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domingo, 16 de abril de 2017

Orlando Raimundo e as "divisas de Almirante" de Américo Tomás.

Orlando Raimundo, um jornalista formado em "Relações Internacionais", curso de grande prestígio por exemplo na antiga Independente ( até o Vara lá se licenciou) descobriu há algum tempo vocação para historiador do regime do Estado Novo e respectivas  figuras gradas. Segundo se depreende o objectivo é a descoberta de algum podre no carácter das vítimas, para as denegrir. Uma imundície, portanto.
Depois de uma indecência escrita sobre Marcello Caetano, prontamente desmentida, ataca de novo, agora Américo Tomás, em livro de 286 pgs. que não se afigura de melhor tom que aqueloutro, ignominioso qb.

Em entrevista ao DN de hoje que nestas coisas não perde tempo em publicitar estas inanidades ignominiosas, escritas por antifassistas, replica as habituais enormidades que aprendeu na antiga cartilha de oposição ao regime de Salazar e Caetano.
A biografia de Salazar, por Franco Nogueira? Uma obra prenhe de "relatos ideologicamente manipulados".  As obras de Raimundo, essas, são o primor da objectividade em retrato.
Vai ser ele, Raimundo, a descobrir a pólvora, investigando alcofas podres num esconderijo secreto no palácio do Sobralinho...


Voltando a Tomás, para Raimundo, era um "cobarde" e uma anedota e que disso deu várias demonstrações.  A chegada ao poder de Tomás, para Raimundo,  é um "improviso do salazarismo" porque Tomás era monárquico e tornou-se presidente republicano.
E o episódio imundo dos porcos vestidos de almirante, em 1972, para Raimundo é o cúmulo da inteligência política demonstrada pelas Brigadas Revolucionárias ( os piratas mortáguas e outros marginais da política extremista) que usaram o ridículo para expôr a imundície do regime.
Quanto a Humberto Delgado, foi obviamente assassinado pelo regime e por ter ousado enfrentar Tomás.
Portanto, este livro imundo do Raimundo merece tratamento pelo cheiro que exala, a falta de rigor, a facciosismo político, e a uma completa ausência de distância ideológica, etc.

Sobre Tomás, Marcello Caetano falou nas Confidências no Exílio, coligidas por Veríssimo Serrão:



Sobre Salazar e Tomás, Franco Nogueira também já escreveu:




Sobre a figura do antigo presidente da República que antes de 25 de Abril era conhecido por "corta-fitas" sem que alguém que o dissesse fosse preso, será preciso estudar melhor um pouco. Este livro imundo do Raimundo nada de novo acrescenta ao relato tradicional dos que denigrem sistematicamente o Estado Novo com pretensões históricas falsificadas e adulteradas, como antigamente se fazia na União Soviética, sítio, aliás, de onde provêm a ideologia-matriz destes pseudo-historiadores.

Logo após o 25 de Abril de 1974, Tomás foi retratado como um imbecil, pura e simplesmente, como o mostra o Sempre Fixe de Ruella-Ramos, em16.11.1974. Nem a entrada na Wikipedia o poupa a esse labéu, apesar de Tomás figurar como um dos mentores do salazarismo mais conservador, após a morte de Salazar.


Tomás tinha ido para o Brasil, logo após o golpe militar, depois de ter ficado uns dias na Madeira, juntamente com Marcello Caetano.

A nova classe política que se instalou e conduziu Portugal à bancarrota em dois tempos de dois anos, ou nem tanto, não queriam, porque pretendiam julgar Tomás pelos crimes cometidos no fassismo, como se lamentava  no Diário Popular de 21 de Maio de 1974.


Nunca tiveram coragem, no entanto. A chatice da não retroactividade da lei penal impedia tal efeito. E em 17 de Maio de 1978 foi um grande escândalo, celebrado com cartoon do comunista João Abel Manta, no O Jornal, assim e logo que se soube que o presidente Eanes autorizava o regresso do "corta-fitas" tomado sempre como um imbecil pelos revolucionários piratas e não só. Tomás regressou em 1980 e remeteu-se a um silêncio, apenas escrito em  Últimas Décadas de Portugal, l.º e 2.º vols., Lisboa, Fernando Pereira, 1980 e 1981.




Em 24 de Maio de 1974 na Capital anunciava-se que Tomás não iria escrever memórias.


É pena que Tomás não tenha escrito memórias aqueles que conheceu, nomeadamente os familiares ideológicos dos raimundos. Muito teria que contar, certamente. Sobre coragem e outros atributos.

28 comentários:

Rico Leao disse...

Ainda bem que temos fascistas, como você, para lhes lembrar que vivemos numa democracia, onde tipos como você se podem expressar livremente.
No "seu" adorado regime, tal não era possível a democratas!

Por Agora disse...

Quase ninguém sabe. Américo Tomás foi talvez o mais brilhante oficial da Marinha Portuguesa do século XX. Percorreu a costa nacional e mapeou os fundos marítimos com grande precisão e nível. Eu já o sabia quando há uns 25 anos — i.e., após o 'glorioso' — na RTP um oficial da Marinha disse: não precisamos de GPS; temos as cartas do Almirante Américo Tomás. Foi nomeado por ser homem honrado; mas estava velho.
Cumprimenta

josé disse...

"Ainda bem que temos fascistas, como você, para lhes lembrar que vivemos numa democracia, onde tipos como você se podem expressar livremente.
No "seu" adorado regime, tal não era possível a democratas!"

No tempo dos fassistas os únicos que não podiam exprimir o que pensavam publicamente eram aqueles, como você, que queriam exterminar toda a liberdade de pensamento livre.

Era o que acontecia no Leste da Europa.

Antifassistas de pacotilha, como você, nem isto sabem nem querem saber porque estão sempre preocupados com a liberdade que tirariam aos outros, se pudessem.

Portanto, guarde os seus ensinamentos para si.

josé disse...

A linguagem antifassista inventada pelos comunistas, por cá, pegou logo de estaca, após o 25 de Abril.

O único argumento que usam é o acima exposto: dantes não se podia falar e agora pode, como se aquilo que quisessem dizer fosse mesmo em prol da liberdade de expressão.
Bastaria ver como era a expressão dessa liberdade nos países cujo regime queriam copiar por cá, para perceberem a ilusão e a estupidez da crença. Mas nem isso vêem.

Assim, é o contrário: dantes falava-se mas não se usava a linguagem antifassista entretanto inventada. É uma questão semiótica, apenas.

O que hoje se diz é apenas na linguagem que dantes não se podia usar. É por isso que abusam.

Dudu disse...

Nos últimos tempos de vida em Cascais, a família de Tomás recorria ao apoio de uma enfermeira.
Como já não tinham dinheiro para lhe pagar, a família teve de lançar mão dos ainda presentes que recebera na vida pública.

lusitânea disse...

O " Rico Leao disse..." é certamente um revolucionário comunista que só gosta de revoluções tipo Venezuelano.Que como a do 25 das entregas de tudo o que tinha preto e não era nosso à Lenine,só serve para lixar e trair os Portugueses.O Almirante Tomás poderia ter defeitos.Mas nunca foi traidor nem corrupto .E deixou uma "pesada herança" enquanto os democratas têm uma dívida de 6,5 toneladas de ouro.Para andarem a salvar os amigos do planeta e a viverem melhor do que no tempo da outra senhora.
Cuidem-se que quando apresentarem a factura vai haver uma "ruptura" e espero bem que alguns se fodam...

lusitânea disse...

Quero corrigir a dívida em toneladas de ouro:6500 só 6500000 kg...o que tem dado uma grande festa permanente às cigarras democratas dos amanhãs cantantes...

Manuel Pereira da Rosa disse...

Ora temos um fascista anticomunista e um comunista antifascista a altercarem, num quadro em que cada um é etiquetado pelo outro. Temos no meio disto: democracia, liberdade, etc.
Para um comunista dos anos sessenta, o comunista actual seria um revisionista traidor.
Quanto a fascistas e fascismos, o fascista-mor era o Dr. Rolão Preto, cujo partido que pretendeu legalizar nunca foi autorizado e foi condecorado pelo Dr. Mário Sores.
Quanto a democratas e democracias, quem transformou o povo português num bando de pedintes - diga-se lixo - não foi o Estado Novo, mas o Estado Parvo, Incompetente e Ladrão. Tirania pura.
Quanto a liberdade, o Dr. Cunhal tal qual o Dr. Salazar nunca utilizou a palavra no singular porque não falava à toa.
A liberdade, para ser igual para todos, isto é, ser justa tem que ser garantida pela autoridade. Doutro modo, enquanto uns podem ameaçar os representantes do detentor da autoridade, responsáveis pela aplicação da justiça, outros nem podem ter na sua pequena aldeia uma pequena loja para o preenchimento de necessidades básicas, etc.
Por último, para o antifascista e para o anticomunista, Salazar escreveu que a doutrina económica comunista era boa para regular a vida das pessoas dentro dos conventos e em terras pequenas mais isoladas, sobretudo algumas actividades: pastorícia, moinhos e fornos colectivos, etc.

Bic Laranja disse...

Ó para o rico leão, estirado na praia. Antes do 25 de Abril não havia praia. Esteve sempre a chover. Por causa de Salazar. Aliás, as alterações climáticas ainda são restos dos anos da sombra.

Passei uma vista de olhos nas notas finais (preâmbulo ao vol. VI) de «Salazar», do embaixador Franco Nogueira. Conta como começou a obra ainda antes do grande acidente nacional, no arquivo do estadista em S. Bento que, entre os cravos pregados à liberdade e acabar posto a recato na Biblioteca Nacional de Lisboa, recebeu uma bela vistoria dos libertadores... É no que sobrou que livremente os raimundos têm lavrado todos os livros negros do fascismo em Portugal e, ùltimamente, estoutras novidades da história contemporânea, sempre com originais perspectivas e novas descobertas (o marketing entretanto obrigou a reformular os chavões).
Conta também o embaixador Franco Nogueira como, preso discricionàriamente em nome da liberdade, com telefone de casa sob escuta e correspondência violada, achou melhor dispersar a documentação que possuía pelos amigos e pessoas de confiança por que os agentes libertadores lhe não deitassem a mão. Isto foi sabido e alguns, ante as ameaças de se serem libertados à fôrça, até em jazigos de família acabaram por esconder os papéis. Parece que nem assim estavam a salvo. Só se pôs tudo a salvo quando a temerária esposa do embaixador empacotou tudo, uma biblioteca inteira, e se afoitou a passá-la pela fronteira, até que lha fez chegar ao exílio londrino.
O rico leão que mostre lá a fera que é na defesa da libardade. Ou que deixe estar na praia.

António Rosa disse...

Coragem e bravura , isso sim , e a reescrita da Historia em modo " anti-fassista " , isto e , ofendendo e emporcalhando soezmente a memoria nao so dos antigos governantes como de todos os que viveram e testemunharam aqueles tempos , o que manifesramente nem
foi o caso deste Plutarco de opereta...
Quanto a fascista mor , nao estou tao certo , houve alguns a quem o epiteto assentaria tao bem ou melhor...milagres da Coca-cola...
A estupidez e ignorancia denotada pelo autor sao para mim de arrepiar ,mas e nestes digests de " Historia " que uma gera¢ao de alvares bem albardados gosta de se informar... veem os governántes desse tempo como os tachistas da cleptocracia partidaria de hoje ,logo nao podem conceber que alguns deles viessem de origem humilde ( Salazar ,Caetano , Tomaz et alia ) e tivessem construido as suas vidas a pulso , TRABALHANDO com competencia - coisa chata , nao e ? - e nao de cu estivado em bares e esplanadas a aprender as tretas de Bolonha com exames domingueiros em universidades de amigos...

JOAO PAULO CRAVEIRO disse...

Um tipo que escreve "divisas de almirante" está definido. Quando entrei na Escola Naval pela primeira vez na Reserva Naval, poucos anos depois do 25 Abril, vi o busto de Américo Tomás à entrada. Admirado, perguntei porquê. Esclarecerem-me que foi sempre o nº1 da Armada desde o primeiro ano da Escola até chegar a Almirante. Se calhar por ser o idiota que o pintam.

José Domingos disse...

Os camaradas, sabem a história que lhes dá jeito. Nunca em Portugal Salazar autorizou movimentos da chamada extrema direita, moda na Europa da altura, Rolão Preto foi expulso do país,e a tentativa de criar em Portugal um movimento das chamadas camisas castanhas, como na Itália de Mussolini, foi proibido.....

joserui disse...

Só um burro vinha aqui chamar fassista ao José.
A proliferação de obras obradas por esta elite pós-25A, tentando denegrir, adulterar, re-escrever, o que foi o Estado Novo, é sintomático desta podridão em que o país vive. Andam inquietos os antifassistas, querem "cumprir Abril" de qualquer maneira.

Floribundus disse...

disse quem quem estava na ilha denominada cr7
à chegada do Almirante e de Caetano
que só o 2º mijou as calças

não era presidente eleito por mim, ausente do país.
muito menos o Vicente e o general coca-cola da Portela

morto pelos amigos, segundo ouvi

os sociais-fascistas andam num desassossego esquisito
que não identifico

aquele Senhor era mesmo Almirante
outros dirigiram caciheiros depois de 25.iv

joserui disse...

Também gostei de saber num outro post que a "extrema-direita" — e não os comunas —, estiveram prestes a tomar conta do rectângulo… É cada um…
Isto é uma luta desigual José.

joserui disse...

Cacilheiros? Isso é que era bom… a maior parte nunca meteu os pés nem num barco a remos, que enjoavam… Só dá tratantes.

josé disse...

Obrigado pela lembrança das divisas...Já mudei o título

joserui disse...

Ontem uma amiga diz que se lembrou de mim num jantar de aniversário onde compareceu… só dava antifassistas. Entre copos de vinho era ouvir os feitos heróicos daquela trupe ainda mal nascida na altura e o negruma do antigo regime… entre ohs e ahs, diz que o avô de um esteve preso e foi perseguido… Abril é um mês estragado, combate-se ferozmente o Estado Novo ao jantar, muitos ainda acham que ainda existe, é a forma de justificarem a sua própria inútil existência. Gosto de todas as flores menos dos cravos.

luis barreiro disse...

Ainda este fim de semana vi a antifascista ines pedrosa, que em vários episódios anteriores do último apague a luz afirmar que no tempo do fascismo quase ninguém ia de férias, era o obscurantismo, dá-se o intervalo e o tema muda para as férias dos miúdos em Torremolinos, e afirma sem pudor, que nos finais dos anos sessenta e inícios dos anos setenta os seus papás escolhiam Torremolinos como destino de férias porque o Algarve tinha muitos turistas portugueses, era uma enchente e filas nas padarias, supermercados, etc. Dizem uma coisa e o seu contrário conforme acham que é o que o povinho mais gosta de ouvir, e ninguém questiona.

Francisco Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Tem piada que também não gosto de cravos.

António Rosa disse...

E as ciclopicas batalhas navais que tivemos de travar ( e a que o visado conseguiu sempre esquivar-se ) ? hein ? hein ???

Maria disse...

Não sei se o José ou algum dos estimados comentadores assistiu ao "Governo Sombra" de Sábado. Eu sim e voltei a fazê-lo hoje porque estava com a TVI ligada, como normalmente acontece. E não me importei. Fí-lo mais por Zita Seabra, que era a convidada cujo discurso inteligente e críticas à ideologia comunista que apreciei. Teria ela sido sincera ou uma vez que já não existe comunismo torna-se necessário e conveniente mudar d'agulha? É que a maioria senão todos os comunistas de todos os quadrantes, por oportunismo tácito e táctico, são cínicos e mentirosos... Falou sobre Cunhal, sobre este regime antes e depois de ter implodido, sobre os motivos que a levaram a tornar-se dissidente (citou algo que viu quando chegou à U.S. e que considerava inimaginável, causando-lhe enorme espanto, nos apartamentos destinados ao povo não havia cozinhas..., estas eram desnecessárias..., todos comiam nas cantinas do partido...), disse o que pensa da Igreja Católica e da sua influência decisiva mas saudável no espírito dos povos crentes, como por ex. o apoio à família e o amor ao próximo, o povo russo incluído e desde sempre mesmo durante o comunismo, povo que ela própria considerou ter sido sempre muito religioso e devoto de Nossa Senhora de Fátima, particularmente pela ligação que os russos sempre fizeram do seu país ao segundo segredo de Fátima. Falou das ameaças que sofreu dos seus ex-colegas depois de ter abandonado o partido e de ter sido considerada persona non grata por todos os comunistas mesmo os do comité central com quem sempre tinha trabalhado lado a lado, os mesmos que puseram todos os seus documentos e livros do lado de fora do gabinete que lhe havia estado reservado desde sempre, situado mesmo em frente ao de Cunhal e ambos os gabinetes protegidos por uma porta blindada(!!!) - que medo teria Cunhal dos portugueses para trabalhar por detrás de uma porta blindada? Alguma vez durante as décadas em que existiu o Estado Novo houve algum dirigente que se tenha protegido desta maneira inimaginável? Tiveram Salazar, Caetano, Tomaz e todos os governantes que os precederam, tido algum dia medo do povo??? (não me refiro aos conspiradores e subversivos, todos traidores, que viviam em exílios dourados e outros com identidades falsas a viver no país, que desejavam a morte de Salazar, tendo este feito muitíssimo bem em tê-los, uns fortemente vigiados e outros, os mais perigosos, bem longe da Pátria..., e ele tinha carradas de razão, viu-se o que fizeram ao País quando tiveram roda livre para nele viver, trair e governar). Que medo aterrador teria Cunhal para se esconder daquela maneira? Estaria ele com receio de que em Portugal se faria aos oposicionistas do regime o mesmo que era prática corrente ser feito na União Soviética, isto é, assassiná-los? Só podia ter sido isso. Sabe-se que Cunhal nunca dormia no mesmo sítio duas noites seguidas!... Terá uma tão estranha, quase alucinada, decisão sido tomada alguma vez pelos nossos principais governantes durante o regime anterior? Por amor de Deus!

Ela não falou dos milhões de assassinados a mando de Estaline e Lenine e no entanto desde o momento em que ela havia aderido ao partido aquele genocídio era por demais conhecido em todo o mundo. E sabendo-o certamente, tal horror não a terá impressionado por aí além pois não a fez abandonar o partido continuando a militar no mesmo. O que, sim, não se esqueceu de referir foi achar criminoso ver milhares de crianças mortas em consequência das armas químicas lançadas por Bashar sobre o seu próprio povo... Eis a hipocrisia e a cartilha comunista e mentirosa a vir ao de cima, quando já foi confirmado pelo governo russo (as provas estão a ser reunidas) e já se sabe perfeitamente que não foi Bashar quem as lançou...
(cont.)

muja disse...

Ehehe! Não é um burro, é um leão! Ó p'ra ele ali em plena actividade profissional! Não fossem estes leões patriotas e onde estaria o país depois destes 40 anos? Às tantas com duas ou três banca-rotas, desemprego e sabe-se lá que mais...


Deixá-los escrever as mentiras que quiserem. Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo. Quanto mais escrevem menos trabalho se terá a desmontá-las.

Quanto mais mentiras escrevem, mais violentamente hão-de ter que reprimir a verdade. Quanto mais violentamente a reprimirem mais perto ficarão do que dizem combater. Quanto mais perto ficarem do que dizem combater, mais facilmente cairão.

Maria disse...

Isso, isso, Muja. É exactamente como descreveu.

Maria disse...

Zita falou da ajuda que Soares lhe deu na altura em que abandonou o partido e a cuja memória diz prestar tributo (a este traidor à Pátria, imagine-se!, mas não admira a ideologia a que ele sempre havia pertencido, era a mesma dela desde a juventude) reunindo-se nessa altura com ele secretamente no sotão da casa do socialista Carlos Espada com este e Alfredo Barroso. Diz que o que a fez não aderir ao partido socialista foi sobretudo um episódio passado em determinado dia, pouco depois de ter abandonado o P.C., numa festa de socialistas no Mercado do Povo e em que a dada altura ao cruzar-se com Jorge Sampaio este não a cumprimentou. Tratou-se de uma desfeita inqualificável que a levou a afastar-se definitivamente do P.S.

Disse ter sido perseguida, ameaçada, insultada, desconsiderada durante largo tempo até ter resolvido escrever um livro em que explicava o que a levou a abandonar o partido. A partir daí a coisa melhorou. Diz que teve enorme dificuldade em arranjar trabalho após a dissidência do partido. Não a ouvi explicar por que razão se refugiou no PSD... Ou seja, por que motivo passou de comunista ferrenha a conservadora/capitalista num ápice..., o que no mínimo é curioso e carecendo de uma explicação plausível mais consentânea da realidade, eu acho. Ela fez recentemente um anúncio glorificando a importância da família e a Fé em Nossa Senhora de Fátima. Fé que ela frisa acontecer com os fiéis de todos os países católicos, Rússia incluída cujo povo A venera mais ainda pela associação que fez e faz entre o segundo segredo de Fátima e a implosão do comunismo. País este que tem como símbolo da Igreja ortodoxa russa um ícone de Kazan que era levado para as guerras pelos czars e que durante a Revolução havia sido retirado da Igreja de Kazan em São Petersburgo (Igreja transformada então em Museu da Revolução) e aparecendo mais tarde em Inglaterra, depois de ainda ter passado inclusive por Portugal e de ter tentado ser levado para a mesma Igreja por João Paulo II sem resultado, foi finalmente devolvido à sua origem onde hoje se conserva intacto para glória e adoração do povo russo.

Ela não sabe se vai a Fátima assistir à Missa celebrada pelo Papa no dia 13 de Maio. Diz que talvez a veja pela televisão.

Há um pormenor que na minha opinião poderá justificar esta sua repentina dissidência, tal como fizeram alguns colegas seus na mesma altura. É que, como bons conhecedores dos factos políticos que aconteciam na União Soviética antes dos mesmos serem tornados públicos no Ocidente, os comunistas portugueses sabiam d'antemão que aquela ideologia tinha chegado ao fim e que eles, como militantes, tinham os dias contados. Tal como ela frisou, por essa mesma altura já o comunismo havia desaparecido há muito nas democracias europeias pelo que o seu fim estava traçado no país que o havia inventado, era uma questão de tempo. Assim, perante os factos consumados eles, os militantes mais espertos e certamente mais oportunistas e menos esquisitos, para salvar a pele puseram-se ràpidamente ao fresco antes do colapso final há muito anunciado.

Maria disse...

moderador deste programa a certa altura perguntou estupidamente ao Tavares "se o capitalismo é invejoso" (a propósito dos pecados capitais que se íam debatendo), ao que o Tavares lá respondeu à sua maneira e na minha opinião pèssimamente. O pecado da inveja não reside no capitalismo mas em todos os comunismos. Os verdadeiros capitalistas não são invejosos, só os capitalistas de origem duvidosa o são. Mesmos os mais pobres dentre os pobres e que vivem em regimes capitalistas, sejam eles ditaduras ou democracias, não o são de todo, isto está estudado e provado. Basta atentarmos no modo como se comportavam os pobres que existiam no regime do Estado Novo. Nele ninguém tinha inveja de ninguém, até de quem vivia nos palácios e palacetes e nem destes que havia por todo o país ou inveja das jóias usadas pelas senhoras mesmo durante o dia ou nos espectáculos à noite, jóias que, contràriamente ao que se começou a verificar com este regime desde o 25 de Abril até hoje, os roubos e assaltos de todo o género e feitio são diários e por todo o lado, muitas senhoras usavam-nas à vontade e sem receio algum de serem assaltadas, já que semelhante assaltos seriam inconcebíveis e nem tal passava pela cabeça de ninguém. Os comunistas, pelo contrário - salvo os dirigentes que eram quase todos bem nascidos e a maioria deles da classe média - também eram e são terrìvelmente invejosos dos ricos e da classe alta e então da nobreza e da aristocracia nem é bom falar, basta ouví-los para se perceber o verdadeiro ódio que lhes nutrem. Como exemplo destes últimos temos Soares, Cunhal, Alegre, Tito Morais, Almeida Santos, Piteira Santos, Melo Antunes, Otelo, Rosa Coutinho, a própria Zita Seabra e muitos mais. A par destes e tal como estes, todos os outros mas de origem muito pobre e de famílias humildes desenvolveram o mesmo espírito de inveja exacerbada dos ricos, seja pelo meio degradado em que nasceram e cresceram mas muito principalmente pela influência negativa exercida pela ideologia comunista e por eles absorvida em menos de nada. Maus exemplos adoptados d'imediato por gente sem princípios nem referências que nada tinham a ver com o lugar mais ou menos humilde em que cresceram e viveram, mas por influência decisiva dos comunistas que lhes instigaram ódio aos ricos e ganância pelos seus bens. Riqueza e bens que em nada influíram no carácter honesto dos pobres e humildes durante todo o regime anterior.
Como é que os pobres mudaram de carácter da noite para o dia, desde ser-lhes totalmente indiferente a riqueza e a posição social do próximo, passando a cobiçar-lhe os bens e fortuna imediatamente após o 25/4? Quem sabe?, talvez por esse defeito estar-lhes inscrito no ADN mas (temporàriamente) posto de parte seguindo os bons exemplos, civismo e rectidão moral que vinha de cima, tanto da classe política como dos portugueses em geral, contudo bastando um simples clique, a somar ao incentivo comunista em simultâneo com uma forte propaganda diária, efectiva e persistente, suficiente para o fazer despoletar, trazendo à superfície com um estalar de dedos a inveja e o ódio aos ricos e bem nascidos. É dos livros.

Seria interessante saber que espécie de análise faria o José deste discurso algo paradoxal de Zita Seabra e da sua intempestiva dissidência, jamais imaginada e menos ainda esperada, do seu adorado P.C.P.

joaquim silva disse...

Para uma obra que pretende ser de investigação histórica, convém ter atenção redobrada sobre as fontes e documentos a que recorre, para evitar erros de palmatória que denunciam desconhecimento do contexto da época em que certos factos ocorreram. Um exemplo: Logo na página 12, na introdução, afirma-se que que Américo Tomás "baixou os braços" e não combateu a defender a República ameaçada por uma "conspiração fascista, nas vésperas do Golpe Militar de 28 de Maio de 1926" eplo que acabou por "ser preso no Arsenal do Alfeite e acusado de cobardia." Muito bem. Mas gostava que o Orlando Raimundo me explicasse onde obteve esta informação, porque quem investiga do ponto de vista histórico o nosso País devia saber que o Arsenal do Alfeite não existia nessa altura, só sendo construído nos finais da década de 30, tornando-se operacional apenas após o início da Segunda Guerra Mundial. Cuidado com estes pormenores, que são mais importantes do que parecem e tornam um trabalho de investigação mais rigoroso do que uma simples reportagem jornalística.