quinta-feira, maio 13, 2010

A sociologia é uma burla quotidiana?

Na revista Pública de Domingo, um artigo com foto de página, mostrava o autor de um livro apresentado como "José Machado Pais, 56 anos, professor no ISCTE é um sociólogo "do quotidiano", especialista em fugir às especializações." O livro tem como título "Lufa-lufa Quotidiana- Ensaios sobre a Cidade, Cultura e Vida Urbana" e pelo contexto, é um texto esgalhado sem espinhas sobre temas tão transcendentes como as mensagens nos pacotes de açúcar ou a análise ao fenómeno "manguebit".

Os temas lembram outros livros como as Mitologias de Barthes ou este que aqui fica em imagem. Ao lado, uma página de um livro de 1967, publicado no Brasil em 1969, com o título Princípios de Sociologia, de Henri Mendras. A primeira página mostrada, diz o que se entende por sociologia: "simultaneamente a Sociologia, a Psicologia Social e a Etnologia."

Onde já vamos com o livro de Machado Pais do ISCTE! Nos pacotes de açúcar como mensageiros do quotidiano adiado.



Em Fevereiro de 1974, na revista Cinéfilo, o cronista Vasco Pulido Valente já escrevia de um modo como só ele sabe, sobre a...sociologia! É ler ( com um clique de rato , tal como as demais imagens) e descobrir a última frase: "(...)aquilo tudo balança entre o lugar-comum e a burla".

No passado 1 de Maio, o jornal italiano La Repubblica, dava à estampa um artigo em que dizia:

Desde os anos sessenta em diante, a sociologia dominou a leitura da realidade. Todo o fenómeno vinha interpretado através das lentes desta disciplina. Mas com a invasão dos "tudólogos" e o excesso de especialistas agora começou o declínio. E os intelectuais de referência tornaram-se os economistas, os filósofos, os antropólogos.

Resta perguntar: estaremos melhor servidos ou a análise semiótica das mensagens em pacotes de açúcar será suficiente para conhecermos a realidade e mais além?

A resposta à pergunta está no vento , como cantava Dylan. Ou em Shakespeare, citado por U.Eco em Os limites da interpretação ( 1990, traduzido na Difel), assim:

Hamlet- Vês aquela nuvem que tem quase a forma de um camelo?
Polónio-Santo Deus, parece mesmo um camelo!
Hamlet- Acho que parece uma doninha.
Polónio- Tem o dorso de uma doninha
Hamlet-Ou uma baleia?
Polónio- É mesmo uma baleia.
( Hamlet, III,2)

Questuber! Mais um escândalo!