho de comerciantes de Linhares da Beira que chegou a ministro, conselheiro de Estado e administrador-executivo do BPN, carreira em que fez fortuna ao ponto de poder comprar, por 2,5 milhões de euros, à viúva de Jorge Mello, uma mansão no Monte Estoril.
Temos também Vítor Constâncio que, apesar de usar óculos e ser o governador do Banco de Portugal, foi o último a ver a falcatrua, anos depois da Deloitte, Exame e Jornal de Negócios terem alertado para o assunto.
E ainda Scolari, que recebia 800 mil euros/ano, Figo (apenas 400 mil/ano) e Vale e Azevedo, que sacou dois milhões (passaram-lhe o cheque antes de verificarem as garantias), e tantas outras figuras do nosso Gotha que lucraram com um banco que tinha balcões em gasolineiras e ativos tão extravagantes como 80 Mirós e uma coleção de arte egípcia.
O enredo é fabuloso. Dava um filme indiano. Só espero que, na venda ao BIC, o Estado tenha tido o bom senso de reservar os direitos de adaptação ao cinema desta história, que estou certo será disputada por Hollywood e Bollywood. Sempre será algum dinheiro que entra para minorar o prejuízo de seis mil milhões.

Este jornalista, Jorge Fiel, é um preocupado com o BPN. O caso BPN a Fiel e a todos os fiéis do costume é um caso que supera em tudo, todas as manigâncias de todos os demais governantes. O caso BPN suplanta Parques Escolares, Scuts, PPP´s, avenças a advogados e consultadorias.
Os milhões destas "festas" são nada ao pé do BPN, erigido por estes fiéis como o exemplo supremo da corrupção absoluta e do mal maior que nos atinge.
Para além de ser um "caso de polícia", o caso BPN é o bode expiatório de todos os casos que os fiéis fidelíssimos nunca viram, não querem ver, nem toleram que outros vejam.

Se o caso BPN for resolvido a contento destes fiéis, tudo retoma a normalidade democrática.

Os demais casos são nada de nada ao pé do BPN...

O fripó dos sobreiros já foi pós porcos...

Sapo:

Os 11 arguidos do caso Portucale, ligado ao abate ilegal de sobreiros para a construção de um empreendimento imobiliário e turístico em Benavente, foram hoje absolvidos de todos os crimes de que estavam acusados.

O caso Portucale tinha como principal arguido o empresário e ex-dirigente do CDS-PP Abel Pinheiro e relaciona-se com o abate de sobreiros na herdade da Vargem Fresca, em Benavente, para a construção de um projeto turístico-imobiliário da empresa Portucale, do Grupo Espírito Santo (GES), por força de um despacho conjunto dos ministros do então Governo PSD/CDS Nobre Guedes (Ambiente), Telmo Correia (Turismo) e Costa Neves (Agricultura).

A investigação do caso Portucale envolvou escutas telefónicas e as conversas interceptadas deram origem a um outro processo (autónomo) relacionado com a compra por Portugal de dois submarinos ao consórcio alemão Ferrostal e cujo inquérito, também com contornos políticos, está por concluir há vários anos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

A leitura do acórdão ocorreu nas Varas Criminais de Lisboa, depois de ter sido adiada por três vezes.

Por causa deste assunto agora arrumado na primeira instância como se tudo fosse uma festa, Paulo Portas andou muito preocupado ( na verdade ainda anda) e jurou em ambiente público-privado, num restaurante, que se deveria quebrar a espinha aos juízes. Pelo menos dessa fama de justiceiro contra a justiça, não se livra. Já foi há muito tempo e se calhar já mudou de ideias.

Hoje, no decorrer de outro julgamento cujo resultado pode ser idêntico, um responsável não deixa dúvidas a quem não as deveria ter. Não obstante, o prognóstico é igual ao dos sobreiros: vai tudo pós porcos. Salvo seja, claro.

A Justiça, em Portugal, é uma senhora de bem e custa-lhe muito perceber a realidade nua e crua. Prefere o manto diáfano da fantasia.

Sapo:

Gary Russell - que não se recorda se a referida quantia era em euros ou libras - começou por dizer que não tinha tido conhecimento de um pedido daquela quantia, mas à medida que foi questionado pelo procurador da República admitiu saber, indicando que terá sido solicitada por "um escritório de advogados", do qual não disse o nome. [o escritório de advogados, segundo constou na altura, foi o de Vasco Vieira de Almeida, que na altura não estava nada preocupado com o caso... -nota minha]

A testemunha, que referiu ter "acompanhado de perto o processo do Freeport juntamente com o director Johnattan Rawnsley", disse ainda não "ter ideia" do que mudou no projecto para que a terceira avaliação ambiental fosse positiva depois de duas negativas, admitindo porém, que o projecto inicial sofreu algumas alterações.

Negou, contudo, que tenham sido feitos pagamentos "ilegais ou subornos" a alguém para que a construção fosse viabilizada.

D.N.:

O director comercial do Freeport entre 1998 e 2007, Gary Russell, confirmou hoje no Tribunal do Barreiro ter-se reunido com José Sócrates, no gabinete ministerial deste, antes de ser aprovado o licenciamento do 'outlet'.

Questionado pelo procurador da República sobre se se lembrava onde tinha ocorrido essa reunião e com que objectivo, Gary Russell respondeu que "foi no gabinete dele [Sócrates], antes da aprovação do projecto" e que serviu "para tentar explicar a importância do projecto para a regeneração de Alcochete já que o local era um antiga fábrica de pneus".

O rito escocês- de cavalo para burro

Da Wiki, um artigo sobre o antigo presidente do Banco Real da Escócia. Fred Goodwin:

Frederick Anderson "Fred" Goodwin FRSE (born 17 August 1958)[1] is a Scottish chartered accountant and former banker who was Chief executive officer of the Royal Bank of Scotland Group (RBS) between 2001-09.

From 2000-08 he presided over RBS's rapid rise to global prominence as the world's largest company by assets (£1.9 trillion),[2] and fifth-largest bank by stock market value[3] and its even more rapid fall as RBS was forced into effective nationalisation in 2008. On 11 October 2008, Goodwin officially announced his resignation as chief executive and an early retirement, effective from 31 January 2009 – a month before RBS announced that its 2008 loss totalled £24.1 billion, the largest annual loss in UK corporate history.[4]

From January 2010 he was employed as a senior adviser to RMJM, an international architecture firm. He left the position after less than a year.[5][6]

Goodwin's knighthood, awarded in 2004 for "services to banking", was "cancelled and annulled" on 1 February 2012.

Em 2004 foi armado cavaleiro. Em 2112 foi apeado e passou de cavalo para burro. A ética inglesa mesmo em rito escocês, não perdoa falhanços rotundos que prejudicam a economia de um país.

Que fazer com os nosso cavaleiros de indústria, no caso bancária, que nem ostentam títulos que lhes possam ser retirados?

O senhor Espírito Santo

Ontem era assim:




O Conselho de Administração do Banco Espírito Santo, “após parecer favorável da Comissão de Auditoria, deliberou hoje um aumento de capital social por novas entradas em dinheiro a realizar através de subscrição pública com respeito pelo direito de preferência dos accionistas de até 2.556,7 milhões de acções, ao preço de subscrição de 0,395 euros por acção, o que permitirá um encaixe de até 1.010 milhões de euros", sublinha o BES em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).


Hoje já é assado:


Económico:
Os títulos da banca seguem a perder mais de 10%, na bolsa nacional que regista perdas de mais de 2%. O BES nunca valeu tão pouco.

As acções do BES nunca valeram tão pouco, na sessão de hoje os títulos do banco chegaram a cair 26,65% e seguem agora com perdas de 18%. As acções do banco liderado por Ricardo Salgado chegaram a negociar hoje nos 0,855, sendo que o preço de fecho de ontem foi 1,167 euros.


Em Portugal, o indivíduo que acima figura não é questionado. Vai à tv quando quer, diz o que quer e fala sempre do alto da sua burra.

Porquê? Porque os nossos media são "muito suaves" , como dizia o Cavaco.

Espera-se, para bem do país de quem o citado indivíduo tanto se tem aproveitado em negócios de banca, que os burrinhos não vão parar à agua...

Espera-se ainda que apareça alguém com coragem de o questionar no que é essencial: como é que fez negócios nestes últimos vinte anos? Quem o ajudou nos governos e como?

quarta-feira, abril 11, 2012

A Maçonaria em efervescência...mais uma festa, pá!

InVerbis:

Até ao final desta semana deverá dar entrada no Parlamento a lista de nomes que serão votados para o Tribunal Constitucional (TC). Assim o decidiram PS e PSD, num acordo informal preparatório da eleição, marcada para o próximo dia 20 e em que se exige maioria de dois terços, ou seja, o acordo da coligação no Governo e dos socialistas. Em causa estão quatro lugares vagos entre os conselheiros que compõem o TC, um dos quais o do próprio presidente, já que Moura Ramos termina hoje oficialmente o seu mandato de nove anos.

Entre os quatro nomes designados, um deles será indicado pelo PS e três pelo PSD e CDS-PP. Destes últimos, um deles não será votado, já que as regras mandam que seja cooptado (escolhido pelos restantes juizes do TC), mas há também o hábito de ser indicado pelo partido que a tal tem direito. Isto porque, em regra, pretende-se que haja um equilíbrio de forças políticas no tribunal. O corpo de magistrados escolhe o presidente, mas também aí há uma regra de alternância. Isso significa que desta vez caberá ao PS indicar o futuro presidente, já que Rui Moura Ramos foi designado pelos sociais democratas. O nome, no entanto, não tem de ser o do juiz que for agora designado, ou seja, pode ser um magistrado que já esteja no Tribunal.

Já foram escolhidos os nomes para os lugares vagos no Constitucional. Juristas, obviamente. Escolhidos maioritariamente pelo CDS-PP e pelo PS. No caso tanto fará. Quem escolheu já e com todo o empenho foram as diversas lojas maçónicas que nisto não dão ponto sem nó.

Com nomes no Parlamento como Nuno Magalhães ( CDS) e Montenegro ( PSD) os nomes passam necessariamente por esses dois deputados da mesma loja maçónica que só aparentemente se opõe ao GOL.

Alguém ouviu falar em qualquer nome? Ninguém, publicamente. O Expresso sempre tão bom informado do que se passa nas lojas não diz nada. Os outros media estão calados que nem ratos, ao largo.

É esta a democracia que nos impingem: uma prè-escolha de juízes para o Tribunal Constitucional secreta, sem qualquer escrutínio público e atentatória da transparência democrática, coisa horrorosa para essas lojas.

A festa continua, pá...

Público:

O presidente do Instituto de Infraestruturas Rodoviárias (InIR) afirmou esta quarta-feira de manhã, no Parlamento, que “ficaria mais caro ao Estado rasgar” o contrato assinado com a Lusoponte do que renegociá-lo. PS defende que o InIR não tem condições para ser um regulador independente.


Então...porque não o rasga?!

"sei que estás em festa, pá..."

Esta senhora, Lurdes Rodrigues foi ministra (!) e fez à Educação o que toda a gente sabe. Sobre a iniciativa governamental "Parque Escolar" que esfolou milhões ao erário público, muitos deles reconhecidamente de modo ilegal e contrário a regras democráticas estabelecidas, a mesma senhora afirmou que foi tudo "uma festa".
O despudor da afirmação marca mais uma vez o autêntico autismo político da senhora. Dizer que a violação de regras democráticas que constituem irregularidades graves, provocando prejuízos de milhões ao erário público, é "uma festa" revela tudo o que a senhora pensa do exercício de funções públicas. É preciso recordar que esta mesma senhora está acusada de abusar do seu poder em relação a amigos e correligionários, num caso que vai ser julgado por isso mesmo. Se for condenada, não o pode ser em qualquer pena suspensa porque a consciência de ilicitude da senhora está tão degradada que só uma pena de prisão efectiva pode efectivamente recuperar o sentido ético que deve presidir a qualquer governante sério e competente.

A senhora teve o desplante de responder ontem na Assembleia da República do modo como os jornais hoje noticiam: uma festa para toda a gente!


Este, pelo contrário , talvez devido ao local onde se manifestou, similar ao local onde aquela senhora irá em breve, declarou num acto de arrependimento que peca por muito tardio, mas ainda com alguma vergonha do que se passou:




"O presidente da REFER afirmou esta manhã no julgamento do caso Face Oculta que com os procedimentos verificados naquela empresa pública nas pesagens de resíduos, no Entroncamento, «toda a gente ficou mal na fotografia».
Luís Pardal, que está neste momento a ser inquirido pelo procurador João Marques Vidal, na 43ª sessão do julgamento, em Aveiro, disse mesmo ter «alguma vergonha e pudor de ser parte de uma situação que é difícil de aceitar»



«Eu fui algo intolerável com as explicações, que não eram aceitáveis, porque os procedimentos eram ilegítimos e incorrectos, aquilo não foi só a falta de controlo», salientou Luís Pardal.

«Toda a gente ficou mal na fotografia», repetiu Luís Pardal, referindo-se «ao modelo, aos procedimentos, às rotinas, aos registos, enfim, toda a gente chamuscada e salpicada daquela situação».


Será que não tira ilações disto tudo e dessa vergonha que agora diz sentir e que sentirá tão completamente que chega a dizer que é sentida vergonha a vergonha que deveras sente?

terça-feira, abril 10, 2012

Isto é do caneco: a busca de um calcanhar de Aquiles

InVerbis, citando o i de hoje:

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) não recebeu qualquer queixa para averiguar se o juiz Carlos Alexandre violou o dever de reserva dos magistrados quando falou sobre o contexto de uma diligência processual numa entrevista dada ao blogue "Ânimo". Mas hoje é dia de reunião plenária no CSM e algum membro pode invocar a questão.

Estas linhas transcritas do i de hoje vêm assinadas por Sílvia Caneco ( que me perdoe o irresistível trocadilho do título) e pretendem relançar uma lebre cansada que alguém lançou há muito tempo a correr nos media. Particularmente, em finais de 2009, altura que o juiz de instrução do TCIC, Carlos Alexandre se preparava para instruir os processos do BPN, submarinos e "furacão".
Na altura ( 10.1.2010) o Expresso noticiava a putativa preocupação de algumas personalidades com a circunstância de aquele juiz provocar "alguma controvérsia, pela forma como aprofunda e se empenha nos processos ( em demasia, segundo alguns advogados de defesa) e por dar luz verde a algumas diligências mal recebidas ( buscas a escritórios de advogados)".
A solução para as preocupações desses preocupados ( entre os quais o presidente do STJ que respondeu secamente ao Expresso que não respondia sobre o assunto) seria encontrar um parceiro pensador para os processos do TCIC. Problema: não havia ( nem há agora) processos atrasados no tribunal. Azar para os preocupados...
Nesse artigo, o Expresso não se coibia de escrever: "para já, o juiz não tem calcanhares de Aquiles".

Muito tempo antes, em 2003, no TCIC estava por lá uma juiza- Fátima Mata-Mouros, em tempos leitora deste blog. E numa entrevista extensa ao Público, em 17.11.2003, dizia coisas extraordinárias e interessantes, para o tempo.
Por exemplo que não lhe repugnava nada a realização de escutas em sede de pré-inquérito ( na PJ, portanto) e que " a escuta não deve ser eliminada enquanto a defesa não aceder a ela". Além disso, considerava então as burocracias com as escutas, transcrições e selecção do material escutado uma "carga burocrática lesiva do direito das pessoas."

As regras processuais mudaram em 2007, aumentando exponencialmente essa carga burocrática e nessa altura, em 2003, Fátima Mata-Mouros escrevera um livro sobre as escutas, com base na sua experiência no TCIC, no qual conclui, além do mais, isto:

Entre as opiniões que os tais "preocupados" com o caso do TCIC tinham avultava o de este tribunal centram ser presidido apenas por um juiz de instrução ( como aliás o é o caso do controlo de escutas a outros titulares de órgãos de soberania, pelo pSTJ) . Citava-se então útil e precisamente Fátima Mata-Mouros que tinha elaborado um relatório a propor um segundo juiz para o cargo. Um relatório que caiu como sopa no mel para os preocupados ao qual se agarraram como tábua de salvação mediática. O azar é que não havia razões processuais e de movimento que justificasse a solução...
Desconhece-se o que a actual desembargadora pensa sobre o assunto mas pode sempre dizer algo, particularmente sobre mais esta ofensiva de "preocupados" com o actual juiz do TCIC que acumulou muito mais experiência que aquela e que se pudesse e quisesse escrever um livro sobre o que sabe deste nosso pequeno mundo nacional, seria best-seller. Daí as preocupações dos preocupados.

Desta vez, o aríete é o jornal i, através daquele artigo de Sílvia Caneco e do editorial do novel director do periódico, Eduardo Oliveira e Silva, muito versado nestas matérias e que perora em editorial sobre os malefícios da magistratura falar em público.
Sobre o video passado na TVI com Carlos Alexandre mostra-se pesaroso. Acha que as declarações prestadas "não abonam a credibilidade da justiça portuguesa e um dos seus principais protagonistas." Carlos Alexandre, note-se, citou essencialmente um ditado popular: " quando o dinheiro fala, a verdade cala-se". E citou alguém com nome na praça a falar em nome de quem tem dinheiro, muito dinheiro...
Terá sido este o motivo para tão grande pesar jornalístico e será este o motivo para tamanho desprestígio de um magistrado?

À boleia deste pesar sentido, apresta-se a Sílvia Caneco a sugerir ao CSM que na reunião de hoje ( que decorre), debata o assunto. Sílvia Caneco falou com o vice-presidente do CSM e este não se mostrou preocupado porque os verdadeiros preocupados são outros. Sílvia Caneco saberá quem são e então o director do jornal ainda saberá melhor.

Para tranquilizar tanta preocupação, lembro aqui uma entrevista do mesmo juiz ao Correio da Manhã de 27.12.2009, na revista-anuário do jornal, em que essencialmente já dizia o mesmo que agora: nunca pertenceu a nenhuma agremiação, leia-se maçonarias e quejandas.
Nesta parte da entrevista dá-se conta do controlo que diversas instâncias exercem sobre o juiz. São muitas e de muitos preocupados. Alguns deles, naturalmente e por causa dessas preocupações procuram assento no órgão de disciplina e gestão dos juízes, o CSM. E de vez em quando mostram essa preocupação de forma ostensiva. Uma das últimas vezes que o fizeram foi a propósito de um caso singular, a classificação de serviço de um outro juiz que os preocupou em demasia, Rui Teixeira.
Quanto aos demais juízes e magistrados que participam em debates televisivos semanais, escrevem opiniões em jornais ( como António Cluny o faz habitualmente no mesmo jornal i) e peroram sobre assuntos de informações da República ou jurídicos, em seminários, encontros públicos e conferências, esses nunca os preocuparam. Nem preocuparão. Por natureza esses não têm calcanhares de Aquiles, nunca violam deveres de reserva ( nem o presidente do STJ quando se pronuncia sobre casos concretos judiciais e pendentes) e é por isso que esses preocupados andam afadigados em encontrar um calcanhar de Aquiles que sirva ao juiz do TCIC.

Ainda não foi desta, pese embora o esforço do caneco ( sorry, é irresistível) e a hipocrisia do director do jornal. Este tem um currículo de preocupações invejáveis:
"Eduardo Oliveira Silva tem desempenhado até agora o cargo de Director do Centro de Formação da RTP. Anteriormente, tinha sido director de informação da RDP, director-adjunto, chefe de redacção e assessor da administração. Entre 1988 e 1993 foi, sucessivamente, director de informação e presidente da Agência Lusa."
Percebe-se muito bem de onde lhe vêm os motivos de preocupação e por isso veremos futuramente mais reflexos desse jornalismo cívico feito de empenhos.
Então a minha preocupação singela e de simples blogger é esta: poderá Eduardo Silva esclarecer os leitores a que loja maçónica pertence ou pertenceu? Se não pertenceu a nenhuma tem apenas uma resposta a dar: precisamente a que o juiz Alexandre deu. Será capaz? Ou entende tal como um desprestígio para a classe?


A causa gay e o Público

Da revista New Yorker, último número, sobre o jornal inglês Daily Mail, um tablóide que em Portugal apenas se encontra paralelo no Correio da Manhã.

Sobre os critérios jornalísticos do director, premiado mais uma vez, na semana passada:

Last week, the Mail swept the British Press Awards, winning nine, including Newspaper of the Year and Website of the Year. The Mail’s competitive advantage lies in its connection to its readers. “There’s a lot of rubbish talked about what people are interested in,” Dacre told me. “When my executives tell me everyone’s fascinated by a particular subject—say, a pop star or a film—I ask myself, ‘Would my family be interested?’ Eight times out of ten, I instinctively know when the answer is no.”

Dacre is a divining rod for stories, detecting journalistic gold on ground that others have bypassed or hurried over. Simon Kelner, a former editor of the Independent and the chief executive of the Journalism Foundation, said, “What the Mail does so well is to shamelessly borrow from other media. Even if a story has been somewhere else, you’ll find it the next day in the Mail, done bigger, very often done better, with a real sense they have that the people who read the Mail only read the Mail.” A reporter on a rival paper told me, “Dacre has this sense for what’s really going to get the average punter wound up.”

O critério é muito simples de entender: o director pergunta-se " estará a minha família interessada nesta notícia?"

Tomemos agora o caso do Público de hoje que tem uma página 19, assim estilizada, com um artigão de duas colunas e foto, sobre os gays e a discriminação de que são vítimas em África.

Publicaria o Daily Mail um artigo destes segundo aquele critério? Evidentemente que não. O Público não é o Daily Mail: é mais pretensioso,claro. E enviesado para estes assuntos algo marginais e de causas fracturantes.

A direcção do jornal entende, porventura, que este assunto interessa sobremaneira aos seus leitores.

Quando um jornal oferece um prato destes ao consumidor habitual tem todo o direito de o fazer. Mas a insistência neste cardápio é um convite claro a mudança de restaurante de leituras diárias de jornal.

Além do jacobinismo latente que só se excepciona na inaplicação de um acordo ortográfico o Público enfileira na marcha do "orgulho gay" num modo mais que desproporcionado.

Já chega! Vou mesmo mudar de ementa. Esta já enjoa.

O interesse nacional tem muito que se lhe diga...

Económico:

O Presidente da República evoca "razões de interesse nacional" para justificar a promulgação do congelamento das reformas antecipadas

"Pedi informações ao Governo, ele forneceu-me todas as informações que foram solicitadas e, face às razões de interesse nacional que me apresentou, entendi que não devia obstar à entrada em vigor do diploma", afirmou o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final da inauguração da nova sede da Microsoft em Portugal.

Pois, pois...o interesse nacional actualmente serve para justificar tudo e mais alguma coisa. Só não serviu para justificar a promulgação da lei sobre o enriquecimento ilícito. Aí foram dúvidas e dúvidas sobre a constitucionalidade da inversão do "ónus da prova" e mais isto e mais aquilo.

O povo começa a entender claramente como é que estas coisas funcionam e quais são os verdadeiros interesses nacionais em jogo.

É fácil enganar o povo uma ou duas vezes. Mas muitas vai ser difícil e perante uma situação de emergência nacional, Cavaco e Silva que se cuide. Com o BPN, claro está...porque as pessoas não são parvas nem andam a dormir na forma.

O ISCTE europeu

Económico:

A OCDE diz que Portugal deve reduzir a excessiva atenção dada às notas dos alunos.

A OCDE diz que Portugal deve melhorar as práticas educativas e reduzir a excessiva atenção dada às notas dos alunos - a avaliação sumativa. Isto porque existe actualmente no sistema educativo um "problemático actual uso excessivo do ‘chumbo' e a desmesurada atenção às notas". Esta é uma das recomendações que vêm no último relatório da OCDE sobre educação "Reviews of Evaluation and Assessment in Education" que analisa as políticas de avaliação no sistema de ensino português e faz uma série de recomendações para melhorar a eficácia dessas políticas.

Foi por causa de recomendações destas que a senhora dona Lurdes que ainda está a presidir à FLAD, mesmo acusada de crimes sérios, numa contemporização que só pode ser assacada ao primeiro-ministro e nada abona em favor do mesmo, conduziu o ensino em Portugal ao estado em que se encontra: uma desgraça que o actual ministro Nuno Crato tenta de algum modo resolver.

A OCDE é uma organização que inspira o ISCTE. Mais uma razão para não lhe dar ouvidos.

O chumbo da Ordem dos Advogados

InVerbis:

Ao Expresso, Marinho e Pinto lamenta que os candidatos estejam "tão mal preparados" e culpa as universidades por "mercantilizarem o ensino do Direito".
"O que é mais extraordinário é que o próprio Estado não os aceita, por considerar que muitos deles não tem condições de ingressar no Centro de Estudos Judiciários"(CEJ) , acrescenta o bastonário da Ordem dos Advogados, sublinhando que o acesso ao CEJ não é permitido apenas com a licenciatura em Direito, sendo necessário o mestrado.

Segundo se noticiou, os candidatos a advogados que fizeram o exame para ingresso na Ordem, chumbaram como tordos:
"Seis em cada dez candidatos chumbaram no exame da Ordem dos Advogados, que se realiza no fim do estágio de dois anos. Dos 886 inscritos para a prova derradeira, apenas 367 conseguiram nota positiva. E, desses, 122 entram na carreira com o mínimo possível: nota 10 na prova final. "

Resta um comentário: tais chumbos percebem-se porque a profissão de advocacia está repleta de profissionais que competem entre si e o mercado não chega para todos. É só por isso que o BOA tem feito tudo para limitar o acesso à profissão, num exercício que assume por vezes foro de inconstitucionalidade, para não dizer mais.
Sobre este exame, um dos advogados escalados para corrigir os testes, recusou-se a tal por não conseguir resolver o teste de direito processual penal, pela dificuldade que apresentava. E exerce a profissão há 23 anos!
Aposto dobrado contra singelo que Marinho e Pinto chumbava redondamente neste exame.

segunda-feira, abril 09, 2012

A honra de um advogado em jogo.

Sol:

Para dar a entrevista ao Carlos Tomás, o Ricardo diz que lhe foi prometido dinheiro para mentir. Foi assim?

Sim, o Carlos Tomás disse-me para livrar os arguidos e para dizer que era tudo mentira o que disse no processo. Disse-me para falar sobretudo do Carlos Cruz, que era tudo mentira, e que tinha sido ameaçado pelo procurador para o acusar. Depois, a entrevista fiz à minha maneira. Eu sabia o que ele queria e construí a minha mentira.

A única saída para um advogado de defesa, num caso destes, é renunciar à procuração e mandato respectivo.
É essa a única atitude a tomar por Ricardo Sá Fernandes.

O abismo dos sociólogos esquecidos

Carlos Alexandre falou ontem em "raízes" de Portugal e na necessidade de irmos às raízes para nos entendermos de novo como povo.

Este discurso é raro, não passa nos media e quando passa é rapidamente relegado para uma obscura catalogação conservadora ou, pior ainda, reaccionária, como diziam os comunistas, aliás o grupo mais conservador que existe em Portugal, mas que continua a marcar a agenda intelectual dos bem pensantes, acolitados à esquerda por um pensamento radical, jacobino e cujas raízes são estranhas ao "nosso povo", mas que pretendem à viva força enxertar na cepa, para a entortar de vez.

No Sábado, a socióloga reformada Filomena Mónica escreveu uma crónica no Expresso que merece comentário.
MFM já escreveu a sua biografia, cuja leitura me antecipava uma expectativa de perceber melhor este "nosso povo", nomeadamente o urbano, vindo da "província" nas primeiras décadas do séc. XX, para uma Lisboa que se recheou destes espécimenes sociais que a sociologia lusa nunca estudou verdadeiramente, por carência de antropólogos adequados.

Por isso mesmo, estas crónicas de fundo interessam-me.
No caso presente, MFM admira-se com a "incultura" dos reformados da sua geração que não lêem e preferem fazer renda de bilros imaginários ou jogar à bisca lambida nos bancos dos jardins públicos.
Os reformados em causa são os nascidos na década de 40 do século que passou. MFM acha que a esmagadora maioria destes novos velhos vieram do campo e nesse lugar remoto a ignorância seria a norma, com taxas de analfabetismo altíssimas. MFM estima tal cataclismo cultural nuns assustadores 70 ou 80% de incapazes de soletrar e formar frases escritas ou lidas.
MFM acha que a obra de referência destes desvalidos do saber escrito era um livro de feitiçaria, remetendo evidentemente para estigmas medievais, como modo apropriado de descrição ambiental.
MFM resume este "abismo" num conceito breve: "o analfabetismo ancestral do povo português".
Os culpados do abismo são os regimes da I República e do Estado Novo, "incapazes de educar o povo".
Educar o povo, portanto, seria o desiderato destes iluminados pela cultura que se reflecte na incapacidade de ler e entender daqueles desgraçados que apenas se interessam por telenovelas, futebol e pouco mais.
De fora fica todo um mundo fantástico que inclui os romances de Eça e as novelas de Camilo, mais o saber ouvir Schubert e poder olhar Bernini, Turner ou, mais prosaica, a nave de Alcobaça.
Esses símbolos escaparão aos reformados nascidos na década de 40, contemporâneos da autora, fazendo-os cair no tal abismo da incultura.

Dito de outro modo, esta gente ignota não tem raízes porque saiu do campo onde elas nascem. Cresceu num ambiente urbano sem referências culturais de relevo e afeiçoaram-se à "querida televisão" como a fonte de todo o saber. E é esse o abismo.
Será mesmo ou o abismo muda de sítio e estará colocado onde menos se espera?
Na década de 40 Portugal passou fome, no tempo da guerra ( principalmente em 1942) mas renasceu a partir de 47 com obras públicas, num exemplo do Keynesianismo mais puro, ou seja do socialismo corrente. Duarte Pacheco é o nome do regime e ainda hoje é lembrado.

Na década de 40, o Estado Novo tinha a sua cultura. E a sua propaganda, gizada por António Ferro e com cartazes assim que relatam factos que podem ser comprovados e desmentidos, mas não podem ser ignorados, relegando tudo para um obscurantismo medieval.

Na cultura popular, os anos 40 foram os anos de ouro do cinema português. As tais raízes esquecidas podem ainda ser vistas nesses filmes e não são aquilo que MFM conta que vê nos reformados nascidos nessa década.
O que é que a oposição comunista ao regime tinha para oferecer? Esteiros ( Soeiro Pereira Gomes), Cerromaior ( Manuel da Fonseca) Retalhos da vida de um médico ( Fernando Namora) e pouco, muito pouco mais.
A Censura era e continua a ser a justificação para a mediocridade criativa. Depois de acabar a censura viu-se que nada tinham para oferecer a não ser panfletos políticos.
Foi nos anos quarenta que Portugal abriu ao mundo cultural. A colecção da Vampiro da Livros do Brasil, com Dashiell Hammet, Agatha Christie e outros, começou aí.
Como se vê por esta imagem de um quiosque de Lisboa ( retirada de um livro de Joaquim Vieira) em Portugal nessa época lia-se tudo o que havia no estrangeiro. Em francês, inglês e espanhol. Aos comunistas de então, pergunte-se-lhes se em Moscovo havia quiosques destes...

Porém, ainda mais importante do que estas verificações factuais que desmentem aquele escrito de uma socióloga esquecida, poderemos recuar umas décadas e aterrar no imaginário do Portugal de meados do séc. XIX, o século de Eça e Camilo que escrevia para vender e sobreviver.
Como se educavam então as crianças que iam às escolas públicas e que não eram tão poucas como isso, apesar de todas as diferenças sociais existentes?
Assim, com um Manual Encyclopedico da autoria de Emilio Achilles Monteverde, cujo índice é um programa contra o jacobinismo mas ao mesmo tempo um reflexo iluminista na instrução primária naquilo que é essencial: ler, escrever e contar como deve ser.


A par disso, as normas morais dos costumes de então são perfeitamente claras e muito pouco relativas, espelhando a ideia de um Portugal cristão, com valores cristãos e muito profundos e enraizados.

Aqueles que nasceram em 1940 ainda foram educados nessas regras morais. Os que fizeram o Estado Novo sem dúvida que o foram. Terão sido as mesmas que falharam ou a evolução social e de costumes que se alterou, provocando o tal "abismo"?
E de quem é a culpa de se ter relativizado essa moral que passou a chamar-se ética e a corresponder àquilo que a lei prescreve?

Se se ler o índice abaixo pode reparar-se que não existe a palavra "direitos" entre as regras de conduta. Existe sim e muito repetida, a palavra "deveres". Será essa alteração meramente semântica ou a que provocou o "abismo"?

Não é com os estudos destas sociólogas esquecidas que compreenderemos quem somos e onde estão as nossas raízes.
Só os antropólogos que sabem História, conhecem a fundo o nosso Portugal e não se enfileiram no jacobinismo poderão responder cabalmente. Infelizmente temos poucos. Aliás, teremos algum?





domingo, abril 08, 2012

Carlos Alexandre, um juiz que o establishment não suporta.

Ver o video da TVI:,ou uma versão mais completa, aqui:

O juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, raramente dá entrevistas, apesar dos muitos pedidos por órgãos de informação que lhe são feitos. Mas acabou por falar para a câmara de António Colaço, um amigo e conterrâneo.

Às três da madrugada, o juiz dos grandes processos percorre as ruas de Mação, uma pequena vila, mesmo no coração de Portugal, no terço da farinheira.

«Estas são as únicas capelas que eu frequento», diz o juiz para a câmara. «Não é para dizer que são as capelas de Mação ou não. São as capelas que eu frequento. Eu não pertenço a qualquer outro tipo de congregação ou obediência», aponta.

O juiz considera, pois, uma mais valia participar numa tradição religiosa em Mação, mas não pertencer à maçonaria. E aproveita a conversa para contar a história do que ouviu durante umas buscas da «Operação Furacão» ao advogado de um empresário do norte, accionista da banca portuguesa.

«Foi-nos dito por uma pessoa com importância na praça que sabia o que estava ali a fazer, porque estava ali a mando de alguém que lhe pagava e que essa pessoa contava com ele para fiscalizar aquele acto. Porque, quando o dinheiro falava a verdade calava. E que se esperava que nós soubéssemos o que estávamos ali a fazer», disse. «Nós não nos deixámos até hoje, pelo menos eu, contaminar por essa vertigem do dinheiro».

Carlos Alexandre, que raramente dá entrevistas, afirmou ainda que Portugal só vai conseguir resolver os seus problemas se mudar muito por dentro.

Já tenho dito e repito aqui: é uma sorte para o nosso país, neste momento, haver um juiz de instrução criminal como Carlos Alexandre. Ao contrário de uma sua antecessora ( Fátima Mata-Mouros) não entende o seu papel como sendo o de "dizer não às polícias e ao MºPº".
Carlos Alexandre entende bem o MºPº e as polícias e tanto quanto me apercebo e vi até agora, diz não às aldrabices e confusões processuais de quem procura sempre ganhar na secretaria das regras processuais, o que não pode ganhar no jogo limpo dos factos.
Factos são factos e crimes são crimes, seja quem for que neles incorra. O papel de um juiz de instrução é solitário. Muito solitário porque não decide acompanhado, como na Relação ou num colectivo. Decide conforme os elementos de prova de que dispõe e tem de justificar e fundamentar as decisões.
Nesse papel fundamental de aplicar o Direito e a Justiça no caso concreto, assume especial relevância a percepção da realidade, dos factos e das circunstâncias, destrinçando a verdade da mentira e a aldrabice da transparência real.
A qualidade de um juiz vê-se nesse desempenho. Transparece das decisões e transpira para a opinião pública que percebe muitas vezes instintivamente a verdade.

É esse a melhor gratificação de um magistrado: a consciência clara e limpa de um dever cumprido. Nada há de mais gratificante nessa profissão.

sábado, abril 07, 2012

Vigarista, disse o trotskista.

R.R.:

Francisco Louçã exigiu hoje a realização de eleições legislativas antecipadas, caso Portugal venha a precisar de um "novo empréstimo".

"Não se atreva a propô-lo [um novo empréstimo] ao país sem olhar para os portugueses e pô-los no direito de voto para que todos possam decidir", desafiou Louçã, num discurso na festa do 13.º aniversário do BE, que decorreu em Matosinhos.

Considerando que o Governo teve "uma semana vertiginosa", Francisco Louçã afirmou que a política do primeiro-ministro Passos Coelho "é uma vigarice", porque "aumenta o desemprego e a dívida".

"É a democracia e não a vigarice que tem que decidir; democracia é decisão, decisão são eleições, é a escolha democrática de todos", frisou.

Louçã, se disser a verdade ao povo português, sobre as suas verdadeiras propostas eleitorais é corrido literalmente do parlamento. Já levou uma primeira lição e agora está à espera da lição final. Um comunista assumido, não o consegue afirmar abertamente.
Como tal coisa lhe é absolutamente vedada, mente, aldraba e confunde. E ainda tem a supina lata em falar de aldrabices.

Como se escreveu por aqui o ano passado:

Louçã é um dos grandes enigmas da política portuguesa. Em Setembro de 2009, véspera de eleições legislativas e confortado em sondagens favoráveis, declarava ao Público sem peias ou meias ideias, a sua convicção comunista, facção trostkista:

"Tenho as opiniões que tinha desde os 15 anos" ( "progressistas". Em Junho de 1974 já lamentava no primeiro ano de Económicas que houvesse tão poucos professores progressistas. Logicamente, hoje pensará o mesmo e com uma vontade activa de que haja mais e cada vez mais). Sou dirigente do BE. (...) Fui, desde novo, um socialista de esquerda ( quer dizer, um comunista na acepção comum e corrente da expressão).

E o Público: Era um revolucionário?
E Louçã, lesto e ufano: Com certeza.
E o Público: Hoje continua a ser um revolucionário?
E Louçã, mais cuidadoso: Sou socialista ( do PS não é, do PCP também não quer ser, pelo que só pode ser de um socialismo que não existe na prática. Mas existe na teoria, marxista-leninista-trotskista, com destaque pare este último. Em suma, um comunista disfarçado de burguês á espera de melhores dias). E para que não haja qualquer dúvida, avança no esclarecimento fatal, real e completo:
"E sou contra o capitalismo. O socialismo para nós, é um projecto anticapitalista, com todo o gosto pelas palavras e com toda a clareza." Ah! Valente Louçã! Assim é que é. Parte esta louça toda, Louçã!
Nunca Louçã tinha ido tão longe, mesmo nos tempos em que era proprietário ( capitalista) do Combate, com ideias tão avançadas como desmantelar as prisões e o sistema de justiça. Agora, é claro: Louçã quer a destruição do sistema capitalista que existe em todo o mundo, com pequenas excepções conhecidas: Coreia do Norte, Cuba e aqui em modo mitigado e...onde mais, afinal?

E o Público, aproveitando a embalagem de confissões: Foi um revolucionário. Hoje já não é?

E Louçã, embalado na declaração inebriante e de coração à mostra: Sou o que sempre fui. Aprendi muito, em muitas questões. Aprendi, mais que tudo, que é preciso uma política que seja clara. ( Oh céus! Clara, a política de Louçã?! Agora, neste entrevista, é. Mas anda sempre a esconder o que é. A ocultar o que pensa. A mentir. A dissimular o seu comunismo de luta revolucionária contra o capitalismo!)
E continua, para que não fique qualquer dúvida: O socialismo quer dizer combate à exploração e combater o capitalismo como forma de desigualdade social. ( aqui está, claríssima, a ideologia comunista, no seu esplendor. Ideologia abandonada em todo o mundo civilizado, repescada por Loução como o destino do Homem). E como vai o mesmo convencer o cidadão comum? Assim:

" Mas quer dizer também ( o socialismo) recusar os regimes de partido único ou de censura, ou de ataque à liberdade de opinião".

Em tempos, a explicação para mais esta aldrabice foi dada aqui.

A nossa pobreza endémica agravada

A revista francesa Capital publica este mês um pequeno estudo comparativo entre os ordenados que os franceses e alemães auferem, concluindo que os alemães estão em vantagem comparativa.

Ler este estudo é deprimente para nós, mas elucidativo do que nos fizeram estes políticos de meia tijela que andam por aí a proclamar virtudes e banha da cobra.
É elucidativo ainda do que temos como elites nacionais, mormente as judiciais de topo, como são as do Tribunal Constitucional, e como lidam com os problemas de corrupção que atingem aqueles políticos que nos conduziram a um beco, governando-se à grande e à francesa, em certos casos literalmente.
É ler este pequeno postal que José António Barreiros escreveu sobre o "chumbo" do tribunal Constitucional , depois da apreciação suscitada pelas "dúvidas" do actual presidente da República, à lei de incriminação do enriquecimento ilícito.
O rendilhado jurídico encontrado para o chumbo é bem elucidativo dos problemas que enfrentamos nessa vertente da intelligentsia jurídico-judicial de topo.

Se verificarmos o paralelo entre o caso apontado ( mas a revista aponta outros, mormente de operários de ambos os países) entre dois professores na França e Alemanha, depressa nos damos conta do fosso que nos separa e que vai ainda aumentar durante os próximos anos, por causa das políticas concretas daquelas pessoas concretas que nos governaram nas últimas décadas e nos arruinaram, sempre com grandes leis de presunção de inocência assegurada para alguns com réditos escondidos em off-shores.

Desvalorizar os indícios de corrupção, latentes ou evidentes, eliminando os meios para os combater juridicamente é um jogo que não entendo.
Jogar com conceitos como o "ónus da prova", desqualificando-o nuns casos ( fiscais, por exemplo) e relevando-o nestes casos de corrupção, sem que o nome se lhes aplique com toda a propriedade mas com evidência a entrar pelos olhos dentro do cidadão comum, ao estrato de princípio intangível da integridade fundamental de quase um direito de personalidade, só poderia provir de personagem tipo Ricardo Rodrigues, um dos seus defensores mais arreigados.
Lá saberá porquê, mas neste caso não estamos impedidos de presumir as verdadeiras razões...

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso