quarta-feira, 1 de abril de 2020

Mata-Bicho 16: "não falta nada". Nem sequer isto falta...

Observador:


Este fenómeno que me parece generalizado na função pública ( mesmo nas Finanças, com um sistema aprimorado para captar o dinheiro dos contribuintes) é uma desgraça permanente, duradoura e sem remédio à vista.

Funciona assim:

Alguém num ministério, numa direcção geral, num departamento do Estado seja autónomo ou não, decide e tem poder para influenciar que se "aloquem" recursos financeiros para programar algo que se julga necessário. Nunca se sabe quem é este "alguém" cujo anonimato nos prejudica a nossa vida colectiva como poucos o podem fazer. Não fica registo destes anónimos e a informação não passa dos círculos mais concêntricos desse pequeno-grande poder.

Surge então o problema de saber a quem atribuir a tarefa, como determinar a execução da mesma, como definir parâmetros ajustados e como resolver o problema.
Como há várias empresas especializadas nesse género de tarefas de criação de programas é preciso escolher uma delas. Como se faz? Ou um concurso público ou um "ajuste directo".
Seja como for, o projecto é entregue e aqueles parâmetros em caderno de encargos ou definição de objectivos e outros termos em jargão economiquês e de gestão entra em acção. É a chamada "governance"...

Quem é que diz como se deve fazer e o que fazer? Surge aqui o grande problema que emperra esta máquina desde o início: geralmente não se ouvem devidamente os utilizadores ou as pessoas que poderiam melhor dar o contributo para se afinar o programa. Ouvem-se uns tantos "peritos" se for o caso mas fica muito por resolver e confia-se demasiado nas virtualidades dos informáticos.
Para comprovar isto basta ver como funcionam estes programas nos diversos ministérios e departamentos do Estado.
Basta um pequeno exemplo ainda recente para mostrar como funciona o sistema, neste caso na área da Justiça: nos casos de violência doméstica a primeira verificação e registo informático dos casos origina uma recolha de dados num formulário feito não se sabe bem por quem, mas que já tem anos de uso, nas polícias. O formulário é um horror cujo autor gostaria bem de conhecer para lhe dizer que é um imbecil. Pois bem: só agora deram conta, ao fim destes anos todos de registo de dados que o formulário é inadequado, contém erros e modos de induzir em erro quem decide mas ainda nada se fez. Além disso é um formulário em papel que depois é digitalizado e fica "no sistema".
Casos como este haverá muitos e o do tal SINAVE parece ser um deles pelo que li: dezenas de itens para preencher, por profissionais de saúde que tem que perder horas a fazê-lo...para que depois a DGS dê informações erradas, ainda por cima. Informações que são essenciais que determinam políticas, estados de emergência, etc. Pois bem: está entregues ao improviso e ao desenrasca.

O Presidente da República tem um grupo de "peritos" da "elite" que o ajuda a resolver estas coisas deste modo que se pode ver...

Aparece então um programa comprado, pago, bem pago pelo Estado como é costume, testado apenas virtualmente e depois seja o que for.
Como a gestão destes "sistemas" pode ser algo complexa pode acontecer o que aconteceu: duplicação de recursos, dispersão de informação, inadequação de "inputs" ou seja de indicações escritas em formulários prè-concebidos e registo de dados que podem não cumprir aquilo para cujo desiderato foi concebido o programa ou o sistema.

Barraca que foi logo detectada pelos utilizadores do sistema que se queixaram logo de modo completamente inconsequente porque não há modo de eliminar tais disfunções e erros se não forem notórios e não emperrarem muito o sistema.

Na função pública devem existir vários casos destes. O Citius, nos tribunais é um deles. Funciona, desenrasca e portanto siga prá frente!
O resto, quando surgem problemas, logo se verá...

É isto o nosso país: uma miséria que não se fica pela pobreza atávica e que para mim tem um símbolo: o socialismo e a mania de tentar controlar tudo através do Estado, sem atender à flexibilidade que a iniciativa privada concede em se despir de burocracias, porque tem modos de auto-controlo que o Estado não tem e nunca terá.

Todos no Estado têm medo de algo que seja susceptível de lhes causar problemas ou provocar procedimentos que os afectem profissionalmente.

Esta barraca monumental com a duplicação de sistemas de registo se formos a ver bem tem este contorno acima exposto, quanto a mim.

É por isso um problema de inteligência da nossa gente que depois se tenta safar pelo desenrascanço mais célere e também pela mediocridade na escolha de pessoal dirigente que assenta muitas vezes em critérios de falhanço seguro: pela via partidária e da influência de amigos e nepotes vários.

Juntando tais ingredientes a desgraça bater-nos-à sempre à porta sob a forma de bancarrota.


Já tivemos três e caminhamos com o optimismo irritante deste Costa que é o símbolo desta merda toda. Arre!

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