segunda-feira, maio 16, 2011

E agora algo...do mesmo

Esta senhora que figura em cima é Irene Flunser Pimentel que dá entrevista à Pública de ontem, Domingo. A Pública e Anabela Mota Ribeiro cumprem muito bem o guião e todo o programa jacobino e de Esquerda e por isso Irene Pimentel tem direito a entrevista extensa para explicar coisas curiosas.

" Foi política até 1978. Como boa marxista-leninista, copiou "coisas do totalitarismo comunista, misturado com uma agência pelo surrealismo, uma cinefilia grande, o Maio de 68 e os valores meio anarcas e libertários" que marcaram uma geração. Aos 30 anos percebeu que não tinha casado, não tinha filhos, não tinha um curso. Licenciou-se em História em 1984. Não é casada, não tem filhos. Vive com duas gatas."

A historiadora da Pide ( é sempre a Pide, nunca é DGS), do salazarismo, tem este percurso de vida e uma idiossincrasia típica da Esquerda que temos e se alarga à extrema-esquerda, aos arrependidos dessa mesma Esquerda e aos jornais que albergam os seus antigos próceres. Que são quase todos os que temos em Portugal.

A entrevista fala por si e da dificuldade desta senhora se exprimir de outro modo que não o que aprendeu enquanto jovem. Há uma barreira notória no entendimento que a mesma terá dos fenómenos políticos e sociais que ocorreram há quarenta ou trinta anos. Ler os livros de uma pessoa assim, de História ainda por cima, é o mesmo que ler uma falsificação ideológica do tempo. Com factos reais pode construir uma história inverídica.

Tomemos agora uma figura dos antípodas. Pedro Feytor Pinto foi educado de modo completamente diverso e serviu o salazarismo e o caetanismo do modo que conta no seu livro Na Sombra do Poder. Esta imagem que fica abaixo foi publicada no Expresso de 23.5.2011 e mostra a sala em que Marcello Caetano entregou o poder formalmente, ao general António de Spínola, acto protagonizado por Feytor Pinto que lhe trouxe a mensagem de Spínola e levou outra também.
A seguir, a imagem da contracapa do livro em que Feytor Pinto explica o que escreveu.

Ambos solteiros, sem filhos ( desconhece-se se Feytor Pinto tem gatos...) com diferença de idade que não é significativa e portanto bem diversos no que dizem sobre a nossa História recente.

Se há símbolo da esquerda e direita que temos, estas duas pessoas podem servir para tal. Na linguagem, na visão do mundo e das coisas e principalmente no modo como analisam o passado que tivemos, divergem e como diz Feytor Pinto, citando Pirandello : " a cada um a sua verdade".

Escusado será dizer que me revejo muito mais na visão de Feytor Pinto. Não por ser de direita, mas porque me parece muito mais fiel à realidade que tivemos.


Ca ganda cabala!


Económico:

As autoridades determinaram a prisão preventiva do n.º 1 do FMI. Defesa de Strauss-Kahn sugere fiança de um milhão de dólares.

Agora é que vai ser a sério. A CIA que se cuide...

domingo, maio 15, 2011

Um caso singular de cabala habitual

Imaginemos que o caso Dominique Strauss-Kahn tinha acontecido ontem, em Portugal, no hotel Ritz. O indivíduo, sozinho numa suite, tentar abusar sexualmente de uma empregada o hotel. E fugir do local, à pressa, deixando para trás telemóvel e outras coisas pessoais.
Imaginemos que a empregada fazia queixa na esquadra de polícia mais próxima, indicando os factos, a nacionalidade do suspeito e o evidente perigo de fuga do indivíduo.

Que fazia a PSP, neste caso? Tomava "conta da ocorrência". Escrevia no computador o relato da vítima, pedia-lhe provas a apresentar e...ficava por aí.

A PSP nunca iria ao aeroporto, à noite, tentar interceptar o suspeito em fuga. Nunca teria o bestunto e a racionalidade em abordar com rapidez exigível o responsável do aeroporto e diligenciar legalmente pela detenção do suspeito para averiguação necessariamente sumária e antes de apresentação a um juiz.
Mas consideremos que havia no posto da PSP um agente que tivesse esse dom raro da capacidade investigatória adequada às circunstâncias. Imaginemos que iria em patrulha ao aeroporto, entraria no avião e deteria o suspeito. E imediatamente comunicava o facto ao MºPº como manda a lei processual penal.
O que aconteceria? Não é difícil de imaginar, tendo em conta o que sucedeu no processo Casa Pia, até porque os intervenientes são quase os mesmos.
O inefável Rui Pereira seria acordado às duas da manhã. O que faria? Será difícil de imaginar? Faria como Souto Moura fez nessa altura em que António Costa, um ex-ministro da Justiça do PS fez, pressionando-o para resolver o assunto a contento dos socialistas em perigo? Diria que nada poderia fazer porque o assunto estava já nas mãos de um juiz de instrução ou, no caso, do MºPº?

Alguma vez poderíamos supor que o suspeito ficaria detido para apresentação a um juiz, não hoje, mas amanhã, segunda-feira?

A resposta a estas perguntas deve ser colocada ao responsável pelo FMI que por cá esteve a dar palpites sobre o nosso sistema jurídico-penal...

"Simply the best"

Notícia do Correio da Manhã de hoje , citada aqui:

CM apanhou-o [ a José S.] à saída de um restaurante de luxo no Porto, onde jantou com seis apoiantes do PS. «A refeição custa, em média, 100 euros por pessoa», lê-se na legenda da fotografia publicada na última página do jornal.

O restaurante DOP, no Porto, é o luxo aprazível de um gosto "simply the best".

A classe deste primeiro-ministro assim o exige: enquanto fala publicamente sobre " o discurso ideológico radical da direita", a sua manifesta costela de esquerda, pelos pobres, humildes e desvalidos, entrechoca-se na entrecôte grillé au poivre rive gauche, regada a tinto do Douro, encostado à margem esquerda para fazer valer a suprema diferenciação que pretende notória, daqueles que sendo de direita, "dos interesses", querem acabar com o "estado social" e a "escola pública". E portanto, no fim da arenga, o primeiro-ministro e meia dúzia de socialistas do mesmo calibre, vão para o restaurante dos ricos cuja refeição, por pessoa, nunca fica por menos de um terço do salário mínimo.

É assim que José S. , primeiro ministro que está, confirma a sua coerência com o noticiado há semanas pela revista Flash: frequentador habitual dos melhores restaurantes, a par de assíduo cliente das alfaiatarias de Nova Iorque e Milão. Com um salário idêntico ao de Marinho e Pinto, deve perguntar-se a este se já foi alguma vez ao DOP e se costuma ir diariamente ao Gambrinus ou só quando o rei faz anos. E já agora, muito prosaicamente, como é que o outro consegue o milagre da multiplicação dos seus pães que outros não conseguem de modo algum.

PS. À imagem de esquerda deste primeiro-ministro também faz jus o comportamento do ainda presidente do FMI, D.S-Khan. Segundo o New York Times, a suite do hotel Sofitel onde se encontrava custava a bagatela de $ 3000 dólares por noite. E ainda segundo o jornal...

The couple are known to enjoy the finer things in life, and Mr. Strauss-Kahn has sometimes been attacked for being a “caviar leftist.”

Recently Mr. Strauss-Kahn and his wife were photographed entering an expensive Porsche in Paris belonging to one of their friends. The image of a Socialist with Porsche tastes was quickly picked up by the news media, especially the newspapers that generally support Mr. Sarkozy.

Um modelo de socialismo, portanto: olhem para o que digo e nunca para o que faço. Hipócritas? Nem por isso. Apenas ilusionistas que enganam o papalvo nunca se cansando de acusar a "direita" de ser o que realmente são.

O Provedor do Público, novamente

José Queirós, provedor do leitor do jornal Público assina hoje um artigo de página para tentar dilucidar uma dúvida que não enuncia, mas se impõe como evidência: se a versão online do jornal e por arrasto a direcção do próprio periódico estão em campanha contra o actual líder do PSD, Passos Coelho.
A questão que se coloca para análise é uma notícia aparecida naquela versão virtual do jornal do passado 1 de Maio em que se citava o hino da campanha daquele partido para se escrever que "está na hora de mudar...o Passos Coelho", supondo que seria essa a letra do mesmo hino, ouvida pelos repórteres do jornal e aparentemente confirmada pela própria directora, Bárbara Reis.

O esforçado Provedor lá tenta encontrar o fio de Ariadne que o conduza à demonstração de isenção, por entre a floresta de evidências já sobejamente expostas nas primeiras páginas do Público: o jornal, virado de um avesso jacobino não gosta nem do PSD nem de Passos Coelho e o que se poderia arranjar de melhor para contentar aquela redacção singular seria um partido que aglutinasse Ferro Rodrigues com Manuel Alegre.

E temos, quem o lê, claro, de andar a gramar um jornal, diariamente, com notícias de primeira página que assim indicam intenções de voto subliminares.
Isto é insuportável em termos de imprensa escrita e a SONAE deveria repensar a actual direcção do jornal como inadaptada ao pluralismo que se exige e impõe. Aliás, cada vez cai mais nas vendas e isso deveria ser o sinal mais evidente do descalabro destas ideias serôdias.

Aliás, o próprio Provedor afina pelo mesmo diapasão, não o mostrando a soar a nota exacta por simples razões de engano. No artigo descai-se ao escrever que "Houve quem, seguindo a lógica da peça, aproveitasse para gozar com o que seria mais uma prova de "amadorismo" dos responsáveis do PSD".
Amadorismo parece ser a ideia feita, para esta gente. Manuel Alegre as suas "gaffes", contradições e igorâncias várias ( amplamente mostradas nos debates televisivos) , nunca tiveram direito ao epíteto.

Por isso mesmo, porque estou farto disto, vou deixar de comprar o jornal. Estou farto desta merda de jornalismo.

DS-K, finito

Correio da Manhã:

O responsável máximo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi ontem detido em Nova Iorque, acusado de abusos sexuais.

Strauss-Kahn foi detido no aeroporto JFK pouco antes da partida do voo da Air France com destino a Paris.

A agressão sexual terá ocorrido na tarde de ontem, num dos quartos do hotel Sofitel, quando uma das empregadas de limpeza entrou no quarto onde estava Strauss--Kahn. O director do FMI terá saído completamente nu da casa de banho, agarrou a mulher, deitou-a na cama e obrigou -a a praticar sexo oral, tendo-a sodomizado de seguida. O responsável do FMI abandonou depois o hotel em direcção ao aeroporto JFK.

Já em 2008, Strauss-Kahn casado com uma repórter de televisão, viu-se envolvido num escândalo sexual com uma funcionária do FMI.

Acabaram aqui as veleidades para suceder a Sarkozy. Se fosse por cá, os vários "sombras" teriam ocultado a coisa. Seria outra cabala...

PS. Entretanto, prepara-se já a história da "cabala"...e estou certo que nem o próprio Mário S. se escusará a comentar o assunto, já que foi tão lesto a dizer que sendo o FMI dirigido por um socialista a organização só podia ser coisa de bem.

Em acrescento, os factos tais como relatados pelo jornal New York Times:

In the New York case, Mr. Browne said that it was about 1 p.m. on Saturday when the maid, a 32-year-old woman, entered Mr. Strauss-Kahn’s suite — Room 2806 — believing it was unoccupied. Mr. Browne said that the suite, which cost $3,000 a night, had a foyer, a conference room, a living room and a bedroom, and that Mr. Strauss-Khan had checked in on Friday.

As she was in the foyer, “he came out of the bathroom, fully naked, and attempted to sexually assault her,” Mr. Browne said, adding, “He grabs her, according to her account, and pulls her into the bedroom and onto the bed.” He locked the door to the suite, Mr. Browne said.

“She fights him off, and he then drags her down the hallway to the bathroom, where he sexually assaults her a second time,” Mr. Browne added.

At some point during the assault, the woman broke free, Mr. Browne said, and “she fled, reported it to other hotel personnel, who called 911.” He added, “When the police arrived, he was not there.” Mr. Browne said Mr. Strauss-Kahn appeared to have left in a hurry. In the room, investigators found his cellphone, which he had left behind, and one law enforcement official said that the investigation uncovered forensic evidence that would contain DNA.

Mr. Browne added, “We learned that he was on an Air France plane,” and the plane was held at the gate, where Mr. Strauss-Kahn was taken into custody. Later Saturday night, Mr. Browne said Mr. Strauss-Kahn was in a police holding cell.

Mr. Browne said the city’s Emergency Medical Service took the maid to Roosevelt Hospital for what Mr. Browne described as treatment for “minor injuries.”

Comentário: $ 3000,00 por uma suite de hotel está ao mesmo nível do nosso primeiro-ministro . Ou não fossem ambos socialistas de boa cepa, a que dá uvas de vinho fino.

sábado, maio 14, 2011

Lacão, lacaio da aldrabice


Jorge Lacão como só ele sabe ser:

O ministro com a tutela da comunicação social afirmou hoje que ao admitir uma privatização da RTP o secretário de Estado do Tesouro está a expressar "uma posição pessoal" que não corresponde à visão do Governo nem do PS.(...)

Já Lacão preferiu insistir que o PS não está disponível para uma alteração da Constituição que permitiria uma privatização de qualquer parte da RTP ou da agência noticiosa do Estado, a Lusa, uma vez que está "empenhado na garantia de condições de total independência desses serviços de comunicação social".

O pobre do Secretário de Estado já deve ter levado tanto naquelas orelhas que tão cedo não fala no assunto...mas se o PSD ganhar, voltará a insistir no assunto e nessa altura, Lacão virá dizer que sim senhor, se impõe uma privatização porque sim e porque sim e porque patati patata. Somos todos pataratas, é o que é.

O estranho caso da violação sem violência

Com grande estrondo mediático ( semanário Sol e também Expresso) replicado em blogs e outros media, fala-se no caso do psiquiatra que tal gato judicial de Shroedinger violou/ não violou uma paciente, durante uma consulta.

Antes de mais, os factos tais como descritos no acórdão da Relação do Porto, aqui transcrito.

"A ofendida C…, que padece de doença depressiva, iniciou, em 31 de Março de 2009, acompanhamento médico junto do arguido, médico psiquiatra, no consultório deste, sito na Rua …, …, …, Porto.
No decurso de tais consultas, a ofendida C… ficava sozinha com o arguido no interior do aludido consultório que era também e simultaneamente a residência deste e onde não existia qualquer funcionário.
Em 2 de Setembro de 2009, a ofendida, que então se encontrava na 34ª semana de gravidez, compareceu no consultório do arguido, cerca das 14.30 horas, para uma consulta.
Cerca das 15.30 horas, no decurso da consulta e devido ao seu estado de fragilidade emocional, a ofendida começou a chorar, tendo-lhe o arguido dito para se deitar na marquesa (ou divã) - ao que esta acedeu.
O arguido começou então a massajar-lhe o tórax e os seios e a roçar partes do seu corpo no corpo da ofendida.
Esta levantou-se do dito divã e sentou-se no sofá. O arguido foi então escrever uma receita. Quando voltou com ela, aproximou-se da ofendida, exibiu-lhe o seu pénis erecto e meteu-lho na boca, para tanto agarrando-lhe os cabelos e puxando-lhe para trás a cabeça, enquanto lhe dizia” estou muito excitado” e “vamos, querida, vamos”.
A ofendida reagiu, levantou-se e tentou dirigir-se para a porta de saída; no entanto, o arguido, aproveitando-se do estado de gravidez avançado que lhe dificultava os movimentos, agarrou-a, virou-a de costas, empurrou-a na direcção do sofá fazendo-a debruçar-se sobre o mesmo, baixou-lhe as calças (de grávida) e introduziu o pénis erecto na vagina até ejacular. "

Segundo as leis penais aplicadas no julgamento de primeira instância, o arguido cometeu um crime de violação p. e p. no artº 164º nº 1 do C. Penal.
O tribunal de recurso, Relação do Porto entendeu de modo diferente e em sumário, decidiu assim:
O crime de Violação, previsto no artigo 164.º, n.º 1, do CP, é um crime de execução vinculada, i.é., tem de ser cometido por meio de violência, ameaça grave ou acto que coloque a vítima em estado de inconsciência ou de impossibilidade de resistir.
II – O agente só comete o crime se, na concretização da execução do acto sexual, ainda que tentado, se debater com a pessoa da vítima, de forma a poder-se falar em “violência”.
III – A força física destinada a vencer a resistência da vítima pressupõe que esta manifeste de forma positiva, inequívoca e relevante a sua oposição à prática do acto.
IV – A recusa meramente verbal ou a ausência de vontade, de adesão ou de consentimento da ofendida são, por si só, insuficientes para se julgar verificado o crime de Violação.

Perante isto que aqui fica e me parece o essencial, que dizer?
Segundo o Expresso de hoje, o vice-presidente do CSM, conselheiro Bravo Serra, oriundo do MºPº, pronunciou-se dizendo que se fosse ele, decidiria de modo diverso do da Relação, aguardando por isso decisão de revista do STJ.
Que certamente irá anular a decisão da Relação, segundo o que penso será o mais correcto, politica e consensualmente.

Será assim? Parece que tudo gira à volta do conceito de "violência", ou seja, do que como tal se deve entender. O Expresso de hoje, num artigo muito equilibrado e bem explicativo do problema, coloca os nomes dos envolvidos na decisão judicial, ao contrário de outros media que parece terem um pudor excessivo nestas coisas. Ficamos a saber o nome do psiquiatra, o da desembargadora que decidiu ( e que aliás consta do acórdão publicado) e ainda o de outras pessoas que comentam o caso. Todos são unânimes em reconhecer a ausência de bom senso da decisão da Relação.

E assim parece. Se se dá como provado, como se deu, que houve da parte do psiquiatra arguido actos de coacção física sobre a paciente, isso dificilmente se explicaria como não sendo violência física passível de integrar o conceito de violação. Como se diz no acórdão.

Portanto, assim prima facie parece fácil dizer que a decisão da Relação é uma aberração jurídica e um atentado ao senso comum, como fazem muitos comentadores.

Não obstante, as dúvidas da desembargadora-relatora do acórdão estão todas explicadas no mesmo. E são dúvidas que colocam em causa o relato da assistente-vítima. E são dúvidas decorrentes da audição da prova gravada e da análise dos elementos dos autos.

Por isso mesmo, não seria tão afoito em escrever ou dizer que a decisão da Relação é uma asneira grave que compromete a imagem do poder judicial.
Poderia comprometer se fosse uma decisão completamente aberrante, mas pela leitura do acórdão, pode ser um mero erro de análise jurídica que só não comete quem não tem a incumbência de decidir casos destes.
E os erros jurídicos corrigem-se através de recurso. Como irá acontecer. É tudo o que se deve e pode dizer sobre o assunto.

PS: conheço a desembargadora, por ter trabalhado no mesmo tribunal , há muitos anos. No entanto, não é por isso que escrevo deste modo ou de outro.
Parece-me que na análise destes casos, pelos media, falha sempre uma coisa essencial: os jornalistas e comentadores não estiveram na sala de audiência, nem sequer foram os que fizeram o inquerito nem se deram ao cuidado do exercício elementar do contraditório. Geralmente adoptam uma posição de um dos lados do conflito. E por isso mesmo nunca serão bons julgadores.
Para tal, prefiro sempre os tribunais. Por mais erros que cometam e é evidente que cometem, estarão sempre mais bem preparados para analisar os casos do que os jornalistas de causas.
E é por isso que sinto muita renitência em julgar criticamente decisões dos tribunais. Mesmo em casos de escândalo flagrante como foi o do tal Rui. Pedro.Soares.


A intrujice que ninguém consegue desmontar

Francisco Louçã, em entrevista à revista Única no Expresso de hoje:

"Sócrates é um homem que chega ao ponto de ser capaz de fazer uma prè-inauguração do Hospital de Braga, ao lado do representante da família Mello ( que vai gerir , durante trinta anos, o Hospital de Braga) e defender o Serviço Nacional de Saúde, apesar de estar a entregar um hospital público a um dos maiores grupos privados na saúde. É verdade que hoje o PSD é um partido mais agressivamente liberal, mas tem pela frente um PS que não propõe a privatização da CGD do sector bancário mas propõe a privatização total do sector de seguros, que é um terço das receitas da Caixa. A diferença que há hoje é entre um PS que quer tirar um terço da CGD e um PSD que quer tirar metade."

Este discurso e mensagem não passam nas tv´s que temos. Por alguma razão, o PS tem mais de trinta por cento de intenções de voto nas sondagens.

Pedro Feytor Pinto

Acabei de ler este livro que recomendo incondicionalmente. É da autoria de Pedro Feytor Pinto, o alto funcionário da Administração Pública, no tempo de Marcello Caetano, na Secretaria de Estado da Informação e Turismo, responsável pelas informações a prestar aos jornalistas estrangeiros que queriam saber o que se passava por cá.
O livro, de memórias, tem histórias muito interessantes e é um contributo decisivo para se perceber a época marcelista, a idiossincrasia de Marcello Caetano e principalmente um tempo e uma época. Pedro Feytor Pinto começa por narrar e descrever o que foram os seus tempos de formação como pessoa, no seio de uma família tradicional portuguesa, com valores portugueses e incidência particular na religiosidade dos pais que serviram os outros em actividade de ensino ( tinham um colégio) e caritativas ( sempre foram das conferências de S. Vicente de Paulo).

O modo como Pedro Feytor Pinto descreve as peripécias do dia 25 de Abril de 1974 merece ser lido e o modo como se relacionava com os notáveis do seu tempo, também. Pelo livro perpassa, sem qualquer equívoco, uma ética e um sistema de valores que se perdeu, neste anos. E que aqui se reencontra como modelo de referência de uma época e de um regime: o de Salazar/Caetano.
A linguagem do livro é a que ainda conheço desse tempo, sem qualquer laivo da "novilíngua" inventada pelos poderes e intelligentsia que vieram depois. É uma delícia poder ler algo que não cheira a enxofre de maçonaria ou tresande a perfume de esquerda cripto-comunista. É uma maravilha poder ler algo a respeito de pessoas que tinham um sistema de valores que se perdeu, trocado por outro em que pouco ou nada se ganha.

Se quiséssemos arranjar o paradigma oposto, assim de repente, bastaria lermos a biografia daqueles que "abandalharam" isto tudo. Escuso de dizer quem são porque andam no meio de nós.

Não conheço pessoalmente o autor ( irmão do padre Vítor Feytor Pinto) mas é das pessoas mais interessantes para entrevistar. Que me tenha dado conta, apenas o Expresso lhe deu duas páginas de entrevista na edição de 22.4.20110. Dos restantes media, a TVI fez-lhe uma entrevista. O resto é jacobino.

Um dos episódios mais marcantes dessa idiossincrasia, que não sendo cómico assim resulta para mim é este, contado a página 332:

" Um dia o portageiro [ na auto-estrada Porto-Lisboa e que terminava em Aveiro, nessa altura ainda nos anos oitenta] pediu-me se não me importava de levar até à Mealhada um companheiro seu, pois queria passar o fim-de-semana com a família. Aceitei sem nenhuma preocupação prosseguindo a viagem e fazendo conversa com o meu passageiro. Era um dia bonito e caloroso e que me levou a comentar como deviam ser incómodo passarem o dia naquelas pequenas cabines, expostas ao sol. "De facto deve ser muito incómodo mas eu não sofro essa incomodidade pois o meu trabalho é no edifício que está um pouco afastado." Senti um sobressalto perguntando-lhe: " Mas isso é o posto da GNR" Perante a resposta positiva disse-me ser um elemento da brigada de trânsito. Reduzi a velocidade e, um pouco encavacado, procurei saber se ele notava que eu vinha um pouco depressa. Com um sorriso respondeu que também notava isso mas que estava satisfeito pois assim chegaria mais rápido ao pé da sua família! Obviamente que o levei até à porta de casa!"

Este pequeno episódio conta mais sobre a idiossincrasia e a ética do que muitos episódios do livro. E não é necessariamente negativa. A noção de responsabilidade, de dever, de respeito pela autoridade eram efectivamente uma das características do regime de Salazar/ Caetano.

Mas também conta sobre a dificuldade em perceber a mudança do tempo e mentalidade.



O Puro Prazer académico

Uma das figuras de proa do actual regime de poder socialista democrático, com regência deste Inenarrável, é este que aqui se retrata numa imagem do jornal Sol de ontem.

Paulo Campos, no centro da imagem e das notícias que envolvem SCUTS e milhões a voar para as concessionárias das parcerias, já foi por aqui biografado. Um dos feitos mais notáveis deste filho de António Campos foi o de colocar à frente dos CTT, um amigalhaço, com um curso superior completamente marado e falsificado que fez parte de uma empresa comum, chamada Puro-Prazer. Dedicada à organização de eventos, tipo festividades académcias e que por isso acabou logo, um ano depois de constituída. Mas o suficiente para conferir arcabouço de gestão aos seus sócios gerentes. Indeed!

Nessa linhagem de uma continuidade notável, a que Eduardo Catroga chamou de modo muito cândido e sereno, de "abandalhamento" ( referindo-se no caso à CGD e à nomeação de outros dois notáveis como são Vara e Bandeira) a novel administradora da empresa Estradas de Portugal é uma cabeleireira, também assessora, chamada Ana Thomaz, aqui figurante.
Tomai lá que é democrático!


PS. Não sei se a propósito das parcerias, mas também, o mesmo Medina Carreira, na mesma entrevista abaixo citada, dizia que "Os privados, pela natureza das coisas, cuidam do interesse privado. E o Estado, pela mesma natureza das coisas, deve cuidar do interesse público. Os governos respondem pelo colectivo, os privados apenas pelos seus interesses. É essa a diferença. É por isso que defendo a criminalização deste tipo de decisões. Isto de os governos só serem punidos nas eleições é uma bela coisa".

E mais ainda se poderia dizer: por vezes, quase sempre, nem sequer nas eleições são punidos porque a classe política que temos é um continuum cada vez mais notório. Ninguém sai verdadeiramente punido porque assegura previamente o direito à indemnização...

Pregar aos convertidos

Uma sondagem de hoje, no Público- um jornal cada vez mais idiossincrático no jacobinismo, hoje até escreve sobre "gays" nas forças armadas- avança que o PS pode vir a ter mais de 36% nas eleições, ficando à frente do PSD.

Como se explica este fenómeno? Confesso que fico abismado. Ontem na tv, um comentador encartado em estudos de opinião, dizia que o problema reside da incapacidade de o PSD mostrar que tem programa de governo aceitável e melhor que outros. Discordo. O PS não tem programa melhor do que já teve e nos conduziu até este buraco de uma bancarrota que se adia com empréstimos quase ao dia.

Numa entrevista ao Expresso ainda nem sequer há um mês, Medina Carreira dizia que " O país não entenderá nada do que se está a passar se não perceber porque é que os governos foram sempre gastando mais do que a economia permitia. Porque é nos tais seus milhões de pessoas do "partido-Estado" que os governos querem colher votos. E a sociedade vê com bons olhos o aumento das prestações sociais. Ou seja, é uma coisa que é feita pelos partidos com malandrice e que o eleitorado apoia, porque é social. E tudo o que é social é bem vindo."

" Se você vir a curva das despesas, verifica que a despesa foi crescendo na exacta medida das despesas sociais. Ou seja, o que cresce no conjunto é o que cresce nas despesas sociais. Isso não tem qualquer sustentabilidade. (...)
Vai ter de se cortar [nas pensões], não tenho dúvidas. O que se está a passar é uma burla. Os governos deviam avisar as novas gerações que daqui a 10, 15, 20 anos não há dinheiro para pagar as pensões, a saúde ou as escolas de hoje. Estas gerações deviam estar a ser avisadas para aforrar."

É este o discurso do PS actual ? Não é e nunca o foi e quem vota no PS quer isso mesmo que se nega a aceitar como evidência.

Para mim, é esta a principal razão daquelas intenções de voto, porque é o PS quem garante maior probabilidade de aldrabice, como até aqui tem feito com sucesso garantido. O Primeiro-Mentiroso não é punido por o ser. Pode fazer o que quiser na sua vida privada que ninguém o incomodará. Poderá mesmo ter problemas de freeports e faces ocultas que nada disso o afectará, com o povo que temos e vota em isaltinos e mesquitas machados. Um povo cínico e por vezes estúpido como o são as massas informes que se deslocam arrebanhadas. E há quem as saiba arrebanhar muito bem, como se confirma.

Portanto, o problema vai ser este que aqui fica numa imagem que vale mil palavras: quem ganhar as eleições vai dar com os burros na água porque quem governou até aqui nos conduziu ao charco.
E não vai conseguir pôr o país a crescer 3%, se forem os mesmos que precisamente o afundaram na recessão que atravessa. Esse discurso claro e aceite pela maioria, não passa nos media.
Portanto, se o PS ganhar, teremos desgraça nacional a breve trecho. Mas enquanto o pau vai e vem, folgam as costas do Mentiroso.
PS. O título do postal remete para uma entrevista com João Villalobos, no Expresso de hoje. Villalobos, diz o Expresso, é um consultor de comunicação e que costuma escrever no blog Albergue Espanhol e teve intervenção em fenómenos de comunicação recentes, como foi a publicidade ao licor Beirão, com Futre e o recente vídeo da Cãmara de Cascais, sobre Portugal e a Finlândia. [ nota apócrifa: o visado, João Villalobos esclareceu que nada teve a ver com o video e que o mesmo se deve à empresa Nextpower de que Rodrigo da Moita de Deus é também responsável. Fica a correcção.]

Na entrevista, Villalobos diz que os blogs, actualmente, estão a perder palco porque se tornaram um espaço de pregação aos convertidos.
Concordo inteiramente. Com uma nuance: nunca tiveram grande audiência. Nem precisam, aliás.

sexta-feira, maio 13, 2011

Censura no Wall Street Journal

No outro dia, deu-se aqui notícia de uma carta do dirigente dos Verdadeiros Finlandeses, Timo Soini, publicada no Wall Street Journal, o jornal do bastião mais arreigado do capitalismo financeiro mundial.

Segundo se informa neste blog, a carta foi censurada de modo grave, posteriormente, na edição online do jornal. Censura pura e simples como se fazia dantes, no tempo do "fassismo", em Portugal.

Ninguém se importou, nos media tradicionais. Andam todos preocupados com "pintelhos".

Manuel António Pina ganhou o prémio Camões

Manuel António Pina ganhou o prémio Camões deste ano. Como se escreve nesta notícia do Brasil.

Parabéns ao autor que foi recentemente apelidado de forma repetida, pelo incrível Marinho e Pinto, de...cretino. Pois o "cretino" ganhou um prémio que Marinho nunca conseguirá.

Quem escreve um artigo de jornal usando palavras tão genuínas como "bolçou" ou "elucubrou" merece apenas a figura que tem. Não a que lhe têm consentido.

quinta-feira, maio 12, 2011

Matéria típica para o DCIAP investigar






2011-05-11 Portagens SCUT ruinosas para Estado por inverbis



A investigação pode ser em tandem com a das as agências de rating e a primeira pessoa a ser ouvida é o célebre Paulo Campos. Filho de António Campos, o socialista que em tempos era um iconoclasta contra o ministro da Agricultura - o comedor de mioleiras- do próprio partido.






Mais uma história de proveito e exemplo

Esta, contada no jornal i de hoje, por Eduardo Catroga:



"Há um episódio curioso com a CGD a propósito de Manuel Pinho ( o inenarrável ministro da Economia do ainda mais Inenarrável primeiro-ministro- nota minha). Em Outubro ou Novembro, convidou-me para almoçar e disse:" Dizem que vou para a CGD, mas aquilo só dá 350 mil euros e o carro também não é grande coisa..." Eu aqui resolvi gozar: "Ó Manuel, a CGD nunca deu dinheiro, dava prestígio. Quem ia para administrador tinha status. Agora vocês abandalharam o banco todo! Meteram lá o Vara e o Bandeira [presidente e vice-presidente da CGD]! Abandalharam aquilo tudo!" Meteram lá o aparelho que controla os movimentos de crédito da CGD. A Caixa está ao serviço de interesses."


Foi Catroga quem o disse e hoje é citado nos media por causa de ter referido umas "pentelhices". O sumo da história não lhes interessa, como habitualmente. Mas as pentelhices é como se fosse pão para a boca...

quarta-feira, maio 11, 2011

Outra história de proveito e exemplo

Santana Castilho escreve hoje no Público uma crónica em que relata um conto que leu num livro de Françoise Giroud ( que foi directora do L´Éxpress quando valia a pena ler este semanário francês, nos anos setenta):


"Quando Chamberlain compreendeu que não era o primeiro-ministro adequado a liderar o Reino Unido em guerra, escolheu, ele próprio, como era tradição no partido conservador inglês, o seu sucessor. Designou lorde Halifax. Mas Chamberlain queria um governo forte e sabia, por isso, que era indispensável que Churchill fizesse parte do elenco. Convocou-o e disse-lhe:-Halifax é


Churchill, por patriotismo e por dever, por essa autêntica grandeza que é a abnegação face a um interesse superior, disse que sim.Horas depois, um homem que tinha taleno. Lorde Beaverbrook, magnata da imprensa inglesa, pdeiu a Churchill para o receber com urgência e disse-lhe:


-Não é possível! Aceitou que seja Halifax o primeiro-ministro?

Churchill respondeu que se tratava de um negócio de Estado e que não iria discutir com ele. Beaverbrook insistiu. Churchill respondeu que não tinha outra saída. E Beaverbrook voltou à carga:


- É um crime contra a Nação! Só você poderá mobilizar a Grã-Bretanha.

No fundo, Churchill concordava com Beaverbrook. Mas objectou que tinha dado a sua palavra e que não voltaria atrás. Então, Beaverbrook disse:

-Peço-lhe pelo menos uma coisa. Quando for convocado por Chamberlain, com Halifax, e Chamberlain lhe perguntar se confoirma a sua aceitação, fique em silêncio durante três minutos. Três minutos completos. Cento e oitenta segundos, antes de dizer sim. Em nome da Inglaterra, peço-lhe.

Churchill achou isto impertinente e não viu como isto poderia mudar a situação. Mas, como tinha amizade e estima por Beaverbrook, prometeu-lhe que o faria.

No dia seguinte, Churchill e Halifax encontraram-se no gabinete de Chamberlain, na Downing Street.Chamberlain pediu a Churchill:

-Pode confirmar , se faz favor, a lorde Halifax, que aceita fazer parte do seu Governo?

E Churchill ficou calado. Passou um minuto, e Churchill continuava em silêncio. Minuto e meio depois, Churchill permanecia em silêncio. Ainda não tinham transcorrido os três minutos, lorde Halifax não aguentou, exclamou e saiu:

Creio que é Winston Churchill que deve ser o primeiro-ministro!

O mínimo que se poderá dizer é que estes três minutos tiveram um papel da máxima importância na história da Segunda Grande Guerra Mundial. "


Em Portugal, actualmente, não há oportunidade para estas situações dramáticas se desenvolverem. O actual primeiro-ministro não só quer continuar como permanece arreigado ao estilo, modo e poder de actuação dos últimos anos que foram trágicos para a vida dos portugueses.


Não deveriam existir muitas dúvidas que a gravamento súbito das condições da dívida pública portuguesa em 2009, teriam obrigado a uma inflexão de políticas que poderiam ter salvado o país desta hecatombe que é a de pedir empréstimos avultadíssimos e juros usurários de 6% e que não poderemos pagar, certamente. O país está por isso mesmo em bancarrota e os bancos podem falir. Será a desgraça total e a ruína de todos nós.

Culpados estruturais haverá muitos, mas na conjuntura há só um bem visível e que merece ser responsabilizado directamente pelo que fez: este Inenarrável que governa. Não é apenas um bode expiatório mas o fazedor da desgraça, em concreto e sem dúvidas de maior, para quem quiser ser politicamente honesto.


Em 2009, o presidente da República poderia ter intervindo e parar a sangria. Não o fez por medo de perder a eleição presidencial. Em Junho de 2009, o país poderia ter ficado a saber que este primeiro-ministro andava a tentar comprar vários órgãos de comunicação social, para manipular a informação como acontece actualmente na TVI, com a tomada de poder pelo inefável conde. O país saberia tal coisa se porventura fosse instaurado inquérito por atentado ao Estado de Direito. Bastaria que o processo fosse autuado na secção criminal do STJ como deveria e as coisas seguiriam o seu curso normal.



O actual PGR e o presidente do STJ, objectivamente conluiados num entendimento espúrio do direito e do processo penal que temos, eventualmente em pânico por temerem que tal coisa se soubesse em período de campanha eleitoral, salvaram o primeiro-ministro desse embate com a opinião pública. Os magistrados de Aveiro e a PJ, profissional e honradamente mantiveram o segredo de justiça que se impunha. Alguém, no dia 24 de Junho informou certos arguidos que andavam a ser escutados e depois disso mudaram de conversa. E não foram certamente os magistrados de Aveiro...

Esse facto corresponde ao silêncio de Churchill, mas ao contrário: em vez de sigilo houve violação do mesmo e eventualmente por alguém que tinha interesse directo em avisar amigos políticos. E houve um silência prolongado sobre o assunto que durou até bem depois das eleições legislativas desse ano. Um silêncio que foi de ouro e resultou em cheio.

Não se sabe nem se descobriu ainda quem foi o autor da gravíssima violação de segredo de justiça que obviamente pede prisão efectiva. Há um inquérito a decorrer e nada se sabe do mesmo. Nem sequer onde está actualmente.


O actual PGR disse numa entrevista que os processos criminais em Portugal que envolvem políticos são geralmente processos políticos que "não dão em nada" e por isso mesmo o afirmou.


Sintomaticamente a actuação dessa autoridade do MºPº nessa altura, foi o que salvou politicamente o primeiro-ministro de ser confrontado em plena campanha eleitoral com um facto gravíssimo que atentava contra o Estado de Direito.

Ninguém sabe ou pode dizer qual seria a consequência política de tal revelação que necessariamente ocorreria se o processo seguisse o curso normal e rápido porque os factos assim o exigiam e havia sido requerido pelos magistrados de Aveiro.


Mas toda a gente percebe a consequência de se ter arquivado o expediente e mandado destruir as escutas fortuitas: o maior golpe na credibilidade na Justiça de que há memória, desde sempre, em Portugal. Não há exemplo sequer, para se lhe comparar.


Ao contrário de Churchill, foi esse silêncio de alguns meses no Verão de 2009 que ditou a nossa bancarrota, provavelmente.

terça-feira, maio 10, 2011

Arquivamento de uma caramunha

Sol:

Em causa estão artigos publicados em Fevereiro de 2010: «O Polvo» (texto de opinião do director), «O empresário amigo» e «Jornalistas no puzzle dos negócios» -- estes com transcrições das escutas constantes do processo Face Oculta, relativas ao caso PT/TVI, de conversas entre Joaquim Oliveira e Armando Vara sobre o negócio de compra desta estação de televisão e as saídas do então director, José Eduardo Moniz, e da jornalista Manuela Moura Guedes.

Uma delas, por exemplo, no dia em que a apresentadora do Jornal de Sexta foi afastada do écran, a 3 de Setembro, em que Vara questionou Oliveira sobre a interpretação que sabia que estava a ser feita no DN, de que tinha havido uma interferência do PS naquele sentido – tendo Oliveira tranquilizado Vara, respondendo que já tinha interpelado o director do DN, João Marcelino («Disse-lhes para terem atenção a essa brincadeira»), e que também ligara ao director do JN, José Leite Pereira (dizendo-lhe «tenham cuidado com as perguntas que andam fazer»).



Nem todas as caramunhas surtem efeito. A do "amigo" Oliveira deu em águas de bacalhau, pelos vistos. E segundo se pode ler na notícia, o "amigo" Oliveira andava muito atarefado em 2009. E os directores do DN , o incrível jornalista desportivo Marcelino mai-lo director do JN, o entretanto reformado José Leite Pereira, ficam muito bem no retrato ao Sol... na galeria do jornalismo manso que outro classificou oportunamente como "suave". De português suave, certamente. Perante a notícia que entala os "amigos" e a sua censura nunca hesitaram: corta! E são dos que dizem muito mal do antigamente, da Censura e tal.

Uma história de proveito e exemplo

Na revista Time da semana passada que tem um artigo extenso sobre Bob Mueller, o director do FBI, de saída depois de reestruturar essa polícia federal americana, há um outro artigo de fundo sobre "as políticas da dívida", em que alerta para os perigos da dívida pública americana, actualmente detida em grande parte pela China. Em certa altura escreve-se isto:




"Há um século e meio atrás, o Egipto era a maravilha do Novo Mundo. A guerra civil americana destruíra as exportações de algodão do Sul americano, provocando um aumento nos preços, de oito vezes, o que enriqueceu os produtores egípcios.

O manda chuva do país, o Kediv (uma espécie de vice-rei então assim designado pelos turcos) Ismail Pasha, alargou-se de tal modo na extravagância das vias férreas que o Egipto então compassado com o Sudão moderno ou com partes da Líbia e Eritreia, alardeava mais milhas de linhas por habitante do que qualquer outro país.


Em 1869, o Egipto celebrava a abertura do canal do Suez, uma maravilha de engenharia que se fatiava através do ombro direito da África.


Notáveis vindos de tão longe como Londres ou S. Petersburgo compareceram em caterva para testemunharem a procissão cerimoniosa dos barcos através do canal conduzidos pelo yacht imperial da francesa Imperatriz Eugénia. Os festejos prolongaram-se por três semanas, numa espécie de confraternização festiva entre Davos e a bacanália do carnaval do Rio.

Mas antes de a Imperatriz francesa acabar de atravessar o canal, a rendição dos Confederados em Appomattox rebentava com a bolha egípcia. Com o fim da Guerra Civil, o preço do algodão começou a baixar e a ostentação do Kédiv só podia continuar a sustentar-se através de empréstimos promíscuos.

De 1867 a 1875, a dívida soberana do Egipto subiu de 3 para 100 milhões de libras.; entretanto, o preço do algodão continuava a cair para níveis anteriores à Guerra Civil americana. A dívida tornou-se incobrável.


O que se seguiu foi uma lição sobre quão rápido a dívida pode comprometer a soberania de uma nação. Em 1875 um Kédiv aflito por dinheiro vendeu a participação do Egipto na empresa do canal do Suez, aos britânicos que adquiriram a jóia de uma coroa financeira e geopolítica pelo preço angustiante de 4 milhões de libras. No ano seguinte o Egipto deu em bancarrota e em 1878 foi forçado a aceitar um governo cuja função principal era a de manter os credores satisfeitos- o próprio ministro das Finanças era britânico. Em 1882 uma intervenção militar britânica selou o destino do Egipto como colónia em tudo menos no nome. Na linguagem diplomática imperial tornou-se um "protectorado velado".

Assim acaba a primeira parte da lição ensinada pelo Suez. Para os americanos nervosos de hoje em dia, a segunda parte é mais subtil e ainda mais arrepiante. Em meados do séc.Vinte, a Inglaterra, superpotência que se aproveitou das vantagens da crise da dívida egípcia, sofria os mesmos efeitos, trazidos pelos insustentáveis empréstimos para os encargos de duas guerras mundiais. Os seus líderes ainda acreditavam que abarcavam o mundo. Mas o seu poder era ilusório. Depois da II Guerra mundial, a Inglaterra estava profundamente devedora para com os EUA, uma vantagem que o presidente Eisenhower utilizou para extrair várias concessões políticas, incluindo a devolução do canal de Suez ao Egipto. ( Pretendia manter o novo líder egípcio, coronel Gama Abdel Nasser feliz e impedi-lo de se juntar ao lado soviético). O dólar substituiu a libra como moeda de reserva mundial. E os EUA substituiram a Inglaterra como potência global emergente.


A humilhação do Suez marcou o fim das pretensões imperiais inglesas. Como escreveu o historiador Niall Ferguson, "Foi no Banco da Inglaterra que se perdeu efectivamente o Império". Harold MacMillan, então ministro das Finanças confessou que o Suez tinha sido o último suspiro de uma potência em declínio, acrescentando que "talvez em duzentos anos os EUA sintam o que sentimos".


A revista interroga-se depois sobre se os tais duzentos anos não chegaram antes...agora mesmo.

Esta história de proveito e exemplo poderia ser contada por um de nós, portugueses, que aprendemos História e sabemos o significado da Honra nacional, do brio pela Pátria e da Dignidade de uma Nação.

Qualquer um de nós é uma maneira de dizer. Estou convencido que há muito poucos de nós que sintam tal coisa. E não é um Inenarrável de um primeiro-ministro como o que temos que de História deve perceber as dos livrinhos aos quadradinhos, se tanto, quem nos vai devolver a honra perdida.

Os interesses ideológicos vitais, casados num discurso já reaccionário

Paráfrase a um artigo de opinião de Vital Moreira no Público de hoje ( em itálico as passagens originais do artigo).

O programa eleitoral do PS é menos uma base para um programa de governo do que um manifesto ideológico a favor do Estado laico e jacobino. Embora a retórica republicana mais radical tenha sido propositadamente evitada, as suas ideias e propostas não faltam. O caso mais flagrante é a aposta no ataque ao ensino privado e à participação pública no seu financiamento residual e muito parcial. A aposta é toda no sentido do estrangulamento financeiro do ensino privado com um objectivo claro e muito preciso: alcançar o que Afonso Costa não conseguiu- exterminar o ensino praticado em colégios de inspiração cristã. Se o problema fosse apenas dos colégios modernos não veríamos esta verrina vertida em letra de opinião jacobina.



Todo o receituário usual da ortodoxia jacobina contra o privado lá está: a hipertrofia do Estado com a proposta de substituir 900 cargos dirigentes por outros com designação parecida, enganando mais uma vez com o uso das palavras como é agora a “ extinção”; a fusão ou extinção de 60 organismos a troco certamente da criação de mais 100, etc. etc.



[Sobre a Educação] São três os pressupostos ideológicos desta proposta.



O primeiro tem a ver com a vulgata jacobina de que o Estado deve providenciar ele mesmo a prestação de serviços públicos, de preferência em exclusivo, mesmo quando o mercado, como no sector do ensino, seja garante de prestação de melhores serviços.
O segundo esteio ideológico da liberdade de opção pelo ensino público contra o ensino privado passa pelo tradicional argumento da “garantia do direito fundamental à educação”, tendo o Estado a obrigação de financiar a opção assim condicionada de cada um. Como já foi dito muitas vezes, este argumento não procede. Primeiro, entre nós ninguém deveria estar impedido de optar pelo ensino que quiser, dada a liberdade de criação de escolas privadas e a equivalência da sua frequência, mau grado a tentativa sempre presente de limitar esse sector, em nome do laicismo mais exacerbado em ateísmo militante e anticlericalismo renitente. Segundo, havendo um ensino público aberto a todos, pago pelos impostos de alguns, não há razão nenhuma para que o Estado não financie também o ensino privado, pago pelos que normalmente pagam impostos e tendo em atenção as graves carências de algumas escolas públicas, geralmente pouco competitivas nos resultados em função de programas e gestão, mais laxistas e menos exigentes. Terceiro, a liberdade individual de ensino ( a liberdade de ensinar e aprender) é mais bem assegurada na escola privada, justamente por esta não seguir os ditames programáticos de um Estado que se alheia das idiossincrasias nacionais e opta voluntariamente pelo laicismo mais anticlerical e jacobino, escolhendo obrigatoriamente um programa ideológico- jacobino ou doutrinário-marxista.
O terceiro elemento ideológico da opção pela total prevalência do ensino público sustentado por todos os que pagam impostos e contra o ensino-privado-comparticipado-pelo-Estado, está no preconceito contra a escola privada, as liberdades fundamentais de escolha religiosa ou outras, combatidas acerrimamente pelo jacobinismo que se fundamenta no mais acéfalo ateísmo e na tentativa de formatar a sociedade numa opção ideológica única e unidireccional, o que contraria frontalmente os pressupostos democráticos e as liberdades fundamentais. As elites do politicamente correcto, socialista e jacobino nunca abandonaram as ideias de Afonso Costa que apostava em eliminar todos os vestígios de religiosidade portuguesa e católica no espaço temporal de duas gerações. Daí o esforço denodado sempre em prol de uma escola controlado pelo Estado à boa maneira estalinista e soviética que forneceu o modelo de funcionamento para o controlo das mentalidades e aposta agora no reaccionarismo mais básico.
A par da ideologia, há os interesses. O primeiro é o interesse dos que actualmente já ensinam na escola pública e que reivindicam ser pagos pelo Estado pelas despesas em que incorrem, na criação de cursos paralelos de pós-graduação, em associações privadas a funcionar em instituições públicas, com receitas privatizadas e despesas públicas, como acontece na Universidade de Coimbra, na faculdade de Direito. Colocam-se assim todos os contribuintes a financiar os seus privilégios. O segundo interesse é o do belicoso sector da burocracia do ensino público, regido nas diversas sinecuras dos departamentos ministeriais, organizados por toda esta gente ideologicamente marcada, boa parte dela ligada a movimentos e sindicatos jacobinos que ambicionam aumentar a clientela, o negócio privado à sombra dos impostos de todos e a influência, parasitando financeiramente o Orçamento do Estado.

Não é difícil antecipar as consequências da ausência de liberdade de opção pelo ensino privado, parcialmente financiado pelo Estado, obrigando quase todos a optar pelo público onde se concentram mais recursos pagos pelos impostos de alguns que pagam. A primeira será a institucionalização do fenómeno da segmentação e segregação social entre o ensino público e privado. As escolas públicas assim formatadas continuariam a formar incompetentes e vedadas à excelência que a concorrência sadia propõe. Além disso, uma vez que deixa de existir procura importante por se restringir o mercado das escolas privadas, a repartição geográfica de professores mais preparados entre as escolas continuaria a permitir a escolha do litoral em detrimento das regiões menos povoadas e mais pobres do país, como tem acontecido até agora, resultado lógico da opção jacobina e republicana laica.
Do ponto de vista financeiro, o resultado global continuaria a ser o que é: a exaustão de recursos públicos, pagos com os impostos de todos os que pagam, sem que os resultados sejam proporcionais a esse custo exorbitante.
Nenhum interesse público , muito menos a disciplina financeira justifica esta proposta.

Para além deste texto parafraseado, Vital Moreira continua a defender sempre a opção político do momento mais propício. Em 1975 era o comunismo puro e duro, versão estalinista acaseirada por Cunhal. Em finais dos oitenta, os perfumes da perestroika e da vida sem horizonte de poder fustigou-o para a traição à ideologia, entregando-o de armas e bagagens intelectuais para o serviço à burguesia que dantes combatia.
Em consequência dessa liberdade de escolha, foi escolhido para empresas capitalistas de grande coturno, para assembleias gerais e comissões de remuneração, onde o liberalismo campeava e os ceo´s são adeptos do mais puro liberalismo caseiro, com desprezo pelas redundâncias da natureza e das populações locais e de interior ( caso da EDP e barragens). Nunca se lhe tolheu o gosto pela prática leninista de centralizar o poder no Estado dos amigos de comité centralizado.
Até hoje, todos os escritos que publicou amplificam esse estranha obsessão de controlar o povo que vota e escolhe, através da concentração do poder político em meia dúzia de correligionários de seita, sem alternativa democraticamente aceite de bom grado.
O Poder Judicial livre e independente incomoda-o. O poder de influência da Igreja exaspera-o ao limite do suportável. O poder de alternativa democrática é uma canga que nunca aceitaria se pudesse desprezar, como dantes se permitia em nome da democracia soprada pelo vento leste.
Vital é um dos maiores fenómenos individuais que temos nos últimos trinta anos: uma figura sinistra que urge combater no espaço público da influência mediática.

segunda-feira, maio 09, 2011

Um fait-divers

Daqui tirei estas duas imagens que seguem, bem significativas do esforço do "Luís" e séquito de assessores que desesperam até 5 de Junho.

As imagens, supostamente reportam-se ao mesmo momento, mas são enganadoras. Na primeira, a bandeira da UE está protocolarmente mal colocada.
Por isso mesmo, a foto que foi cedida pelo Governo à Reuters, foi apanhada de outro modo e notoriamente noutra altura. Esta foto, mostrada no Público e relativa ao momento e assunto, foi obviamente montada e "retocada" à boa maneira soviética. A pose e a gravata do "mudo" não é a mesma. A bandeira trocou de lugar e ambas foram deslocadas para outro sítio mais "enquadrado". A encenação aparece evidente, porque a ideia da foto é da do momento da comunicação, o que é falso.

Com esta gente é tudo encenação. Tudo. Desde sempre.

A versão dos "verdadeiros finlandeses"

Neste artigo publicado no Wall Street Journal, Timo Soini do partido dos "Verdadeiros Finlandeses" apresenta a sua versão sobre o "resgate". E o que escreve é simples de entender: estamos a ser aldrabados e vamos pagar com língua de palmo o que estes governos nos fizeram.

"The official wisdom is that Greece, Ireland and Portugal have been hit by a liquidity crisis, so they needed a momentary infusion of capital, after which everything would return to normal. But this official version is a lie, one that takes the ordinary people of Europe for idiots. They deserve better from politics and their leaders."

Vale a pena ler o que escreve Timo Soini para percebermos bem a desgraça que este Inenarrável primeiro-ministro atraiu sobre nós.

O sentido do ridículo

Este Inenarrável se tivesse o sentido do ridículo tinha enfiado a cara num saco, neste dia: todos a rirem das suas tiradas em inglês técnico.

PS: Este video pode ser uma montagem. Pode ser mas não tenho a certeza, por isso mesmo fica o aviso de precaução.

O guião da falta de vergonha

Negócios:

O cabeça de lista do PS por Lisboa, Ferro Rodrigues, defendeu hoje que o PSD cumpriu a "ameaça" de fazer um programa eleitoral "de radicalização do acordo com a 'troika'", para desmantelar o "Estado Social".

"Verifiquei que foi cumprida a ameaça. Tinha sido dito que seria um programa de radicalização do acordo com a troika, foi cumprida essa ameaça", afirmou Ferro Rodrigues aos jornalistas.

À entrada para um debate no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa, Ferro Rodrigues apelidou ainda de "profundamente anti-democrática" a forma como os sociais-democratas se estão a posicionar perante os eleitores, considerando que "os portugueses não estão dispostos a ser condicionados".

Não satisfeito com as mentiras sobre a governação, este inenarrável Ferro Rodrigues que devia estar recolhido a uma reforma antecipada da política por motivos que são bem conhecidos, deu em replicar o guião jacobino que lhes serve para ganhar eleições: o Estado social em perigo se o PSD ganhar.
É assim que contam arrebanhar votos: com aldrabices costumeiras e falsidades patenteadas e que já deram provas de eficácia.
O Estado social vai ser parcialmente desmantelado por causa da governação do Inenarrável e os seus próceres de que este Ferro Rodrigues é apoiante. E quem o impõe é a política que seguiram durante anos e anos que nos destruiram e arruinaram. E ainda têm a distinta lata de acusar dos outros das malfeitorias que fizeram e de atribuir aos outros o que nos é imposto por causa delas.

Este tipo de indivíduos nunca mais se arreda da política e vamos sofrer ainda mais por causa destas criaturas.

A queixa do Bloco foi autuada...

O Bloco de Esquerda, através de uns peões de brega colocados em lugares de relevo político-académico pretende sindicar o "comportamento" das agências de rating internacionais- Moody´s, Fitcher e Standard & Poor´s- na origem do descalabro das nossas contas públicas.

A PGR, pelos vistos deu andamento ao processo. Entende por isso que há indícios de crime ou em caso contrário- como no famigerado caso Face Oculta- teria arquivado liminarmente, em procedimento administrativo sem mostrar os fundamentos.

Espera-se agora que o mesmo MºPº e PGR autue ou mande autuar como inquérito as notícias de um outro crime público de importância maior: a sonegação de documentos, pela Estradas de Portugal, ao Tribunal de Contas e que induziu esta entidade a autorizar o que não autorizaria se não fosse aqueloutro "comportamento.

PS. Em todos os inquéritos há suspeitos, mesmo desconhecidos. Se não houvesse não havia inquérito. Neste inquérito fantástico os suspeitos são os autores do "rating", da classificação desprimorosa que deram ao nosso país e nos afundaram na obtenção de crédito que precisávamos por causa da má governação, do despesismo descontrolado, da corrupção que não se investiga porque é matéria "política" ( e o poder judicial não se deve meter na política...), de muitos outros factores cujos responsáveis não são investigados.
Pois bem. Para além daquelas três agências de rating já há mais outra. A Weiss já nos atirou para as profundezas da nossa miséria que estes politicos que temos causaram ( mas não podem ser investigados criminalmente por isso porque isso seria uma interferência do poder judicial no poder político e como todos sabem os inquéritos desse género são todos políticos).
Portanto temos mais um suspeito neste inquérito.
O mínimo que o PGR deve fazer neste caso é assumir a responsabilidade pelo mesmo.

Financial Times chama mentiroso a José S.

Copiado do Blasfémias:

“José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.

Apesar destas evidências, os apaniguados e correlegionários, mais uns tantos úteis ( podem ou não ser idiotas) em pânico de perda de votos e lugares, continuarão a dizer que este primeiro-ministro é um "génio da comunicação".


PS. Como se controlam os danos. É assim: Em vez de se escrever que o Primeiro-Ministro é um mentiroso qualificado, citam-se apenas as partes gagas sobre a "tragi-comédia.
Percebem o jornalismo nacional, não percebem? É um nojo. Uma vergonha.

O Calado é o melhor


Toda a gente das ciências químicas sabe isto: este indivíduo- Jorge Calado- que aqui aparece numa imagem do Público de hoje é o maior na Química em Portugal. Como professor, entenda-se. Sabem os de Aveiro e os de Coimbra ( Lélio Quaresma Lobo, por exemplo, outro expoente). E sabem os de Lisboa ( Edmundo, por exemplo). Os Portugueses não sabem, mas deviam saber. Até porque o indivíduo é um Humanista ( "Sempre gostei de tudo", diz) e tem agora um livro com o título "Haja Luz! Uma História da Química através de tudo".

A lição islandesa não é para aprender

"Não encobrir os problemas. Promovam uma investigação independente. Descubram o que está errado no Governo e no sistema político, para que ninguém se esqueça e não volte a acontecer."

São palavras de Gylfi Zoega, economista do Banco Central da Islândia, citado hoje no Público numa entrevista de página e em resposta à questão concreta sobre o que aconselharia aos portugueses.

E diz mais, do mais puro senso comum: "os países protegem os seus- é como uma família que esconde casos de alcoolismo. Os países têm de enfrentar os seus problemas, saber o que correu mal-é assim que aprendem. Isso foi o que aconteceu no meu país. A investigação produziu um relatório de 3000 páginas que mostra quanto é que cada um dos gestores tinha tirado dos bancos. Isso foi bom."

Por cá, tal conselho vai ser música de ouvido para a campanha eleitoral que segue. Os culpados já estão identificados há muito, pelos vítores ramalhos que querem ficar nos inatéis que temos por aí: a crise internacional é que deu cabo disto tudo porque tudo era uma maravilha antes da crise internacional. E depois aquele maldito chumbo ao PEC IV é que foi um desastre. Até o primeiro-ministro disse, desolado com tanto antipatriotismo: "como é que foi possível fazerem isto ao país?"

O resto, bem, o resto os jornais compõem, incluindo o Público que se apresta a denunciar os desmandos da "direita" que é outra culpada da crise por causa do "neoliberalismo" ou o "ultraliberalismo" ou a "direita radical".

O jacobinismo, o socialismo democrático governado por incompetentes e mentirosos de alto coturno, isso não existe porque afinal "todos mentem" e "ninguém faria melhor". Pelo que sendo assim, o melhor ainda é deixar quem está...
Tal como diz o economista islandês, professor num Birbeck College de Londres, "os países protegem os seus". No caso, são mais os correlegionários políticos e os compagnons de route ideológica que nos jornais portugueses são mato. Este Governo e este primeiro-ministro goza de aceitação generalizada nos media por algum motivo. E o principal será este: a cripto-Esquerda socialista democrática está em todo o lado, como a marabunta.

E a prova está em que os jornais de hoje nem tocam no assunto relatado pela TVI sobre a sonegação ao tribunal de Contas de documentos essenciais para o negócio das parcerias. É matéria desinteressante. O importante é dizer que o programa do PSD é liberal e que "O PSD endurece o discurso" e balelas do género deste jornalismo vergonhoso.

PS. Entretanto, Marinho e Pinto anunciou ontem ao país que "Não votarei nas próximas eleições". Faz muito bem e estamos todos agradecidos por nos ter comunicado tal intenção tão importante e decisiva.

domingo, maio 08, 2011

A resposta dos finlandeses ao video...

O "radicalismo da direita"...

Sol:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, distribuiu hoje no Porto críticas ao 'radicalismo ideológico' da direita e à postura 'passadista e imobilista' da esquerda 'radical', num discurso centrado na defesa da escola pública.

Considerando que a escola pública será um dos temas-chave das eleições de 05 de Junho, José Sócrates criticou os que, a pretexto da situação económica, insistem na aposta no privado.

Mas essa é, disse, “uma ideia aventureira, perigosa e radical, que vai estar em causa também nestas eleições”.

Para o líder socialista, que falava no Porto durante um fórum sobre Educação, a proposta do PSD, “disfarçada”, é a de que se “pode e deve transferir recursos do sistema público de educação também para financiar privados”.

“E dizem isto com aquele ar cândido de quem está apenas a propor liberdade de escolha”, ironizou, lembrando que os países que fizeram essa opção passaram a ter boas escolas privadas “para ricos” e uma escola pública “degradada e decadente”.

José S. tem os dois filhos em escolas privadas. E não é em qualquer uma. Um no Colégio Moderno. Outro no Colégio Alemão. E depois, publicamente, tem este discurso jacobino e de essência hipócrita.

Esta coerência na hipocrisia nada o incomoda porque está habituado a isto tal como respira.

Louçã quer um novo PREC


Louçã, o comunista encapotado do BE anda desesperado. Por votos, entenda-se. Segundo as sondagens, a Esquerda portuguesa prefere o produto genuíno ao falsificado do Bloco.

Em declarações comicieiras, Louçã já previne que é preciso fazer outro 25 de Abril. "Um 25 de Abril novo". Com um PREC repristinado, subentende-se.

Louçã é um dos grandes enigmas da política portuguesa. Em Setembro de 2009, véspera de eleições legislativas e confortado em sondagens favoráveis, declarava ao Público sem peias ou meias ideias, a sua convicção comunista, facção trostkista:

"Tenho as opiniões que tinha desde os 15 anos" ( "progressistas". Em Junho de 1974 já lamentava no primeiro ano de Económicas que houvesse tão poucos professores progressistas. Logicamente, hoje pensará o mesmo e com uma vontade activa de que haja mais e cada vez mais). Sou dirigente do BE. (...) Fui, desde novo, um socialista de esquerda ( quer dizer, um comunista na acepção comum e corrente da expressão).

E o Público: Era um revolucionário?
E Louçã, lesto e ufano: Com certeza.
E o Público: Hoje continua a ser um revolucionário?
E Louçã, mais cuidadoso: Sou socialista ( do PS não é, do PCP também não quer ser, pelo que só pode ser de um socialismo que não existe na prática. Mas existe na teoria, marxista-leninista-trotskista, com destaque pare este último. Em suma, um comunista disfarçado de burguês á espera de melhores dias). E para que não haja qualquer dúvida, avança no esclarecimento fatal, real e completo:
"E sou contra o capitalismo. O socialismo para nós, é um projecto anticapitalista, com todo o gosto pelas palavras e com toda a clareza." Ah! Valente Louçã! Assim é que é. Parte esta louça toda, Louçã!
Nunca Louçã tinha ido tão longe, mesmo nos tempos em que era proprietário ( capitalista) do Combate, com ideias tão avançadas como desmantelar as prisões e o sistema de justiça. Agora, é claro: Louçã quer a destruição do sistema capitalista que existe em todo o mundo, com pequenas excepções conhecidas: Coreia do Norte, Cuba e aqui em modo mitigado e...onde mais, afinal?

E o Público, aproveitando a embalagem de confissões: Foi um revolucionário. Hoje já não é?

E Louçã, embalado na declaração inebriante e de coração à mostra: Sou o que sempre fui. Aprendi muito, em muitas questões. Aprendi, mais que tudo, que é preciso uma política que seja clara. ( Oh céus! Clara, a política de Louçã?! Agora, neste entrevista, é. Mas anda sempre a esconder o que é. A ocultar o que pensa. A mentir. A dissimular o seu comunismo de luta revolucionária contra o capitalismo!)
E continua, para que não fique qualquer dúvida: O socialismo quer dizer combate à exploração e combater o capitalismo como forma de desigualdade social. ( aqui está, claríssima, a ideologia comunista, no seu esplendor. Ideologia abandonada em todo o mundo civilizado, repescada por Loução como o destino do Homem). E como vai o mesmo convencer o cidadão comum? Assim:

" Mas quer dizer também ( o socialismo) recusar os regimes de partido único ou de censura, ou de ataque à liberdade de opinião".

Em tempos, a explicação para mais esta aldrabice foi dada aqui.

À atenção do DCIAP: podem começar por aqui

Da TVI ( ainda mas por pouco tempo se esta gente que governa continuar...):

Os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. A denúncia consta de um relatório de auditoria às parcerias público-privadas rodoviárias, que vai ser aprovado na próxima semana. Um documento que a TVI revela em primeira mão.

As auto-estradas lançadas pelo governo só passaram no tribunal de contas porque foi sonegada informação aos juízes. Em causa estão cinco subconcessões feitas pela Estradas de Portugal, em representação do Estado, no valor de 10 mil milhões de euros.

A auto-estrada transmontana, no valor global de 1692 milhões euros. A sub-concessão douro interior, de 2846 milhões euros. Baixo alentejo com 1996 milhões euros. Algarve litoral, com 1634 milhões euros. E litoral oeste, com um custo global de 1847 milhões.

O Tribunal de Contas começou por recusar o visto a todos estes contratos, porque as propostas finais das empresas eram mais caras do que as levadas a concurso. A Estradas de Portugal voltou à carga com segundos pedidos de visto, após renegociação dos contratos, mas sonegou informação aos juízes, relativa a significativas compensações financeiras aos bancos e às construtoras privadas.

Sugere-se um inquérito a esta actuação denunciada pelo Tribunal de Contas. Mas não é o anunciado com a participação ao MºPº para efeito de aplicação de multas. Não, não é esse. É o Inquérito para apuramento de responsabilidade criminal que neste caso se configura como muito grave se for verdadeiro o teor da notícia, porque o dano provocado é imenso.
E portanto, com prisões preventivas se se comprovar indiciariamente o que é denunciado. Pode ser que assim acabe a "roubalheira" ( não é só a do BPN) que nos conduziu à miséria e à humilhação de termos de pedir fortunas emprestadas que todos teremos de pagar com língua de palmo, enquanto os responsáveis se refastelam em empregos que arranjaram para si e para os seus. E que fogem à crise porque quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte. E eles têm a arte toda, mas mesmo toda.

PS. Se esta notícia for verdadeira, não é preciso ser muito perito em Direito para dizer que o contrato da concessão da parceria deve e tem de ser renegociado e com denúncia dos aldrabões que o subscreveram. E participação criminal das pessoas concretas que nele participaram. E os nomes que saltem para os media porque é disso que precisamos: de responsáveis conhecidos por estas coisas.

Entretanto ficam aqui as referências aos nomes que compõem a administração da Estradas de Portugal. São estes, actualmente, e devem ser ouvidos sobre este escândalo incrível.

A semiótica familiar lusa

Estas duas imagens estão publicadas na Flash desta semana em páginas seguidas e comparadas. A da esquerda mostra um indivíduo que é primeiro-ministro em ambiente furtivo, " a pensar na vida no luxo algarvio" e com o filho, única companhia no "luxo", tapado pela desfocagem voluntária do instantâneo. As fotos, obviamente, não são da autoria do fotógrafo oficial, Ricardo Oliveira, um brasileiro que se fidelizou na função desde 2005.

À direita, em imagens completamente diversas mas de significado preciso encontra-se o eventual futuro primeiro-ministro, acompanhado da mulher e também de uma filha e outra familiar, de rosto descoberto, sem desfocagens dos familiares e com título a condizer: "dias de família em Odivelas". E mais: "O líder do PSD ficou em casa na Páscoa e não faltou ao espectáculo musical do cunhado."

Mais palavras para quê? O recado está dado. Mas mal. Nestas coisas ou há espontaneidade , mesmo preparada, ou perde-se a essência da mensagem autêntica.
A "vida de luxo" do farsante da esquerda não é esta. E a vida familiar do da direita devia interessar menos que isso. Porque é privada e assim devia continuar.

sábado, maio 07, 2011

António Barreto, o mal informado

O sociólogo António Barreto, ultimamente avençado dos supermercados Pingo Doce, através de uma fundação do dono, dá hoje uma extensa entrevista ao jornal i que celebra o seu segundo aniversário.

Sobre Justiça, tema que o atrai frequentemente a dizer algumas baboseiras, António Barreto não se fez rogado mais uma vez ao dislate.

Diz que a Justiça está refém de grupos organizados. E que no seu entender são os sindicatos da magistratura, mais os advogados que "muitos deles são da própria política".

Perguntado pelo jornal porque é que os políticos têm medo em mexer com a Justiça, Barreto dislata mais uma vez:

"Têm medo de confrontar interesses. A justiça sabe segredos de muita gente. Sabe segredos da vida pessoal, da vida económica, da vida empresarial e da vida política e partidária. Quando formos capazes de analisar e investigar seriamente o que se passou em vários processos, ao longo dos últimos dez ou vinte anos, há processos que são incompreensíveis. Da Casa Pia ao Freeport, à Face Oculta e ao Apito Dourado. Há muitos fenómenos incompreensíveis nestes processos."

Tirando de lado o particularismo antonomásico em citar estes processos como revelando o panorama da crise da Justiça, António Barreto lança a chama da desconfiança sobre quem investigou, acusou, pronunciou ou despronunciou, julgou, recorreu, condenou ou absolveu.

Por mim, à semelhança do que o sociólogo faz, acusando indiscriminadamente e lançando ignomínias a eito sem qualquer indício de prova ou elemento de inculpação, poderia dizer do mesmo modo que é incompreensível tanta burrice num sociólogo assim. E nem daria qualquer justificação porque o mesmo também não dá. Mas aborrece-me o método e por isso vou justificar o epíteto- e tentar comprovar porque é que António Barreto não sabe o que diz.

A justiça não se encontra refém dos sindicatos porque estes não se alargam em manifestações políticas ou intervenções de força junto do poder político-legislativo. Os códigos e as leis, nestes últimos 25 anos, para não dizer mais, foram todos, mas mesmo todos, gizados sem intervenção directa dos sindicatos que apenas se limitaram em alguns casos contados a dar pareceres a que esse mesmo poder político-legislativo deu importância zero.
Basta ver por todos, o exemplo das críticas que foram oportunamente feitas em 1987, antes da entrada em vigor do C.P.P. que sofreu várias revisões durante estes anos ( mais de vinte) e todas sem que os sindicatos tivessem papel activo. E no entanto as críticas eram certeiras, ajustadas e vinham de quem sabia do assunto. De nada adiantaram e passados anos, as revisões sucederam-se dando razão aos sindicatos...
O poder político-legislativo escolhe comissões, geralmente professores universitários que as coordenam e de certa escola de Direito ( Coimbra ou Lisboa) e dão carta branca para os projectos que apresentam. A prova? A última reforma do processo civil e acção executiva, bem explicada num número recente do Público que Barreto se calhar lê, mas não entende. Essa reforma é a prova comprovada se preciso fosse, de que as leis são da responsabilidade dos poderes políticos e legislativos sem que os sindicatos metam sequer uma palha no assunto ou tenham qualquer poder de influência decisiva nos mesmos.

Isto que é evidente e claríssimo para quem percebe o mínimo destas matérias é obscuro e opaco para António Barreto.

Depois há outro fenómeno que o mesmo não entende: certas leis que temos, como por exemplo o Código dos Contratos Públicos são da autoria de certas firmas de advogados a quem o poder político, à míngua de legisladores de confiança e competência que não sabe encontrar noutro lado, entrega a escritórios de advogados como é o caso da Sérvulo & Associados.

Essas leis avulsas e outras codificadas são gizadas de acordo com o poder político-legislativo que aprova no Parlamento. Se as mesmas saem coxas, mal feitas, numa palavra incompetentes, o problema e a culpa devem-se a quem e a quê? Aos sindicatos da magistratura? Às pessoas que são contratadas a peso de ouro para as elaborarem? Ou tão simplesmente à incompetência dos políticos que temos no governo e A.R. que não sabem ler nem analisar o que mandam fazer a outros e as aprovam sem mais, fazendo ouvidos de mercador às críticas, precisamente algumas delas dos sindicatos?

Só estes dois reparos chegam para pedir a António Barreto que se cale nestas matérias, peça conselho a quem sabe e fale de outras coisas como por exemplo a sociedade portuguesa que provavelmente estudou alguma coisa para saber como é. É muito penoso ler o que diz sobre isto.

PS. Mas há outro assunto ainda mais penoso e que acabei de ler agora. Refere Barreto que a incompreensibilidade de algumas coisas nesses processos está ligada a quebras de segredo de justiça. E refere depois que está convencido que "houve informação dada deliberadamente por operadores de justiça e eu estou convencido que os responsáveis são obviamente os procuradores e os juízes." E depois refere-se às desgraçadas vitimas destas violações de segredo como se este fosseo valor absoluto a respeitar nestes processos. É irritante ler isto pelo seguinte:

António Barreto devia saber que o segredo de justiça é um instrumento para assegurar a eficácia das investigações. Não é um instrumento para preservar a ignorância do povo em relação a políticos suspeitos. Isso seria o mesmo que voltarmos ao passado de há 40 anos. O segredo era nessa altura um valor a preservar na dignidade do Estado autoritário. Actualmente em nenhum país europeu e civilizado se resguarda segredo em relação a casos que envolvam personalidades públicas e políticas. Porque as pessoas querem saber e têm direito a saber.
Se há abusos, entorses e ilegalidades que se denunciem devidamente. Mas tal não autoriza a que se faça como Barreto faz, um processo de intenção genérico em relação à magistratura dizendo que capturou o poder político. Tal afirmação é de uma enormidade incompreensível, a meu ver.

Quem capturou o poder foram os políticos. E não o querem largar por nada deste mundo que é deles, procurando açambarcar o mais possível a fatia que lhes pertence, diminuindo a dos outros poderes do Estado. Daí que acusar a magistratura de malfeitorias , com estas ajudas de indivíduos como Barreto é sopa no mel, para os mesmos.

Barreto, sobre violação de segredo de justiça, grave e séria, já que fala nisso, deveria lembrar-se do que se passou no processo Face Oculta em 24 de Junho de 2009. Que se inteire desse fenómeno e depois venha falar disso e da tal "captura" do poder político pelos magistrados.

Uma bofetada de luva branca aos finlandeses

A bofetada vem mesmo no fim. Não sei quem fez este pequeno filme, já apresentado em público, mas merece os parabéns.


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso