domingo, março 01, 2020

O conhecimento culturalmente deslumbrado da esquerda

No Público de hoje há uma entrevista alargada a Pedro Norton, um ex-executivo da Impresa de Balsemão e actualmente executivo numa empresa de "energias renováveis" e não executivo na Fundação Gulbenkian.

A conversa é sobre o "presente e o futuro do país", com muito medo do "populismo" e principalmente da extrema-direita do Chega.

Três páginas de tal entrevista que denotam o tom e a fúria do entrevistado, um acomodado ao sistema que temos e que nele funcionou como funcionário eficiente na máquina de propaganda da SIC, veiculo essencial do marxismo cultural difuso nas últimas décadas e factor de perturbação de mentes dispostas a tal, através da famigerada lavagem cerebral.


A explicação das endogamias e a solução miraculosa: educação. Enfim, a mesma receita de outro incompetente que anda agora na ONU e deixou o país num pântano.



Sobre endogamias, neste caso na Universidade de Coimbra e que se estendem agora a várias instituições do Estado já escrevi no outro dia, a propósito dos rebentos de Figueiredo Dias. O Sol de ontem dava conta de outro fenómeno mais recente: a pouca vergonha continuada do PS, apostado em prover as instituições da República, mormente o Poder Judicial com gente da sua confiança. Para os efeitos tidos por convenientes.


A segunda entrevista é a Mega Ferreira e também aflora esta espécie de endogamia à esquerda.

Mega Ferreira é uma espécie de intelectual, de esquerda no caso, leitor e apreciador de artes que considera ter merecido os lugares públicos que ocupou em virtude de méritos próprios derivados das leituras e experiências intelectuais avulsas que foi colhendo ao longo da vida.




Mega Ferreira é mais um literato: "não concebo aprofundar minimamente o conhecimento sobre uma coisa que não venha em livros".  Vive sozinho há 25 anos e não tem filhos...e gostava de ser "bibliófago", comedor de livros. A sério, porque é ele quem o diz...


A Expo é coisa essencialmente dele...por causa da cultura acumulada através das leituras, Imagina-se aquelas composições arquitectónicas, aquelas escolhas estéticas e...lá vemos o dedo de Mega Ferreira enquanto administrador da Expo, ainda  no tempo de Cavaco Silva. Foi nomeado por Cardoso e Cunha, o comissário geral porque, porque, bem, não diz mas deve ter sido por ser um grande leitor de livros que até chegou a dirigir o Jornal de Letras:


Mega Ferreira não é imodesto quanto à sua competência cultural e conhecimento avulso.

 E quanto à ideia do que é a Liberdade,  é muito simples: sente-se no ar. Em 1971 foi para Londres e sentiu aí tal Liberdade que em Lisboa não andava no ar.  Aqui era uma coisa "oclusiva, cinzentona, respirava-se mal. Não havia qualquer espécie de liberdade. E lá havia toda a espécie de liberdade-até aquela que a gente nem imaginava que pudesse existir".  Lá, podia sair à rua e fazer discursos contra o Salazar que ninguém o prendia.
Em 1971,  com Marcello Caetano no poder desde 1968 também já não seria oportuno, mas os maluquinhos podiam todos ir ao Speaker´s Corner porque em Picadilly devia ser mais difícil e falar contra o Salazar que tinha morrido no ano anterior...o que denota uma memória fraca e uma declaração aparvalhada deste Mega.

Em 1969 por exemplo nem houve liberdade de voto nas eleições de então, porque o Maio de 68 tinha inspirado os estudantes de Coimbra a rasgarem as vestes negras em protesto.  Era tudo negro, em Portugal, no ano de 1971, quando Mega Ferreira foi respirar o ar das docas de Londres.

Não obstante esta tristeza apagada e vil, cinzenta e oclusiva Mega Ferreira construiu a sua bagagem cultural começando pelas leituras de...banda desenhada que por cá havia: "o Condor Popular, o Condor Mensal, O Cavaleiro Andante, depois o Falcão, o Foguetão..." e a partir de certa altura o Journal Tintin, em francês porque ainda não havia edição em português ( que começou em 1968, nota minha). O pai comprava-lhe tudo isso e embrulhava num rolinho de papel kraft que todos os dias trazia para casa. Sorte a dele, ter tal liberdade... que pelos vistos não havia por cá, quando Mega tinha quatro anos e via as figuras que o impressionavam e se formou na leitura do Cavaleiro Andante.

Esta idiossincrasia esquerdista tem uma explicação e origem. Porém, para se fazer tal percurso gnoseológico torna-se necessário apresentar mais recortes e como este postal já vai longo, fica para o próximo.


Sem comentários:

Gente nova e velha