terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A aristocracia portuguesa da feira da ladra

No Sábado passado o cronista João Miguel Tavares teceu um escrito no Público sobre a nova aristocracia nacional, a propósito de um plebeu que se tornou barão porque não teve estaleca para chegar a conde. Mas está na corte, junto com outros cães de fila e isso é que lhe importa...


O artigo é fraquito mas aponta o caminho sociológico que ainda não se fez em Portugal, porque os isctes estão ocupados com as agendas das causas do dia.

Como é que esta gente chegou ao poder e quem é esta gente que agora está no poder?
Segundo o artigo este fenómeno elevatório da honra e consideração sociais ocorreu algures à roda da fogueira da Quinta do Lago e que tem um tal Dias Loureiro como protagonista.

O retrato é pindérico e desfocado. Esse tal Dias Loureiro é apenas um arrivista a uma classe de novos ricos da democracia que tem como expoente máximo um tal Proença de Carvalho, advogado de negócios e causas nobres pela gente de tal meio. Não foi por acaso que um tal José Sócrates, outro arrivista desta fauna, o escolheu para defensor.
Além do mais, bastaria traçar o perfil actual do mencionado Loureiro para perceber que é dos que coloca o ramo num lado para vender o vinho noutro: não tem nada de seu, actualmente. É pobre, oficialmente e provavelmente beneficiário de apoio judiciário, se o pedir, porque a lei jacobina lho concederá sem mais aquelas.

É isto a actual aristocracia deste reino da república? Enfim, haja pachorra para aguentar tais inanidades escritas.

Para entender esta "aristocracia" nem é preciso ir muito longe na sociologia de algibeira. Para quem souber ler, basta dar uma vista de olhos por aqui, aqui e aqui.

Evidentemente que isto tem uma história dinástica. Miserável. Uma das piores que Portugal jamais teve. Uma dinastia de bárbaros e filisteus que destruíram o essencial da nossa riqueza. Alguns tomaram conta de brasões destes novos nobres da lixeira lusitana.

Ou seja, e para resumir muito sumariamente, basta dar uma vista de olhos por estes recortes muito reveladores da nobreza e carácter desta gente.
Esta "aristocracia" é apenas a da casa nobre do PSD pois há ainda a outra, de uma casa senhorial ainda mais pindérica e frequentada por gente ainda pior que esta, da classe dos famélicos da qual ostenta procuração permanente: a que actualmente está no poder. É a casa socialista que merece artigo à parte.



O caso exemplar de Duarte Lima, personagem camiliana típica, vinda das berças transmontanas e que se perde em Lisboa,  é o de quem  aproveitou  as oportunidades que a casa nobre do PSD lhe ofereceu de bandeja, logo no início dos anos noventa.
Podia ter ficado pelos bpn como o tal Loureiro com ramo num lado e vinho noutro; podia ter aplicado a sua inteligência notória à modéstia da legalidade, como o tal Loureiro aparentou. Mas não: perdeu-se pela avidez de um dinheiro fácil que se tornou muito difícil. Custa a crer.

Um dos seus críticos mordazes, um invejoso típico,  tornou-se depois seu amigo porque Duarte Lima é um tipo simpático. Já morreu e chamava-se Baptista Bastos, tendo escrito, no Público de Vicente Jorge Silva, outro que tal,  este labéu pleno de humor e verve, contra o novo rico do cavaquismo:


A estirpe torpe desta nobreza pindérica é fácil de traçar: boa gente que se perdeu pelo dinheiro fácil. Nenhum dos que em baixo figura tinha bens ou rendimentos da coroa ou do tempo do feudalismo. Os pais e restante família, trabalhavam honestamente no tempo do fassismo, para ganhar a vida remediada de uma classe média de poupanças bem medidas.
Porém, a estes a vida sorriu-lhes com facilidade. Bastou-lhes entrar pela porta grande da casa nobre do PSD.
Até o pequenino de Fafe se safou e hoje aconselha o presidente da República, komenta na tv e qualquer ainda diz que tem estaleca para presidente...e porque não? O que está será melhor que ele?!



Há vários exemplos para mostrar a ascensão social desta gente do campo e do povo alcandorada a uma nobreza fake, mas este do Centro Cultural de Belém parece-me bem simbólico desse tempo e do que fez medrar esta aristocracia da ralé.
As imagens são da revista Visão de 25.3.1993, altura em que o articulista do Público ainda andava a aprender a ler e por isso não admira a ignorância.





Em finais da década, os comunistas, especialistas em aristocracias de geometria variável, já sabiam o que as casas nobres portuguesas gastavam: pindéricos a eito com títulos comprados na feira da ladra.


O artigo do Tavares apenas vislumbra isto que aqui fica...e resta dizer que ainda não apareceu o verdadeiro cronista desta espécie de videirinhos que nos arruinou o futuro durante décadas. Que já passaram...

Tal como no final do sec. XVI a dinastia que tivemos até 1974 não deixou herdeiros à altura dos verdadeiros princípios e valores que tínhamos até então.
 Apareceram então os devoristas e oportunistas. Tal como em 1580 ...  o trono foi ocupado por estrangeiros durante o PREC e depois foi o desastre que se vê. A nova dinastia aparecida cortou as raízes com o passado e promove estes baronatos com títulos de feira da ladra.

Falta um romance para retratar estes ricardinhos todos. Mas não temos um Camilo, quanto mais um Eça!

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