quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Espírito Santo na Boca do Inferno

Esta imagem é da revista Sábado de 20 de Maio de 2005, sobre uma família muito conhecida e na altura em que dealbava o poder socialista de um Inenarrável primeiro-ministro e a notícia era um eventual tráfico de influências entre pessoas dessa família e membros do anterior governo de Santana Lopes, por causa de um campo de sobreiros, árvore protegida e intocável em área ecologicamente reservada.
Sabe-se agora como a história acabou. Mas não ficou assim como escreveu um compadre da família em causa, de nome Miguel e apelido Sousa Tavares.

A revista dava um panorama jornalístico ( Micael Pereira assinava o texto) da família Espírito Santo, traçando um perfil do fundador, assim, como um indivíduo que apontava todas as despesas que fazia num caderninho, para saber a quantos andava.

O dito José Maria muito poupado teve quatro filhos, um deles de uma Mary P. de Morais Sarmento Cohen e que se chamava Ricardo. Ribeiro do Espírito Santo e Silva.  Este Ricardo que faleceu em 1955 era muito amigo de Salazar e com ele convivia amiúde, como se conta no livro de Paulo Jorge Castro, Salazar e os milionários. A  história  dessa amizade conta-se  em algumas páginas que se lêem com muito proveito porque denotam uma ética esquecida nos dias que passam, pelos herdeiros. Salazar era amigo de Ricardo mas  ambos conheciam muito bem a fronteira em que a amizade pode deixar de o ser para prevalecer o instinto dos interesses mais materiais próprios de banqueiro com política misturada.Salazar como muitos lembra, era ditador, podia fazer mais coisas do que hoje aqueles que mandam. Mas fazia muito menos do que alguns que criticam o tal ditador. E muito menos favores pessoalizados em função de amizades ou até de interesses. Salazar tinha um interesse e como dizia António José Saraiva tinha a "recta intenção". É isso que o distingue dos lacaios de outros interesses que vieram a seguir e ocuparam a mesma cadeira do poder depois de 25 de Abril de 74. Enchem a boca de democracia e ficam saciados.
 Como exemplo fica a história de um legado: Ricardo quando morreu deixou em testamento um legado a Salazar, precisamente um quadro de S. Bernardino de Siena, datado do séc. XVI e pintado por Quentin Metsys que tinha no quarto. Salazar não ficou com ele: ofereceu-o ao museu do Caramulo. A história lembra inapelavelmente um certo tabuleiro de xadrez oferecido por não sei quem a não sei quantos, em anos recentes. E lembra outras ofertas, ainda mais interessantes...

Apesar destas histórias de proveito e exemplo que não é seguido, a Esquerda portuguesa mais radical nunca aceitou que em Portugal existissem famílias que se ligassem tanto ao poder político. Oligarquias, chamam-lhes. Preferiam outras oligarquias em que eles mesmos fossem eleitos pelos pares, em comités de poder central e susceptíveis de entronização laica, com sucessão dinástica da linhagem dirigente. Outra concepção política da mesma ideia de família...

Em Outubro de 2010 os patriarcas mais em voga dessas famílias politicamente situadas na Esquerda radical escreveram um livro documental em que procuraram contar a história das outras  famílias malditas que segundo os mesmos foram e são os Donos de Portugal e que execram por isso mesmo.

Vale a pena ler a meia dúzia de páginas que esse colectivo familiar da política troskista-comunista consagrou aos seus rivais que criticam por produzirem uma riqueza  que eles mesmos se revelam totalmente incapazes de realizar. Por esse facto têm-lhes uma fome de morte política que só as nacionalizações e expropriações consegue saciar, tal como aconteceu em 11 de Março de 1975 e continua a ser desiderato permanente dessa família  política que não suporta riqueza privada a não ser para a dinastia dirigente.

 Segundo aqueles que querem ser donos em vez dos donos, como o ignóbil grão-vizir queria ser califa no lugar do califa, na historieta de banda desenhada, esta família não faz falta nenhuma ao país e em 1975 escorraçaram-na. Um comic, segundo os americanos. Cómicos, estes syrizas...

Por isso mesmo, agora as tais famílias putativamente donas de Portugal,estão bem acantonadas.
Esta, a dos Espírito Santo está na Boca do Inferno. Brrrr...


E tem os seus compadres, como todas as famílias...que têm acesso ao palco mediático, como convém às boas famílias e seus filhos dilectos. Sousa Tavares, por exemplo,  tem uma herdeira casada com um dos herdeiros da família da Boca do Inferno.
O clã constituia-se e organizava-se assim, nessa altura e segundo uma revista da época ( Focus de 8.11.2006):



São finos estes Espíritos Santos.E estão outra vez na berra. Sempre estiveram, aliás.

1 comentário:

Floribundus disse...

a minha família trabalhava com o BESCL desde os anos 30.
durante as campanhas para compra de produtos agrícolas aos produtores era necessário hipotecar as propriedades ao dito cujo para obter empréstimos.

era garoto, ouvia os comentários mas não entendia totalmente a questão.

em 40 vendeu-se o automóvel a peso. no concelho havia um taxi em tão mau estado que o conheciamos pela designação de 'ligadurtas'.

numa dessa idas à sede do concelho para tratar da hipoteca a minha mãe e o 2º marido chegaram tarde a casa porque furou um pneu e o taxista teve de encher o pneu de mato e vir devagar pela charneca.

os pilantras de hoje são mil vezes pior

O CM arrasa um juiz do TCIC