terça-feira, 2 de novembro de 2010

A intelectualidade lusa é a intelligentsia falida

Recomenda-se a leitura deste pequeno texto de Orlando Maçarico, na InVerbis:

Em alguma intelectualidade portuguesa, que poderia funcionar como contra-estímulo ou cabeça de um sistema de controle social e cultural difuso do desregramento que grassa, não há que depositar grande esperança. Pelo contrário!

Parte dela mantém um vínculo totémico com o poder e o desmando; vende o saber a pedido, o rosto a preceito e a alma a contento, dando, assim, cobertura espúria à corrupção, à traficância de influências, à anomia vicejante no Estado e à vaga de insânia que nos vai enrolando.
Uma outra parte é cúmplice pelo silêncio; sendo certo que o sistema estabelecido, que é o beneficiário do silêncio, recompensa generosamente os silenciosos.

Assim julgando ser, nunca a assertiva de Steiner, com as devidas proporções, foi tão adaptável entre nós:

“Sabemos doravante que um homem pode à noite ler Goethe ou Rilke. Saborear trechos de Bach ou Shubert, e no dia seguinte ocupar-se do seu trabalho em Auschwitz.”

Triste fado!

1 comentário:

lusitânea disse...

Estou convencido de que o "choque fiscal" de 2011 vai acordar muitos deles.É que ainda ficam sem as suas ricas reformas...

A corrupção larvar em Portugal