terça-feira, 10 de abril de 2012

O chumbo da Ordem dos Advogados

InVerbis:

Ao Expresso, Marinho e Pinto lamenta que os candidatos estejam "tão mal preparados" e culpa as universidades por "mercantilizarem o ensino do Direito".
"O que é mais extraordinário é que o próprio Estado não os aceita, por considerar que muitos deles não tem condições de ingressar no Centro de Estudos Judiciários"(CEJ) , acrescenta o bastonário da Ordem dos Advogados, sublinhando que o acesso ao CEJ não é permitido apenas com a licenciatura em Direito, sendo necessário o mestrado.

Segundo se noticiou, os candidatos a advogados que fizeram o exame para ingresso na Ordem, chumbaram como tordos:
"Seis em cada dez candidatos chumbaram no exame da Ordem dos Advogados, que se realiza no fim do estágio de dois anos. Dos 886 inscritos para a prova derradeira, apenas 367 conseguiram nota positiva. E, desses, 122 entram na carreira com o mínimo possível: nota 10 na prova final. "

Resta um comentário: tais chumbos percebem-se porque a profissão de advocacia está repleta de profissionais que competem entre si e o mercado não chega para todos. É só por isso que o BOA tem feito tudo para limitar o acesso à profissão, num exercício que assume por vezes foro de inconstitucionalidade, para não dizer mais.
Sobre este exame, um dos advogados escalados para corrigir os testes, recusou-se a tal por não conseguir resolver o teste de direito processual penal, pela dificuldade que apresentava. E exerce a profissão há 23 anos!
Aposto dobrado contra singelo que Marinho e Pinto chumbava redondamente neste exame.

11 comentários:

AAA disse...

«Aposto dobrado contra singelo que Marinho e Pinto chumbava redondamente neste exame»

Magistral!

Miguel M. Ferreira disse...

É bem verdade que o BOA tem feito tudo para limitar o acesso à profissão.
Mas não deixa de ser verdade que devem existir regras de controlo de qualidade no acesso à Advocacia. Embora num grau diferente, saliento que existe um elevado controlo de qualidade no acesso à magistratura (judicial ou MP), existe controlo de acesso aos OPC, existe controlo de acesso nos funcionários judiciais, notários, conservadores, etc...
Mesmo com o tal controlo "apertadissimo" 40 % dos candidatos passou...o que não deixa de ser uma vergonha para o tal "advogado escalado"
Sobre a aposta dobrada...eu aposto triplicado em como 50 % dos magistrados chumbavam qualquer exame do CEJ dos dias de hoje...sobretudo tendo em conta os soromenhos marques...ou os boaventuras que os obrigam a ler...

josé disse...

É bem capaz de ser assim.

josé disse...

A questão é que não são os magistrados que promovem exames no CEJ mas sim uma direcção que tendo por lá magistrados, existe desde 1981.

São muitos anos de experiência e rotina de exigência.

E na OA é o próprio Marinho e Pinto quem promoveu estes exames para macaquear os do CEJ.

Por isso mesmo seria justo que se submetesse aos mesmos...

Floribundus disse...

dizem entendidos que a preparação não é boa
mas isto não são exames são limitações à entrada numa ordem
onde 50 escritório recebem 75% dos honorários

Gonçalo Aguiar disse...

Já temos advogados que chegue! Acho bem dificultarem a entrada na ordem. O país precisa é de engenheiros e cientistas, e não betinhos de gravatinha que ganham 10k€ por mês só porque sabem falar e escrever português que ninguém entende.
É uma questão de dar prioridades ao mundo real, das coisas físicas, em vez do mundo fictício e virtual das "ciências sociais" que não servem para nada e não criam valor acrescentado nenhum.

Karocha disse...

Gonçalo Aguiar
Explique lá essa dos "betinhos"?
O José sabe o porquê da minha pergunta!

hajapachorra disse...

Na verdade os 'engenheiros' das estradas de Portugal, da parque escolar, da puta que os pariu criam imenso valor acrescentado, à dívida nacional. Ne sutor ultra crepidam, que é como quem diz, porque não vai estudar fiosofia para lutécia? Que os juristas são em geral alimárias de primeira isso é uma obviedade que nem o BOA (boa!?) com o seu notório, insistido e requestado onze de licenciatura consegue negar.

mujahedin مجاهدين disse...

Eu também acho que há advogados a mais. Ou melhor, há gente com formação científica deficiente a mais. Os advogados e juristas no geral são apenas os mais proeminentes.

A falha começa cedo na escola. Hoje em dia, não se compreende como é possível haver gente que não estuda matemática e ciências físico-químicas no ensino secundário, quanto mais ingressar numa universidade sem esses conhecimentos. Como se pode esperar que tenham uma visão esclarecida e lúcida do mundo sem lhe compreenderem os princípios básicos que o animam?

Já era bom tempo de se acabar com esse anacronismo. Não me espantaria que o número de pessoas a quererem estudar Direito se deva tanto ao (ilusório) prestígio da profissão como ao facto de as livrar de terem de estudar matemática.

O pragmatismo e o pensamento crítico que constituem a metodologia científica fazem muita falta por esse país fora. E fazem muita falta na política. Nunca compreendi porque há-de ser a política feudo exclusivo de juristas, economistas e engenheiros de pacotilha. Porque não há cientistas na política? Por um lado terão mais que fazer mas, pelo outro, existe alguma resistência em deixar penetrar no feudo essa gente; o pensamento claro, objectivo e desimpedido com que em norma se expressam, não será, porventura, apreciado pelos senhores feudais...

nota: em geral, não incluo médicos na categoria de cientistas. Deviam sê-lo; mas, pela maior parte e por variados motivos, acabam por não o ser.

Gonçalo Aguiar disse...

@mujahedin مجاهدين
Acertou em cheio na mensagem que eu pretendia passar.

@ Karocha
Não sabe o que é um betinho? Eu explico: um advogadinho a vangloriar-se com o seu BMW pago pelos clientes a quem cobrou honorários e comissões absurdas, através do uso do seu conhecimento favorecido das "loopholes" de um sistema judicial decrépito; um político que só se licencia para ter "nome", e por isso escolhe a via mais fácil e menos trabalhosa, evitando o estudo da matemática, etc.

@hajapachorra
O objectivo de uma língua é que todos a percebam e que os interlocutores sejam capazes de comunicar. Sempre que escrevo ou falo alguma coisa, faço-o de modo a que maior número de indivíduos seja capaz de compreender e interpretar o que eu afirmei. A menos que pretenda enganar ou ludibriar alguém, sou claro e sucinto. Infelizmente nem toda a gente é dotada das suas capacidades linguísticas, daí pensar que é uma forma de arrogância o tipo de texto que aí escreveu, bem como, o que a classe dos advogados pronúncia.
Quanto ao papel dos engenheiros, meu caro, gostava de ver o senhor a escrever neste preciso blogue se a plataforma para o fazer não tivesse sido pensada e implementada por um "engenheiro"... Trata-se exatamente daquilo que o "mujahedin" afirmou, a fuga à aprendizagem da matemática e da ciência, porque sem elas torna-se tudo muito mais fácil. É muito mais fácil decorar um livrito e despejá-lo num exame, do que ser obrigado a resolver um problema completamente distinto daqueles que foram leccionados nas aulas, mas usando as ferramentas que foram ensinadas.
Faça você mesmo as contas e veja que percentagem do PIB mundial está atribuída ao trabalho de engenheiros.
Tendo dito.

Karocha disse...

Gonçalo

Também no ISEG não há matemática!

A viagem da Apolo 11 nos media