sábado, 29 de dezembro de 2012

O escândalo do devorismo é este

Expresso on-line:

Os casos foram falados nos últimos anos, quando o Ministério Público começou a investigá-los, e serviram muitas vezes de exemplo para o que correu mal com o BPN.
Arlindo de Carvalho, ex-ministro de Cavaco Silva. El-Assir, amigo de Dias Loureiro, um outro ex-ministro do actual Presidente da República. Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD. Todos com dívidas pesadas ao banco.
Segundo o que Expresso apurou, nenhum daqueles três grandes clientes da instituição antes liderada por José Oliveira Costa tem pago qualquer prestação sobre os créditos que estão pendurados agora na Parvalorem, um veículo criado pelo Estado para recuperar o que for possível. 


Isto é um escândalo, evidentemente. Um grande escândalo que tem de ser divulgado e amplificado nos media.
Esta gente tem de pagar o que deve, até ao último centavo. Como não vai ser possível tal efeito, há instrumentos na lei que permitem obter um efeito aproximado: providências cautelares, impugnações paulianas e a vergonha da exposição pública destas coisas, com debates e artigos de imprensa sobre o modo como esta gente conseguiu os créditos, que garantias deu para tal e como se apresta a fugir a responsabilidades, através dos instrumentos legais habituais: fugir da responsabilidade civil alienando a propriedade das coisas, simuladamente; colocando-as em empresas geridas de modo obscuro e insindicável e fazendo de conta que o que lhes pertence afinal não é deles.

A maior parte desta gente era pobre quando arribou à política. Alguns mesmos pindéricos de todo que mendigavam defesas oficiosas nos tribunais, como alguns advogados agora são obrigados a fazer em consequência do estado a que esta gente deixou chegar o país.
Apanharam um Estado à mercê e fizeram dele o que bem quiseram, constituindo empresas, empregando apaniguados, privatizando empresas e nacionalizando outras e obtendo favores correspondentes, legalmente insindicáveis.
Safaram-se na vidinha e são, por excelência, os devoristas deste regime. Protegem-se uns aos outros, são compadres uns dos outros, casaram filhos uns dos outros e levam esta vidinha já há alguns uns anos, particularmente após a segunda metade dos anos oitenta.
Esta gente enriqueceu na política e por ela, essencialmente, através de contactos adequados. Não fora assim seriam apenas profissionais como os demais que não se aventuram nessas andanças. Não o fizeram necessariamente em modo criminal, mas a ética é coisa que deve ser diferenciada da lei se quisermos ter um país minimamente decente. 
Agora, perante o espectro de uma falência gigantesca do regime que engendraram e do qual se aproveitaram, já começaram há muito, como bons portugas qye sempre foram, a pôr o património a bom recato: offshores que não lhes pertencem, bens em nome de familiares que nada sabem, dinheiro muito bem escondido e vidinhas discretas.  Voltaram à pobreza, desta vez totalmente simulada.

Basta o que basta. Haja vergonha e moralidade mínima! Quem tem que actuar, que actue.

1 comentário:

Floribundus disse...

foi o sôzé fugitivo quem lembrou que não devemos pagar as dívidas

siga o enterro

Finito, Fernando Esteves