domingo, 20 de setembro de 2020

A corrupção panlogística

 No CM de hoje, o "professor universitário" ( normalmente apresenta-se assim...) Paulo Morais é apresentado como cofundador da associação Transparência e Integridade e diz isto, com duas fotos de figura estática: 



Percebemos que afinal está a promover o seu livrinho sobre a "corrupção" que aliás já folheei e acho uma coisa inepta,  mal feita e não comprei. 

O problema de Paulo Morais e de quem "luta" contra a corrupção, como a procuradora do MºPº Maria José Morgado,  reside precisamente  nisto: andam sempre a reboque de ideias feitas mediaticamente, com os escândalos sucessivos que atravessem décadas de inépcia da nossa sociedade em lidar com os mesmos. 

O elenco de exemplos que Paulo Morais apresenta como sinais de corrupção ambiente reflectem tal concepção panlogística ( segundo os dicionários- todo o racional é real e todo o real é racional e assim o real pode ser construído a partir de leis do pensamento racional), em que o real é o imaginado mundo de tráficos de influências várias e cruzamentos de interesses ilegítimos e espúrios à sociedade da pureza ideal. 

Nesta perspectiva panlogística até este exemplo do mesmíssimo Paulo Morais pode ser um sinal de corrupção: afinal aproveita esta entrevista para promover a imagem e vender o livrinho. Um pequeno tráfico que se alimenta a si próprio e que sendo comum a outros, no caso da exigência ética deste autor o coloca ao lado deles, ou seja no seio da própria corrupção que denuncia. 

Por fim a única vantagem de existir uma associação deste género e de paladinos deste palanque esbate-se porque confundem tudo e se tudo se confunde poucos distinguem o trigo do joio. 

Quando Paulo Morais se refere a um ministro cujo filho vai para a política e negócios adjacentes, como sinal de corrupção, é esse o sinal de desnorte da panlogística por uma razão simples: é um sofisma, com a agravante de lhe sobrepor um anátema, uma condenação moral ipso facto. 

A "luta contra a corrupção" deve e tem de ser outra coisa: uma denúncia de casos concretos em que o fenómeno assume dimensão criminal ou pelo menos eticamente repreensível. E nem todos os casos elencados o merecem ou autorizam. O livrito de Paulo Morais está cheio de casos de falsa corrupção, nesse aspecto. Denunciam um "pathos", é verdasde,  mas confundem os leitores desprevenidos. 

Assim, outro problema de Paulo Morais, evidenciado em várias entrevistas e ocasiões: a confusão mental que leva a misturar alhos e bugalhos, dissolvendo desse modo a eventual utilidade nas denúncias. 

Este síndrome atinge outros comentadores, como é o caso da tal Morgado, que deveria saber melhor, mas tempera sempre ideologicamente a sua própria panlogística, o que é outro problema maior. Não há denúncias bacteriologicamente puras e no caso da mesma estão geralmente contaminadas com os piores germes. 

E atinge outro finório, para não alargar mais os comentários depreciativos que me apetecia escrever mas modero o tom para não me desgraçar na irrelevância.

José Pacheco Pereira, ontem no Público:

Este ainda é pior, porque distorce ainda o discurso para propor o desiderato subjacente que é sempre político-ideológico e de esquerda que já é radical, como aliás sempre foi. 

Pacheco Pereira conviveu e foi político no activo, como parlamentar, no auge do cavaquismo da corrupção latente, concreta e vizinha, na sua própria bancada. O que fez para afastar o espectro, nas reuniões de partido ( PSD...) e nos conciliábulos prandiais e outros? Pouco que se visse publicamente. 

Agora anda com esta conversa para boys dormirem descansados, atirando-se a outros de sempre, os fassistas do antigamente que- esses sim!- eram corruptos mas não se sabia porque havia censura. 
Este desgraçado da política não dá conta que nem tem exemplos a apontar. Nem um ministro de Salazar ou Caetano para denunciar e muito menos os chefes do governo de então ou do próprio Estado. 

Tem, aliás, o exemplo contrário: esses ministros quando acabou o regime da corrupção fassista, ficaram sem empregos, sem meios de subsistência garantidos por sinecuras que tivessem arranjado ou bens escondidos lá fora ou cá dentro. Nem o Tenreiro lhe serve de exemplo ou o Moreira Baptista ou os capangas da PIDE ( é sempre a PIDE, para estes desgraçados, porque nunca houve fassismo que não fosse o da PIDE de sempre). 

À míngua de exemplos concretos de corrupção que nenhuma censura poderia deixar escapar logo que foi extinta, arranjam outros bodes expiatórios: os "donos de Portugal", os beneficiários do "condicionamento industrial" que assim são apresentados como a expressão máxima da corrupção fassista. 

Enfim, andei a coligir elementos para mostrar a palermice suprema de tal entendimento mas nem adianta nada. Os estudos estão todos minados pelas escolhas sociológicas, as madrassas de agora. 

Opiniões de burros não deviam chegar aos céus, mas como o firmamento desta gente é demasiado baixo, andam sempre nas nuvens. E por isso, pode ser que um dia lhes caia um raio de iluminação em cima e lhes retire qualquer credibilidade que julgam ter.

Por mim, nem esperar sentado vou. Não ligo e não leio a partir de certa altura. Já sei o que dali vem: porcaria ideológica.  E a opinião pública chafurda em tal esterqueira mediática. 


P.S. li algures que a antiga PGR, Joana Marques Vidal apresentou o livrito de Paulo Morais, no Centro Cultural de Belém. 

Fiquei algo surpreendido, mas não tanto: afinal, foi bom não ter sido reconduzida. Por isto mesmo. 

Sem comentários: