quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A burla do ensino superior

David Justino, antigo ministro da Educação, disse agora mesmo na RTPInformação que se sabia há muito que no ensino superior se criavam expectativas para empregos que não existiriam. Ou seja, e disse-o também David Justino, algumas universidades andaram a enganar os alunos, deliberadamente, porque sabiam perfeitamente que estavam a formar alunos para empregos inexistentes, nomeadamente na área educativa, como professores.
 Isto é uma burla, um engano, no limite da responsabilidade criminal porque houve um artifício enganador que consistiu na promessa que já se sabia vã, de emprego garantido e um ganho ilegítimo face a essa promessa falsa.
Disse ainda que há cursos a mais para as necessidades existentes.
O que David Justino disse incorre na velha pecha portuguesa de atirar pedras escondendo a quem se dirigem exactamente. David Justino sabe de quem se trata mas não disse e não o dirá.
E porque não? Se aquelas afirmações são verdadeiras, e tudo indica que sejam, porque não pôr o nome aos boys and girls?
Será assim tão difícil ou tal efeito comportaria consequências desagradáveis?

21 comentários:

Floribundus disse...

há 3 dezenas de anos nos almoços maçónicos da Sociedade de Geografia já JJ da ex-Moderna alertava para a 'diarreia' de universidades e cursos destinados ao entretenimento dos jovens.

pela minha parte sempre lhe chamei cursos de papel e lápis,

os sociaiss-fascistas e xuxas-fascista do ministtério estavam a preparar gente para inundar a função pública porque diziam que assim se conseguia o pleno emprego.

a história começa no prec com rui grácio e outros. continuou com o esquema que Crato denomina 'eduquês'.

com estes partidos de esquerda e a sua submissa comunicação socialista o rectângulo continuará caminhar 'às avessas do caminho'.

a coisa piorou consideravelmente a partir de 95. é só ver quem esteve lá.

sga o enterro

arg disse...

Cambada de malucos.

miguel disse...

Isto não vem nada a propósito.
Ou este tipo tem mais de 2.4 de sangue no alcool e sabe o que diz,ou dava um grande ficcionista.

http://crimedigoeu.wordpress.com/2013/01/10/camarate-e-o-video-comprometedor-clarificacao-ou-mais-poeira-no-horizonte/

Sushi disse...

Caro josé, não tenho grandes dúvidas sobre a veracidade das afirmações de David Justino, mas não penso que a questão central seja essa: quem será o irresponsável, a "universidade" (entre aspas, porque grande parte destas instituições não fazem mais do que vender canudos) que promove cursos sem saída, ou o estudante que não se informa se o curso que deseja tem saída? Na ninha opinião, se um estudante deseja estudar algo sem saídas profissionais, deve ser livre de o fazer. Esse estudante pode até nem ter ambições profissionais na sua escolha. Mas teve arcar com as consequências da sua opção. Liberdade é isso.

muja disse...

Mas teve arcar com as consequências da sua opção. Liberdade é isso.

Isso é uma bela treta é o que é.

Como pode o estudante arcar com uma responsabilidade que não está preparado (por culpa de outrém, nomeadamente o Estado) para arcar?

Como pode o estudante ser responsável se se espera dele que continue a ser um adolescente até perto dos trinta?

Como se pode exigir a alguém que veja, quando se passa a vida a encorajá-lo a tapar os olhos?

Liberdade... Liberdade para dar um tiro no escuro e crescer à pressa, quanto muito.
O Estado defrauda os educandos, dizendo-lhes que estão educados quando, na realidade, não sabem coisa nenhuma. O Estado defrauda os eleitores dando-lhes o direito de voto a uma idade em que não são, nem de perto nem de longe, maduros o suficiente para compreenderem as consequências da responsabilidade que lhes é atribuída.

Isto não é liberdade, porque não há liberdade na ignorância. Ninguém é livre do destino e das circunstâncias, mas o ignorante está deles mais refém do que qualquer outro.

Isto não é liberdade. É condenação!

José Manuel disse...

A Universidade não é um centro de formação profissional, nem faz mmuito sentido falar em "cursos sem saída profissional". Há cursos que são essenciais, mas não suficientes, para exercer detrminadas profissões. Há também profissões que não exigem cursos obrigatórios, mas possuí-los são essenciais para se desenvolver profissionalmente. Como por exemplo o Steve Jobs e o seu aparentemente inútil curso de Caligrafia.
E como se determinam os cursos que têm saída? Há cinco anos, tempo que demora um jovem a formar-se, havia uma imensa falta de arquitectos. Hoje não há praticamente trabalhos de arquitectura...

foca disse...

Há nisto duas realidades distintas, o ensino publico e o privado.
No publico o Estado deve financiar (porque é disso que se trata) os cursos para os quais tenha identificado necessidade, com uma margem de erro admissível (que prever a 10 anos tem sempre algumas falhas).
Já no ensino privado deve ser dada formação em função da procura. Considerando que as famílias dos alunos pagam o curso todo, é legitimo que paguem para que eles emigrem, por exemplo, ou apenas porque querem ter essa formação complementar (não tenho nada contra que um biólogo tire um curso de arquitetura, se sair do seu bolso e der emprego a professores).
Mas é um campo evidente entre a coexistência de dois modelos que se complementem.
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Agora que as ordens de médicos, advogados e outras queiram poucos candidatos para não sofrerem concorrência é lá problema dos próprios.
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Sociedades reguladas é coisa muito soviética, dispenso.

foca disse...

José
Se for ao Seixal encontra na escola do Benfica centenas de miúdos que almejam vir a ser os futuros Eusébios.
Acham que todos vão lá chegar?
Acha que os pais pensam isso.
Também quer encerrar as escolas de futebol?
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Todos nós enquanto alunos e alguns como pais são responsáveis pelas escolhas.
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Isto não quer dizer que o Estado esteja isento de responsabilidades, claro.
Quando na administração publica colocaram os administrativos a receber o mesmo que técnicos especializados destruíram muitas escolas técnicas, como se compreende. Quem é que colocaria o filho a fazer uma formação técnica complexa e demorada para depois receber o mesmo que contínuos que aprenderam a escrever à máquina?
Quando no Estado um bacharel de engenharia (como o emigrado de Paris), depois de 30 anos de carreira, recebe metade de um magistrado com 5, não lhe parece evidente que empurre os filhos para fazer um curso de direito em qualquer chafarica?
Pelo menos aqui vejo o Ministro Álvaro com boas ideias, e o mesmo se passa com o Crato, assim as consigam colocar em prática!

josé disse...

"Há também profissões que não exigem cursos obrigatórios, mas possuí-los são essenciais para se desenvolver profissionalmente. Como por exemplo o Steve Jobs e o seu aparentemente inútil curso de Caligrafia."

Ainda bem que alguém fala nisto, porque também assim penso.

E a tal formação em Caligrafia, de Steve Jobs teve o mesmo efeito que a Caligrafia na Alemanha: são os mestres de um certo tipo de design urbano. Mais que os italianos.
E Jobs bebeu nessa fonte artística porque é disso que se trata.

Em Portugal esse conceito ou até ideia é estranho à maioria das pessoas.
Provavelmente até a arquitectos ou designers.

No entanto, sendo uma coisa tão aparentemente fútil como o desenho das letras, a importância é tão grande e tão grande que pode significar a diferença entre um país evoluído e um subdesenvolvido.

É um fenómeno muito curioso e que me apraz registar. Não sou o único a entender a caligrafia como uma coisa excepcionalmente importante para essas matérias.

A revista Twen diz-lhe alguma coisa?

josé disse...

Porém, o assunto principal é outro: a gestão das expectativas profissionais de jovens e seus pais.

Não é assim tão despiciendo pensar que foram as universidades privadas as culpadas deste desemprego maciço de licenciados. Por duas razões:

A primeira tem a ver com a autorictas de uma universidade. Se esta proclama que os seus cursos são o futuro quem são os jovens adolescentes e seus pais para disso desconfiarem e descartarem hipóteses de se matricularem?

A segunda tem a ver com as realidades de um país. Ainda hoje os pais querem que os seus filhos frequentem cursos que lhes dêem alguma perspectiva de emprego futuro e isso é um dado de facto, indiscutível.

Portanto actualmente só vêem um ou dois: medicina e eventualmente engenharia no Porto ou no Técnico.

Assim, as expectativas que foram apresentadas como realidades nos anos 90 revelaram-se completamente goradas e os professores e responsáveis universitários sabiam perfeitamente disso, tendo esperado que assim não fosse o que se revelava fatal e eles sabiam.
Foi isso que Justino disse e tem razão, a meu ver.

É essa a burla.

zazie disse...

Olhe que engraçado. O José e o foca a falarem da caligrafia e da sua importância e eu que ando a tentar passar essa ideia no meu trabalho, sem eco.

josé disse...

No caso é mais Tipografia do que caligrafia, mas andam associadas.

josé disse...

Há certos tipo de de letra que me encantam, como por exemplo a
cooper

josé disse...

Era o tipo de letra da Memória do Elefante e do Mundo da Canção, revistas de música.
E da Rock & Folk francesa.

É por isso que me encanta. Tipicamente dos sixties.

zazie disse...

Ah que engraçado. A mim também e andei a mostrar a isto a malta de ilustração que desconhecia por completo.

Wegie disse...

Vislumbra-se aqui toda a impotência de uma vida de toupeira à procura da cenoura em campo destruído.

josé disse...

Eu por mim só vislumbro campos de morangos para sempre, como promessa fantasiosa e típica de alucinados.

lusitânea disse...

A mais bem preparada geração de sempre em cursos da treta que nalguns casos andam a insistir na licenciatura,depois no mestrado, seguido do doutoramento e pós doutoramento acorda aos 38 anos sem nunca nos ter produzido nada, mas se calhar pronta para governar...
O ensino técnico profissional decente como o do Salazar é que era "fassista"...
Num país tornado pobre por opção a rapaziada comporta-se como sendo ultra-milionário nos "direitos" mas esquecendo os deveres...até que nada mais resta do que atacar os "direitos adquiridos" de quem teve a culpa de deixar andar essa rapaziada do tudo e do seu contrário sem coleira nenhuma...

hajapachorra disse...

Aí em cima está uma verdade que ninguém quer perceber: uma universidade NÃO é um centro de formação profissional. E o grande pecado dos davides justinos deste mundo, desde Veiga Simão, foi esse, o de pensarem o contrário. Tivemos demasiados totós, engenheiros, economistas, sociólogos, à frente de coisas que deviam ser sérias. Podiam pôr os olhos no exemplo contrário: no curso, no único curso, que tem tido, e ainda terá, 'saídas profissionais'. É isso que querem? Um país preso às ordens das ordens? Sequestrado por interesses particulares? Eu, para começo de conversa, dobrava o número de vagas em medicina (e acabava com os estágios controlados pela OA dos marinhos e pitas). Lucrávamos todos se houvesse algum desemprego entre os médicos... Uma universidade, para o ser, tem que assegurar certas áreas de estudos tendo ou não tendo alunos (matemática, história, física, filosofia, química, filologia clássica, biologia). No mais os cursos devem abrir ou fechar não por terem saídas profissionais mas por terem ou não terem procura. Simples. Sobram e sobrarão, per saecula saeculorum, jornalistas e sociólogos, mas se há moços e moçoilas que querem estudar tais inanidades, deixá-los.

Zephyrus disse...

Caro José,

David Justino é responsável por uma reforma do ensino que em muito prejudicou a sua qualidade e exigência, e que nunca foi discutida publicamente por professores e académicos, nem investigada pelos jornalistas.

Essa dita reforma reduziu para metade o número de disciplinas no Ensino Secundário! Acabou com as disciplinas técnicas, que davam uma excelente preparação para o Superior, caso das Técnicas Laboratoriais de Química ou das Técnicas Labboratoriais de Biologia. Os alunos passaram ainda a optar apenas por uma disciplina no 12.º ano, o que matou a Filofsofia, a Química ou a Física. Hoje em dia a maior parte dos alunos chega ao Superior sem conhecimentos de Química Orgânica e Laboratorial, isto na área científica, porque não tiveram Química de 12.º ano nem Técnicas Laboratoriais.

josé disse...

Acho que David Justino depois disso já se arrependeu do que fez.

As bases do descalabro no ensino não são dele: são do jacobinismo