A revista Sábado de hoje desencantou uma cópia do auto de interrogatório do arguido do processo Marquês, Hélder Bataglia.
O interrogatório ao mesmo decorreu em Luanda em 21.4.2016 e sobre os factos relacionados com José Sócrates como primeiro-ministro corrupto, Bataglia disse que não o corrompeu, directa ou indirectamente.
Queriam que dissesse o quê? Que sim, que o fez de propósito ou mandatado oficiosamente pelo GES/BES e o seu magnífico presidente Ricardo Salgado? Queriam que admitisse comparticipação num crime de corrupção e de caminho incriminasse o Salgado do GES? Só um ingénuo poderia crer nisso, mas os interrogatórios a suspeitos são obrigatórios em processo penal e foi essa tramitação formal que se cumpriu. Nada mais.
Bataglia só diria a verdade sem espinhas, eventualmente e se fosse bem apertado, se tivesse uma garantia de protecção, como uma "delação premiada". Até lá...ficamos a ver navios.
Como ninguém do poder político com capacidade e poder está interessado em alterar a legislação penal para tal permitir, estamos servidos.
Só um fortíssimo movimento de opinião pública seria capaz de alterar tal estado de coisas e o Correio da Manhão não chega para abafar os abafadores do JN e DN e demais televisões públicas e privadas, manipulados precisamente por aqueles que tal não pretendem.
É este o estado da arte nestas matérias e espera-se que o MºPº tenha coragem de chamar os boys pelos nomes e deduzir a acusação que se impõe, mesmo com indícios e provas indirectas.