quinta-feira, 2 de abril de 2020

Mata-Bicho 19:o sistema que erra por defeito

Público de hoje, em que a responsável pela estatística da DGS explica o falhanço da estatística de que é responsável, com a candura da irresponsabilidade.

Foi assim: "nós utilizamos a informação do local de residência. Quando essa informação não existe, o sistema por defeito adopta o local de ocorrência e quando esta não existe o programa adopta por defeito o local de diagnóstico. Se o sistema automaticamente vai buscar o local de diagnóstico, vamos ter um maior número de casos numa área específica do país, que depois, no dia seguinte, com a informação do seu local de residência será colocado nesse local."
E como é que vão fazer agora que se descobriu a barraca monumental? "Vamos, neste momento,colocar disponível apenas a informação que está com o local de residência". 

É assim e esta senhora, com uma experiência académica considerável,  provida por concurso, continua a ser a "Chefe de Divisão de Epidemiologia e Estatística da Direcção-Geral de Saúde" porque o problema, como toda a gente vê, é do "sistema" que erra por defeito. E quem é que se atreve a demitir este sistema?

Há 47 anos neste dia, o jornal A Capital de 2.4.1973 dava uma panorâmica estatística dos casos de gripe em Portugal.



E como é que então se fazia? Havia um Centro Nacional de Gripe que estudava os casos e na altura de 1969 a 1971 havia estatísticas com números, embora com "falta de dados" que eram fornecidos pela Federação das Caixas de Previdência. É verdade, já havia um serviço nacional de saúde que funcionava nas "Casas do Povo" e instalações similares, com médicos diários, enfermeiras permanentes e enfermos constantes a serem atendidos, com os papéis da "caixa" para se ir às farmácias. Os médicos iam a casa das pessoas doentes e ainda faziam lembrar a figura do "joão semana" da literatura.

Com a democracia, em 1978 surgiu essa grande inovação inglesa chamada SNS cujo "pai", um médico socialista e maçónico, António Arnaut, de Coimbra, tinha  muito orgulho na obra. É um primor, ainda hoje.
Se assim não fosse e tivéssemos continuado no fassismo não teríamos tal "sistema de saúde", nem previdência, nem assistência social e seria a miséria e o caos, como é apanágio do fassismo.

 Ainda assim, naquela altura, sem computadores nem sistemas que erram por defeito, foi possível recolher elementos estatísticos sobre morbilidade e mortalidade em determinado período que os comunistas e socialistas chamam de fassismo e obscurantismo.

Em 1966 e 1968 morreram 3,65 pessoas por cem  mil habitantes; em 1969, 6,73; em 1970, 6,86 e em 1971, 8,93.
Confere?

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