segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Um jornalismo por causa

A notícia tem o seguinte "lead":

Juízes jubilados vão ser beneficiados nos cortes das pensões e vem assinada por Denise Fernandes que pensou na "cacha".

No fim de contas a essência da questão é esta:

Por exemplo, um juiz com uma pensão de quatro mil euros terá o corte equivalente à redução remuneratória, o que significa menos 9,7% no valor da sua pensão, ou seja, menos 390 euros todos os meses. Mas caso fosse afectado pela contribuição extraordinária de solidariedade (corte nas pensões), teria uma redução de 10%, ou seja, 400 euros mensais.

Dez euros por mês faz toda a diferença de uma notícia, num universo de algumas  centenas de pessoas. Ao mesmo tempo não se explica minimamente o que é o estatuto de jubilação; porque é que as regras serão diferentes dos demais pensionistas e apenas importa um aspecto: sobrelevar a pensão "elevada" esquecendo os descontos de toda uma vida para tal e apontar, à boa maneira syriza e de esquerda a violação da sacrossanta igualdad, servindo a receita para atacar uma classe profissional.
O método jornalístico já deu provas e a partir daqui qualquer reacção dos juízes é inútil e contraproducente porque o efeito deletério já se alcançou.
De resto, hoje no Jornal de Notícias aparece uma crónica de Marinho e Pinto no mesmo sentido: os juízes continuam a ser uns privilegiados por causa do subsídio de habitação que não é taxado em sede de IRS e por outras que lembram a fábula do lobo e do cordeiro. Quanto ao subsídio de idêntico teor e regalia semelhante, atribuído a outros titulares de órgãos de soberania,  já Marinho e Pinto não lhe interessa e nunca interessou porque nunca se lhe ouviu voz para zurzir noutros ministros da justiça como o faz relativamente a esta.
Marinho e Pinto quando se prestou a concorrer a eleições para bastonário fixou um estipêndio mensal para as suas elevadas funções. Precisamente o correspondente ao vencimento de um conselheiro. Mais os "perks", carro, telefone e assim. Por exemplo, em Setembro de 2009, aquando da "cimeira" que reuniu o presidente do STJ, o ministro da Justiça de então ( Alberto Costa) e o PGR Pinto Monteiro, todos sintonizados na preocupação de tratar os mais elevados assuntos de justiça, numa altura em que ainda era desconhedida a rábula das escutas retalhadas no processo Face Oculta, para ocultar as mesmas aos curiosos, houve prândia no Gambrinus. Quem pagou a conta calada? Marinho e Pinto. Do bolso? Pois sim...

Que se saiba também nunca reduziu esse vencimento nem se deu ao cuidado de explicar porque razão se coloca à margem dos sacrifícios impostos aos outros.

Marinho e Pinto é um hipócrita, já se sabia há muito. Mas aldrabão também é feitio que lhe cola bem.

2 comentários:

Floribundus disse...

parece ser tudo isso e muito mais.
ex. bimbo frustrado, vacuidade.

recordo-me de Jô Soares
« não chora, não pinga no Persa da mamã»

Rui disse...

Jose, as pensoes dos juizes e os seus bons salarios que lhes permitiram ter esses descontos elevados sao pagos pelo erario publico, ou seja, por todos os contribuintes. As regalias de marinho e pinto sao pagas pela Ordem dos Advogados. Acho que há aí uma pequena grande diferença. Sinceramente acho icrivel que em Portugal se continuem a pagar reformas acima de 2000 euros quando nao ha dinheiro para necessidades e compromissos muito mais basicos...