quarta-feira, 4 de março de 2009

i, de ilusão


Vem aí um novo jornal diário. "i", será o título, logo com arremedo de cópia, o que é mau sinal. "i", é letra prefixa para os produtos Apple. Pelo andar da carruagem, já se vai percebendo a aragem. E quem lá vai, prestará contas a um grupo de construção civil, o Lena.

Quem é o grupo Lena?

Essencialmente e sem ofensa, embora o pendor de simpatia para estas iniciativas filantrópicas seja pouco elevado, é um grupo de patos-bravos. Não é defeito, mas apenas feitio.

O grupo, com o fundador, começou na construção civil de obras públicas, há pouco mais de trinta anos. Pouco tempo para uma cultura de empresa de tradição. Tempo suficiente para perceber todos os mecanismos do poder político português dos últimos anos. Os construtores civis de obras públicas, são quem melhor entende a idiossincrasia do poder político desta democracia que nos tem dado Jorges Coelhos e Armandos Vara. Com uns Sócrates à mistura e uns Dias Loureiro por acrescento e cimento-base.

O grupo Lena teve um crescimento exponencial nos anos noventa: os anos dos fundos da CEE.

A história do grupo conta-se aqui, en su sitio:

António Vieira Rodrigues inicia na década de 50 actividade na área das terraplenagens, passando para as Obras Públicas nos anos 70. Perto de Leiria e do rio Lena, a Construtora do Lena - fundada em 1974 - é a empresa na génese do maior grupo empresarial da zona Centro do País.

De cariz marcadamente familiar, a Construtora do Lena inicia um processo de crescimento contínuo e sustentado que, no início da década de 80, envereda pela diversificação. Com a aquisição de novas participadas a um ritmo exponencial na década de 90, o Grupo Lena - iniciado em 1998 e formalizado em 1999 - é hoje uma constelação organizada em cinco Conselhos Estratégicos com operações em áreas que se complementam e que potenciam sinergias.

A diversificação enquanto estratégia de diluição de risco inicia-se pelo sector automóvel, na década de 80, mas é nos anos noventa que o Grupo Lena cresce de forma ímpar, até à internacionalização em 1996. O Brasil, Roménia, Bulgária, Angola e Moçambique são já geografias com a marca Lena, que opera no exterior sobretudo na agro-pecuária, hotelaria, obras públicas, construção civil e áreas complementares (materiais de construção, produção de betão pronto, metalomecânica e mármores).

A história do novo jornal, que terá como director Martim Avilez de Figueiredo e colaboradores como Pedro Rolo Duarte, conta-se aqui:

Lisboa, 04 Mar (Lusa) - O novo jornal da Sojormedia, um diário publicado de segunda-feira a sábado, deverá chegar às bancas em Maio. Pelo menos essa é a vontade do director do título, expressa em entrevista à Lusa.

"Estamos na recta final do projecto, que pode durar até dois meses. Ficaria surpreendido se não fossemos capazes, como equipa, de ter o projecto no ar até ao final de Maio", afirmou Martim Avillez Figueiredo. O director do projecto acrescenta que não há "pressão dos accionistas [da Sojormedia, a holding do grupo Lena para a comunicação social] para chegar à rua".

O "i", nome registado para o título, dirige-se à classe alta, "um público que olha para a informação com rigor e exigência". Martim pensa que "há um enorme mercado não preenchido. Temos a certeza que não vamos fazer sumir leitores dos outros jornais".

Este público-alvo passará a ter disponível na Primavera um jornal "com um formato igual ao espanhol ABC, agrafado, com um papel mais pesado e com menos 35 a 40 por cento de páginas do que os outros jornais". Um diário que "não vai ser mais barato, mas pode custar o mesmo que os outros" e que não terá suplementos, com excepção de uma revista publicada ao sábado e editada por Pedro Rolo Duarte, que nos anos 90 criou o DNA, um suplementos marcante do Diário de Notícias.

"Faremos dentro do papel o que os outros fazem em suplemento. Vamos implodir a lógica do leitor imerso em suplementos", garantiu o director do i. De segunda a quarta-feira o jornal terá uma dinâmica, diferente da que terá à quinta, à sexta ou ao sábado, revelou Martim. Mantêm-se, no entanto, ao longo da semana quatro secções, "que não são estáticas": Opinião, Radar, Zoom e Mais, onde está incluído o desporto.

A Radar é a "zona chave do projecto", a secção onde o leitor fica a "saber o que se passa" e que remete para a Zoom, onde se poderão "perceber" melhor os temas que o jornal escolhe para desenvolver. A Mais será a secção "para sentir" as tendências mais criativas, onde se tratarão de temas de cultura e entretenimento, mas também de desporto.

Duas razões levaram a que a equipa que dirige o i decidisse não colocar o jornal nas bancas ao domingo. Martim Avillez Figueiredo explica:"77 por cento das bancas estão fechadas ao domingo. Só compra jornais quem os procura. Além disso, para sair ao domingo seria preciso ter mais 33 por cento de pessoas a trabalhar para funcionar sete sobre sete dias. Isso seria absurdo financeiramente".

A equipa do i é constituída por 74 jornalistas, "a mais curta e mais bem construída do mercado, com todas as necessidades preenchidas". De modo a ter correspondentes em vários locais do país, "estão a ser testados mecanismos de comunicação com a rede de jornais da Sojormedia, a maior rede de imprensa regional".

Além disso, o i estabeleceu ainda um acordo de outsourcing com a revista Time Out. "A equipa da revista assegura algumas partes do Mais, nas áreas de lazer e entretenimento", conta director.

O online, a par do papel, é um dos eixos do novo projecto."Não replica as formas que usam os outros online. Não é um portal, é um 'hub' - recebe pessoas e distribui-as para onde quiserem ir. Agrega notícias, para não obrigar a um zapping de sites", descreve.

A aposta no multimédia é outra das mais valias do i. Segundo Martim Avillez Figueiredo, cada jornalista receberá um kit composto por um telemóvel (que captará imagens e sons), um tripé e um microfone, "para que cada um produza imagens onde quer que esteja e quando considerar que pode ser uma mais valia".

Não é por nada e é só um palpite: este jornal vai ser um fracasso. Por causa dos nomes que o dirigem. Porém, espero estar enganado. Ficaria até satisfeito se estivesse.

Na imagem, o "lounge" da redacção. "Não há nada assim, na Península Ibérica", dizem. Acredito.

3 comentários:

Karocha disse...

ahahahahahahahahah

José,o Martin pirou,só pode!
Aliás anda muita gente pirada neste Pais...

Zé Luís disse...

E se não repararam, não existe sequer uma delegação no Porto...

Nem sai ao domingo, nem se sabe se chegará a Norte...

Vai lá, vai...

Miguel M. Ferreira disse...

Só pra contrariar....eu até gosto bastante do Martim Avillez Figueiredo e do Pedro Rolo Duarte.