sexta-feira, 4 de setembro de 2020

O milionário da esquerda caviar

Manuel Vinhas era um milionário que praticamente detinha a Sociedade Central de Cervejas que era a grande empresa monopolista das bebidas em Portugal, antes de 25 de Abril de 1974. Apesar de diversas marcas e até empresas distintas, a referida  SCC tinha participação em todas elas e dominava o mercado.

Isso é explicado no livro de Filipe S. Fernandes, Os empresários de Marcello Caetano ( Casa das Letras, 2018):


Ao mesmo tempo o tal Manuel Vinhas era um "mecenas" de uma certa esquerda que se opunha ao Estado Novo e depois ao Estado Social de Marcello Caetano, coisa que a esquerda moderna escamoteia mesmo em artigos como este da Visão de  hoje, da autoria de uma tal Isabel Lindim, paga pela Fundação Gilbenkian para escrever inanidades e incorrecções factuais, travestidas de estudo pago a bolsa.


O artigo destaca a actividade de opositor ao regime de Salazar e Caetano ao mesmo tempo que acaparava alguns notáveis procurando porventura ganhar em dois tabuleiros, atitude tipicamente tartufa deste empresário Vinhas.
A palavra PIDE aparece mencionada dezanove vezes, no artigo!

Como denota o artigo estava em Angola a explorar fábricas de cerveja e ajudava em dinheiro o então terrorista Agostinho Neto, inimigo jurado de Portugal.
De pouco lhe valeu a tartufice porque foi corrido de lá, logo que a independência se implantou, muito por causa da actividade destes indivíduos que esperavam talvez os favores de novos regimes que lhes foram ingratos.

E se o artigo mostra isso relativamente a Angola, esquece particularmente o que sucedeu ao empresário, em Portugal, logo depois do 25 de Abril de 1974.

Como bom monopolista e até mecenas de comunistas notórios ( Ary dos Santos e outros) de pouco lhe valeu tal actividade porque teve de se pôr ao fresco logo a seguir à perseguição encetada aos "milionários monopolistas", em Setembro de 1974. início do PREC.

Esta faceta histórica do milionário mecenas do esquerdismo comunista é escamoteada no artigo porque apenas se refere tal ocorrência em duas passagens muito breves, para dizer que " Manuel Vinhas saía de Portugal a monte pelo Alentejo, da mesma forma que muitos antifascistas o tinham feito durante a ditadura, através da herdade do amigo José Manuel Martins (...) mais tarde acabou por cruzar o oceano, rumo ao destino de muitos exilados" não se explicando como e exactamente porquê.
Talvez não tivesse tempo de indagar e a bolsa não lhe chegasse para mais do que citar 19 vezes o nome da PIDE, mesmo quando já se chamava DGS...

Noutra passagem escreve a autora financiada pela Gulbenkian para fazer trabalhos destes que " o diário publicado por Manuel Vinhas no exílio, no Brasil, país onde se refugiou um ano após o 25 de Abril", sem mais explicações sobre o tal exílio imposto pelos mesmo a quem antes ajudou, monetariamente. É a história de Roma que não paga...

Enfim, é uma tristeza tal artigo porque manipula informação relevante, mormente aquela que diz respeito à perseguição que os comunistas fizeram aos milionários, logo após o 25 de Abril de 1974 e da qual Vinhas foi vítima, como outros.

É isso que se escreve no livro O ataque aos milionários, de Pedro Jorge Castro ( A esfera dos livros, 2014).



Curiosamente no livro dos bloquistas Louçã et al, Os Donos de Portugal ( Afrontamento, 2010) o nome de Vinhas não aparece em lado nenhum. Nunca existiu, para esta canalha. Percebe-se porquê...



Este é um artigo típico do modo como as madrassas ensinam História em Portugal: manipulando factos e escamoteando realidades que nem querem conhecer.

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