quinta-feira, 25 de março de 2021

O juiz não inclusivé e o jornalismo de pacotilha conformista

 No Sapo24 escreve-se assim para qualificar uma pessoa, no caso um juiz de direito,  que contesta as regras estabelecidas pelo governo ( que tem uma directora-geral e uma ministra que têm feito as figuras que têm feito...) para lidar com a crise sanitária em curso. 

O referido juiz que não concorda com algumas dessas medidas é apodado pela MadreMedia Lusa de "negacionista", termo infamante como só podem ser os que se destinam a excluir os que não pensam segundo a doxa corrente. 

O indivídu@ que escreveu tal ápodo saberá o alcance do termo e o significado pleno do mesmo? Certamente, apesar da proverbial ignorância jornalística. Então...


O Expresso seguiu na mesma esteira, ou não fosse o Expresso a expressão mais aprimorada do status quo e a negação do jornalismo tal como deveria ser. A linguagem é tudo e o termo já está preparado para outros por estes jornalistas de pacotilha conformista ( aí têm outro termo mais adequado):



No Observador, apesar dos esforços de alguns, ainda nãos e chegou a tal estádio de desenvolvimento da novilíngua inclusivé e ficam pelo mais singelo "anti-máscara" assim como quem diz que o dito pode ser uma aberração do Entroncamento. 






Um ou dois comentários sobre o assunto de fundo, deixando de fora o juízo sobre o comportamento do juiz em causa que me parece apenas insensato. Porém, se fôssemos elencar todos os nomes de juízes insensatos que por aí andam, enfim, não sei mais que dizer... 

O juiz em causa, numa sala de audiência e ontem, durante um julgamento, parece que pretendeu impor a sua visão particular sobre os usos e costumes e mais a interpretação da lei que impõe a utilização de máscara. 

Como um dos intervenientes, no caso um procurador do MºPº,  não acatou a ordem judicial, por a entender abusiva e ilegal, o juiz suspendeu a diligência. Justificou o seu entendimento e não houve alarme social, excepto no jornalismo de pacotilha conformista. 

Talvez por causa disso, alarmado com as notícias deste jornalismo,  o CSM reuniu de emergência em zoom ou coisa que o valha, em tempo record, não fosse o juiz fazer mais alguma e suspendeu-o a ele já que lhe pertence esse poder disciplinar que arrima os magistrados e se destina a pôr na linha os recalcitrantes.   

A celeridade da decisão, necessariamente ponderada em cima do joelho, sobre um assunto de fait-divers e que apenas é empolado pelo jornalismo de pacotilha conformista, confirma os piores receios de este órgão administrativo da magistratura andar a a reboque de emergências deste calibre e usar o poder disciplinar deste modo que se vê. 

Não obstante, para todos os efeitos a decisão parece-me algo perigosa na medida em que o recado que se deixa é que os juízes não são órgãos de soberania, independentes e têm de obedecer sempre a um órgão administrativo como o CSM relativamente a questões polémicas e que aliás está prontinho a actuar sempre que surja uma questão similar, agitada pelo jornalismo de pacotilha. Sinais dos tempos...  

Quanto à pressinha da Ordem dos Advogados em questionar a legitimidade de alguém, mormente um juiz, publicar minutas e normas de requerimentos para determinados efeitos jurídicos, só anoto que em coerência e conformidade deverão actuar nos casos em que se publicam, também em letra de forma, nos manuais à venda, idênticos formulários destinados a outros efeitos. Por exemplo em insolvências...

Enfim, o que isto denota não é apenas o respeito pela lei ou a atenção a comportamentos bizarros mas apenas reflecte um ambiente geral de pogrom a quem não pensa pela "caixa" e ousa destoar de um qualquer conformismo vigente de ortodoxia rígida e sem alternativas. Mais sinais dos tempos...e muito mau sintoma. 

Em França o problema é mais vasto e tem raiz que vai sendo denunciada. Por exemplo nas últimas edições das revistas Valeurs Actuelles e Marianne desta semana:





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