Esta imagem acima mostra alguns discos de música popular portuguesa dos anos setenta, particularmente por volta do 25 de Abril de 74.
O primeiro da esquerda a contar de cima é um disco de Fausto, Pró que der e vier, de 1974, musicalmente um grande disco. Mas que tem letras deste teor:
O primeiro da esquerda a contar de cima é um disco de Fausto, Pró que der e vier, de 1974, musicalmente um grande disco. Mas que tem letras deste teor:
O segundo a contar da mesma direcção é o Venham mais cinco, de José Afonso, editado pouco tempo antes de 25 de ABril e com letras que apelavam a historinhas pretensamente infantis como "a formiga no carreiro" ou "venham mais cinco", título tema deste também grande disco de mpp.
Em 1977, José Afonso, mais livre no dizer e cantar escrevia letras como se podem ler abaixo (clicar na imagem) , no disco Enquanto há força.
Algumas apelavam abertamente ao poder popular e eram panfletárias até dizer basta. Claramente de extrema-esquerda revolucionária, como aliás o disco de Fausto acima mencionado. Nesse disco, uma das letras , Venha cá senhor burguês, não deixa nada por dizer sobre as opções políticas de Fausto que agora anda muito empenhado em reescrever histórias da nossa História.
Algumas apelavam abertamente ao poder popular e eram panfletárias até dizer basta. Claramente de extrema-esquerda revolucionária, como aliás o disco de Fausto acima mencionado. Nesse disco, uma das letras , Venha cá senhor burguês, não deixa nada por dizer sobre as opções políticas de Fausto que agora anda muito empenhado em reescrever histórias da nossa História.
A seguir, o disco de Sérgio Godinho, À Queima-Roupa, de 1975 também não é parco em referências ao "senhor burguês" e ao "grande capital que está vivo em Portugal" e ao Meu Compadre com os pontos nos iis. "Quem vale mais?"
Estes cantores de intervenção, antes de 25 de Abril de 1974 cantavam em coro censurado. Não podiam dizer o que diziam em 75 e em 77.
Será que hoje o podem dizer? Ou antes, quererão dizê-lo, ainda?
Será que hoje o podem dizer? Ou antes, quererão dizê-lo, ainda?
José Mário Branco, um dos então poetas jovens com almas censuradas, fugido à tropa e emigrado em França, dizia há dias num excelente programa sobre a música portuguesa que passa às quartas feiras na RTP1 que um disco de Luís Cília, gravado em França antes de 25 de Abril de 74 fora o primeiro em que se dizia e cantava tudo explicitamente.
Os restantes cantores de intervenção tiveram que esperar pelo 25 de Abril para cantar "o poder popular", as diatribes contra os patrões, os apelos à luta armada ( sim, Fausto e Sérgio e José Afonso fizeram-no) e outras posições políticas que exprimiram então livremente em canções com músicas extraordinárias e belíssimas.
Pode dizer-se que os cantores de intervenção portugueses de então eram todos, mas mesmo todos de esquerda extremista. Nem sequer do PCP eram, na sua maior parte. E dominavam o discurso corrente do modo que se pode ler nas letras das canções. Um disco da Banda do Casaco ( Dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios, de finais de 1974) nem sequer tinha direito ao mesmo tempo de antena daqueloutros. Porquê? Talvez porque António Pinho e Nuno Rodrigues não fossem da esquerda extremada e assim o melhor disco de mpp até hoje anda por aí perdido e quase ninguém o conhece. Preconceito ideológico? Mas é que não tenho a mínima dúvida.
Por isso é legítimo perguntar a José Mário Branco, ainda hoje, em que é que acredita verdadeiramente? Naquele poder popular de armas na mão e canção na algibeira, para matar gente em revolução se preciso fosse?
E espanta-se que o fassismo que sempre denunciam, não deixasse publicar tais letras? Acham porventura que se um grupo ou cantor ou alguém de extrema-direita, o fizessem do modo como aqueles o faziam com apelos directos à violência e à guerra de classes, os deixavam? Acham mesmo?
E agora, se aparecer alguém com os mesmos propósitos o que pensarão e dirão esses paladinos da liberdade de expressão cantada para derrubar o fassismo e impor uma ditadura do proletariado?
Acham tal proposta folclórica ou acreditaram mesmo naquilo que diziam e cantavam? Como cantava então Sérgio Godinho no seu segundo disco, de 1972 ( Prè-Histórias)e - pode alguém ser quem não é?
Das duas uma: ou continuam a acreditar na ideologia em que acreditaram, o que aliás me parece bem plausível ou não. Se acreditam então é preciso dizer que se auto-censuram, o que é pior do que antes de 25 de Abril de 1974 e é caso para perguntar: porque não cantam novamente o poder popular, com armas na mão, revolução à espera e amanhãs para cantar outra vez? Sim, porque não o fazem? Alguém o impede, agora? Ainda há PIDE/DGS para os prender?
José Mário Branco, a meu ver nada esqueceu e nada aprendeu. Por isso, porque não o diz abertamente e anda por aí a proclamar entre dentes que a tv isto e aquilo?
Fale, Homem! Cante!
E se não acreditam, então está bem: que se calem de vez porque a vergonha que devem sentir não os devia deixar sair à rua num dia assim.
Nesta imagem da Flama de 1974 estavam lá todos e mais alguns.
Os restantes cantores de intervenção tiveram que esperar pelo 25 de Abril para cantar "o poder popular", as diatribes contra os patrões, os apelos à luta armada ( sim, Fausto e Sérgio e José Afonso fizeram-no) e outras posições políticas que exprimiram então livremente em canções com músicas extraordinárias e belíssimas.
Pode dizer-se que os cantores de intervenção portugueses de então eram todos, mas mesmo todos de esquerda extremista. Nem sequer do PCP eram, na sua maior parte. E dominavam o discurso corrente do modo que se pode ler nas letras das canções. Um disco da Banda do Casaco ( Dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios, de finais de 1974) nem sequer tinha direito ao mesmo tempo de antena daqueloutros. Porquê? Talvez porque António Pinho e Nuno Rodrigues não fossem da esquerda extremada e assim o melhor disco de mpp até hoje anda por aí perdido e quase ninguém o conhece. Preconceito ideológico? Mas é que não tenho a mínima dúvida.
Por isso é legítimo perguntar a José Mário Branco, ainda hoje, em que é que acredita verdadeiramente? Naquele poder popular de armas na mão e canção na algibeira, para matar gente em revolução se preciso fosse?
E espanta-se que o fassismo que sempre denunciam, não deixasse publicar tais letras? Acham porventura que se um grupo ou cantor ou alguém de extrema-direita, o fizessem do modo como aqueles o faziam com apelos directos à violência e à guerra de classes, os deixavam? Acham mesmo?
E agora, se aparecer alguém com os mesmos propósitos o que pensarão e dirão esses paladinos da liberdade de expressão cantada para derrubar o fassismo e impor uma ditadura do proletariado?
Acham tal proposta folclórica ou acreditaram mesmo naquilo que diziam e cantavam? Como cantava então Sérgio Godinho no seu segundo disco, de 1972 ( Prè-Histórias)e - pode alguém ser quem não é?
Das duas uma: ou continuam a acreditar na ideologia em que acreditaram, o que aliás me parece bem plausível ou não. Se acreditam então é preciso dizer que se auto-censuram, o que é pior do que antes de 25 de Abril de 1974 e é caso para perguntar: porque não cantam novamente o poder popular, com armas na mão, revolução à espera e amanhãs para cantar outra vez? Sim, porque não o fazem? Alguém o impede, agora? Ainda há PIDE/DGS para os prender?
José Mário Branco, a meu ver nada esqueceu e nada aprendeu. Por isso, porque não o diz abertamente e anda por aí a proclamar entre dentes que a tv isto e aquilo?
Fale, Homem! Cante!
E se não acreditam, então está bem: que se calem de vez porque a vergonha que devem sentir não os devia deixar sair à rua num dia assim.
Nesta imagem da Flama de 1974 estavam lá todos e mais alguns.

ADITAMENTO:
A maior parte destes revolucionários arrependidos agora só aposta nas taxas para sobrecarregar ainda com mais tributos impostos pelo Estado ao povo trabalhador, com a nova lei da Cópia Privada (Projecto de Lei 118). O objectivo é recolher uns cobres na venda dos suportes de gravação para lhes dar alento criativo.