terça-feira, 15 de setembro de 2020

O condicionamento cultural em Portugal

Em finais de 1978, por cá, surgiram nos escaparates duas revistas de história.
Uma chamava-se História, era das Publicações Projornal, Lda ( a mesma que detinha O Jornal, Sete e O Jornal da Educação) e começou a publicar-se em Outubro desse ano.
Outra chamava-se "os grandes acontecimentos da História" e pertencia à editorial Globo, de Jacques C. Rodrigues que também editava a Nova Gente e começou a publicar-se uns dias antes daquela.

A Projornal sentiu-se roubada no título e queixou-se à erc de então, o Conselho de Imprensa que lhe deu razão, com o argumento que o registo da primeira era anterior ao da segunda, aliás publicada em primeiro lugar.

O primeiro número da usurpadora era este ( imagem tirada da net):


 O sumário do número dois, imagem tirada da net ( custojusto):



O segundo número da registada em primeiro lugar:



Estas duas revistas surgiram na mesma altura para tratar assuntos do mesmo género mas o estilo e a escrita e mesmo os temas eram bastante diferentes.

No número 4, de Julho de 1979 a g.a.da História contava em 12 páginas o que tinha sido a "pneumómica" em Portugal, em 1918.  O artigo era assinato por Viriato Dias, sem mais. Uma consulta ao Google, com tal nome traz nada de esclarecedor. E esse era um dos traços de distinção das duas revistas: no número anterior havia oito páginas sobre Salazar sem sequer assinatura de quem as escreveu. E é um bom artigo.

Nestas duas páginas do número 4, porém, se pode ler o que diferenciava as duas revistas:


A menção à censura a que os jornais foram sujeitos por uma "Comissão de Censura" então existente impediu os relatos sobre a doença mortal. É a primeira vez que ouço falar nisto.

Em 1918 estava no poder político Sidónio Pais, que sucedeu a Afonso Costa.

A outra revista História que se achava no direito de exclusividade no nome trazia os nomes todos dos notáveis que lá escreviam e que eram exactamente os mesmos que ensinaram os que agora escrevem...

A escola era deles e continuou a ser, ou seja da esquerda. O episódio da Cidadania ensinada no ensino público é apenas mais um de tal saga que ainda não acabou.

Continua...como se escrevia dantes nas histórias de quadradinhos.

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