terça-feira, 2 de março de 2021

PCP: cem anos de um embuste contado por tolos, impostores e incendiários

 O PCP atingiu a idade canónica dos cem anos. Nenhum partido se lhe compara e só o estatuto de seita o explica. O PCP é uma seita do pensamento humanista animado pela utopia de sempre. Por isso resiste ao ar do tempo como verdadeiros cromos que são. Não enferrujam, fossilizam no pensamento de seita. 

No Público de hoje um dos seus cromos mais notórios, escreve sobre o fenómeno em síntese laudatória. 


Outro cromo, dos mais enegrecidos pela usura da linguagem de pau:


Como se lê,  é um erro atirar-lhes para cima com a natureza criminosa da ideia comunista, revelada em Lenine ou Estaline, com gulags de permeio ou perseguições de massa e holodomor em série,  porque estão protegidos de tal anátema ferrugento com um material simples de que se revestem sempre: lutaram pela liberdade, mais que os demais, no tempo da "ditadura", sendo esta o período de Salazar, ogre sem nome a não ser "fassista". 

Não importa mostrar-lhes a contradição  nos termos porque liberdade para tal seita é apenas servidão para os demais, como Orwell demonstrou. Não entendem a contradição porque tem ideia diversa do conceito. 

Argumento último para "arrasar" opositores: quase todos os objectivos traçados pela seita no começo da clandestinidade, ainda no tempo da descida aos buracos no chão da realidade e escaladas ao cimo do sótão da utopia, foram conseguidos em 1975, com a transubstanciação da Constituição e a sagrada comunhão de tais princípios.

A seita conseguiu desse modo uma religião da boa nova em Portugal, com um evangelho e o proselitismo de sempre: "quem entra para a seita sabe ao que vai: enquanto nela militar,  o exercício do poder não é de todo provável" , diz o cromo, ciente da permanente travessia do deserto. Nem assim desarmam porque lhes basta a convicção da crença e a conquista de pequenas metas da ilusão. 

O resto é luta diária pela realização evangélica do seu credo e as datas das festas litúrgicas estão apontadas: eleições sucessivas. Os fiéis escasseiam cada vez mais, a fé vai estiolando, mas os oficiantes, como os cromos acima apontados, continuam crentes e tanto basta. Enquanto existirem cromos destes, repetidos, haverá missa segundo o rito ortodoxo. 

Como é que se pode lutar contra seitas? Só há uma maneira: mostrar que o são, até perderem o estatuto e se desfazerem na irrelevância dos credos vazios de sentido e do embuste imanente.

Quem o fez como poucos, foi Roger Scruton, em  páginas geniais do seu livro sobre os Tolos, impostores e incendiários, de 2015, referindo-se a uma nova seita, parida por esta, a da "nova esquerda" e à sempiterna ideia da utopia e da luta. Com uma arma fundamental: a novilíngua, cuja génese ando a catar por aqui há uns dias a esta parte. E vai prosseguir porque o pano ainda chega para mangas. 

Para já as páginas de Scruton em resposta àqueles cromos religiosos, ou seja a estes "santinhos":





Portanto, qual é a essência do credo desta seita? A Fantasia, a Utopia, o Nada. O embuste, porque acreditam piamente no valor da própria farsa de há cem anos a esta parte e que tem sido uma grande história de embalar tolos. 

Que acreditam nestes impostores e incendiários. Afinal é esse o valor da fantasia: ajudar a sonhar acordado. 


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