Eurico Reis, o ubíquo desembargador da Relação de Lisboa ( no Cível) que se senta muitas vezes em directo e perante as câmaras da Sic, integra o colectivo desse tribunal que vai decidir o recurso do caso da "providência cautelar subscrita por Rui Pedro Soares, para impedir a divulgação de factos relacionados com os processos Face Oculta e Taguspark", pelo semanário Sol, escreve o Público de hoje. Supõe-se que seja a acção principal e não a tal providência cautelar, mas o Público não é perfeito e por isso fica a dúvida sobre um facto de grande relevância que o jornalista não alcançou.
Os jornalistas desse semanário Sol não querem que o desembargador ubíquo ocupe esse lugar, por uma razão que todos conhecem: o desembargador ubíquo fartou-se de deslocar as suas opiniões que deveriam estar reservadas aos processos para as câmaras da tv, nesse caso. Disse que "os jornalistas estão a ser cúmplices de criminosos", sendo estes os divulgadores do terrível segredo de justiça do Face Oculta e principalmente "quem desobedece a uma decisão judicial proferida numa providência cautelar comete o crime de desobediência qualificada." Não ponderou nunca uma eventual causa justificativa da conduta como alguns professores de Direito avançaram nos media. Não mencionou uma vez a circunstância do interesse público na revelação dos factos conhecidos.
Portanto, o desembargador ubíquo já localizou muito bem a sua posição jurídica extra-processual, de modo que a reserva que se lhe imporia por uma simples questão de bom senso, faliu aí mesmo e em directo.
E por isso fez muito bem pedir a escusa de intervenção nesse processo.