quinta-feira, 11 de março de 2021

O Público politiza a justiça, descaradamente, no caso do populismo luleiro

 A capa do Público de hoje é mais um exemplo da miríade que colecciona, da propaganda política mais básica e despudorada, em prol da ideia de esquerda. 


Esta capa vem na esteira deste editorial, igualmente acanalhado por enviesar o jornalismo de isenção para uma cloaca de propaganda política, em 10.11.2019, com laivos de hipocrisia, ainda por cima:


Não é caso único uma vez que a RTP também faz o mesmo jogo de propaganda obscena e sem qualquer preocupação de jornalismo sério. A RTP2, para atacar Bolsonaro convidou Lula e fez-lhe o frete do dois em um. Antes, a Pedroso que ganhou lugar de relevo na RTP também já tinha feito o trabalho de casa e enviado correspondente ao Brasil para ornamentar a peça de propaganda a seu cargo:


Ora desta vez, o que se passa com Lula e os foguetes já lançados e a festa que o Público lhe faz na capa de hoje? 

Já é sabido e melhor explicado aqui: Lula está cercado de processos-crime, prestes a serem julgados, por crimes de corrupção múltiplos e variados. Factos apurados, acusações deduzidas e poucas dúvidas sobre a sua qualidade de suspeito da prática de tais crimes. 

A decisão de um juiz Fachin é motivada por razões processuais esquisitas e na sequência de um mero pedido de habeas corpus: como os outros processos já estão a ser julgados por outros juízes, aqueles onde Lula foi condenado não deveriam ter sido julgados por Moro no tribunal local mas sim noutro qualquer, como os demais. É esse o argumento essencial e mais nada. Não se pronuncia sobre os factos ou sobre a culpa do tal Lula que tem às costas carradas deles, ainda em peso excessivo mas que os propagandistas bolivarianos tipo Manuel Carvalho do Público querem esquecer. Não é para isso que fazem jornalismo, é para outra coisa. 

Não obstante, nos processos em que foi condenado a penas de prisão efectivas, confirmadas por tribunais superiores, o julgamento foi realizado em primeira instância pelo juiz que instruiu os mesmos processos, ou seja Sérgio Moro. Este investigou e julgou, condenando Lula em penas de prisão que aliás foram agravadas pelos tribunais superiores, tendo 12 anos de prisão para cumprir. 

Na altura ( 2019) foi alvo de chacota mediática: 


Sucede que a intervenção do juiz Moro enquanto instrutor e julgador foi questionada quanto aos métodos e deontologia de molde a que a defesa de Lula, incluindo os propagandistas políticos nos media, alcançaram um argumento de peso para brandir contra o juiz anti-corrupção: designá-lo como falho de isenção e violador de imparcialidade. Prevaricador perante um Lula inocente até à medula da poucavergonhice, como dizem por lá. 

Quer dizer, o sistema brasileiro que autoriza a investigação criminal por um juiz que depois julga os factos, queixa-se de este juiz não ser imparcial e isento, como seria um outro de outro sistema em que tal não acontece, como o nosso. Neste, o juiz que julga não investiga e apenas lhe é cometida a tarefa de apreciar os factos levados a julgamento por outra entidade independente do juiz, no caso o MºPº. No Brasil obviamente pedem ao juiz de primeira instância que fume, mas não inale...

Assim, qual foi o pecado de Moro, neste sistema assim arquitectado? 

Comunicar através de mensagens electrónicas com os investigadores policiais e do MºPº o que entendia ser mais adequado para conduzir a bom porto as investigações aos factos. As mensagens são praticamente inócuas do ponto de vista do comprometimento do juiz com qualquer manipulação ou falsificação de factos, ou seja, de prevaricação pura e simples. 

São mensagens em que aconselha a investigação criminal do MºPº a actuar de molde a evitar armadilhas processuais que ponham em causa toda a investigação cuja dificuldade e melindre era no caso extrema, tendo em conta a politização da justiça e suprema vitimização desde logo encetada pela esquerda bolivarista do Brasil e de todo o mundo. 

Por cá o celebérrimo e ilustrérrimo professor de Barcouço mais-lo director do Público, que comem ideologicamente da mesma gamela, exultaram quando souberam que o juiz Moro fora apanhado em conversetas desse teor através de mensagens electrónicas, vulgo sms. 

E como é que o juiz Moro foi apanhado? Pois através de actividade ilegal, criminosa e de intromissão proibida em dados e comunicações pessoais, por um tal Intercept. 

O crime em causa é mais grave do que toda a suspeita imputada ao juiz Moro mas não se leu uma única palavra para pôr em causa tais procedimentos, aliás com a colaboração de um hacker local que usou meios ilegais e criminosos para tal. A justificação para tal? Também as conversas privadas de Lula com Dilma foram reveladas. Logo...

Resta porém a realidade, os factos, os processos pendentes, a corrupção que atingiu o tal Lula e que não sai com manobras de propaganda, como esta. 

Em 2016 eram avassaladoras e serviram para o condenar em 12 anos de cadeia. Veremos se outros tribunais decidem de modo diverso e contrariando as decisões de tribunais superiores...






É isto que conta, no final de contas: os factos. O modo como foram investigados poderá ser questionado se o foram através de prevaricação, ou seja, da violação de deveres profissionais com gravidade. 

Ora as conversas interceptadas pelo Intercept podem servir para os ruis patrícios locais clamarem e bramirem pela prática de crimes pelo juiz Moro, mas não chegarão a qualquer céu redentor por uma simples razão: o que as mesmas denotam não cheira a corrupção ou a prevaricação, mas apenas a execssivo empenho em levar para a frente um processo de limpeza que se efectuou antes noutros países, como a Itália. 

E neste país, se tivesse sido possível avaliar a actividade dos juízes que investigaram, porque em Itália também são os juizes que investigam ( embora não julguem) seria igualmente possível encontrar motivos para anular processos ou eliminar sentenças, por causa dos jacobinismos do costume.

De qualquer modo esta nova fronda não chegará para condenar o juiz Moro de tentar alcançar objectivos políticos através de uma acção judiciária, ao contrário do que agora pretendem estes jornalistas luleiros.

No Brasil e com os adeptos que por cá pululam do populismo luleiro, há que aproveitar a onda para ver se o malfadado Bolsonaro vai à vida e dá lugar ao novo regime bolivarista do Brasil, em parceria pensadora com a Venezuela. 

É esse o jogo que está em causa. E só esse. Se fosse outra coisa, não fariam o que fazem nem mostrariam o Público com as capas que mostram, a tresandar a frete ideológico, o contrário do jornalismo.

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