terça-feira, 2 de outubro de 2012

O neo-comunismo e a agit-prop

Em tempos já escrevi aqui, assim:

Em Setembro de 1974, a revista Seara Nova, dirigida por Rodrigues Lapa, publicou um artigo intitulado “O episcopado e o 25 de Abril”. O artigo, com colaboração de um frade, Bento Domingues, era ilustrado com um cartoon que assimililava a hierarquia da Igreja Católica à imagem do salazarismo de triste memória, ainda recente. O texto, acompanhava e distinguia “…muitos destes bons bispos não se salientaram mais a benzer instalações de bancos e noutras quejandas cerimónias, do que na defesa das classes trabalhadores ?”

Em Setembro desse mesmo ano, estas contradições ideológicas iriam suscitar a reacção daqueles que ficaram de repente sem voz, por lha terem tirado em 25 de Abril aqueles que antes se viram privados de exercer livremente a sua expressão ideológica e política.
Em 28 de Setembro foi convocada para o Campo Pequeno uma manifestação daquela “maioria silenciosa” que se revia em Spínola e rejeitava o extremismo comunista.
Para a convocação, foi elaborado um cartaz, com uma imagem pouco conseguida, desenhada por Quito( Francisco Hipólito Raposo) e que foi imediatamente aproveitado, pela reacção de sinal oposto que o redesenhou e apresentou em termos totalmente desconstruidos. Em vez de “maioria silenciosa” passou a figurar “minoria tenebrosa” e a palavra de ordem “abaixo a reacção”!
É de notar que o cartaz da direita apresenta a chancela do MDP/CDE, um movimento satélite do PCP, dirigido na época por José Manuel Tengarrinha cuja figura era constante nos media de então e que depois disso se eclipsou. Nunca soube porquê...mas pode haver quem saiba.

A táctica de aproveitamento do próprio cartaz onde se apelava à manifestação da tal "maioria silenciosa" ( expressão que julgo de origem francesa e gaullista) parece típico da manobra de propaganda comunista. 























Quito era um cartoonista da revista Observador cujo primeiro número saíra em Fevereiro de 1971, e poderia considerar-se o melhor símbolo jornalístico do marcelismo.



4 comentários:

Karocha disse...

José

http://www.noticiasaominuto.com/pais/13123/joaquim-sousa-ribeiro-%C3%A9-o-novo-presidente-do-tribunal-constitucional#.UGsySK7sbK4

Quanto ao Quito, que morte...

Floribundus disse...

nesses tempos tenebrosos do comunismo enfatuado e sobranceiro que morreu debaixo do muro.

ocorreu a queda de Spínola do'caco no olho ou do olho no caco'.
politicamente era um desastre.

nessa noite vários palradores da nossa praça dormiram debaixo da cama com fraldas de incontinente

Quito era sobrinho de Hipólito Raposo do Integralismo Lusitano. o avô foi assassinado por razões políticas

a Igreja tem pago factura correspondente à dos contribuintes

Floribundus disse...

A D. Maria, governanta do Prof Oliveira desde os tempos de Coimbra
viveu depois da morte do Prof na rua Barjona de Freitas em frente da Igreja dos Capuchinhos
um jornalista da Globo ofereceu-lhe valiosa quantia pelas memórias, mas a senhora recusou

Floribundus disse...

Um tio de Quito, por volta de 1915, trouxe de Lisboa para Gavião um jornal Francês com manchete de 1ª pg « hoje, por ser domingo, não há revolução em Portugal». Contado por criada que servia à mesa e morreu lúcida aos 98 anos.